Muitas corridas, muita emoção?

O salvador
16/03/2016
Upgrade
21/03/2016

21 corridas e novas regras garantem um campeonato emocionante?

O ano da graça de 2016 vai finalmente começar no mundo da Fórmula 1. Chegou o sonhado dia de ver as novidades do ano em pé de igualdade, disputando nada mais, nada menos que o troféu sonhado de Grand Prix. Grand Prix mesmo, de verdade, aquele dos sonhos das crianças que assistem a F1!

A Austrália carrega toda nossa ansiedade e a honra de abrir a temporada, dessa vez com uma equipe novinha em folha, retornos, relançamentos e uma interminável lista de assuntos burocráticos para deixar a F1 mais agradável para quem assiste. Para melhorar, para os fãs de velocidade que amam essa categoria, um delicioso giro por 21 uma localidades diferentes.

“É muita corrida, amigo” gritaria alguém na narração. Muitas corridas têm relação direta com muita emoção? Quem arrisca?

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O ano começa com uma chacoalhadinha nas regras. Nada grave, nada demais, mas o pretexto é simples: uma equipe só ganhando é chato e vamos mexer nesse angu pra não rolar caroço.

Acontece que o pessoal que cuida desse assunto na F1 tem a sensibilidade de um Mamute andando em uma bicicleta. E o que aconteceu? Uma salada.

É complexo de explicar. Dá vergonha. São cenas fortes, mas tudo bem. Vamos lá! Novas regras!

Começando pelos motores. Depois que colocaram os motores 1.6 Turbo, congelaram muitas áreas de desenvolvimento consideradas caras. Também avisaram que haveria um sistema de moedinhas (“Tokens”) para você gastar por temporada. Certo? A cada ano esse número de moedinhas diminui, para você gastar menos e o mundo ser mais harmonioso. Deu tudo errado porque a Mercedes estudou direitinho o que deveria fazer e abriu um caminhão de vantagem pra classe. Resultado: desenvolvimento liberado em todas as áreas e limite de tokens igual ao do ano passado, sem revisão.

Depois, vem os pneus. Fácil, fácil de explicar. Qualquer aspirante a fã da Formula 1 vai entender em um estalar de dedos! A Pirelli vai disponibilizar 3 tipos de pneus por corrida. Você escolhe os que você quer usar com meses de antecedência. Pode escolher um, dois ou os três tipos. Só que dois são obrigatórios, tem que ter um joguinho ao menos para cada carro. Destes dois joguinhos obrigatórios, um deles tem que ser usado na corrida. Ficou fácil de entender e explicar pra juventude fã de F1, não é? Agora resumido para ficar bem fácil. São 13 jogos por final-de-semana. 1 deles é exclusivo para o Q3 e igual para todo mundo que chegar lá. 2 jogos serão definidos pela Pirelli, de tipos diferentes com obrigatoriedade de usar ao menos 1 na corrida. Os outros 10 cada piloto pode escolher o que achar melhor. Isso significa que o Rosberg pode ter no dia da corrida só médios disponíveis e o Hamilton só macios, além do outro composto obrigatório. Na dinâmica da corrida, já é difícil explicar as diferenças de estratégia, agora vai ser ainda mais complexo considerando que não há uma uniformidade no material pneumático disponível.

Galvão aplaude.

Pra fechar o capitulo Regras, a classificação! Que espetáculo! Quem joga videogame adorou. Essa é fácil e a maior curiosidade é como será feito na TV, quais os gráficos desenhados e para os coitados que estão na arquibancada. A jogada é a seguinte: todo mundo na pista rodando no Q1. Depois do sétimo minuto o mais lento é eliminado. Acabou. Seu carro explode, perde uma vida. Depois de 1m30s, o mais lento dos restantes é eliminado, até sobrarem 15 jogadores na sala. No Q2, a bagunça eliminatória começa no sexto minuto e sobram 8 malucos para o Q3.

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Ainda sobre pneus. Olha aí quem já participou da peleja e suas vitórias:

1 – Goodyear – 495
2 – Pirelli – 299
3 – Bridgestone – 244
4 – Michelin – 215
5 – Firestone – 121
6 – Dunlop – 120
7 – Englebert – 32
8 – Avon – 22
9 – Continental – 13

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“Dança das cadeiras”, é o nome mais estúpido que deram para isso.

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O apelo do Q3 é o duelo pela Pole. A festa da eliminação começa no quinto minuto e nos últimos 1m30s só 1º e 2º na pista para aquela voltinha salvadora.

Ou não, porque pode valer aquela volta que o cara fez no minuto 1 do Q3 e ninguém andar nada para melhorar e recolher os carros.

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Desses 3 grandes novos pacotes de regras, na sua opinião, sincera, ficou mais fácil de atrair fãs para a Formula 1? Te deu vontade de convidar os amigos em casa e mostrar o esporte que você tanto gosta?

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O que podemos esperar para essa temporada é ama grande incógnita. Mesmo se a Mercedes dominar a peleja. Por que? Simples! Será que Rosberg vem pro jogo com motivação e, mesmo assim motivado, é suficiente para bater os melhores dias do ultra-motivado Lewis?

A Mercedes jura de pé junto que a Ferrari cresceu absurdamente e está ali ameaçando seus domínios. Difícil de acreditar, mas Vettel motivado impõe respeito. Se a Ferrari cresceu o suficiente mesmo para competir pelo título mundial, só saberemos lá pela 5º etapa. Ficamos na torcida.

De verdade verdadeira mesmo só sabemos que a Mercedes não quebra. É a única conclusão possível dos curtíssimos testes de inverno. E sobre os testes ficamos com as sábias palavras do pensador Toto Wolf (primeiro no original): “But it’s like the famous saying, on Sunday when the flag drops the bullshit stops.” Em uma tradução livre: A hora que começar a corrida, param as asneiras.

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Se a Ferrari for competitiva, o que fará Alonso que tinha contrato com os vermelinhos? Chora em posição fetal?

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Tirando as duas equipes ali da frente do pelotão, vamos ter um dos anos mais interessantes na briga do “meião”, principalmente porque não sabemos quem vai estar na turma do fundão, o popular pelotão da merda.

Desde 2010 estamos acostumados a ver a cadeira cativa na rabeira reservado para as nanicas HRT, Lotus/Caterhan, Virgin/Marussia. Agora ninguém sabe a quem vai restar a honra de fechar o grid. Não há pistas, a disputa é grande. Tem Haas, por ser novata. Tem a Manor, por ser a mais experiente nessa matéria. Tem também a Mclaren que curte um vexame, como foi provado em 2015. Tem a Renault que vai ser obrigada a andar de motor Renault. E, por favor, ninguém esqueça da Sauber. Os candidatos são os mais variados e os testes não indicaram uma distância colossal entre os participantes que justifique uma aposta certeira.

Subindo um pouquinho na tabela provável desse grandioso 2016, temos uma grande briga para saber quem comanda a listinha de pontos que sobrarão. Force India, Williams, Toro Rosso, Red Bull estão ali com seus carros honestos, nada brilhantes, mas nada ruins, esperando estabelecer uma ordem de superioridade. Esse “pedaço” do grid promete ser muito animado! Com a estabilidade das regras técnicas (e ninguém com grandes investimentos) é bem possível que se apresente um cenário de compactação desse pelotão. Um pequeno deslize em uma classificação que custe um ou dois décimos deve tirar o piloto do Q3 no que poderia ser uma classificação fácil entre os 8 primeiros.

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Divertido ou não, competitivo ou não, serão longas 21 provas no ano. Só cinco motores por carro. É uma campeonato de endurance disfarçado de Fórmula 1. Os pontos altos? O novo circuito em Baku, no tal do Azerbaijão, e a volta do mutilado Hockenheim. É de se pensar o que aconteceria se a Mercedes andasse hoje no velho Hockenheim com suas retas intermináveis.

Sem contar a corrida em Baku, serão 1218 voltas por 6096,09 quilômetros. Mas por que sem contar Baku? Por que ninguém sabe o tamanho que o circuito vai ficar. Nem a FIA, nem o GPTotal.

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Nessa salada toda, chegou a HAAS! A primeira equipe séria dos últimos 5 anos. Na história, é a equipe de número de 166 na F1. O primeiro grande desafio do time é fazer um carro que vire para os dois lados, a experiência da NASCAR não ajuda muito nesse sentido.

Vida longa e próspera ao time americano.

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Circuito: Albert Park
Voltas: 58
Comprimento: 5.303 km
Distância: 307.574 km
Recorde da Pista: 1:24.125 – M Schumacher (2004)

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Programação
Quinta-Feira: 22h30 – 1º treino livre
Sexta-Feira: 2h30 – 2º treino livre
Sábado: 0h – 3º treino livre e 3h – Classificação
Domingo: 2h – Corrida

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Nos nossos melhores sonhos nunca imaginamos ver um campeonato com tantas corridas e tanta novidade para entender. A única preocupação é como isso vai se refletir na pista. Emoção? Tédio? Quando o semáforo de Melbourne apagar suas luzes vamos começar a entender o que 2016 nos reserva.

Qual sua aposta para essa temporada? Vamos anotar nos comentários e conferir no fim do ano?

Boa Temporada!

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

6 Comentários

  1. Sandro disse:

    A dança das cadeiras foi um mico gigantesco. Vergonha alheia para a F-1! Acabou! Durou um dia!

  2. Mauro Santana disse:

    Flaviz!

    Acho que o favorito continua sendo o Hamilton, porem, minha torcida esta com a dupla da Ferrari, e espero muito que eles consigam pararas Mercedes.

    Uma excelente temporada pra todos nós!

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

    • Flaviz disse:

      Mauro,
      Vamos deixar umas 3 vitórias pro Vettel, uma pro Kimi e o título pro Hamilton?

      Agora, é o fim da picada uma Mercedes não passar uma Toro Rosso no meio de uma corrida!

      Abraços

  3. Fernando Marques disse:

    Flavis,

    gostei da esportiva … estou rindo até agora com o 1º desafio da HAAS …
    A temporada vai começar e não resta dúvidas que:
    – quem gosta de saladas de frutas o campeonato está perfeito.
    – quem inventou este regulamento deve ter feito pós graduação em alguma Federação de Futebol da qui do Brasil.
    Com relação a situação do Alonso te faço uma pergunta. Ele estaria ganhando atualmente os rios de dinheiro que ganha na Mclaren se ainda estivesse na Ferrari? Pelo que sabemos ele detêm o maior salário da Formula 1 … e talvez isso explique as preferências dele e o prazer de ter curtido um pouco o sol de Interlagos como fez no ano passado … pensa bem o cara não deve ter problemas …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    • Flaviz disse:

      Fernando,
      Acredito que ele não teria problemas financeiros na Ferrari também. Com certeza nós nos preocupamos muito mais do que ele próprio.

      Abraços

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