Oremos!

Loteria pneumática
20/03/2013
Perguntas
24/03/2013

Voltar das férias com uma dobradinha de corridas é emoção garantida!

Não há como tirar o sorriso do rosto de uma criança quando lhe entregamos um saboroso pirulito. Essa sensação única de felicidade estampada no rosto juvenil é a mesma da turma amante da velocidade quando “realiza” que estamos, logo de cara, numa dobradinha do calendário. Meses sem corridas, e chega uma dobradinha assim, de mão beijada.

Você até esquece que a corrida vai ser na Malásia e que o Shopping Center de Sepang virou pista de Fórmula 1 nas mãos do nosso multi-citado-e-adorado-por-ninguém Hermann Tilke! Lembrem-se, esse é o primogênito. Aquele que padronizou a sequencia do trabalho do alemão na sua jornada épica para implementação de pistas tediosas pelo mundo.

Bote café na xícara, acorde cedo, vamos pra pista porque o campeonato já entra na sua segunda etapa!

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Passamos pela primeira etapa no divertido ambiente de Melbourne com um monte de incertezas sobre a realidade do campeonato. Hoje, os chefes de muitas equipes oram aos céus para que todos os analistas, palpiteiros, jornalistas, comentaristas de botecos estejam certos em suas avaliações que afirmam não haver um padrão do campeonato definido após a primeira corrida do ano em um circuito de rua. Teve gente que não dormiu na viagem pra Malásia. As noites foram longas e as reuniões foram tensas. Certamente.

O único problema, se as orações funcionarem, é que a Malásia também não promete ser referência para ninguém. É um circuito que vive um dilema. Tem muitos trechos “parecidos” espalhados pelo calendário: grandes retas separadas por uma curva fechada, pista larga e sequencia de curvas que precedem a reta. Receita básica de Tilke. Mas mesmo com características parecidas no papel, o clima da Malásia mistura toda equação. Não se corre em nenhuma outra pista tão quente e tão úmida no calendário. A configuração aerodinâmica, em toda sua sensibilidade e sutileza, tem que ser equilibrada para refrigerar um carro que não pode ter arrasto nas grandes retas. É uma bagunça única no setup e que não se repete ao longo do ano.

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Some nessa equação os temporais bíblicos . Fica bom, né? A previsão do tempo para esse final de semana é caótica. Todos os dias com chances de chuva, 50% pra cima. O que mata é a (im) precisão. Ninguém sabe a hora ou dia, as chances são maiores no horário da largada.

Nessa linha de alta possibilidade de chuvas, o que mais preocupa são os pneus. Hoje os Pirelli intermediários só funcionam em pistas úmidas e os “de chuva”, em garoas. Se chover um pouco mais forte, chuva mesmo, sem ser garoa, os pneus simplesmente não são capazes de drenar a água de um F1. Esse foi um ponto levantado por Button depois da classificação de Melbourne e novamente podemos ter uma madrugada à frente da TV sem ter carro nas pistas.

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Se você não lembra direito o que aconteceu na corrida, leia aqui a coluna do Marcio Madeira com o “review” da corrida.

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Alguém arrisca um palpite de quantas vezes o Galvão vai reclamar do horário da prova?

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As condições vão mudar para todos. Os carros não têm grandes atualizações baseadas no desempenho de Melbourne porque o intervalo é curto e a distância é grande. As apostas giram em uma mudança do vencedor, mas ainda com um grande equilíbrio das forças em ritmo de corrida.

Fica claro que a Red Bull vai ser muito rápida em classificação, mas vai acabar com seus pneus. A Ferrari vai vir forte para corrida e a Lotus ainda vai manter a sua posição. Não custa lembrar que a vitória de Raikkonen foi construída com uma grande dose de estratégia e que Grosjean sofreu na pista com o mesmo carro. A Mclaren vem de joelhos tentar se manter em algo dentro do Top 10, na briga com a Mercedes. Existe aí uma grande chance de surpresa por parte da Force India que fez um bom carro e tem longas retas pra também usar seu Mercedes.

No pelotão da bagunça, a Toro Rosso parece melhor em ritmo de corrida que as duas grandes decepções de Melbourne: Sauber e Williams. A Sauber a gente sabe que perdeu seu engenheiro-gênio para a Toro Rosso e ficou só com um carro na pista, justamente o do estreante. Vamos dar um crédito aos suíços, um voto de confiança. Já a Williams é de chorar de tristeza. O carro deu vexame e seus pilotos não ajudaram.

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Parêntese especial para Maldonado. Maldonado, escorado por todo dinheiro que carrega fez uma merda homérica na prova e ainda foi aos microfones falar que tudo é uma grande porcaria. Não é legal falar assim do patrão em público. Grosseiro, só fica na equipe por conta da grana mesmo. Cada vez mais acredito que ele vai ficar onde está, na Williams. Ganhou uma corrida, ó como é rápido o Venezuelano, é verdade. Mas se ele é rápido assim, bom assim, e com o caminhão de dinheiro que carrega nas costas, a melhor vaga disponível para ele é a Williams?

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Voltando. Me perdoem os fãs da equipe (eu mesmo sou um), mas a Williams não tem mais dinheiro e estrutura para sustentar seus profissionais técnicos em seu quadro de funcionários e acabou virando porta de entrada para profissionais e pilotos. Entram, se destacam, são contratados por outros times na sequência. Não dá pra manter uma curva ascendente assim, infelizmente. Além do fato da nítida incapacidade de conseguir um mísero patrocínio decente mesmo com toda história que carrega, já falei disso no começo do ano. A Caterham, vejam só, tem GE e Airbus, por exemplo! É impressionante.

E na turma do “Deus me livre”? A Marussia mostra ao mundo analógico que esse papo de ficar grudado na telinha do computador desenhando carro de Fórmula 1 não põe comida na mesa de ninguém. Primeiro carro do time que usa um túnel de vento decente – e de verdade – já descola o time da zona do ridículo. Em 2012 o carro russo tinha na comparação de melhor volta em corrida, 6% para a o líder. Em 2013, Bianchi conseguiu a proeza de só perder 1% e Chilton, 3%. É um grande salto para uma equipe tão limitada em recursos. Já a Catheram, o que dizer? Pintura bonita, né? Adorei.

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Informações da Pista

Circuito: Albert Park
Voltas: 56
Comprimento: 5.343 km
Distância: 310.408 km
Recorde da Pista:
1:34.223 – JP Montoya (2004)

Programação

Quinta-Feira
23h00 – 1º treino livre

Sexta-Feira
3h00 – 2º treino livre

Sábado
2h – 3º treino livre
5h – Classificação

Domingo
5h – Corrida

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Dobradinha e depois 3 semanas até a China. Chefes de equipe orando para entender seus carros e nós por uma chuva “na medida”: aquela que molha a pista mas não impede a corrida. São muitas incertezas no lado esportivo, mas a certeza que é mais uma boa prova de um grande campeonato que se desenha!

Boa Corrida!

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

4 Comentários

  1. Lucas dos Santos disse:

    Está aí uma das pistas do Tilke que eu gosto (depois da Turquia e de Austin).

    É uma pena o horário em que a corrida é realizada. Nesse ponto faço coro com o Galvão em reclamar. Mas, fazer o quê? A organização do Malásia não aceitou a sugestão de realizar a prova à noite. Não me surpreenderia se manter esse horário – notavelmente impróprio – for uma maneira da FOM “pressionar” a organização para que eles finalmente mudem essa prova para o horário noturno.

  2. Moy disse:

    Perfeita a análise. A|postaria minhas fichas na Lotus, que vem na dela. Comendo pelas beiradas.
    Ah! E valeu por dispobilizar um espaço para os leitores que não usam feicibuqui. Eu ainda estranho alguém não sair do feice sequer pra ler uns blogs. 🙂

  3. Fernando MArques disse:

    Eu ficaria muito feliz se em Sepang acontecer qualquer coisa abaixo:
    1) Alonso quebra e Massa vence
    2) Raikkonen vence
    3) Vettel vence
    4) Hamilton vence

    Fernando marques
    Niterói RJ

    • Lucas dos Santos disse:

      Fernando,

      O Alonso quebrar e o Massa vencer não tem graça. Bom seria se o Massa vencesse com o Alonso NA PISTA. Mais ou menos nas mesmas condições de sua primeira vitória, na Turquia em 2006.

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