Redimido

Redenção…
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Sobre barreiras e vitórias em casa
10/06/2015

De fato a redenção de Hamilton, dando a melhor e única resposta que deveria dar.

Hamilton é um excelente piloto, está em seu ápice, e merece o título. Como bem antecipou Flaviz Guerra em sua última coluna, o britânico viria para Montreal com muita fome.

Fui dos que o criticou por sua (falta de) postura em Mônaco e, mesmo sabendo do sentimento que os grandes têm pela vitória, achei desnecessária sua expressão antes, durante e depois do pódio.

A dúvida que eu podia ter dissipou-se com a transcrição da conversa piloto-equipe: foi Hamilton quem pediu a troca, e insistiu nela. Sobre a cúpula do time alemão deve pesar somente o não aviso de que Rosberg e Vettel já haviam parado etc.

Ainda assim, a carranca de Hamilton só deve ser relevada se ele, de fato, estava puto consigo mesmo, e não se ele, mais uma vez, comprava a teoria da conspiração, como já havia feito no mesmo principado em 2007 e 2014.

Na verdade, a melhor e a única resposta que Hamilton deveria dar foi a desse último domingo: pole e vitória de ponta a ponta.

Em números absolutos, esta foi a quarta vitória de Lewis Hamilton no GP do Canadá, depois de ter partido daquela que também foi sua pole-position número 4. O mais impressionante, porém, é o aproveitamento do inglês na pista norte-americana: 50% das vezes que lá correu, Lewis Hamilton venceu.

Nas vezes em que não conquistou a vitória, teve problemas diversos: dois acidentes estúpidos, em 2008 e 2011, e nas duas últimas edições conquistou um terceiro lugar (2013) e ano passado foi vítima dos freios. À exceção da prova de 2013, sempre lutava pela ponta.

Mesmo Schumacher sendo o maior vencedor de Montreal, pode-se dizer que o piloto que mais “casou” com a pista é Lewis Hamilton.

Nico Rosberg foi mero coadjuvante no fim de semana: nunca esteve mais rápido que Hamilton nos treinos livres, e na hora final, na última volta lançada do Q3, sequer conseguiu superar sua própria marca.

Na corrida, fez a melhor volta em alguns momentos, e na metade final da prova parecia se aproximar do primeiro colocado. No entanto, como bem disse nosso leitor Fabrício Vasconcelos, era puro sadismo de Hamilton, que tinha a prova totalmente sob controle.

A vingança é um prato que se come frio.

O titulo de 2015 será resumido assim: quantas vezes Hamilton falhará ou terá azares? Quanto menos isso acontecer, menos dúvidas temos do campeão. Mas cada vez que isso acontecer Nico estará sempre ali, em segundo…

Alonso foi personagem da corrida, apesar da péssima posição. Depois da primeira pontuação da equipe em Monte Carlo, o GP do Canadá foi uma ducha de água fria: ambos foram obrigados a abandonar, por recomendação da equipe.

Via rádio, Alonso pela primeira vez fez uma crítica mais dura: “parecemos amadores“, disse.

Mas genial mesmo foi sua postagem no twitter: uma foto, de ponta cabeça, da classificação da prova, e a menção a Button: “Jenson, assim fica um pouco melhor? Bem, depende de como a gente olha…“. E depois as palavras de incentivo: “Sigamos lutando, sigamos unidos“.

Massa fez uma boa prova de recuperação, sim. Largando no fundo após diversos problemas nos treinos, Massa fez várias ultrapassagens e conseguiu chegar ao final da corrida na sexta colocação, compondo um top 6 formado por Mercedes, Ferrari e Williams.

O brasileiro está, também, na sexta colocação do mundial, mas agora vê seu companheiro de equipe abrir 10 pontos no certame: Bottas foi o terceiro colocado (fez um ótimo treino), marcando o primeiro pódio da Williams — e o primeiro de uma equipe além de Ferrari e Mercedes — no ano.

Quem também fez grande prova de recuperação foi Sebastian Vettel: largando atrás de Massa, o alemão terminou a prova canadense em quinto. Durante o caminho, enfrentou algumas dificuldades, cumprindo uma punição e sofrendo para realizar algumas ultrapassagens em carros muito mais lentos, como foi com Fernando Alonso.

Depois, Vettel teve alguns entreveros (chegou a sair brevemente da pista em alguns trechos), e também envolveu-se em toque polêmico com Nico Hulkenberg: não vi motivo para punição. Voto pelo “toque de corrida“.

Kimi Räikkönen teve uma prova difícil (largou em terceiro, terminou em quarto), cometendo alguns erros, mas registrou a volta mais rápida da corrida: é a 42ª da carreira do finlandês, que agora superou Alain Prost no total.

Kimi atinge a marca com 18 participações a mais que o francês — não é muito se considerarmos que, ao contrário do quadricampeão (haha, Prost não é tetra), Räikkönen conseguiu a maioria de suas fast laps quando não dispunha do melhor carro.

Aliás, falemos sobre a efemeridade dos números: ao fim de 2013, Vettel igualou os míticos recordes de vitórias numa mesma temporada (13) e seguidas (9). Era, também, apenas o terceiro piloto a conquistar o “tetracampeonato” de verdade.

Um ano e meio atrás, portanto, a pergunta era: até onde chegará Vettel? Quanto tempo ele (que contabilizava então 39 vitórias) levaria para superar Ayrton Senna (41) e Alain Prost (51)? As poles do alemão, totalizadas 44, também eram assombrosas e parecia apenas questão de tempo para que chegasse às míticas 60+ de Senna e Schumacher.

Era ele e mais ninguém quem podia fazer isso.

Porém, veio 2014 e nenhum primeiro lugar, vem 2015 e apenas uma vitória (uma segunda poderá, mas não deverá acontecer nessa temporada). E zero pole.

Nesse meio tempo, Hamilton, que desde seu título em 2008 vinha de ganhar no máximo três provas por ano e fazer algumas poles, mas sem lutar por campeonatos, conquista um monte de vitórias, vence um campeonato e encaminha outro… E agora Hamilton tem três vitórias e uma pole a menos que Vettel.

Quem vai superar os 41 triunfos de Senna primeiro? A resposta parece muito óbvia.

Em tempo: Lewis está com duas sequências bem importantes na história: com a vitória chegou ao seu 14º pódio consecutivo e ao partir da pole chegava à sua 15ª primeira fila seguida. Os respectivos recordes são de Michael Schumacher (19) e Ayrton Senna (24).

Sobre o acidente de Romain Grosjean com Stevens, da Manor: não entendi a colisão como um “erro de cálculo”, por achar que já havia superado o adversário ou, ainda, por entender que o outro bólido era tão lento que jamais conseguiria chegar.

Me pareceu aquela situação do tráfego no dia a dia: quando uma senhora idosa dirige em primeira marcha em plena reta do centro da cidade, e o cidadão atrás, com seus 30 e poucos anos e um carro importado, sente-se prejudicado por não poder acelerar mais ou ultrapassar no local.

Tão logo cheguem a uma pista dupla, o trintão acelera, frita pneus etc.

Duas pra finalizar:

1- A Ferrari se mostra amplamente favorável ao retorno do reabastecimento. Talvez lembrando das infalíveis estratégias de Brawn na primeira metade deste século. Só que agora não tem mais Schumacher…

2- Alguém pode me confirmar se Luís Roberto tem algum problema pessoal sério com Fernando Alonso, uma dívida, uma ex-namorada, algo do tipo?

A F1 volta daqui duas semanas, na Áustria, mas no próximo fim de semana teremos a última das três maiores corridas do automobilismo mundial: as 24 Horas de Le Mans.

Nossos Lucas (Carioli e Giavoni), farão colunas especiais sobre a mítica prova.

Abraços a todos!

Marcel Pilatti
Marcel Pilatti
Chegou a cursar jornalismo, mas é formado em Letras. Sua primeira lembrança na F1 é o GP do Japão de 1990.

7 Comentários

  1. Lucas dos Santos disse:

    Esqueci de comentar sobre a Fórmula E. Acho que o reinado do Di Grassi acabou. Com duas corridas para o final, creio que o título vai realmente parar nas mãos do Piquet. Aquela punição em Berlim foi um golpe duríssimo para o brasileiro da equipe ABT, que, para levar o título, precisa vencer as próximas duas corridas e ainda dependerá do resultado do Piquet, que precisaria terminar, no máximo, em terceiro.

    A propósito, somente nesse fim de semana que vi, no site da Fórmula E, que a categoria também tem os tais “descartes”, que já existiram um dia na Fórmula 1. Só que, nesse caso, cada piloto só pode descartar um único resultado, o que não muda muito as coisas para quem está na liderança, já que quase todos já tiveram pelo menos um abandono.

    Quanto à pista de Moscou, achei bem chatinha. O Alejandro Agag disse que gostou de sediar uma corrida lá, e que, no que depender dele, o evento está garantido por um longo prazo. Se for assim, espero que revejam o traçado, pois nesse ninguém ultrapassa ninguém!

  2. Lucas dos Santos disse:

    Corridas chatas em Montreal são bastante raras – eu não lembro de nenhuma. Talvez o fato de ser um traçado antigo, que desde 1990 não sofreu nenhuma alteração significativa, contribua bastante para isso.

    É por isso que não dá para pegar uma “receita” que funcione nessa pista e tentar passa-la para o calendário inteiro, como foi o caso dos pneus que se desgastavam propositalmente. Tem coisa que só dá certo ali.

    Corrida muito interessante, mais uma vez com Hamilton correndo como se estivesse em casa, para delírio dos fãs, que estavam ali em peso! Mostrou muito bem quem é que “mandava” ali nesse fim de semana.

    O Massa realmente fez uma boa corrida ali. O único “porém” foi ele ter ficado “preso” atrás da Sauber do Ericsson nas voltas iniciais, não conseguindo ultrapassar nem mesmo com a ajuda da asa móvel em um circuito onde as ultrapassagens não são difíceis! Achei que ia ser assim, mas me surpreendi. Não teve problemas para ultrapassar os demais carros, inclusive os mais rápidos. Mas, na “briga interna”, o Bottas já conseguiu ampliar ainda mais a vantagem.

    Já o Nasr teve um fim de semana para esquecer. A única coisa que conta ao favor dele é que quando ele chega atrás do seu companheiro de equipe, este, por sua vez, também não pontua, deixando inalterada a briga interna no campeonato.

    O Vettel também fez uma boa corrida de recuperação, mas isso já era esperado. Se ele tivesse largados dos boxes, a equipe poderia ter ajustado o carro especificamente para aquela situação, podendo o alemão repetir Abu Dhabi 2013!

    No fim das contas a classificação do campeonato continua do mesmo jeito: pilotos da mesma equipe classificados de dois em dois até a décima posição, o que mostra um certo equilíbrio dentro das equipes.

  3. Fernando Marques disse:

    Fim de semana e feriado na estrada … somados ida e a volta umas 17 horas na estrada … no restante do tempo muitos compromissos como churrasco, casamento e outros bons afazeres como levar meu neto para andar a cavalo … mas consegui no domingo arrumar um tempinho para ao menos ver o GP do Canadá …
    Primeiro que o circuito é disparado o mais bonito do circo … e também gosto muito do traçado … inclusive com elogios a chincane que antecede a reta de chegada … onde os carros saem beirando o muro numa manobra sempre corajosa dos pilotos …
    Em termos de pilotagem o Hamilton (cada vez mais absoluto), Bottas, Vettel e Massa foram os melhores … inclusive as partes mais divertidas da corrida foram proporcionadas pelo Vettel e massa … Raikkonen não estava num bom dia e o Nico voltou a ser o Nico das primeiras provas da temporada ou seja um mero coadjuvante …
    Quanto ao Luiz Alberto … acho que a narração dele foi no mesmo nivel da transmissão da Globo …uma porcaria … houve muitas falhas no audio da transmissão … barulho de motor neca e ficava claro que eles estavam num estudio aqui no Brasil … aliás foram muitas as vezes que ele chamava o Luciano e quem falava era o Reginaldo Leme e vice e versa …
    A bronca do LA é de nunca ter conseguido um autógrafo do Alonso … nem com Galvão pedindo … hehehehehehe

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    • Fernando Marques disse:

      Só mai uma coisa … a corrida pode até ter sido mandrake ,,, mas foi melhor que algumas já acontecidas nesta temporada …

      Fernando Marques

    • Lucas dos Santos disse:

      E gostei da narração do Luís Roberto. Pelo menos não perdeu muito o foco durante a narração, não falou em cima do rádio e, o principal, não ficou reclamando do “excesso de rádio” durante a transmissão!

  4. Mauro Santana disse:

    Olá Amigos do Gepeto!

    Corridinha mandrake esta do Canadá.

    Sério, pra que a F1 volte a ser um show, é preciso fazer somente duas coisas, que já fariam um estrago danado:

    Primeiro – Acabar com a obrigatoriedade dos pilotos utilizarem compostos diferentes nos GPs(não voltar com o reabastecimento).

    Segundo – Acabar com o rádio e limitar a comunicação somente via a placa de mureta de box.

    Aí sim, meus amigos, a F1 pegaria FOGO mesmo.

    Abraço e uma excelente semana.

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

    • Lucas dos Santos disse:

      O ruim de tirar o rádio é que o piloto ficaria privado de entrar em contato com a equipe para, por exemplo, avisar que vai fazer uma parada não planejada nos boxes ou comunicar sobre algum problema no carro.

      Sou a favor de limitar ainda mais o “coaching”. Por exemplo, a Mercedes e a McLaren não deveriam ficar o tempo todo no ouvido do Hamilton e do Alonso falando que eles tinham de economizar combustível e, no caso do Hamilton, de que forma fazer isso. Se, através do painel do carro, o piloto tiver acesso à informação de quanto combustível resta, da média de consumo por volta e até mesmo uma estimativa de até que volta o combustível vai dar, caberia a ele encontrar uma maneira de fazê-lo durar até o fim da corrida. Enfim “usar a cabeça”!

      Por falar nisso, parece que o Rosberg ainda não entendeu a regra que proíbe o coaching. Na corrida, perguntou quanto restava de combustível ao Hamilton, sendo que a equipe não pode passar esse tipo de informação. E não foi a primeira vez que ele fez isso. Tudo bem que poderia haver alguma mensagem cifrada no meio dessa “inocente” pergunta, mas mesmo assim é estranho.

      A propósito, impressionante como foi alto o consumo de combustível dessa prova. Desde que foi implantado o limite de 100 kg por prova, não me lembro de alguma corrida em que o combustível tenha dado tão “na medida” assim! Normalmente os pilotos conseguiam terminar com uma margem bastante folgada.

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