No devido lugar

Começou a temporada.
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A sede de vencer e a carta
15/05/2015

O GP da Espanha fez colocar tudo no seu lugar.

Na última quarta-feira, alemães foram massacrados em Barcelona. Ontem, foram eles a imporem massacre na charmosa capital catalã.

Duas Mercedes, duas Ferrari, duas Williams: de certa forma, parece que a pista de Barcelona — a mais conhecida e visitada pela F1 — só fez colocar todas as coisas em ordem. Essa é, também, a sequência do mundial de pilotos, com os dois pilotos da Mercedes, os dois da Ferrari e os dois da Williams.

A prova fez mostrar que a diferença da Mercedes para o resto é de fato enorme, e as esperanças de que a Ferrari se aproximasse estão cada vez mais reduzidas: Vettel, com pitstops mais rápidos e com uma parada a menos que o britânico, terminou 28 segundos atrás de Lewis Hamilton.

Por outro lado, a volta de Rosberg à briga é bom indicativo à temporada, não apenas porque isso evita que Hamilton ganhe o campeonato em julho (Schumacher, 2002…), mas porque também permite o sonho a Vettel: apesar do gap técnico que separa seu Ferrari dos adversários ser flagrante, é sempre ele o next man.

Finalmente Nico Rosberg estreou no campeonato 2015!

O alemão dominou o fim de semana: melhor tempo nos treinos livres 1 e 3, e a pole-position. Na corrida, performance segura, mantendo-se à frente de Hamilton e conseguindo equilibrar-se em performance mesmo quando o inglês parecia descontar tudo: na metade da prova, quando Lewis colocou pneus médios, chegou a girar apenas 0.1s mais lento depois de Hamilton ter diminuído sensivelmente a distância. No final, após sua última parada, conseguiu girar no mesmo tempo de Lewis (apenas 0.071 acima) logo na primeira volta rápida.

Não se pode dizer se Hamilton de fato lutaria pela corrida, mas de certa forma foi a performance de Vettel que praticamente garantiu a vitória a Rosberg: Lewis, em péssima largada, simplesmente não conseguiu superar o alemão da Ferrari antes da metade do GP. Nesse momento, Rosberg já tinha vantagem tranquila o suficiente para recuperar-se após os pitstops, e Hamilton e Mercedes já miravam uma estratégia de três paradas para garantir a dobradinha.

Fica a expectativa para a próxima etapa, onde Hamilton sempre andou bem mas Rosberg conseguiu superá-lo nos dois anos anteriores, quando começaram a dividir equipe.

Na sequência da hierarquia, a Williams mostra que tem bom potencial (candidata a eventuais pódios), e mais uma vez deixa claro qual de seus pilotos é mais rápido: depois de não participar da primeira etapa e ter sido superado por Massa nos primeiros treinos, Valtteri Bottas já se mantém constantemente à frente do brasileiro.

Na Espanha ele foi um dos grandes destaques, resistindo às investidas de Räikkönen na parte final da prova e conquistando uma boa quarta colocação, que agora o coloca à frente de Massa também nos pontos.

As outras duas “grandes” apagadas, McLaren e Red Bull, também tiveram alguns diagnósticos definitivos na Espanha: Christian Horner disse que a temporada acabou e pede que a Renault se arrisque em inovações para o propulsor; Jenson Button declarou que as primeiras 30 voltas da prova foram os momentos mais assustadores de sua vida e crê que até mesmo os pontos estejam fora do alcance em 2015.

Alonso até conseguiu demonstrar possibilidades no McLaren-Honda (andou em sétimo dado momento da prova), mas mais uma vez foi vítima de problemas de equipamento: em Montmeló os vilões foram os freios.

O momento humor do GP da Espanha ficou mais uma vez por conta da Lotus: quando não é Maldonado é Grosjean, e vice-versa.

Desta vez foi o francês, ao atropelar um dos mecânicos em seu pitstop.

Mas não se preocupe, Grosjean: isso acontece com os melhores!

httpv://youtu.be/odhAbHgfk_c
Schumacher no GP da Itália de 2000

Felipe Nasr teve um fim de semana “sem sal”: nada fez, nada melhorou (ganhou posições com as quebras ou outro tipo de problemas dos adversários), nada comprometeu.

Depois de um ótimo começo de temporada, o brasileiro aos poucos vai reconhecendo a dura realidade das equipes do meio do pelotão. No entanto, Nasr vai sendo muito bem-sucedido naquela que é sua única missão possível: até aqui, superou seu companheiro de equipe em todas as corridas e só foi superado em um dos cinco treinos.

Por falar em treinos, um parêntesis: especulava-se que Lewis Hamilton pudesse dominar totalmente as classificações  (sim, o britânico ainda é favorito a levar o “Pole trophy” de 2015), e pela primeira vez desde 1999 um piloto marcava a pole nas 4 corridas iniciais de uma temporada.

No entanto, apesar de um número relativamente baixo (8), o recorde de pole-positions consecutivas estabelecido por Ayrton Senna entre 1988 e 89 parece um desafio ao tempo. Bem, as 9 vitórias seguidas de Alberto Ascari levaram 60 anos até serem igualadas por Vettel em 2013…

Por outro lado, Hamilton ainda mira o recorde de 24 primeiras filas consecutivas, também de Ayrton Senna: Hamilton larga entre os dois primeiros desde o GP da Bélgica do ano passado — já são 13.

Teremos nova polêmica sobre irregularidades?

Niki Lauda levantou a bola: há equipes dispondo de um “tanque extra” e, assim, usando gasolina acima do permitido.

Estaria o austríaco falando da Ferrari?…

A Fórmula 1 continua em Barcelona para a sessão de testes desta semana, e volta a se reunir daqui a duas semanas, em Monte Carlo.

Abraços,

Marcel Pilatti

Marcel Pilatti
Marcel Pilatti
Chegou a cursar jornalismo, mas é formado em Letras. Sua primeira lembrança na F1 é o GP do Japão de 1990.

7 Comentários

  1. Rafael Carvalho disse:

    Das pistas europeias a que menos gosto é da Catalunha! Uma pista sem graça, sem emoção e quase não tem ultrapassagens! Esta sim seria uma pista que se um dia sair do calendário, ao meu ver não fara falta! Gostaria de ver Jerez De La Frontera de volta.

  2. Fernando Marques disse:

    O que tinha de ser dito sobre a corrida, foi dito pelo Marcel e Mauro. Nada a acrescentar.
    Com relação a Formula E faço duas perguntas:
    1) Por que mudaram o traçado da pista Mônaco? …
    2) Qual é a bronca existente entre o Nelsinho Piquet e Lucas de Grassi que andaram se estranhando durante os treinos? Um sequer nem olha pra cara do outro …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    • Lucas dos Santos disse:

      1) Primeiramente porque a Fórmula E tem por hábito utilizar pistas “encurtadas”. Segundo, porque, ao menos nessa temporada, a categoria deseja oferecer traçados totalmente novos, de modo que nenhum piloto leve vantagem por já conhecê-los de outras categorias.

      2) O Nelsinho acusou o Di Grassi de tê-lo bloqueado deliberadamente durante a classificação, arruinando sua volta rápida: https://twitter.com/FIAformulaE/status/596985224141086720

      • Fernando Marques disse:

        Lucas,

        essa bronca eu sei, mas eles já não se falam desde antes. Em Punta del Leste um ficou sentado ao lado do outro … eles sequer se cumprimentam … tem mais rolo aí neste embrólio …
        Vale pela explicação da mudança do traçado da pista de Mônaco … mas cá entre nós ficou bem ruim … o Bruno Senna reclamou …

        Fernando MArques

  3. Mauro Santana disse:

    Belo texto Marcel!

    Só digo uma coisa, as corridas da F1 estão cada vez mais chatas e monótonas, tupo por conta de regulamentos cada vez piores.

    A F-E é que vai bem das pernas.

    Abraço a todos e boa semana.

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

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