Revisitando 1992

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"Senna fez uma péssima temporada em 1992"; "Schumacher massacrou Senna naquele ano"; Sim, há quem pense dessa forma...

Aproveitando o retorno da parceria da McLaren com a Honda, anunciada para 2015, vale à pena relembrarmos como foi a última temporada desse partnership que, de início, foi extremamente bem-sucedido, mas teve um final melancólico: em 1992 o time decidiu se retirar da categoria. Fatores econômicos explicam parte desse rompimento, mas o desempenho pífio da McLaren naquele ano influenciou muito na decisão.

Algumas temporadas da Fórmula 1 com o passar dos anos vão sendo esquecidas ou mal interpretadas: de repente, até mesmo quem viveu a referida época começa a observar os números e criar “verdades” sobre o que aconteceu ou deixou de acontecer naquele ano.

Um desses anos foi 1992. Beleza, a Williams criou um carro realmente de outro planeta, equipamento tão eficiente que tornaria Mansell o campeão mais antecipado da história. “Até o Mansell pode ganhar com esse carro”, diria Piquet. Nada poderia acontecer de diferente naquela temporada, portanto. Então, qual a razão de “rever” o que aconteceu em 92?

Já vi – não apenas em comentários de leitores, mas em publicações especializadas – muita gente dizendo que Senna fez uma temporada “muito ruim” naquele ano. E isso mesmo ele tendo feito a única pole fora as Williams e ganhou 3 corridas, sendo uma delas a lendária prova de Mônaco.

Nas mesmas fontes, também vi muitas vezes que “Schumacher superou Ayrton Senna já na sua primeira temporada completa”. Para sustentar tal definição, a tabela: Schumacher, 3º no mundial, 53 pontos; Senna, 4º, 50.

Complementando a frase supracitada, essa: “(…)mesmo tendo um equipamento inferior”. Para tanto, outra vez a tabela: McLaren, vice nos construtores, 99 pontos; Benetton, 3ª, 91. Já li, também: “Senna estava no auge em 1991, saiu do auge em 1992, e retornou a ele em 1993”. Tudo, de novo, erroneamente baseado na tabela.

Mas não: nem sempre a classificação diz o que foi o campeonato; e muito menos diferenças tão pequenas podem servir para determinar desempenhos superiores ou inferiores ao longo de 16 etapas.

httpv://youtu.be/SwuE73pU0dY

A temporada de Ayrton Senna em 1992 não foi ruim. Pelo contrário, é semelhante aos desempenhos de Schumacher em 1996 e de Alonso em 2011: não disputaram título, porque simplesmente não havia possibilidade: Williams (2x) e Red Bull, respectivamente, apresentaram conjuntos MUITO superiores.

No entanto, eles venceram GPs e fizeram até mais do que o equipamento lhes permitia. E o mais engraçado é que fariam, já nos anos seguintes, algumas das melhores temporadas de suas vidas.

Mesmo sem terem sido campeões, viviam o auge, enfim.

1992 foi um campeonato cheio de variáveis: se por um lado o título jamais teve disputa, por outro tivemos equipamentos em constantes mudanças e pilotos com o emocional influenciando em decisões.

Foi naquele ano que Senna foi testar na Indy, a convite de Emerson Fittipaldi. Estaria o brasileiro tão desmotivado assim com a F1? Talvez, mas foi apenas um blefe.

Michael Schumacher era o dono da Benetton: com a aposentadoria de Nelson Piquet, no final de 1991, o alemão voador, então com 23 anos, era a nova estrela da equipe e potencial campeão. Schumy chegaria ao pódio logo em sua terceira corrida na temporada – apenas 9ª na carreira. Mas outros aspectos de sua imagem já estariam bastante claros desde então.

No GP do Brasil, quando terminou entre os três pela primeira vez na vida, Schumacher acusa Senna na entrevista coletiva de tê-lo bloqueado deliberadamente e de “deixa-lo passar” na entrada da reta dos boxes só para depois “fazer graça para a torcida”, retomando a posição no ‘S’. O brasileiro levaria a telemetria para Schumacher ver e observar o que acontecia com o estreante MP4/7: corte no combustível: em resumo, era como se o carro “morresse” e fosse religado um segundo depois.

httpv://youtu.be/AF4IaMccJz4

Schumacher e Senna discutiriam novamente na França, quando o alemão tirou o brasileiro da prova, e quase chegariam às vias de fato durante treinos em Hockenhein.

Gerhard Berger via naquela temporada (com a total falta de perspectivas da McLaren) sua chance de finalmente vencer corridas – ele levou no Japão em 1991, mas… – e até, quem sabe, superar o companheiro de equipe.

O austríaco terminou com somente um ponto a menos que Ayrton (50 a 49) e obteve duas vitórias, contra 3 do companheiro. Creio que, a partir disso, já podemos começar a pensar se de fato Senna foi “superado” ou se os números da tabela não refletiram a realidade.

Um recorde interessante: em 1992, Ayrton Senna largou dez vezes na terceira posição – maior número de largadas em 3º numa mesma temporada de um mesmo piloto; Nas outras seis etapas restantes, largou 5 vezes na primeira fila (1 pole e 4 segundas colocações). A única vez em que não ficou no top-3 foi no México, onde partiu em sexto e rapidamente ascendeu à terceira posição.

À época, o próprio Ayrton Senna brincou, dizendo que sempre saía na pole, uma vez que era praticamente impossível superar as Williams em ritmo de treino: por isso, é histórica sua pole no Canadá.

httpv://youtu.be/CagzBGAA95I

Já tanto foi debatido sobre os perfis dos pilotos: Senna e Vettel são da linha dos descendentes; Schumacher e Prost, dos ascendentes; Piquet e Alonso, são os chamados horizontais. Entretanto, a temporada 1992 – como havia sido também em 1987 e seria 1993 – forçou Senna a adotar o chamado perfil ascendente.

Não que isso se convertesse em voltas mais rápidas (foi apenas uma, em Portugal), até porque essas também foram dominadas por Mansell e pelas Williams, mas fez com que o piloto modificasse suas estratégias nas corridas, pilotando, muitas vezes, acima dos limites do carro.

Naquela temporada, os pilotos da McLaren abandonaram 10 vezes — em 32 oportunidades — por falhas de equipamento: Senna não completou as provas do México (transmissão), Brasil, Canadá (problemas elétricos em ambas), Inglaterra (pane seca) e Japão (quebra do motor), enquanto Berger enfrentaria problemas com seu carro no Brasil (superaquecimento), em Mônaco (câmbio), na França (motor), Alemanha (elétrico) e Bélgica (transmissão).

Nas provas supramencionadas, Senna sempre vinha em boas posições quando do abandono: no Canadá, era líder; no México, no Brasil e no Japão, era terceiro; e na Inglaterra era quarto. Em todas as mencionadas ele estava a frente de Schumacher, que concluiu quase todas as provas (segundo no Canadá, terceiro no México e no Brasil, quarto na Inglaterra). Alguns bons pontos foram perdidos, portanto.

A Benetton, por sua vez, teve pouquíssimos problemas: Schumacher só não pontuou em 5 das 16 provas: foi sétimo em Portugal, abandonou duas vezes por erros (rodou em San Marino e colidiu com Senna na França) e teve problemas no carro na Hungria (a asa traseira se soltou em plena reta) e no Japão (transmissão). Martin Brundle também teve apenas duas quebras (superaquecimento no México e transmissão no Canadá) e conseguiria pontuar em 9 corridas consecutivas – a melhor sequência fora as Williams: na segunda metade do ano Brundle somou 33 pontos contra 27 de Schumy.

O time italiano, portanto, podia não ter tanta potência quanto a McLaren, mas tinha um equipamento MUITO mais confiável. Justo pensar que, sem os problemas enfrentados, o vice-campeonato de Ayrton Senna era algo certo.

httpv://youtu.be/hQAq32MtwII

Mas, é claro, o “se” não entra no jogo.

1992 foi um ano tão atípico que foi a única temporada onde Senna não venceu nenhuma prova disputada sob chuva: as etapas da Espanha, França e Bélgica aconteceram no molhado, e nelas o brasileiro marcou apenas dois pontos.

No GP da Espanha, Ayrton cometeu um erro – um raro erro na chuva, e que lhe causou um dos poucos abandonos por falha do piloto em sua carreira – quando vinha tranquilo na terceira posição, a duas voltas do fim.

Essa foi a única prova da temporada em que ele foi efetivamente superado por Schumacher: o alemão largou e se manteve à frente do brasileiro durante toda a corrida.

Na etapa da Bélgica, que marcaria a primeira vitória de Michael Schumacher, Senna teve uma bela exibição: quer dizer, bela em termos de habilidade, mas não em termos de estratégia.

Senna fez o segundo tempo nos treinos, e assumiu a ponta na largada – ainda seria líder até a volta 10: o brasileiro permanece com os pneus slick quando começa a chover. Aos poucos, forma-se o típico ‘trenzinho’. Somente Mansell passaria com alguma facilidade.

Patrese e Schumacher, nessa ordem, sofrem para ultrapassar o brasileiro, que retarda freadas e toma traçados diferentes. Um show, inferior àquele de Schumacher em 1995 contra Damon Hill, mas sensacional, também.

httpv://youtu.be/RkjJt0RrxJk

O tempo perdido nessas voltas, porém, destruiria a corrida do brasileiro, que terminou em 5º, ultrapassando Hakkinen no final.

Sobra a etapa da França.

Em 2011, quando se completaram 20 anos do tricampeonato mundial de Ayrton Senna, Michael Schumacher topou responder perguntas de fãs brasileiros.

Uma delas se referia justamente à etapa de Magny-Cours: Senna (que largava em terceiro) e Schumacher (que vinha em quinto) se chocaram. A análise do acidente, nas palavras do alemão: “Sem dúvida, a culpa pelo que aconteceu ali foi minha”.

httpv://youtu.be/cMPuTqVzDn8

Senna teria ainda mais um abandono, na última etapa do ano (Austrália): o brasileiro vinha em segundo, e ficou fora da corrida após um controverso “brake-test” do líder Mansell. Assim, o vencedor foi Berger, que descontava a diferença de 11 para apenas 1. Schumacher foi promovido a segundo, somando 6 pontos e batendo o brasileiro na tabela por 3.

Além do teste na Indy, dois momentos de Ayrton Senna fora das pistas em 1992 foram marcantes.

O primeiro, no pódio do GP da Hungria (onde venceu e Mansell foi campeão). O Brasileiro trouxe o inglês pra junto de si num abraço, e disse: “É uma sensação f…, não é mesmo? Agora você entende por que eu sou tão FDP nas pistas, né? Não quero que mais ninguém sinta isso”.

A outra teve o mesmo Mansell como antagonista: após o GP de Portugal – onde Senna foi terceiro e marcou a supracitada única volta mais rápida do ano –, durante a conferência de imprensa, Senna foi perguntado sobre o veto de Alain Prost à sua entrada na Williams: o francês, ausente durante a temporada, negociou contrato com a equipe inglesa e fez, como única exigência, a não-contratação de Senna.

Senna chamou Prost de “covarde”, e comparou a situação ao atletismo: “é como se ele quisesse correr com sapatilhas especiais, e que todos os outros usassem tênis ‘de rua’”.

httpv://youtu.be/uZlOIIIA3co

Basicamente, o que Senna mais odiava em sua vida era correr sem a chance de vencer. E foi o que aconteceu em 1992.

Bom GP de Mônaco a todos!

Marcel Pilatti
Marcel Pilatti
Chegou a cursar jornalismo, mas é formado em Letras. Sua primeira lembrança na F1 é o GP do Japão de 1990.

13 Comments

  1. Fernando Marques disse:

    O que eu mais lembro da temporada de 1992 foi a minha tristeza em não poder torcer mais pelo Nelson Piquet na Formula 1.
    Com relação ao Senna, creio que o motor Honda 12 cilindros não foi aquilo que a própria Honda esperava em função do sucesso dos anos anteriores influenciando demais na decisão de abandonar a Formula 1 …
    Vale lembrar que neste aspecto devido ao seu menor peso e consumo os motores de 8 e 10 cilindros sempre se mostraram mais eficientes que os de 12 cilindros. A Honda tentou mudar esta realidade e não conseguiu …
    Fico imaginando o que seria a Formula 1 nos anos 70 se a Ferrari tivesse um motor de 8 cilindros e não seu beberrão de 12 …

    Fernando MArques
    Niterói RJ

  2. Arlindo Silva disse:

    Penso que em condições normais, o McLaren MP4/7A era superior ao Benetton B192, sendo o melhor do resto do pelotão.

    O carro da McLaren contava com um motor Honda com pelo menos 60HP a mais que o V8 da Ford, além de possuir transmissão semi automática e controle de tração (com sistema de acelerador fly-by-wire inclusive). O carro da Benetton era totalmente passivo. Creio que a única eventual vantagem da Benetton perante a McLaren seria em termos aerodinâmicos (o B192 é frequentemente mencionado por Rory Byrne como a base dos B194 e B195 campeões mundiais) e na questão de peso extra no princípio das corridas (o V12 Honda precisava largar com mais combustível que o v8 Ford). Era uma época também onde gasolinas especiais eram permitidas. Elf (fornecedora da Williams) e Shell (fornecedora da McLaren) usavam misturas bastante exóticas que davam vantagem para suas respectivas equipes, especialmente em treinos. A Benetton por sua vez não recebia esse tipo de combustível da sua fornecedora, a Mobil.

    Tanto McLaren quanto Benetton começaram o ano com os carros de 1991. Ambos com motores que haviam sido utilizados no final daquela temporada. A única diferença era o fato da Benetton estar com pneus Goodyear em 1992.

    Acho que a quantidade de falhas mecânicas da McLaren está diretamente relacionada a abordagem que eles tiveram em relação aquela temporada. Aquele foi o primeiro chassis da McLaren com molde fêmea, primeiro chassis de nariz elevado, primeiro carro da equipe com transmissão semi automática, primeiro carro com controle de tração, primeiro carro com acelerador eletrônico (fora o desenvolvimento da suspensão ativa que foi realizado ao longo do ano). O conservadorismo que foi parte da chave do sucesso da equipe nos anos anteriores acaba explicando grande parte das falhas de 1992. Penso que a equipe teve de recuperar o tempo perdido em várias áreas delicadas de uma única vez e a soma de todas as complexidades não resolvidas acabaram resultando em quebras e mais quebras. A decisão de antecipar o lançamento do carro em um mês contribuindo também para isso (alguém aqui lembra do carro do Berger deixando pedaço pela pista enquanto ele se dirigia para o grid em Interlagos?).

    Para piorar, o carro não tinha o nível de performance esperado. Ou seja, a McLaren estava na mesma situação da Williams em 1991 em termos de confiabilidade, mas nem de longe tendo a mesma performance.

    Com relação a Senna específicamente, eu acho que em algumas provas ele esteve abaixo do esperado algo desmotivado, cometendo alguns erros que em ocasiões anteriores ou em 1993 não ocorreriam. No Brasil haviam problemas elétricos, mas ele pura e simplesmente abandonou porque o carro não era “competitivo o suficiente” (palavras dele). Na Espanha teve provavelmente sua pior atuação em piso molhado na F1, creio que mesmo sem os erros (antes de bater, ele já havia rodado poucas voltas antes) ele seria superado por Alesi, que vinha tirando quase 5 segundos por volta. Em Spa, ficou muito tempo na pista com slicks, e quando colocou pneus de chuva levou tempo para passar carros que eram bem inferiores ao dele (salvo engano, ele levou cinco voltas para passar um carro da Fondmetal), no Estoril parou quatro vezes nos boxes e em Adelaide cometeu um erro de julgamento e encheu a traseira de Mansell. Nesse aspecto, eu penso que a abordagem do Schumacher em termos de campeonato foi melhor, obtendo o máximo de pontos possível com o equipamento que tinha (apesar de alguns erros de pilotagem em alguns GPs), tal qual Senna fez em 1987.

    Abraços aos amigos do Gepeto.

  3. Lucas disse:

    Uma das mais tradicionais falácias da Fórmula 1, mas como o Marcel mostrou com propriedade, também uma das mais facilmente desmascaradas. É pena que muitos hoje em dia, ao fazer o dever de casa para saber mais sobre o passado da categoria, se contenta só em olhar a tabela final.

    Sobre 92, outro ponto que passa despercebido pra quem só olha a tabela é o desempenho de Martin Brundle. Enquanto Schumacher nunca terminou uma corrida à frente de Senna sem que algo de muito errado acontecesse com ele, Martin Brundle bateu as duas McLarens (e o próprio Schumacher) no GP da Inglaterra em condições absolutamente normais. É justo afirmar que, embora houvesse clara superioridade de Schumacher sobre Brundle em treinos, praticamente não havia diferença entre os dois pilotos em ritmo de corrida (mas obviamente, em geral Schumacher levava a melhor pois Brundle precisava recuperar o tempo perdido).

    O próprio GP de Spa-Francorchamps, que marcou a primeira vitória de Schumacher, é um caso emblemático: Brundle se classifica seis (!) posições atrás de Schumacher, mas em poucas voltas já está atrás dele, e passa boa parte daquela tarde encarando a asa traseira do alemão, e como bom segundo piloto, sem atacar em nenhum momento. Ainda assim Schumacher erra sozinho e Brundle toma o terceiro lugar – até fazer um pit stop completamente estapafúrdio que tira dele uma vitória certa, pois as duas Williams tiveram uma queda drástica de desempenho por apresentarem o mesmo problema (escapamento estourado) – permitindo assim que a vitória caísse no colo de Schumacher.

    Mesmo tendo quase sempre que “remar” mais que os outros devido à sua deficiência nos treinos, Brundle fez cinco pódios naquele ano, terminou algumas corridas incomodamente à frente de Schumacher e, de forma surpreendente (ou não), foi despedido sem maiores explicações ao fim daquela temporada.

  4. Allan disse:

    Marcel, tudo bem? Então, permita-me discordar do seu posicionamento – se bem que não vi uma conclusão na sua coluna… De qualquer forma, acho que Senna não estava a 100% neste ano, e tenho algumas teorias pra isso.
    Seu psicológico estava mais para “derrotado” do que “vencedor” ou mesmo do “franco atirador” de 1993. Ao ver que seria impossível vencer a Williams, fez uma temporada morna, reclamando de tudo e de todos. O carro de fato não era bom, mas a proximidade do Berger é que me faz pensar exatamente num ano ruim de cabeça. Veja que em qualquer dupla onde um seja melhor que o outro, quanto pior o equipamento a diferença entre eles será muito maior… Vide Alonso x Massa… Salvo se a MOTIVAÇÃO do “cobra” andar em baixa, aí também temos inúmeros exemplos, inclusive com Schumacher e Rubens (2003 e 2005) e Piquet e Nakagima (1989). Como em 1993 ele aparentemente “limpou” a alma e desencanou momentaneamente do “carro do outro mundo”, e até porque a MP4/8 era bem dirigível, ele fez o que fez… Quanto aos abandonos, foram mesmos 7 (além das 5 por problemas mecânicos, o da França e da Espanha), não? Mas aí ao meu ver pouco importa se seus problemas foram mecânicos e do alemão por erros. Dou mais mérito ao Miguel nesse caso pois era um iniciante em uma equipe vencedora mas não campeã! Então considero sim um ano abaixo do que poderia ter feito.
    Porém, tirando um pouco a “culpa” do Senna, vale lembrar que naquele tempo a McLaren/Ron Dennis a cada ano (desde 1988) tentava economizar nos gastos com projetos… Tanto que o MP4/4 resistiu por 3 temporadas (virando MP4/5 e 5b)! E esse MP4/7 parecia mais um MP4/4 (outrora glorioso, mas bastante ultrapassado se comparado com o FW14) com suspensão dianteira atualizada… E ele só fez sua estréia, salvo engano, no Brasil! Lembro-me do carro chegar aqui sem testes (daí as falhas observadas…)… Mas outros poderão reanimar minha memória.

    • Marcel disse:

      Allan,

      Com certeza permito-lhe discordar de mim. Aliás, nem pede permissão da próxima vez!

      Sobre os abandonos de Senna, foram oito: 5 por alguma falha, 2 por colisões (França e Austrália) e a rodada na Espanha.

      Nas oito que completou, 7 pódios e uma quinta colocação.

      Sobre meu texto supostamente não apontar conclusão alguma, eu é que vou discordar: a última frase diz: “o que Senna mais odiava era correr sem poder vencer. E foi o que aconteceu em 1992”.

      Além disso, eu sugiro algumas vezes no texto a desmotivação dele. E também cito essa proximidade de Berger: “o fato de Berger ter ficado apenas um ponto atrás de Senna sugere que Senna não foi ‘superado'”.

      E, sim, Schumacher fez um campeonato melhor: foi mais cerebral, mais consciente.

      Mas, como aponto, também, em apenas UMA corrida ele superou Senna. Na Bélgica, onde venceu pela primeira vez, passou Senna pelo erro de estratégia do piloto. Nas corridas que ambos terminaram, 7 a 1 para Senna.

      Nas 5 em que o brasileiro teve quebras, estava na frente.

      E nas duas colisões (uma delas com Schumacher), também.

      E os treinos? Senna 14 a 2.

      Enfim, Schumacher, em 1992, ficou à frente de Senna como no futebol, aqueles times que empatam várias vezes…

      Afinal, melhor empatar três vezes do que ganhar uma e perder duas.

      Teve méritos, sim, mas não SUPEROU SENNA. Não.

      Abraço!

  5. Mauro Santana disse:

    A temporada de 1992 foi muito chata, não somente porque o Senna para nós brasileiros não teve chances de vencer o campeonato, mas pela supremacia das Williams deixando que cada GP se tornasse previsivo.

    Já em 1993 isso foi bem diferente.

    Belo texto Marcel!

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  6. Carlos Gomes disse:

    O que eu nunca vi ou li foi o Schumacher reclamar que só ia correr de carro bom. Nunca reclamou da Ferrari estar ruim ou da mercedes não fazer carro pra ganhar campeonato. trabalhou e fez o que podia.
    Cada um com seu jeito. Foram grandes e serão sempre historia pra ser contada e apreciada. E admirada e servir de exemplo.

  7. Marcel Pilatti disse:

    Salve, Ballista.

    De fato, o que diferenciou o ano dos dois foi a confiabilidades: 25 pontos perdidos por Senna em virtude de problemas no equipamento – e em quatro dessas cinco corridas Schumacher acabou somando “mais”.

    Sem contar o acidente na frança…

    QUanto à transmissão, foi o Luiz Alfredo. Galvão ficou fora durante todo o 1992. Teve a briga com Reginaldo, e mais alguma coisa… Se alguém lembrar, por favor comente.
    Abraços!

    • Emmanuel disse:

      O galvão em 92 tinha saído da globo e estava na rede OM de televisão aqui de curitiba, atual CNT. Era inclusive o apresemtador da mesa redonda local, nos domingos a noite. Abraços.

  8. Ballista disse:

    Como foi dito no início do texto, tem se disseminado a opinião de que Senna fez fiasco em 1992, e Schumacher superou o brasileiro mesmo tendo um carro inferior!

    Nada melhor do que uma análise aprofundada como a do Marcel para desfazer estes mitos.

    Apesar de ter um motor FORD que andava menos que os V12 da Honda, a confiabilidade das Benetton fizeram toda a diferença no quesito pontuação.

    O que se pode dizer é que Schummy superou Senna em 92, somente nos pontos. Não na pista. Basta ver a tabela antes do último GP.

    ///

    O final do GP de Mônaco de 92 foi coisa de cinema! Literalmente uma briga de gato e rato.
    Algum tempo atrás vi um video das últimas voltas deste GP com transmissão de um canal de TV japonês. Não se entende uma palavra, mas ao mesmo tempo se entende tudo pelo modo como o narrador se comporta. Vale a pena procurar no youtube.

    Abraços

    Ballista

    ///

    Falando em televisão. Quem narrou o GP do Canadá pela Globo? Tendo em vista que Mônaco foi narrado pelo Cléber Machado, fica a pergunta: por onde andava Galvão Bueno?

    • Mauro Santana disse:

      Ballista

      No ano de 1992 o Galvão Bueno se transferio para a Rede OM aqui de Curitiba, motivo a briga que teve com o Reginaldo Leme no fina do GP do Japão de 1991.

      Com isso, a RG teve que se virar com a dupla Cleber Machado e Luiz Alfredo, pois acredite, naquela época o Galvão fez muita falta, pois estes dois que citei eram muiiiiiiiiiiito FRACOS, e quem sofria com isso, eram nós, o público da TV.

      Abraço!

      Mauro Santana
      Curitiba-PR

      • Lucas disse:

        A gente vê que a qualidade das transmissões era fraca quando chega-se a sentir falta do Galvão Bueno, né? 😀

        Mas de fato, Cléber Machado também tem pérolas tão grotescas quanto as do Galvão. A minha preferida, de longe, foi na transmissão dos treinos do Canadá em 2004, numa das raras poles daquele ano que não foi pra Ferrari. O Ralf marcou o melhor tempo e o Cléber solta essa: “Impreeeeeessionante a pole de Ralf Schumacher! O Galvão sempre diz que o Schumacher tira coelho da cartola, mas dessa vez o irmão dele tirou uma verdadeira plaaaaaaantação de coelhos!”.

        Seguiu-se um silêncio sepulcral 🙂

        • Mauro José Santana Júnior disse:

          rsrsrs

          Boa Lucas!

          Minha predileta é a do final do GP de Mônaco de 1992, quando o mesmo Cleber Machado soltou essa: “O motor da Mclaren estouuuura após o esforço de Senna em segurar Mansell”.

          E assim vamos rsrsrs…

          Abraço!

          Mauro Santana
          Curitiba-PR

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