Nos anos 70, um piloto em cada quatro morria nas pistas

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Panda

O GP dos Estados Unidos de 73 e o “fim” da equipe Tyrrel foi um daqueles momentos em que a Fórmula 1 torna-se o mais cruel dos esportes, juntando acidente e fatalidade. As pessoas costumam confundir uma coisa e outra: acidente é algo que não pode ser previsto; fatalidade, pelo contrário, é algo do qual não se pode escapar.

A morte de François Cevert – sempre descrito como o mais belo dos pilotos – foi produto de um acidente provocado como tantos outros pela insegurança geral dos carros e das pistas (a dinâmica do acidente, aliás, nunca me ficou clara. Parece que o carro saltou sobre a zebra e voou por cima do guard-rail). Mas tamanha era a insegurança e imprevidência que, naquela altura, morrer nas pistas podia ser considerado fatal, uma questão de tempo.
Entre meados de 70 e o final de 73, apenas para citar pilotos bem conhecidos que corriam regularmente na Fórmula 1, morreram nas pistas Bruce McLaren, Piers Courage, Jochen Rindt, Ignazio Giunti, Jo Siffert, Pedro Rodriguez, Jo Bonnier, Roger Williamson e François Cevert. Neste período, uns 36 pilotos tomaram parte regular nos Grandes Prêmios, de forma que temos uma relação de uma morte para cada quatro corredores, parecida com a de pilotos de caça em combate. Se isso não é uma fatalidade, então não sei o que é.

Mas a forma como tudo aconteceu foi cruel demais. Todos viam Cevert como um irmão mais novo, com grandes chances de se tornar campeão no ano seguinte. Além do mais, era a corrida de despedida de Jackie Stewart e a última do campeonato que ele próprio havia conquistado. Talvez a maior virtude de um piloto nesta altura fosse encerrar sua carreira vitorioso – e inteiro. Ponto para Fangio e Stewart. Outros pilotos do mesmo calibre – Ascari e Clark (mortos nas pistas) e Moss (que encerrou a carreira depois de uma acidente em treinos) -, não podem dizer o mesmo.

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Sobre o Rubinho, não sei se a situação dele na Ferrari muda muito por causa do título do Schumacher.
A questão não é ferrar com o Rubinho mas sim dedicar a ele mais do que o mínimo de atenção necessária. A Ferrari é uma equipe totalmente voltada para o Schumacher. Para eles, talvez valha mais uma vitória num GP do alemão do que o vice-camapeonato do Rubinho. Isso, você e eu já ouvimos falar de todos os jeitos possíveis. Mas pense nesta pequena história contada pelo Irvine para a Formula 1 Magazine.

GP do Canadá/98. Irvine tinha pressa de voltar para a Irlanda, sei lá porque, depois da corrida. Por isso, acertou com um helicóptero para leva-lo diretamente do autódromo para o aeroporto, onde pegaria um jatinho para New York, de onde embarcaria em classe executivo num vôo direto para Dublin.

Schumacher, porém, bate logo no começo da corrida. Entediado, vê um helicóptero dando sopa… e, sem pensar duas vezes, deixa Irvine na mão. Resultado: ele se atrasou para tomar o jatinho, perdeu o vôo em NY e teve de voltar de classe econômica para Irlanda, com o troféu de 3º colocado embaixo do braço.

Já falamos sobre nossas desconfianças sobre o título perdido pelo irlandês em 99, depois do acidente de Schumacher. Creio que a identidade entre o alemão e a Ferrari é tão grande que a equipe pode perfeitamente aceitar a idéia de perder um título só para não contrariar muito o seu campeão. Por que deveria se preocupar além de um certo limite com o vice-campeonato do brasileiro, ainda mais que já garantiu o título de construtores?

Por isso, não acredito que as coisas mudem muito para Rubinho. Ele terá de se virar. Facilidades por parte do Schumacher, só nas últimas corridas, se a corrida estiver fácil, se o vice-campeonato depender de um ou dois pontos e se o alemão estiver de boa lua.

Grande abraços

Eduardo Correa

Eduardo Correa
Eduardo Correa
Jornalista, autor do livro "Fórmula 1, Pela Glória e Pela Pátria", acompanha a categoria desde 1968

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