Saideira…

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A Formula 1 está morta. Longa vida à formula 1. Impossível dizer que temos um campeonato chato apesar do massacre de pontos imposto por Lewis Hamilton. Estamos no meio de uma tempestade de corridas emocionantes que precedem o silêncio das férias do circo.

A prova desse fim de semana da Hungria marca a metade temporal do calendário, apesar de termos passado da metade da quantidade de corridas. Já é possível dizer que caminhamos para reta final desse ano.

O calor esperado para Hungria não se confirmou na sexta-feira, abrindo espaço para mais uma boa prova da Mercedes, em um campo que a Red Bull costuma se dar bem.

Sinais de uma boa corrida no domingo?


A Formula 1 e seus fãs foram premiados com uma sequência de belas corridas. Divertidas, imprevisíveis, cheias de variáveis. Entretenimento puro para os recém chegados, leituras complexas de estratégias para os apaixonados. Apesar das falhas de cortes da transmissão (como esquecer a ultrapassagem perdida para mostrar a reação da torcida, não é mesmo?), vivemos uma era de mil recursos digitais, há informação de boa qualidade e de forma abundante. Antigamente você olharia pro GP da Hungria e pensaria: lá vem mais uma fila indiana de carrinhos. Mas Alonso, Piquet, Button e Ricciardo foram caras que desafiaram essa lógica. Hungria é sim casa de bons GP´s e de datas históricas. A pista proporcionou as primeiras vitórias de Damon Hill, Alonso, Button, Kovalainen (por onde anda, não?). E porque também não lembrar da primeira volta mais rápida da Jordan (em 1991), com o mítico Bertrand Gachot?

O Grande Prêmio Húngaro é a casa de Lewis Hamilton. O britânico venceu em seis ocasiões até agora. Três vezes de McLaren, três vezes de Mercedes. O segundo desta lista é Michael Schumacher com quatro vitórias. Ayrton Senna aparece logo atrás com 3 vitórias. Na ativa, temos Vettel, Kime e Ricciardo com vitórias aqui.
Entre os construtores, a McLaren ainda é rainha. A equipe britânica venceu em 11 ocasiões. Williams e Ferrari dividem o segundo posto com 7 vitórias cada uma.
Mesmo com o calor dando uma trégua no impiedoso verão europeu, a pista é daquelas que não dá tempo de descanso para os pilotos. Pequena, curta, apertada. Com trechos em reta curtíssimos, os carros da F1 chegam na Hungria com o seu grau máximo de downforce. Times com bom equilibrio mecânico e muito downforce aerodinâmico vão se sobressair aqui.

Com essas características tão especificas, nos últimos anos a Mercedes não teve corridas fáceis. A diferença é que nesse ano o time alemão já traz um carro mais equilibrado para circuitos de baixa, mesmo que custando velocidade nos circuitos de alta. O mágico motor Mercedes continua imbativel em durabilidade, mas já tem um concorrente em vantagem no box vermelho. Lewis precisa mostrar que os problemas na Alemanha foram causados pela virose mesmo e Bottas precisa desesperadamente de uma corrida impecável e brilhante. Seu assento na Mercedes está na frigideira, nas mãos do cozinheiro Ocon.

No lado da Ferrari, Vettel pode ter salvado as manchetes dos jornais com um brilhante desempenho em casa, mas a realidade nua e crua é que a Ferrari (segurem-se: clichê vindo) foi Ferrari mais uma vez (pronto, passou!). A classificação da Alemanha foi um daqueles vexames históricos que causam demissões.

A Red Bull tem o carro necessário para uma bela vitória de Max. O sistema de suspensão dianteira é especialmente desenhado para curvas de baixa (Mercedes copiou esse ano, inclusive) e o carro se inclina gentilmente para frente quando o volante chega ao seu giro máximo. Mais inclinado, asa dianteira mais perto do solo, asa mais perto do solo, mais pressão aerodinâmica pra contornar a curva mais rapidamente. Agora que o motor Honda não é uma vela contra o vento, o time austríaco tem grandes chances de fazer frente a Ferrari na luta pelo vice-campeonato.

Piquetring, o nome real dessa pista.
Não há necessidade de lembrar o porquê para o amigo leitor do GPTotal, mas se alguém aqui escreve sobre o GP Húngaro sem falar da ultrapassagem que redefiniu a história do automobilismo, enfrentará represálias.

Sem mais palavras, só o prazer visual (aqui a versão mais longa, com a construção do momento mágico):

A turminha do meio vem animada, mais uma vez.

McLaren tem um bom carro para a pista e pode liderar esse pelotão, juntamente com o time da Alfa Romeo. É um belo campeonato dos times que passam por uma temporada de renascimento. Giovinazzi ainda não mostrou ao mundo o mesmo brilho dos outros estreantes, mas Lando Noris continua sendo uma grata supresa.

A Haas poderia estar nesse pelotão? Pode sim, mas só na classificação. Sinceramente, não dá mais pra acreditar que o problema de baixa performance nas corridas seja só culpa dos carros desse ano. Os dois pilotos – ou as duas crianças – ao volante da Haas precisam de terapia. Impressionante o pragmatismo americano de Gene Haas não ter causado alguma troca de pilotos até agora.

Isso nos leva a pergunta: a safra de pilotos disponível para ascender a F1 é tão ruim assim?

Pouquinho mais atrás desse grupo, mas ainda muito próximos, a turma da Toro Rosso, Renault e Racing Point.

Que alegria ver a Toro Rosso compondo o pódio com dois Hondas, não? Quem não gosta de ver um time tão simpático e de base histórica sendo bem sucedido. Ser laboratório da Honda no ano passado valeu a pena.

A Renault é o oposto. Um gigante mundial da indústria que não consegue evoluir na pista. Ricciardo realmente aposta alto para 2021, só isso pra justificar a motivação de hoje. Já Hulk….ah Hulk… como justificar a saída de pista na Alemanha? Tá complicado defender você.

É bem legal ver a Racing Point na pista, prova pra gente que os sonhos dos filhos são possíveis. Esse é o único motivo para termos Lance Stroll nesse time. É um abuso. A equipe ainda sofre os efeitos da falência do ano passado, mas vem evoluindo aos poucos.

Para a Willians, um dia especial. Em 2006 Robert Kubica estreava na Formula 1. Será emotivo, uma data dessas logo após o primeiro ponto do time. Uma pena que seu desempenho não chegue perto daque brilho de 13 anos atrás, mas é louvável essa história.

Um pena as férias de 4 semanas da Formula 1. Estamos num momento estimulante de um despertar de talentos.

Lewis continua na sua melhor fase, temos a evolução exponencial de Max, Leclerc precisando percorrer o mesmo caminho de amadurecimento percorrido por Max. Além de Russel e Noris esperando melhores carros. É uma nova geração incrível e a pista de Hungria pode mostrar um pouco mais desse talento para os fãs da F1!

Que belo ano, 2019! Vamos para essa prova de ‘saidera’ da primeira metade do campeonato, ansiosos pelo seu retorno no templo de Spa!

Qual seu palpite pra prova de domingo?

Abraços,
Flaviz Guerra

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

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