Rubinho fica na Ferrari em 2002?

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Panda

Obrigado pelos elogios à minha bondade. Espero que o Rubinho concorde com você!
Estou com medo de dizer uma coisa que ninguém disse ainda, pelo menos não aqui no Brasil: temo pela continuidade do Rubinho na Ferrari em 2002. Eu sei, eu sei: ele já está de contrato assinado e coisa e tal. Mas o Frentzen também estava com a Jordan, não estava?

Pois é. Temo que a Ferrari simplesmente conclua que não adianta manter uma alma penada na equipe durante todo 2002. Sim, por que todo mundo já sabe que ele não renova para 2003. Aliás, já se sabe até quem vai substituí-lo – o Raikkonen, que já posou para a capa da F1 Racing como “o próximo campeão da Ferrari”.

Acho que a continuidade – e a paz – do Rubinho na equipe dependem fundamentalmente do Schumacher, assim como tenho a certeza de que foi ele quem bancou a renovação do contrato do brasileiro para o ano que vem. Schumacher deve temer problemas com um jovem companheiro louco para aparecer. Rubinho já é bem conhecido. Chora um pouco mas acaba cedendo…

Bata na madeira aí para eu estar errado. A Ferrari costuma ser impiedosa com os seus pilotos. Lembra-se do Ivan Capelli? E do René Arnoux?

O maior piloto de todos os tempos?
Adoro esta discussão e tendo a cravar Juan Manoel Fangio na cabeça. Acho que a superioridade numérica dos pilotos da atualidade sobre os do passado resulta apenas do maior número de provas ao longo do ano e de um aprimoramento natural da máquina humana. Entre as maiores qualidades de pilotos como Prost (Aarghhh! Detesto este cara), Senna e Schumacher estão o baixíssimo índice de erros de pilotagem e o aproveitamento quase total das oportunidades que lhe passam pela frente, resultado, antes de mais nada, de um preparo físico e mental impecáveis.

Quinze, vinte anos atrás, isso era piada. Já imaginou o James Hunt fazendo musculação? Nem o Piquet, pelo que me consta, era chegado numa academia, a não ser que fosse para azarar menininhas. O Pace não perdeu na Argentina/77 simplesmente porque não agüentou o calor? (Essa quem me contou foi o Chico Rosa. Segundo ele, depois disso, o Pace pensou seriamente em fazer alguns exercícios. Não teve tempo, porém, para colher os frutos…)

Logo, grandes números não me impressionam. Me impressionam as médias. E nisso, o Fangio é difícil de bater. 5,44 pontos por corrida! É mole? Schumacher tem uma média excepcional, 4,91, mas teria de ter feito chover muito mais do que fez até hoje para chegar próximo do argentino. Só por comparação: Senna e Clark, com todo o direito a alinharem nesta corrida, têm 3,81 pontos por corrida.

Outra comparação: Fangio correu 51 GPs e venceu 24, um aproveitamento de 47%. Para atingir este índice, o bom Schumacher deveria ter ganho até agora 73 corridas – não 51. Vai por mim: o maior e o melhor piloto da história da Fórmula 1 é o Fangio. Pode ser que ele seja também o maior de todos os tempos, mas aí a discussão complica. Vamos voltar ao assunto.

Grande abraço

Edu

Eduardo Correa
Eduardo Correa
Jornalista, autor do livro "Fórmula 1, Pela Glória e Pela Pátria", acompanha a categoria desde 1968

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