Rubinho deve ter batido com a cabeça

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Panda

Juro. Eu não acredito que o Rubinho disse: “Não por acaso, a Ferrari passou a ganhar mais corridas e títulos depois que eu entrei na equipe”. Não acredito e pronto. O repórter ouviu errado. Foi erro de tradução. Talvez o bom Rubes tenha batido a cabeça a caminho do pódio (como o Mansell, lembra?). Pode ser também o efeito do champagne, que deve ter corrido solto depois da corrida.

Pode ter acontecido tudo, menos ele acreditar que tenha cumprido um papel decisivo no título do Schumacher. Aí já não é mais pretensão; é inocência pura e simples e isso, a Fórmula 1 não costuma perdoar. Claro, também não vamos dizer que ele não fez nada. Ele está bem colocado no campeonato, tem se revelado um piloto de chegada mas, me desculpe, acho que conseguiu o que conseguiu até agora em grande parte pelo mau desempenho do resto do grid.

Tecnicamente, o campeonato deste ano tem sido fraco. O McLaren é uma cadeira elétrica, o Williams está começando a decolar – mas veja como eles foram mal na Hungria. Jordan, BAR, Jaguar? Esqueça. A Sauber está em quarto lugar no campeonato…

Rubinho tem se classificado mal em quase todos os treinos e largado pessimamente em quase todas as corridas. Tem sabido aproveitar as corridas e foi chegando. Mas me cite uma corrida dele com C maiúsculo – como Donington/1993, por exemplo. Alemanha? Sim. Ele fez algumas ultrapassagens de macho nas primeiras voltas mas, pelo amor de Deus. Ele estava com o tanque vazio! Desconfio que a Ferrari tenha lhe pedido para fazer o papel de coelho, mas ele largou mal e deixou o Montoya escapar na frente…

E quer saber de uma coisa: acho que foram pequenos erros do Rubes que atrasaram tanto o Coulthard na Hungria. Precisaria ter todos os tempos de volta à mão para basear minha afirmação mas note como a distância entre o Schumacher e o Coulthard cresce de repente, depois de permanecer estabilizada nas primeiras dez ou quinze voltas. Além disso, com os tempos de volta na mão, poderíamos constatar que o nosso Rubes pisou na bola nas voltas anteriores ao seu primeiro pit stop, perdendo a posição para o escocês, este herdeiro dos azares antológicos do Mansell. Mas, para não dizer que não falei de flores, Rubinho largou bem na Hungria – ou então todo mundo largou mal…

Me considero à vontade para jogar umas pedras no Rubinho porque já cansei de defendê-lo em rodas de papo menos esclarecidas. Acho que ele está num mau momento da carreira, apesar da sua boa posição na classificação. O que esperaria dele? Que estivesse num segundo lugar no campeonato, até com alguma folga em relação ao pobre Coulthard. Aí, quem sabe, poderia dizer o que espero que não tenha dito.

Boa semana para você

Edu

Eduardo Correa
Eduardo Correa
Jornalista, autor do livro "Fórmula 1, Pela Glória e Pela Pátria", acompanha a categoria desde 1968

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