Lembranças da Velocidade

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Chegou Monza, vamos aproveitar o fim de semana de corrida de um campeonato que vai coroar um novo tri-campeão na história.

Finalmente Monza! A pista de alta-velocidade que adoramos. A Parabólica. A duas Di Lesmo. Monza é a pista que nos remete as mais clássicas épocas do automobilismo e todas as referências nos trazem lembranças de velocidade pura.

O circuito sofre da mesma crise que assola os circuitos clássicos em termos financeiros. Aquele calendário insano do ano que vem com uma quantidade recorde de corridas pode ser o último com a presença de Monza.

Não vamos nos remoer com os aspectos comercias sanguinários de Ecclestone, é fim de semana de corrida de um campeonato que vai coroar um novo tri-campeão na história. Vamos aproveitar!

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Nesse campeonato de 2015 amplamente dominado pelo poderio prateado, Monza nos presenteia com sua edição de número 65. Não há registro na história da F1 de um campeonato que não tenha Monza em seu calendário. É a essência da F1 espalhada pelos seus atuais 5793 metros de asfalto.

A pista remete a época de pouco desenvolvimento dos carros durante a temporada. Na década de 90 era prática comum termos os carros da temporada com 3 especificações aerodinâmicas (as mudanças visíveis para o grande público): a da temporada toda, a especificação de Mônaco e a especificação de Monza. Era o momento da temporada para ver os carros diferentes, as idéias malucas para reduzir o arrasto, as asas traseiras quase planas. Era um momento único!

Hoje não temos nem carros que chegam ao máximo que já conseguimos andar em Monza. As evoluções e mudanças de corrida pra corrida são tão grandes que virou área especializada de muitos sites/revistas que cobrem a F1. Todo esse detalhismo aerodinâmico para apresentar na pista carros que andam 4 segundos mais lentos, mas que fazem muitos mais quilômetros por litro.

Não é saudosismo barato. É só um desejo puro de, na pista feita para os carros mais rápidos do planeta, ver os carros mais rápidos!

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Massa e Bottas continuam na equipe Williams, aquela apegada a estratégias conservadoras, desenvolvimentos conservadores e que conservadoramente não quer ser grande novamente (provavelmente sabem o trabalhão que dá se manter no topo).

Sem vaga na Ferrari, era mais que normal e esperado os dois pilotos ficarem na equipe. Os contratos eram de 3 anos desde sempre. 2 anos garantidinhos, preto no branco, com a equipe detentora da opção de mantê-los pelo 3 ano. Opção feita, tudo igual para equipe em 2016.

Pelo lado dos pilotos, para onde ir? Sem sentido fazer qualquer movimentação, não há vagas para 2016. Mesmo que houvesse uma vaguinha promissora, 2017 muda-se tudo no regulamento técnico. É bom ter na mão a liberdade de escolher o projeto que lhe parece mais promissor e tentar algo novo somente no proximo ano.

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Quando a prova de domingo começar teremos passado 2184 dias sem uma vitória brasileira na F1. Sem uma sambadinha. Sem a alegria incontida do hino nacional na categoria máxima do esporte a motor. Isso mesmo, você leu direito, 6 anos, 11 meses e 24 dias. Na unidade de medida que faz sentidos para os fãs da fórmula 1 – fim-de-semana – foram 312!

É um tempo enorme. E depois de falarmos da Pole de Spa, Rubens Barrichello volta para o GPTotal como o dono da última vitória brasileira, em Monza, a de numero 101 do escrete canarinho no mundo da F1. Com a estratégia de 1 parada só, Barrichello levou seu carrinho com motor Mercedes (vejam só) a vitória. Achamos pouco? Não Não, Barrichelo também é o único piloto brasileiro a vencer com o motor germânico na F1. Merecia uma estatua em Stuttgart.

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Aproveitando o tema Mercedes, Hamilton chega em Monza para solidificar sua liderança de baixo de agora seus platinados cabelos. Rosberg, não há o que dizer de um piloto que fala que suas chances acabam na largada.

Vamos entender agora um pouco do domínio da Mercedes nessa temporada com um número assustador. Três. Essa é a numeração do motor usado nos carros de Nico e Hamilton nesse fim de semana. Isso mesmo, somente o terceiro motor da temporada e simplesmente porque a Mercedes resolveu usar seus 7 “tokens” restantes para uma atualização do motor. Só os carros de fábrica vão usar essa versão, aparentemente focada em melhorias de confiabilidade (?! – deixa a Renault saber disso) que permitam um maior desenvolvimento para os motores de 2016. É um domínio assustador, prova que eles não estão forçando seus motores durante a temporada, está tudo sob controle para garantir o titulo.

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A Ferrari chega para sua corrida doméstica também com atualizações de motor (mas não diz quantas e onde) esperando estar um pouco mais firme na briga pelo pódio. Vettel ficou satisfeito com a resposta da Pirelli sobre seu acidente e vem confiante para um bom resultado. A melhor noticia para a equipe é a renovação do contrato de James Allison. A Ferrari volta a pensar no futuro com alguma solidez.

A Red Bull, coitadinha, vai lá novamente trocar o motor de seus pilotos. As punições serão tomadas em Monza para não prejudicar um potencial bom resultado em Cingapura. É uma tristeza sem fim.

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A F1 precisa mesmo de um novo regulamento. É ridiculo você ter que prejudicar uma corrida para ir bem em outra. Isso não é mundial de Endurance!

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Junto com a Red Bull, agora no mesmo bolo, temos os outros carrinhos com motores Mercedes.

A Lotus vem de pódio na última corrida mostrando um carro muito equilibrado. Sua situação é a mais delicada do grupo da frente. Seus funcionários não recebem, seus carros ficaram presos por um tempo pela justiça belga e é alvo da especulação fundamental de 2016 que será vendida para a Renault. Junte aí na mistura uma batida semanal garantida de Maldonado e sabemos que um fim-de-semana por mais promissor que seja, é sempre uma incógnita. Na sequencia temos a Force India com seu histórico sensacional de andar em linha reta. Além de estar super animadinha com a renovação do contrato do piloto campeão de Le Mans: Hulk fica na equipe por mais dois aninhos.

E aí aparece a Williams, a equipe que depois do fracasso de Mônaco, o vexame da Hungria, prometeu aos 4 ventos que em Spa e Monza viria a redenção! A desculpa oficial em Spa foi a posição de largada e algum problema de astros que não estavam alinhados ao signo dos pilotos. Foi ruim. Não foi pior por erros dos outros, mas nada superou o erro de colocar pneus trocados no carro de Bottas. A equipe foca o trabalho do fim-de-semana no ritmo de corrida, mas a corrida sempre é prejudicada por um fator externo ou uma posição de largada ruim. Será que não é a hora de focar na classificação? Ou parar de inventar desculpas…

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Alonso é sempre citado como o cara que não tem carro para o o que ele sabe fazer. Hulkenberg parece fadado ao mesmo destino. A diferença entre os dois é que Alonso já chegou a 3 vice campeonatos e a dois títulos, sua capacidade é comprovada. Nico é uma promessa. O que ele realmente pode fazer na F1?

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Que fica um pouquinho para trás é a Toro Rosso. Seus novatos pilotos não conseguem fazer magia com os fracos motores Renault. Vão sofrer no fundo do grupo.

Esse sofrimento não será solitário. A Sauber vai fazer companhia. O Motor novo ajuda o time a não lutar com a Marussia/Manor e McLaren, mas não leva o time muito mais pra cima na tabela.

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A McLaren está brincando de quantas punições consegue levar em uma única corrida. Mais punições esse final de semana, vão introduzir mais uma unidade de potencia para poderem brincar de trocar sem punições no restante do ano. Corre no Paddock que está claro que a solução vem só em 2016. O motor sofre de super aquecimento e precisa de mais espaço para uma revisão do sistema de arrefecimento. Problema que no carro de 2015 não há espaço, precisaria ser feita uma nova especificação do carro que custaria uma centena de milhões. Sem patrocinios fortes, não há dinheiro na toda poderosa McLaren para fazer isso no meio da temporada, aguardarão o novo carro.

A briga nessa corrida – sério – será com a Manor/Marussia. Nada de disputa na pista, uma disputa sadia para ver quem termina com menos voltas tomadas em relação ao líder. O time não coloca pneu errados em seus carros, mas é tudo que podemos esperar deles nessa corrida.

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Circuito: Autodromo di Monza
Voltas: 53
Comprimento: 5.793 km
Distância: 306.720 km
Recorde da Pista: 1:21.046 – R Barrichello (2004)

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Programação
Sexta-Feira: 05h – 1º treino livre e 9h – 2º treino livre
Sábado: 06h – 3º treino livre e 09h – Classificação
Domingo: 09h – Corrida

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Mais velozes ou menos velozes do que antes, o que importa é que Monza chega para alegrar nosso fim-de-semana!

Qual seu palpite pra corrida?

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

4 Comments

  1. wladimir duarte sales disse:

    Se o mundo fosse justo Monza (de preferência sem chicanes), Silverstone original, Interlagos original, Hermanos Rodriguez original, Spa-Francochamps, Paul Ricard, Nurburgring Nordschlief, Adelaide, Osterreichring e Montreal teriam presença vitalícia no mundial de formula 1. Bernie Ecclestone seria persona non grata em qualquer federação ou associação automobilística no planeta. Hermann Tilke teria seu diploma cassado por incompetência. Patrick Head, Adrian Newey e Colin Chapman (se vivo) seriam presos por homicídio doloso (Chapman contribuiu diretamente para a morte de dois grandes pilotos: Jochen Rindt e Ronnie Peterson). E qualquer mudança ou proibição relativa ao desenvolvimento técnico da categoria seria posto em votação restrita aos pilotos.

  2. Mauro Santana disse:

    Excelente coluna Flaviz!!

    E Monza é sempre especial, então, vamos torcer pra que as duas Mercedes se peguem no Curvão logo após a largada, e aí a corrida vira uma loteria.

    Ótimo GP a todos!

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  3. Fernando Marques disse:

    Monza é sempre Monza!!!!
    Só por isso vale a pena sempre ver.
    O triste é saber que ano que vem ela pode ficar de fora. Depois o Tio Bernnie não poderá dizer que não sabe por que a Formula 1 perde popularidade e audiência …
    A coluna está perfeita.
    Dica para valer mesmo só para quem vai completar o podio com as Mercedes neste fim de semana. As posiçôes 1-2 é barbada e pule 10.
    Com relação a Willians é triste ver uma equipe tão conservadora mesmo tendo dois pilotos com gana e doidos por vitórias. Pelo visto a gana deles não vale de nada.

    Fernando Marques
    Niterói RJ

  4. Fabiano Bastos disse:

    Aposta?
    Parece que na classificação ninguém conseguirá bater as Mercedes. Torço para a Ferrari ter guardado alguma surpresa para amanhã.
    Mas pelo que vi no P2, o ritmo de corrida das Ferraris está bem mais próximo da Mercedes do que transparece a tabela de tempos.
    Combinado com as largadas ruins dos prateados, quem sabe teremos uma corrida disputada para assistir domingo pela manhã.
    Outro que exibiu um “baita” ritmo de corrida foi o Hulk. Merecia um carro melhor esse alemão. Vem pra F1 Porsche!

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