Replay – parte II

Replay – parte I
06/04/2016
Replay – final
11/04/2016

Rolf Stomellen chegou à Fórmula 1 já com uma imensa bagagem no automobilismo.

Confira a primeira parte desta história clicando aqui.

Ainda em 1970, Rolf vai para a Brabham para ocupar o segundo carro da equipe. Já com problemas financeiros para manter a escuderia, Jack decide alugar seu segundo BT33, pois esse dinheiro seria muito bem vindo. Assim, Rolf participa no campeonato com o patrocínio da revista alemã Auto Motor und Sport. Com a vitória de Jack na corrida inaugural do campeonato em Kyalami, uma pole na Espanha e sua quase vitória em Mônaco, onde Jack é superado na última curva por Rindt, a equipe concentra seus esforços em Jack, quem recebe o melhor equipamento e atenções. Ainda assim, Rolf consegue seus primeiros pontos com um 5º lugar na Bélgica. Só quando as chances de Jack de disputar o campeonato desaparecem é que Rolf começa a receber melhor atenção.

Na Alemanha, Rolf é novamente 5º. Na Áustria, partindo desde o 17º lugar no grid, o alemão começa uma assombrosa recuperação: primeiro supera a Mario Andretti e a Emerson Fittipaldi. Depois viriam Jack Oliver e Chris Amon, continuando com Henry Pescarolo. Sua ascensão é imparável e logo alcança seu chefe Jack superando-o para, a continuação, perseguir J. P. Beltoise a quem também supera. Com o abandono de Rindt, Rolf herda a 3ª posição, apenas superado pelas duas Ferrari de Ickx e Regazzoni, que dominavam a prova desde o principio. Rolf seria o único piloto que não perderia volta respeito aos Ferrari.

httpv://youtu.be/WPT6o_ZEPsU

Logo depois viria Monza onde, antes do GP lhe haviam dito que o motor já tinha muitos quilômetros e que devia cuidá-lo. Apesar disso, Rolf brinda uma nova lição magistral de pilotagem. Partindo desde o 17º lugar no grid, na primeira volta já sobe até a 12ª posição e na sexta volta até a 8ª enquanto que na volta 15 já estava na 3ª posição. Infelizmente, nas voltas restantes, a falta de alguns cavalos no motor lhe impedem se defender de Stewart, Beltoise e Hulme, terminado em 5º lugar, ainda que chegando todos juntos mas longe de Regazzoni, o vencedor. Nas últimas 3 provas do campeonato, com o equipamento já exausto, nem Jack nem Rolf conseguem nada destacável.

Seu trabalho com o Alfa-Romeo T33 continua e na primeira prova de 1971, os 1000 km de Buenos Aires, Rolf, junto a Nanni Galli, terminam terceiros, sendo os vencedores em sua categoria. Repetiriam um 3º lugar nos 1000 km de Zetweg e a primeira vitória do T33 chegaria nas 6h de Watkins Glen, ainda que com Andrea de Adamich e Ronnie Peterson ao volante. O T33… melhorava!

Duas semanas depois dos 1000 km de Buenos Aires, se celebraria o GP da Argentina de formula 1, prova não valida para o campeonato e que servia para homologar o circuito para 1972. Curiosamente, o GP se disputaria em duas baterias. Nesta temporada, Rolf tinha contrato com a equipe Surtees e o patrocínio da revista alemã se mantinha, agora complementado pela Eifelland, um fabricante de trailers. Rolf consegue a pole, superando a gente como Amon, Fittipaldi, Reutemann, Siffert ou Pescarolo, impondo-se a todos na primeira bateria. Contudo, problemas na caixa de câmbio lhe obrigam ao abandono na segunda. Sua estreia com a equipe de Big John, não podia ser melhor.

No entanto, os problemas que havia sofrido na Brabham, se reproduzem na Surtess e só pontua em Monaco ( 6º ) e em Silverstone ( 5ª ), onde supera seu próprio chefe. Porem sua melhor corrida foi na Holanda. Em Zandvoort e sob chuva, Rolf, que havia passado na 17ª posição na primeira volta, começa a se recuperar e, após superar a pilotos tao qualificados quanto Hill, Cevert, Ganley, Bell ou Siffert, já era 6º na volta 13ª, quando derrapa numa mancha de óleo e fica fora da corrida. Em Nurburgring, superava a Surtees na classificação por 2″. Nos EUA. não participa pois sua relação com Surtees já se dá por terminada.

Em 1972, Gunther Hennerici, o dono da Eifelland e entusiasta do automobilismo, decide formar sua própria equipe mas, ante a impossibilidade de construir um carro a tempo, decide comprar um March e deixar sua preparação ao engenheiro Luigi Colani. Colani compraria o March 711 usado por Ronnie Peterson na temporada anterior e logo começa a trabalhar nele. Poudo depois, na apresentação do carro em Hockenhein, sua peculiar aerodinâmica logo chama a atenção.

Stommelem estreia o carro em Kyalami, e este resultou bastante rápido nos testes preliminares. Quase tanto quanto o McLaren M19 de Hulme, quem seria o vencedor. Porem, na corrida, Rolf largaria e terminaria na 13ª posiçao. Conforme a temporada avançava, as modificações introduzidos por Colani, foram sendo retiradas pois os resultados não eram os esperados. Tão originais quanto ousadas, as idéias de Colani requeriam de um trabalho de desenvolvimento que a Eifelland não podia financiar. De fato, a equipe desapareceria antes do fim da temporada, depois que Hennerici vendesse a Eifelland, já com problemas econômicos.

Enquanto isso, Rolf continua seu trabalho na Alfa-Romeo e como acontecia na Porsche, habitualmente, era o piloto mais rápido. Seu melhor resultado da temporada com a equipe lombarda seria um 3º lugar nos 1000 km de Brands Hatch, junto a Peter Revson. Também venceria as 6h de Nurburgring com John Fitzpatrick, a bordo de um BMW. Em 1972, a FISA havia estabelecido que os motores deviam ser de 3 litros, e os 917 desaparecem. Então seria Ferrari, com seu 312 a campeã da temporada. Em 1973 Rolf consegue um 2º lugar nos 500 km de Imola e participa, sem nenhum destaque, em 4 GPs de formula 1 com o terceiro Brabham BT42 que Bernie alugava para conseguir dinheiro.

Ainda em 1974 é segundo nos 1000 km de Monza, junto a Ickx com o T33, para repetir resultado nos 1000 km de Imola, com Reutemann. Rolf termina seu contrato com a Alfa-Romeo, deixando o T33 em plena forma. Assim, tal como havia acontecido antes com o Porsche 917, seriam otros aqueles que colheriam os frutos do trabalho de Rolf. Em 1975, o T33 venceria o campeonato de marcas ganhando em 7 das 9 provas. No fim do ano, Rolf voltaria a pilotar para equipes cliente da Porsche em varias corridas, inclusive vencendo as 6h de Monza, junto a Hazemans.

Rolf participa nos dois últimos GPs de 1974 com o equipe Embassy-Hill de Graham Hill e passa a ser piloto titular para 1975, além de continuar correndo em outras categorias. Na Argentina e no Brasil, com o velho Lola T/370, Rolf terminaria 13º e 14º respectivamente. Em Kyalami, já com o novo Hill GH1 as coisas melhoram e Rolf termina 7º. Pouco depois, com um BMW, Rolf venceria os 300 km de Nurburgring.

Na próxima semana, o desfecho dessa história

 

Manuel Blanco
Manuel Blanco
Desenhista/Projetista, acompanha a formula 1 desde os tempos de Fittipaldi É um saudoso da categoria em seus anos 70 e 80. Atualmente mora em Valência (ESP)

4 Comments

  1. Mauro Santana disse:

    Show Manuel!

    Realmente os anos 70 no automobilismo foram mágicos, tanto na F1 como no Mundial de Endurance.

    Interessante naquela época as provas extra campeonato para homologar os circuitos da F1.

    Se isso ainda existisse nos tempos atuais, pistas como Barhein, China, Coreia e Abu Dabhi, não entrariam no calendário.

    Mas, sabemos que isso são outros Intere$$e$.

    Que venha a próxima!

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  2. Robinson Araujo disse:

    Ahhhh os anos 70 da fórmula 1.

    Ridnt, Stewart, Fittipaldi, Lauda, Hunt, Andretti e Scheckter como campeões e tanto, tantos outros vencedores!!!

    Agora só criando uma Time machine e voltando pois o mundo já é outro.

  3. Fernando Marques disse:

    Há pouco tempo nosso amigo Mário Salustiano nos brindou com a historia daquela que seria a ultima corrida do J. Stewart e que de certa forma mostrava como era a Formula 1 naqueles tempos.
    A mesma sensação sinto ao ler a história do Rolf Stommelen, sem duvidas alguma uma carreira vencedora, apesar de seu pouco sucesso na Formula 1, talvez pelo fato dele nunca ter tido um carro realmente vencedor.
    Este video do GP da Austria de 1970 é sensacional. Os carros quase chegam quase a levantar voo naqueles sobes e desces no A1Ring daqueles tempos …
    Manuel, a segunda parte foi tão boa ou melhor que a primeira parte. Acredito que o desfecho será incrível. Uma curiosidade. Que carro é aquele da foto acima Kyalami 1978? … Ele voltou a correr depois daquele acidente de 1975?

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    • Manuel disse:

      Oi Fernando,

      Sim, Rolf voltou a correr depois de seu acidente em Montjuic ( espere a próxima parte ).
      O carro em questao é o Arrows A1 de 1978. Rolf entrou na equipe naquela corrida em Kyalami.

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