Massa, Indy e cigarros

O novo astro
26/09/2001
VICE (QUASE) PERDIDO
30/09/2001

Há um novo sonho na praça: Felipe Massa foi testar para a Sauber dia 19 em Mugello e arrebentou – no bom sentido.

Ele marcou 1’23″79 em seu primeiro teste com um Fórmula 1, sem usar pneus de qualificação e com tanque do carro mais para cheio do que para vazio. Kimi Raikkonen havia assinalado na mesma pista uma semana antes, 1’27″’16 enquanto ninguém menos do que Michael Schumacher, ele mesmo, em pessoa, havia conseguido apenas 1’24″26, dia 6 de setembro.

É verdade que Schumacher e Rubinho já rodaram em Mugello na casa do 1’22” e que Nicky Heidfeld, no dia seguinte ao teste de Massa, marcou 1’23″21 mas o bom tempo do brasileiro bastou para render-lhe a capa de Autosprint, na minha opinião a melhor e mais séria publicação de automobilismo do mundo. Além de considerar o temporal do moço, Autosprint relembrou que Raikkonen demorou muito mais do que Massa para pegar a mão do Sauber quando o testou pela primeira vez.

Compartilho o entusiasmo pelo bom desempenho do jovem brasileiro mas quero lembrar que:

– Peter Sauber é uma raposa esperta e ladina. Ele acaba de perder para a McLaren um talvez futuro campeão mundial e precisa urgentemente mostrar aos seus patrocinadores malaios de que é capaz de repor o talento de Raikkonen.
– Fazer um Fórmula 1 andar mais rápido é muito fácil: basta retirar um pouco de lastro do carro.
– O Sauber deste ano é um carrão, graças ao talento do projetista Sergio Rinland e ao apoio da Ferrari que, além de fornecer o motor, vendeu pacotes aerodinâmicos e provavelmente toda a parte eletrônica. Pois bem. Há informações de que Rinland está de mudança para a Arrows, ainda que esteja garantido o suporte Ferrari ao Sauber de 2002, graças ao dinheiro que entrou com a venda do passe de Raikkonen para a McLaren. O que quero dizer é que, talvez, no ano que vem, a Sauber não seja grande coisa.
– A Sauber está em 4º no campeonato de construtores deste ano, com 20 pontos. O carro, como já disse, é bom e Heidfeld e Raikkonen foram agradáveis surpresas mas, também, correndo contra as cadeiras elétricas da Jordan, Bar, Benetton e Jaguar, até eu…
– Massa tem um empresário esperto pra burro, dono de equipe e muito bem relacionado.
– O campeonato europeu de Fórmula 3000, que Massa disputou e venceu, não é, para ser gentil, minimamente representativo daquilo que se considera um campeonato de elite.

Dito isso, reafirmo minhas expectativas otimistas em relação ao brasileiro. Vamos torcer para que ele se adapte bem à potência descomunal da Fórmula 1 (Massa já reclamou de fortes dores no pescoço logo depois do teste), à questão dos pneus e à toda pressão esportiva, econômica e mundana a que está sujeita um jovem talento na Fórmula 1.

A hora é de cruzar os dedos.

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Confesso que foi mole acertar os resultados do GP de Monza. Mas prever Indy não é não. As principais variáveis são o desempenho da Williams e o estado de espírito de Michael Schumacher. Além disso, não quero jogar terra sobre a McLaren.

Algumas pessoas dizem que a Williams é favorita graças às características da pista mas não sei não. Indy mescla um trecho muito rápido com um miolo bastante lento, em boa parte trafegado abaixo dos 180 km/h. E a Williams, você sabe, ou vai bem ou vai mal; não há meio termo.

Quanto a McLaren, lembro que eles correram bem no ano passado em Indy, ainda que não o bastante para vencer. A equipe parece ter perdido a mão na segunda metade da temporada deste ano e não sei qual é o estado de espírito dos ingleses. Mas não me surpreenderia com uma boa corrida de Coulthard e Hakkinen.

Mas só há lugar para um vencedor, de forma que aposto em Michael Schumacher. Tenho boas expectativas também em relação a Rubinho e, sei lá porque em Hakkinen.

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Outro dia alguém me perguntou por que nenhum piloto fuma. De fato, é raríssimo ver pilotos fumando – acho que o único que se deixava fotografar pitando sem medo era o Keke Rosberg – mas a coisa é mais por pudor mesmo.

Entre os que não têm ou tiveram vergonha de aparecer fumando estão Juha Kankkunen e Cris Amon.

Juha, quatro vezes campeão mundial de rally, 23 vitórias, 42 anos, mandou fixar no painel de seu Hyundai Accent uma caixinha de plástico transparente. Lá dentro, uma cigarilha, fósforos e a inscrição: “quebre em caso de emergência”. Já Cris Amon, nos idos de 60, não sei bem o ano, costumava largar em seu Ferrari de Fórmula 1 com um maço de cigarros no bolso. É que o carro quebrava tanto durante a corrida que o neozelandês não queria se arriscar a esperar o fim da corrida para fumar um cigarro.

Outro fumante inveterado – ainda que mais discreto – foi (ou ainda é, não sei) Alain (arghhh) Prost. Patrocinado durante muito anos pela Marlboro, ele escondia diligentemente a marca do cigarro da sua preferência, provavelmente um arrebenta-peito tão do agrado dos franceses.

E resta sempre a lenda de Cyro Caires, que correu e ganhou dezenas de corrida nos anos 60 e começo dos 70 no Brasil. Dizem que ele, que corria em carros fechados, pilotava fumando, tomando apenas o cuidado de tirar o cigarro da boca quando passava à frente dos boxes.

É isso

Edu

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