O paradoxo de nosso tempo

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A categoria tenta permanecer e se justificar como “pináculo do esporte a motor”, mas se vê diante de medidas forçadas para se simplificar, pelo simples fato de que pode implodir.

Há muito circula por aí, e isso antes mesmo da internet, o texto “O paradoxo de nosso tempo”. Tal obra, que elenca uma série de contradições da frenética sociedade industrial e tecnológica do Século XX, é atribuída ao falecido comediante americano George Carlin. O texto também é creditado a outros autores e até mesmo ao Dala Lama. O texto, na verdade, foi escrito por Bob Moorehead, um pastor cristão da cidade de Seattle, nos Estados Unidos.

(Interessante constatar, portanto, que o texto tem em si seu próprio paradoxo: ele tenta nos servir de profunda mensagem de alerta, mas tropeça em uma simples checagem de fonte por parte de seus propagadores…)

Vamos nos ater ao tema paradoxo. Não podemos negar que a Fórmula 1 passa por um período em que jamais esteve tão sufocada por paradoxos, a maioria de difícil resolução técnica, esportiva e financeira. A categoria perdeu o rumo, perdeu o Norte: dissolveu ou deformou grande parte de seus Fundamentos, brilhantemente elencados pelo nosso querido chefe Edu.

A categoria tenta permanecer e se justificar como “pináculo do esporte a motor”, mas se vê diante de medidas forçadas para se simplificar, pelo simples fato de que pode implodir.

Meu amigo e xará Lucas Carioli falou justamente disso em seu texto anterior. Os sistemas complexos dos powertrains híbridos causaram muita disparidade de desempenho, amplificado pelas regras idiotas que praticamente congelam o desenvolvimento durante a temporada.

Esse congelamento levou inclusive a uma reversão de tendência histórica, em que a segunda temporada sob novo regulamento costuma ser mais competitiva que a primeira – como apontou meu irmão Márcio Madeira em texto escrito no começo do ano. Tanto 2014 quanto 2015 foram um massacre prateado. Mérito para eles? Claro que sim, eles foram excelentes. Mas o regulamento, isto é fato, tirou as armas da concorrência.

Bernie Ecclestone trabalha agora nos bastidores para a categoria voltar aos V8 2.4 aspirados, testados à exaustão, para substituir os complexos e impopulares V6 1.6 turbo híbridos. A medida soa como total desespero, e não mais como uma simples bravata à La Bernie, das quais estamos cansadamente acostumados.

Isso acontece em meio a um possível colapso do grid, uma vez que a Red Bull está em processo de divórcio com a Renault e tanto esta quanto Toro Rosso estão sem propulsores para o próximo ano. Mercedes, Ferrari já negaram fornecimento. E a costura de um arranjo com a Honda (mesmo com seu powertrain pífio) não tem a menor chance de acontecer com a McLaren no meio do caminho.

No pior cenário possível, em que os touros se retiram, e considerando que Force India, Lotus, Manor e Sauber estão com extremas dificuldades financeiras, a temporada 2016 pode ter 18, 16, 14, 12 (!) carros no grid, mesmo com o ingresso da americana Haas. É um alerta-vermelho geral.

Seja qual for o cenário, fica cada vez mais escancarado que a grande vedete tecnológica hoje nas corridas globais é o Mundial de Endurance (WEC), que tem um regulamento muito mais inteligente para que as equipes de ponta (Porsche, Audi e Toyota) trabalhem a engenharia de seus powertrains híbridos. A maior prova disso é que as três marcas possuem motores e sistemas de recuperação absolutamente diferentes entre si, mas com resultado parecido.

Sabemos quais são os três principais responsáveis por essa crise de identidade que a F1 enfrenta: Mack Mouse, ex-presidente da FIA, Jean Todt, atual presidente, e Bernie Ecclestone, o czar dos direitos comerciais da F1. Eles, no momento, são parte do problema, o que me faz acreditar que não possam, em futuro breve, fazer parte da solução.

Mack, que começou a deformar os regulamentos de maneira perigosa a partir de 2003, mudando tabela de pontos e formato de classificação, já foi devidamente ejetado de seu poder, e está “ajudando” atualmente ao não atrapalhar mais. Resta o que Todt e Bernie podem fazer.

Por sinal, muitos dos entusiastas da F1 só conseguem enxergar um panorama positivo de mudanças quando Ecclestone, no alto de seus 85 anos, completados justamente hoje (28), saia de cena.

Não compartilho do mesmo otimismo. Ecclestone, um clássico centralizador, concentra poderes demais em suas mãos. Quando ele sair de cena, é muito provável que exista uma grande guerra entre quatro grandes esferas para preencher os espaços de poder vagos: FIA, FOM (turma do Bernie), acionistas da F1 e equipes. O horizonte para mim não tem céu claro, mas nuvens bastante carregadas.

A lembrar que Ecclestone começou ao lado das equipes, como proprietário da Brabham, para depois se virar contra estas ao tomar o poder dos direitos comerciais da categoria, num processo gradual e que o deixou não apenas muito rico, como também muito poderoso.

Como bom seguidor do Liberalismo Austríaco, penso que o principal erro da F1 foi ser intervencionista demais, como os governos populistas. Se metem onde não conhecem e, a título de solução, criam uma miríade de novos problemas que antes não existiam.

Desconfio fortemente que eles não sabem mais o que fazer.

A Fórmula 1 quer ver disputa entre equipes, mas as regras proíbem testes e engessam o desenvolvimento dos motores;

A Fórmula 1 quer atrair grandes montadoras automotivas globais, mas pouco ou nada permite que estas consigam usar a categoria como laboratório para aprimorar engenharias e sistemas para seus carros de rua;

A Fórmula 1 almeja ter cada vez mais televisores ligados em suas corridas, mas negocia cada vez menos contratos de TV aberta, priorizando canais por assinatura.

A Fórmula 1 quer usar a internet para vender produtos das equipes e tudo relacionado ao esporte, mas faz verdadeira caça às bruxas contra vídeos que circulam na rede, alegando direitos autorais;

A Fórmula 1 comemora o pódio com champanhe, mas está próxima de proibir publicidade de bebidas alcoólicas;

A Fórmula 1 almeja ter pilotos de expressão, mas não permite que estes corram em outras categorias ao mesmo tempo;

A Fórmula 1 sabe o quanto são benéficos os grids embaralhados, mas veta os pneus de classificação;

A Fórmula 1 quer parecer bacana, mas não deixa pilotos pintarem seus capacetes à vontade, nem mesmo comemorar a vitória como bem quiserem;

A Fórmula 1 alega se preocupar com a ecologia, mas tem pneus que deixam as pistas um nojo após as provas, com tanto detrito de borracha;

A Fórmula 1 quer premiar as boas atuações, mas cria caixas de escape de asfalto, onde os pilotos erram à vontade e voltam para a pista;

A Fórmula 1 pune pilotos por quebra de motores e câmbio, mesmo que estes não possam mais provocá-las;

A Fórmula 1 quer ver pilotos arriscarem táticas diferentes, mas os obriga a usarem pneus iguais;

A Fórmula 1 tenta fazer justiça a cada lance de batida, mas negligencia totalmente o termo “acidente de corrida”;

A Fórmula 1 tenta passar uma imagem de tradicionalista, mas se vende por qualquer cheque polpudo de países não-democráticos, abandonando seus fãs de longa data;

A Fórmula 1 quer que as pequenas equipes sobrevivam, mas peca na distribuição de receitas;

A Fórmula 1 quer conquistar a juventude, mas não tem uma simples conta de Facebook;

A Fórmula 1 quer corridas com resultados diferentes em circuitos que são todos iguais;

A Fórmula 1 tenta pregar um regulamento igualitário, mas permite atentados à isonomia do esporte como o famigerado DRS.

A Fórmula 1 quer oferecer emoção, mas sempre pensa em fazê-lo com algum expediente artificial;

A Fórmula 1 quer respirar democracia, mas vive uma ditadura;

O texto de Moorehead termina com uma mensagem importante:

– Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre. Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado.

Quem está do lado da F1? Os garagistas, aqueles que não estão lá apenas para vencer, mas para participar. Por que? Porque amam muito tudo isso. O que Bernie pensa? Não é possível atrair todas as montadoras e marcas mundiais para a Fórmula 1 ao mesmo tempo, bebê. Eles são gigantes interessados apenas em resultados e vitórias. Se não vencem, caem fora. Ou você não lembra de ter contado com Ford/Jaguar, Peugeot, BMW e Toyota num passado recente? É preciso agradecer todo dia em que um garagista com gasolina nas veias quer participar.

E além destes, os fãs incondicionais, capazes de apontar todos os erros do presente em nome de um melhor futuro – sobretudo espelhando-se no melhor do passado.

Em meio a tantos paradoxos, são justamente estes dois grupos que mais estão sofrendo no momento.

Abração!

Lucas Giavoni
Lucas Giavoni
Mestre em Comunicação e Cultura, é jornalista e pesquisador acadêmico do esporte a motor. É entusiasta da Era Turbo da F1 e das 24 Horas de Le Mans.

19 Comentários

  1. Lucas dos Santos disse:

    Excelente coluna, xará!

    Não vejo uma luz no fim do túnel para a Fórmula 1. É uma categoria que já chegou ao seu fim e hoje “respira por aparelhos”. A Fórmula 1 é uma categoria “de topo” – ou que ainda pretende sê-lo. Ser “de topo” custa caro. E as equipes não conseguem mais arcar com os custos.

    Se tentar reduzir os custos, porém, isso significa abrir mão de novas tecnologias, e poderá fazer a categoria deixar de ser “de topo”. É isso que ninguém quer, mas é esse o rumo que as coisas estão tomando, com regulamentos cada vez restritivos em nome da contenção de custos.

    Por ouro lado, se a preocupação com custos for deixada de lado e a categoria resolver valorizar o fato de que, por ser “de topo”, participar dela é um privilégio e não um direito – só para “quem pode” e não para “quem quer” – só vão sobrar os carros da Ferrari e da Mercedes no grid!

    Por isso não vejo solução para a atual crise causada pelos altos custos da categoria, que as equipes mal conseguem arcar. A categoria não quer “se rebaixar”, fazendo “caridade” para se tornar mais acessível a equipes menores – embora seja isso que esteja acontecendo atualmente – mas depende das equipes para continuar existindo. Confesso que não sei o que poderia ser feito para aliar alto nível a baixo custo.

    • Marcelo C.Souza disse:

      Assino embaixo, Lucas!!!

      Infelizmente, a F-1 está mesmo em um beco sem saída! Quando menos esperarmos, a categoria que sempre se julgou ser a “rainha do automobilismo mundial” será apenas uma mera lembrança.

      Um forte abraço a todos do GPTotal !!!!!

      Marcelo C.Souza
      Amargosa-BA

      • Lucas Giavoni disse:

        Este é o ponto principal do texto, meus amigos. Vocês realmente entenderam a mensagem.

        Antes, os paradoxos eram poucos, e a resolução para eles era relativamente fácil. Mas os tais paradoxos foram se acumulando, acumulando, acumulando… E agora eu sinceramente posso até ter uma sugestão ou outra que possa ser eficaz em questões pontuais, mas que não resolvem a situação “macro”. O “big picture” está seriamente comprometido.

        Vamos assistir, apreensivos, os desdobramentos disso tudo. Infelizmente apenas torcendo para que soluções lógicas e lúcidas consigam paulatinamente reverter todo esse nó cego.

        Abração!

        Lucas Giavoni

  2. Juliano Carvalho disse:

    Ah, como eu queria que o pessoal do Podcast F-1 Brasil lesse esse texto! Especialmente o o Siverly.

  3. Fernando Marques disse:

    Lucas,

    eu acho que você disse tudo e de uma forma tão clara quanto tão simples.
    Está tudo errado.
    Dinheiro x politica x esporte não presta.
    A Formula 1 precisa voltar a ser um esporte.
    A Formula 1 precisa a voltar a ter méritos esportivos.
    A Formula 1 precisa ter de volta motores V8 x V12
    Sugiro mandar uma cópia desta coluna via email para os poderosos chefões da Formula 1. Se a Formula 1 vir a piorar cada vez mais com o tempo e quem sabe até morrer não vai ser por falta de aviso.

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    • Lucas Giavoni disse:

      Oi Fernando!

      Por melhor que fosse a intenção, mandar esse texto pros cartolas não vai adiantar p***a nenhuma, hehehe…

      Mas tenho mais um dado alarmante, que acabei não trabalhando no texto, mas que ilustra como a F1 está deformada:

      Em entrevista para a Autosport, Carlos Sainz Jr. disse que atualmente, 20% do foco é na pilotagem, e 80% do foco é para outras coisas, incluindo a comunicação de rádio, apertar botões, calibrar os freios e cuidar dos pneus, dizendo que isso é mentalmente horrível. (http://www.autosport.com/news/report.php/id/119219)

      Isso é assustador! Para ser algo realmente “esportivo”, os percentuais tinham que ser revertidos!

      Abração!

  4. Rubergil Jr disse:

    Rapaz, que coluna matadora. Jogou a verdade na cara de todo mundo.

    • Lucas Giavoni disse:

      Obrigado, Rubergil.

      Não gosto muito de usar a palavra “verdade”, porque verdade é apenas um ponto de vista, mesmo que considere vários fatores. Ainda assim, é uma exposição bastante clara de tudo o que eu constato atualmente da F1, com muitas contradições que, repito, são de difícil resolução.

      E não sou eu quem tem as respostas. Na verdade, esse pessoal que eu elenquei, que resolva toda a caca que fizeram – ainda que eu fortemente desconfio que eles não sabem mais o que fazer…

      Abração!

      Lucas

  5. Mário Salustiano disse:

    perfeitas ponderações Lucas

    Em minha opinião Bernie nunca teve amor ao esporte, a distância propiciada pelo tempo mostra que ao entrar na categoria, primeiro como empresário depois comprando a Brabham, mostra um cara obcecado demais por poder e dinheiro, revendo a história da Brabham em sua era, é visível que ele tosou a sua competitividade por acordos financeiros , quando a equipe alcançou o bi-campeonato com a dupla Piquet / Murray foi mais em função da velha raposa ter se afastado da equipe para partir com tudo a assumir esse poder desproporcional que acumula. Nesse aspecto sou pessimista, ele deseja o fim da categoria após sua morte

    abração

    • Lucas Giavoni disse:

      Sim, amigão, é isso mesmo.

      A psique de Bernie foi forjada por duas mortes de pessoas próximas a ele. Em sua primeira participação no paddock da F1, ainda nos anos 50, seu piloto Stuart Lewis-Evans morreu após grave acidente no Marrocos, em 58.

      Quando resolveu voltar para a F1 como empresário, seu amigo e talvez futuro sócio Jochen Rindt morreu. Isso certamente afetou sua relação com o mundo a sua volta.

      Na Brabham, isso é fato, ele tomou algumas péssimas decisões, como o motor Alfa Romeo na segunda metade dos anos 70, e o fornecimento da Pirelli em 1985, responsável pela derrocada final do time até ser vendido – numa época em que ele já estava se transformando em definitivo no “homem da FOCA”, abandonando o posto de “dono da Brabham”.

      Ele, de fato teve sorte de contar com uma dupla espetacular formada por Nelson Piquet e Gordon Murray, que se tornou trio espetacular quando Paul Rosche, da BMW, se juntou a eles. Essas pessoas são as grandes responsáveis pelos títulos de 81 e 83.

      Abração!

  6. Rodolfo César disse:

    Perfeito o Texto! Conseguiu traduzir muito bem o que a F1 é hoje… Na ultima coluna do Marcio Madeira eu tentei expressar um pouco do meu descontentamento com o momento atual da F1, justamente porque chega uma hora que vc cansa de ver o mesmo de sempre…

    Em 10 anos a F1 mudou muito e pra pior com certeza. Os motores V10 (que saudade daquele som!) foram substituídos por V8 e agora para os fracos (em todos os sentido) V6 Turbo… quanto a aerodinâmica eu nem vou comentar. Muita mudança forçada pelo regulamento e não pela criatividade!

    Resumindo: os carros em si não agradam aos olhos e não agradam aos ouvidos. Se não bastasse isso, ainda temos todos os outros problemas que o texto aborda com precisão.

    Realmente, eles não sabem o que fazer e parece que não dá pra ver no momento uma luz no fim do túnel que a F1 se meteu.

    Abraços!

    • Lucas Giavoni disse:

      Obrigado pelas palavras, Rodolfo.

      Realmente, os carros não agradam aos olhos, nem aos ouvidos, é um resumo interessante. É um tanto frustrante não poder passar um panorama positivo para o futuro.

      Abração!

  7. Muito, muito bom.
    Um texto que realmente deveria chegar às mãos certas.

  8. Mauro Santana disse:

    Aplausos de Pé meu amigo!

    Perfeito!!!

    Falou tudo o que eu penso desta F1, que está cada dia perdendo a sua fórmula magica, e se afundando em BOTOX.

    Mandem este texto brilhante pra velha Raposa ler, pois quem sabe ela consegue cair na real no alto dos seus 85 anos.

    Abraço, e Parabéns mais uma vez!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

    • Lucas Giavoni disse:

      F1 Botox, hehehe. Boa comparação, amigo Mauro.

      Já escrevi em outros textos que às vezes parece que Bernie é um faraó que faz questão que a F1 seja enterrada viva ao lado dele quando morrer, dentro de um sarcófago…

      Só duvido que ler esse texto adiante em alguma coisa. Não consta, em todo esse tempo que esteve à frente da F1, que o Tio Bernie tenha dado ouvidos a alguém em algum tempo.

      Abração e obrigado!

      Lucas Giavoni

      • Marcelo C.Souza disse:

        Parabéns mesmo pela excelente coluna, Lucas Giavoni !!!!! Gostaria de dar nota 10 para ela, mas merecia nota 11 porque dez ainda seria pouco!

        Infelizmente não vejo qualquer saída para esta “crise existencial” da Fórmula 1 e tudo o que o Tio Bernie quer é levar a categoria para o caixão junto com ele.

        Um forte abraço!!!

        Marcelo C.Souza

  9. Wladimir Duarte Sales disse:

    Resumindo todas as teses que VC apresentou, Lucas: Todos os elementos que os fãs adotaram como a essência de qualquer competição automobilística estão mortos ou agonizando na fórmula 1 atual. A categoria parece o Brasil à mercê do pt.

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