Redenção…

Uma década de vitórias
03/06/2015
Redimido
07/06/2015

De Mônaco para o Canadá, é a hora de assistir a redenção do futuro tri-campeão mundial.

A 36º edição da corrida canadense é o momento de redenção do maior piloto desse campeonato. Lewis Hamilton chega para essa tapa querendo reaver o primeiro lugar no pódio perdido em Mônaco nos instantes finais da corrida.

Em 2015 não esperamos nada além da disputa entre os dois pilotos da Mercedes e só as trapalhadas prateadas tem mudado esse cenário. Mas surge no meio da névoa uma chance de firmação do futuro tri-campeão, em um circuito clássico e divertido para os fãs, com um muro na última curva que sempre nos alegra.

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A deliciosa pista de Montreal é complexa para o setup dos carros apesar da facilidade aparente e simplicidade do traçado. A longuíssima reta misturada com trechos de rua e muros próximos pede um setup de médio downforce com pouquíssimo arrasto aerodinâmico. Essa combinação é cruel para os piores carros do grid, onde não é possível ter muita aderência mecânica e os engenheiros tem que sacrificar a velocidade final para contornar, com o mínimo de decência, a parte mais sinuosa.

Para essa prova a combinação de pneus é a mesma de Monaco, macios e super-macios. A diferença em relação ao ano passado é a nova composição do pneu super-macio que provou em Monaco ser mais difícil de se aquecer. Ainda mais que o clima do Canadá varia bastante alternando dias frios e chuva na primavera do hemisfério Norte.

O que preocupa também é o consumo de freios. 72% da volta é feito de pé em baixo, sempre com freadas muito fortes ao final. Por exemplo, para a última curva do circuito os pilotos reduzem de 330 km/h para 120 km/h em um espaço de 120m. Isso significa 5.6G de pressão, é muita coisa. Soma-se a isso o fato que a sequencia de freadas é muito próxima, não há espaço para refrigeração do sistema.

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Felipe Massa declarando que Max Verstappen é um risco é de uma falta de oportunismo pra ficar calado que impressiona.

Massa simplesmente ignora o histórico familiar nesse caso. Vamos recordar, Massa?

Papai de Max, Jos Verstappen, estreou na F1 com simpáticos 22 aninhos na época. Cinco a mais que seu filhote. Alguém lembra da maravilhosa estreia em Interlagos? Aquela batida épica! E quem lembra da marca que Jos deixou na F1?

O problema de Max não é precocidade. Lembrando que idade não é diretamente proporcional a experiência.

Vamos aproveitar o tema experiência, amigo Massa, para falar de seu amigão Pastor Maldonado. Ele estreou na F1 com 26 anos de idade. Fez World Series, Euro 3000, GP2 e qual é o histórico e qual é a marca dele que gostamos tanto de lembrar (além dos petrodólares)?

Por gentileza, vamos ser consistentes com os comentários ao microfone aberto.

Para piorar, na coletiva de imprensa na quinta-feira, Massa destacou a situação de Monaco. Levou de saída uma resposta direta de Max, sugerindo que o brasileiro lembrasse o que ele mesmo fez no Canadá no ano passado antes de ficar falando da pilotagem dos outros.

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httpv://www.youtube.com/watch?v=Gu1-8O5mm5o

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Um evento adicional em Mônaco foi tema de inúmeras discussões durante essas semanas. A postura de Hamilton na volta de comemoração e chegada ao pódio. Hamilton veio lento, ficou puto, cara fechada, saiu sem dizer palavra.

Na mídia, nos blogs, nas redes sociais, diversos comentários e mesas-redondas sobre o tema. “Que postura ruim”, “vai levar bronca”, “ganha milhões” e “não se faz esse papel”, foram frases bradadas pelos mais simpáticos. O sentimento era de reprovação geral a atitude do bretão.

Pois bem Lewis, o senhor humaniza a F1. É tudo que pedimos durante anos. Seria de profunda decepção você sair do carro e dizer palavras soltas milimetricamente preparadas pela assessora de imprensa tais como “coisas da corrida”, “na próxima a gente vence”, “vamos ver o que aconteceu internamente”. Você estava devastado e não mentiu pra ninguém que estava devastado. Não xingou ninguém. Não ofendeu ninguém. Não quebrou protocolos. Mas não negou a sua infelicidade.

Lewis Hamilton não nos negou um dia humano na F1. Deveríamos aplaudir.

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Dúvida, quando o FBI vai ajudar e investigar a FIA e a F-1?

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Após Mônaco, parece que ficou claro para todo mundo que a Mercedes controla as corridas da forma que quer quando falamos de performance pura. Lewis Hamilton foi categórico ao final da corrida “eu poderia ter dobrado a diferença se fosse necessário”. O duro é que a maionese desanda quando alguma variável muda. Os engenheiros e pilotos batem cabeça e perdem dobradinhas fáceis. Para Hamilton, Monaco foi do céu ao inferno. Para Rosberg ficou a imagem clara que só ganhará quando o companheiro não o fizer. A Mercedes vem mais forte ainda para o Canadá. Vai sobrar nas longas retas e dançar suavemente nas curvas.

A Ferrari entendeu seu papel. Deu um passo gigantesco em relação ao ano passado, mas só vence nos erros dos outros. Sem chorar pelos cantos, seus pilotos estão na função de se colocar na posição dessas pequenas vitórias em cada GP. Kimi ainda precisa melhorar seu entendimento do carro nas classificações para não prejudicar suas corridas.

No time britânico da Williams o caldo entornou. Pilotos e engenheiros reclamando do final de semana de folga do time. Nenhum dos pilotos no Q3 e desde o final de 2013 que o time pontuava em todas as 24 corridas, até Mônaco. Para o Canadá o cenário é de otimismo. O circuito exige pouco arrasto e muita força do motor, se a equipe controlar bem os pneus, conseguirá se aproximar das Ferraris.

A patota da Renault segue seu calvário. A boa notícia é que em Mônaco nenhum motor quebrou. Mas o que alegra a Williams, desespera a turma da Red Bull e Toro Rosso. Os 4 jovens pilotos da turma das latinhas vem dando conta do recado. Pelo menos não há dúvidas sobre a velocidade deles. Ainda falando sobre Max, o que ele fez em Monaco, seguindo o Vettel para ultrapassar pilotos que tomavam bandeira azul foi genial. Coisa de gente grande.

A turminha da Force India ficou toda animada com Perez em grande apresentação em Monaco. Tem carro que acompanha bem as características do Canada e pode brigar por alguns pontinhos lá perto do 10º lugar.

Para o time da McLaren é hora de voltar ao pé da realidade e se contentar com o fundo da tabela. Aqui precisa acelerar e o carro não vai fazer isso ainda nesse fim de semana. A Honda promete um setup de motor com potência total disponível. Alonso olha de canto de olho e só responde, o sonho é um final-de-semana sem problemas. Button também concorda, é melhor chegar com os dois carros ao final da corrida. O objetivo agora é botar kms na bolsa para desenvolver o time pensando em vitórias em 2016.

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Honda e Ferrari vão começar a brincadeira de atualização de motores. A Honda já declarou que usou fichas e as novas unidades estarão disponíveis no Canadá. A Ferrari também disse que tem motor atualizado. Estarão no Canadá? Sim, nos carrinhos vermelhos.

Como estão as contagens das fichas de cada montadora? A Ferrari tinha 7 e usou 3 agora. A Honda usou só duas das 7 disponíveis. Mercedes com 7 fichas e Renault com 12, não gastaram nenhuma.

A Honda justifica o uso dos seus tokens pela sequencia das 3 próximas corridas. Canada, Áustria e Silverstone são pistas de alto desempenho. Sem essa atualização os japoneses não poderiam liberar a potência disponível em seus motores. Por enquanto a potencia não vai ser melhorada no Canadá, esse fim-de-semana vão ser feito os testes de confiabilidade para avaliar se as atualizações funcionaram. A partir da Austria, aí sim, uns cavalinhos a mais.

Pelo time vermelho a visão de seu comandante é clara: a performance real é a de Barcelona. Leia-se, 45 segundos atrás da Mercedes. Tem que melhorar e não olhar para o resultado de Mônaco. Arrivabene de forma sincera até demais declarou que o time tem que chegar melhor em Barcelona. Isso mesmo, o comandante italiano está pensando em Barcelona 2016. Alguma chance pros vermelhos esse ano?

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Na turma lá do miolo temos a Lotus com grandes chances de um bom desempenho. O motorzão está ali e se seus pilotos não baterem, está ótimo. A coitada da Sauber anda toda animadinha. Os pontos colecionados até agora estão além da expectativa do time. Na realidade, olhando para a tabela, estão na frente de Force-India, Lotus, McLaren e da Toro Rosso que tem um carro certamente mais rápido. É para se comemorar. E se o carro não tem atualizações, pode chegar um motor Ferrari novinho em breve, mesmo que para equipe o “breve” signifique atualização disponível para Spa em agosto. Quem teve grande destaque na mídia com esses pontinhos foi Felipe Nasr. A turma internacional comenta que é interessante um novato em uma equipe sem simulador (!!!!) andar de forma constante na região dos pontos. Se manter esse desempenho durante o seu contrato com a Sauber, pode render alguns bons frutos e assentos no futuro.

Quem tras novidades para o Canadá é a Marussia! No carro? Não, claro que não! Contratações, gente nova chegando no time! Luca Furbatto, chef de design é um ex-Toro Rosso. Gianluca Pisanelli, será chefe dos engenheiros e vem da finada Catherham. O grande destaque é a presença do Bob Bell. O diretor técnico deixou a Mercedes no final de 2014 e agora vai comandar as ações do time vermelho.

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A GPDA resolveu fazer uma pesquisa com os fãs. A pilotaiada pede humildemente para ouvir você leitor e levar suas resposta ao grupo de estratégia, a FIA, ao Papa. A pesquisa #RACINGUNITED leva uns 20 minutinhos para ser preenchida.

Merece a nossa atenção, não vale só reclamar, né? É só entrar aqui.

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Circuito: Circuit Gilles Villeneuve
Voltas: 70
Comprimento: 4.361 km
Distância: 305.270 km
Recorde da Pista: 1:12.275 – Ralf Schumacher (2004)

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Programação
Sexta-Feira: 11h00 – 1º treino livre e 15h00 – 2º treino livre
Sábado: 11h – 3º treino livre e 14h – Classificação
Domingo: 15h – Corrida

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A grande atração continua sendo a disputa interna da Mercedes e suas atrapalhadas nas estratégias. Mas nesse fim-de-semana devemos ver a redenção de um piloto de alto nível que teve uma vitória certa perdida, isso deve nos proporcionar uma pilotagem de alta classe e imperdível! Para melhorar, um circuito que proporciona boas corridas e cheias de variáveis.

Qual seu palpite!?

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

2 Comments

  1. Mauro Santana disse:

    Bela coluna Flaviz!!

    É impressionante como Massa e Barrichello são parecidos no quesito reclamação.

    O problema é que ambos falam(vam) demais, e na maioria das vezes não se garantem(iam) na pista, e aí, a cobrança vem numa pancada é muito pesada.

    Para esta prova de domingo, eu aposto numa vitória do Raikkonen.

    Ótimo GP a todos.

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

    • Fabiano Bastos disse:

      Flaviz,
      Concordo que, se há algo de positivo nas atitudes de Hamilton após a derrota em Mônaco, ao menos ele foi verdadeiro. Mas não é a melhor atitude que um “líder” pode tomar diante de seus “comandados”.
      Líder? ao menos é o que dizem, que ele liderou o processo que tirou a Mercedes do meio do pelotão e a colocou na ponta. Imagino que o pessoal dos boxes não gostou nada da postura dele, quando vence é por causa dele, quando perde é por causa dos outros. E a postura sincera dele após a corrida mostrou o que ele realmente pensa, não o que ele disse após ser instruído pela assessoria de imprensa.
      Apostas para o GP do Canadá:
      – Finalmente Kimi larga em uma posição decente, e se na largada não for envolvido em algum acidente com Grosjean e Maldonado, que largam logo atrás, vai incomodar as Mercedes, mas para ganhar vai depender de um pouco de sorte com os acionamentos do carro de segurança;
      – Massa vem de trás e deve fazer uma corrida divertida para os brasileiros, com muitas ultrapassagens, assim como Vettel. Aposto que chegam de oitavo para frente;

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