Silliest season?

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Nesse momento da temporada, estão explodindo as especulações e boatos: Alonso na McLaren, Hamilton na Ferrari, Button na Red Bull, Vettel na Mercedes... O que dá pra levar a sério?

Esta silly season está sendo mesmo maluca, talvez a mais maluca de todas. Quem poderia imaginar, no início do ano, que ela teria, logo no início, a saída do icônico Luca di Montezemolo, presidente da marca de maior prestígio no mundo do automobilismo?

Não é apenas uma troca de pilotos ou engenheiros ou mesmo chefes de equipe. É a saída do maior nome da alta hierarquia ferrarista desde a morte do Comendador.

E qual teria sido a principal razão?

A mais difundida seria a falta de resultados na pista, talvez associada com a aceitação de uma clausula que permite a Alonso cair fora da equipe sem pagar multa em caso de performance do carro abaixo de um nível xis.

A existência dessa cláusula, ao menos nesses termos, é defendida pela imprensa espanhola. Do outro lado, parece que o problema são os termos exigidos pelo asturiano para continuar após 2016, estes sim colocando a Ferrari em grande risco de ser humilhada.

Pessoalmente, conhecendo um pouco da cultura FIAT e do mundo corporativo, penso que o problema deve ter sido mais choque de egos entre Montezemolo e Marchionne com relação à posição da Ferrari diante da futura operação na bolsa por parte do grupo FCA.

“A Ferrari pertence à FIAT”, teria dito o CEO da montadora torinesa.

Isto sinalizaria que, após 23 anos no cargo, Luca teria se tornado demasiadamente ferrarista, esquecendo quem detém o controle acionário. E, naturalmente, Marchionne conta com o apoio da família Agnelli.

Os italianos, como todos os povos de origem latina, tem fama de ser demasiadamente emocionais. Não é o caso de seus executivos de alto nível, como Marchionne. Tido como sendo do tipo decisionista, optou por apontar o caminho da rua a Montezemolo, provavelmente calculando todos os riscos que poderia antecipar.

Talvez ele tenha colocado Mattiacci para ser o futuro sucessor de

Montezemolo. Mattiacci é também um executivo não-esportista, e talvez o maior problema da Ferrari pós-Todt/Brawn/Schumacher seja de gestão dos recursos, principalmente humanos.

Lá atrás, ainda na época do Comendador, a Scuderia era vista como um organismo onde a politicagem corria solta. Foi vitoriosa quando conseguiu organizar e combinar os diversos talentos existentes em casa.

Penso que só a politicagem explica demitir Aldo Costa e manter Tombazis. Os resultados de um e de outro são eloquentes.

Mattiacci estaria usando este período em que não tem a menor chance de disputar o título para ganhar experiência e fazer experiências. Não me espantaria se tentar trazer um chefe de equipe competente para sua posição atual em 2015.

Ross Brawn seria o nome dos sonhos, mas isso depende de quanta falta ele sente da adrenalina. Se continuar preferindo a pesca…

Certamente não será Martin Whitmarsh, o Domenicali da McLaren (ainda que este tenha conseguido um título com Kimi).

Meu querido amigo Gigante, ex-piloto e chefe de equipe, um olhar experiente e aguçado sobre tudo que se refere a automobilismo, acha que o maior dos erros de Martin foi ter deixado Lewis, prata da casa, ter ido embora.

Gigante desenvolveu a tese de que Ron está é tratando de trazer LH de volta. Nas palavras dele, quanto custará para a Honda desenvolver tecnologia para fazer um motor que permita abaixar o tempo em 1 segundo em relação aos concorrentes? 100 milhões de euros? Pagando 35 para um piloto como LH obtem praticamente o mesmo resultado. Por isso Senna continua sendo a grande referencia para eles, efetivamente entregava sozinho tempos menores que os concorrentes, retransmitindo prestígio para a marca.

LH passaria um ou dois anos andando atrás da Mercedes mas depois…  teria um ambiente todo em função de sua capacidade, a conta bancaria só cresceria etc..

Sinal de que isso pode estar ocorrendo: a renovação de seu contrato atual está suspensa.

Se essa tese se tornar realidade, o caminho da Mercedes para substituir o britânico seria trazer o espanhol. Mesmo que o Santander não venha junto, caso esteja na F1 mais por gosto pessoal do falecido Botín do que por estratégia de marketing, vale a pena.

Serviria perfeitamente para Alonso, que precisa desesperadamente de um carro competitivo para obter os títulos que lhe faltam.

Segundo o Gigante, os motores podem ser alterados em até 60% para o ano que vem. Se a Mercedes melhorar o dela na mesma proporção dos concorrentes continuará andando na frente, portanto grandes chances do campeão mundial de 2015 estar sentado em uma flecha de prata.

Restaria à Ferrari seduzir Vettel a deixar o ninho, tratando de provar que não é um piloto de um carro só.

Não será apenas uma questão de dinheiro. Dono de 4 títulos, seria mais o desafio de acabar com os pontos de interrogação sobre sua capacidade, somados a uma ainda longa carreira pela frente. Como o sonho de (quase) todo piloto é competir pela Scuderia e Seb já declarou que também é o seu… e como Michael é o piloto-referência de Seb, o negócio pode se tornar viável. Talvez mais fácil do que trazer Daniel Ricciardo, perfeitamente adaptado a carro e equipe, portanto aposta segura para o ano que vem.

Esperemos que a FIA não proíba a rádio-peão, para que possamos saber rapidamente o que rola atrás dos boxes dos próximos GPs.

Carlos Chiesa
Carlos Chiesa
Publicitário, criou campanhas para VW, Ford e Fiat. Ganhou inúmeros prêmios nessa atividade, inclusive 2 Grand Prix. Acompanha F1 desde os primeiros sucessos do Emerson Fittipaldi.

9 Comentários

  1. Fabiano Bastos disse:

    Bom, o Américo Teixeira, que no ano passado acertou a notícia da transferência do Massa para a Williams, adiantou que Alonso já está assinado com a MacLaren.
    Mas existe ainda a possibilidade do 3° carro, pois a Caterham parece que já faliu (qual será a próxima? aposto na outra Lotus). No caso do 3° carro, muitas vagas boas estariam disponíveis, quem sabe Koba no 3° MacLaren? Nasr no 3° Williams? Di Resta no 3° Mercedez? Vergne no 3° Red Bull? Agora quem a Ferrari colocaria para acompanhar Kimi? Uma vaga deve ser do Bianchi, mas e a outra? Eu sugeriria Hulk ou Grosjean. E vocês?

    • Carlos Chiesa disse:

      Fabiano, já entraram duas colunas depois desta e Vettel está praticamente confirmado na Ferrari e Lauda diz que Alonso não vai para a Mercedes. Tudo indica que Button vai ter que se aposentar e Bianchi esperar que saia a liberação do terceiro carro, tese criada e batalhada por Luca di Montezemolo. Precisaremos ver se Marchionne apoia essa tese. Sem a Ferrari Bernie não se mexe, não é mesmo? Portanto um dos grandes pontos de interrogação daqui para a frente será a relação a ser construída entre dois businessmen sem ligação com a F1 com o maior businessman da F1. Momentos eletrizantes fora dos holofotes.

      • Fabiano Bastos das Neves disse:

        É Carlos, a saída do Vettel para a Ferrari, apesar de já cogitada, me surpreendeu. Não acreditava que ele teria coragem de enfrentar esta batalha. Quem sabe ele leve o Newey com ele e inicie uma nova era de domínio da Ferrari. Sem ele, acho que Vettel e Ferrari continuarão trilhando o mesmo calvário, ou até pior.
        Obrigado!

  2. Lucas Giavoni disse:

    Eu realmente não tinha prestado atenção no cenário para Vettel.

    Se ele quer realmente provar que não é campeão de um carro só, deve entrar na dança das cadeiras. Resta saber se ele realmente está disposto a fazê-lo. Ficar na Red Bull também está sendo prejudicial, dado o coro que está tomando do Ricciardo.

    Abração!

    Lucas Giavoni

    • Carlos Chiesa disse:

      Pois é, Lucas, se o Vettel não mudar de equipe, ficará para sempre a imagem
      de que o mérito era mais do Newey do que dele e que Weber foi um injustiçado.

  3. Fernando Marques disse:

    O padock do Circo da Formula 1 parece até a uma cantina que tem dentro da sede do Flamengo lá na Gavea. A fofoca come solta e as vezes bagunça muito o ambiente politico.
    Pelo que sabemos o Alonso tem contrato com a Ferrari por mais uma ou duas temporadas, o mesmo acontecendo com Hamilton e a Mercedes e Vettel e a RBR.
    E fico pensando o seguinte. Se eles estão amarrados a contratos por que esta “silliest season” para o ano que vem?
    Clausulas contratuais que permitem sem multas o cancelamento do atual contrato em vigor pautado em relação ao desempenho do carro na temporada me parece amadora demais principalmente em relação ao Alonso. O espanhol tem possivelmente o maior salario da Formula 1 para compensar este momento negativo da Ferrari.
    Agora acho que uma ou duas vagas em aberto na Mclaren, que ano que vem volta a ter como parceira a Honda, está sim criando um rebuliço. A equipe britanica precisa ao menos de um top driver, e todos os atuais top’s estão amarrados em suas respectivas equipes.
    Esta necessidade da Mclaren me parece um fator mais forte do que a própria crise técnica existente na Ferrari, nesta fofoca sobre dança de cadeiras na Formula 1.

    Fernando Marques

    Niterói RJ

    • Carlos Chiesa disse:

      Isso mesmo, Fernando. Não conheço a cantina do Flamengo mas deve ser similar ao ambiente dos bodes. E, realmente, a McL precisa colocar um piloto de ponta, reconhecido, para satisfazer as ambições da Honda. Por isso achei que essa tese do Giga faz todo o sentido, e não encontrei ninguém escrevendo isso na imprensa internacional. A crise dela é, de certa forma, pior que a da Ferrari.

  4. Mauro Santana disse:

    É, para o ano que vem teremos grandes mudanças, e se todas estas peças novas forem realocadas de maneira certa, olha, o campeonato de 2015 pegará FOGO!!!!

    Nos resta aguardar.

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

    • Carlos Chiesa disse:

      Pessoalmente acho que o fator determinante do ano que vem será a capacidade da Mercedes de se manter adiante da concorrência. James Allison já declarou que não tem certeza de que a Ferrari conseguirá ser pareo para a colega alemã já em 2015. Portanto essas regras dedicadas limitar desenvolvimento com o objetivo de cortar custos estão desvirtuando uma das atrações básicas da F1, que é a criatividade nas soluções técnicas conjugada com confiabilidade.

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