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Tudo sobre o GP da Inglaterra de 2013, uma prova com vários momentos importantes e emocionantes.

Todo ano terminado em três reserva corridas marcantes em Silverstone: em 1953, uma vitória incontestável de Alberto Ascari: pole e ponta-a-ponta para o italiano, em uma de suas performances mais sensacionais. Dez anos depois, foi Jim Clark quem conquistou uma vitória antológica: caindo da pole para quinto na largada, em poucas voltas retomava a ponta para não mais perdê-la.

Em 1973, Peter Revson conquistava sua primeira vitória em uma corrida marcada pela chuva, por acidentes, e pela disputa com Ronnie Peterson; Em 1983, a figura de Peterson deu lugar a Tambay, que fez pole, liderou por várias voltas mas acabou sendo superado pelos dois grandes postulantes ao título, Prost e Piquet.

Em 1993, uma das edições mais memoráveis da história, com um duelo espetacular entre os três maiores ganhadores de GPs de todos os tempos. A edição de 2003 trouxe ingredientes presentes nas edições mencionadas anteriormente: grandes disputas, ultrapassagens, uma performance sensacional de Barrichello e ainda fatores externos (quem não lembram do doidão invadindo a pista?).

A corrida desse ano não fugiu à regra: foi muito boa, movimentada, com belas ultrapassagens e performances notáveis. E também com interferências “de fora”

httpv://youtu.be/6_G67bfNil4

Já discutimos muito aqui no gepeto sobre os pneus desse ano, tanto no âmbito esportivo quanto no ambiental: o desgaste tão grande é um atentado à ecologia tão defendida nos dias atuais.

E quanto à parte do esporte, nesse GP ficou claro como os compostos “feitos para arrebentarem” podem interferir no resultado.

Durante a prova, nada menos que quatro pilotos (Lewis Hamilton, Felipe Massa, Vergne e Pérez) tiveram os pneus arrebentados. E uma coincidência: todos os carros foram afetados em seus pneus traseiros esquerdos.

Hamilton teve o problema quando liderava a corrida, ainda no início: vitória certa? Podemos, sim, pensar nessa hipótese não apenas porque Rosberg venceu, mas pelo ritmo apresentado pelo próprio Hamilton, que conseguiu uma brilhante quarta colocação depois de ter caído para 18º.

No entanto, Vettel ameaçava-lhe a vitória de modo flagrante, com uma distância bastante segura para o piloto inglês. E foi o alemão o maior prejudicado do fim-de-semana – ainda que não pelos pneus farofa.

Os pneus atingiram não somente os pilotos que tiveram seus compostos “explodidos”, mas toda a corrida de modo geral: o citado Vettel, por exemplo, foi visto fazendo curvas seguidas sem tocar as zebras, por recomendação da equipe.

Foi uma espécie de “guerra psicológica”: paradas antecipadas, calibragens revisadas… Não à toa, a Pirelli foi convocada para uma reunião extra.

Vettel viu ruir uma vantagem que podia ser de 49 pontos (ele primeiro, Alonso quarto): agora ele lidera o mundial com 21 tentos à frente de Alonso.

No entanto, dificilmente pode-se imaginar que a vantagem construída pelo atual (tri)campeão mundial esteja ameaçada: se por um lado é verdade que a Ferrari tem um ritmo de prova absurdamente melhor que seu desempenho em classificações – e por isso, mesmo conseguindo 5ª fila, os vermelhos sempre são candidatos a pódio – por outro é inegável que só é postulante a título quem tem um conjunto eficiente, e por isso Vettel permanece tranquilo nessa disputa.

Como curiosidade, o fato de que Vettel não vence uma corrida na Europa desde 2011, quando ganhou em Monza.

A vitória de Rosberg foi merecida, independente dos problemas enfrentados por Hamilton e Vettel. O alemão foi constante o fim-de-semana todo, aparecendo sempre no top 3. Ele vai cada vez mais se firmando como um ganhador de GPs.

A Mercedes corre para 2014: num ano em que os motores deverão nivelar a disputa por baixo, com todo mundo começando do zero novamente, os alemães têm uma grande chance de pela primeira vez iniciar um campeonato como time de ponta.

Ao longo das últimas três temporadas, vimos a equipe alemã desenvolver um aspecto, mas ficar devendo em outras áreas: em geral, excelentes em velocidade final ou volta lançada, mas muito fracos em ritmo de prova ou aquecimento de pneus.

Belíssima largada de Felipe Massa! O brasileiro conquistou cinco posições ainda na primeira volta, aliás, nas primeiras curvas. No entanto, como mencionado anteriormente, o brasileiro foi um dos prejudicados pelo pneu furado.

httpv://youtu.be/eDtYrbyyVIQ

Podia fazer um pódio – aquele de Alonso? Sem dúvida. Mas Silverstone, assim como Melbourne, é um daquelas pistas em que Massa definitivamente não consegue traduzir em resultados seus eventuais bons desempenhos.

Webber teve uma largada terrível, perdendo umas quarenta posições. No entanto, teve o desempenho mais notável da corrida, passando de 15º para segundo e com a volta mais rápida.

Alonso segue com sua velha receita Prost – ou “Piquet-87”: maximizar os pontos, em qualquer situação. Alguns erros no começo do ano prejudicaram essa fórmula, mas Alonso continua firme em sua regularidade: já são 91 pódios na carreira, e 5 nessa temporada.

Não vejo o espanhol como potencial campeão nessa temporada, numa análise fria. No entanto, sabemos de quão eficiente e constante ele é, e a diferença de equipamento para a Red Bull não é tão grande. Logo, não creio que ele volte a desperdiçar uma chance – se houver – como aquela de 2010.

Breve comentário sobre outras categorias: Valentino Rossi e Sébastien Loeb conquistaram vitórias importantíssimas no último fim-de-semana: Rossi venceu a etapa de Assen na Moto GP, e Loeb ganhou em Pikes Peak.

O desempenho desses dois monstros do esporte, que seguem encantando mesmo já não estando em seus auges, me trouxe à mente aquela canção de Adoniran Barbosa: “Eu também um dia fui uma brasa / E acendi muita lenha no fogão (…) Eu que já fui uma brasa / Se assoprarem, posso acender de novo

Nesse fim-de-semana já teremos corrida novamente, na Alemanha. Bem, eu mal posso esperar pelo GP da Inglaterra de 2023!

Boa semana a todos.

Marcel Pilatti
Marcel Pilatti
Chegou a cursar jornalismo, mas é formado em Letras. Sua primeira lembrança na F1 é o GP do Japão de 1990.

15 Comments

  1. Alexandre disse:

    Essa briga Senna x Schumacher em 93 é bem interessante. Ambos com motor igual justamente a partir daquela corrida. Schumacher passa Senna em 3 voltas e Prost tinha levado 7 pra fazer o mesmo na super Williams.

  2. Sidnei Lima disse:

    Apenas uma dúvida.. os treinos de sexta não foi possível usar os pneus duros ou macios pois estava chuvendo.. mas os treinos livres de sábado já foi no seco e os pneus macios e duros foram utilizados em exaustão. Se os pneus tinham uma falha catastrófica, como não aconteceu nada neste teste, já que é feito uma simulação de corrida com muito mais voltas nos pneus do que na corrida. Acredito fielmente em problemas de baixa pressão no pneu com alguma característica a mais neste circuito, como curvas de alta e zebras um pouco mais pontiagudas.. dúvido que se usasse este mesmo pneu no próximo gp daria algum problema a mais.. mas quem sou eu, um simples fã de corridas pra identificar algo de longe..

  3. Rafael Carvalho disse:

    Tirando os problemas com os pneus, o GP de ontem foi bom. A quebra de câmbio do Vettel deu mais chances para Alonso e Kimi que corre por fora na disputa pelo titulo. Ontem Massa teve chances de terminar no pódio ontem e a Mclaren com Perez vinha numa ótima posição para marcar pontos! Webber fez a melhor corrida do ano! Não gosto de utilizar o termo “Se” mas acho que mais 2 ou 3 voltas Webber venceria a corrida!

  4. Lucas dos Santos disse:

    Pessoal,

    Em todo lugar se fala em quatro “vítimas” dos pneus: Hamilton, Massa, Vergne e Perez. Mas o Gutierrez não teria passado pelo mesmo problema também?

    Observem atentamente o que ocorre a partir do 58min46s deste vídeo, da corrida de ontem: http://globoesporte.globo.com/formula-1/videos/t/provas/v/gp-da-inglaterra/2663934/
    Embora a TV não tenha mostrado mais nada, tinha ficado claro para mim que aqueles detritos todos que apareceram durante na volta 28 foram decorrentes de um furo de pneu do Gutierrez, tanto que ele entra nos boxes em seguida. Mas ninguém falou uma única vírgula sobre o que realmente aconteceu ali – ao menos eu não vi nada a respeito.

    • Rafael Carvalho disse:

      Isso mostra o quanto o departamento técnico da F1 esta perdido em relação as regras na categoria. Quando o câncer chamado Bernie Eclestone estiver circulando pelo padock é isso que teremos que aguentar.

  5. Lucas dos Santos disse:

    Essa tentativa de transformar todos os GPs da Fórmula 1 em reedições do GP do Canadá de 2010 está simplesmente acabando com a reputação da atual fornecedora e manchando ainda mais a imagem da categoria.
    .
    Nesse GP da Grã-Bretanha, ficou muito claro que os compostos atuais só servem para nivelar os pilotos por baixo, pois punem aqueles que tentarem andar forte ou de uma forma agressiva.
    .
    Uma imagem que me irrita bastante é quando mostram aquela “farofa” de borracha que fica depositada na beira da pista após algum tempo de corrida, obrigando os pilotos a andarem em um “trilho”. Acredito que isso, de certa forma, prejudica as ultrapassagens do meio para o fim da prova, pois, se o piloto sai do traçado para efetuar uma ultrapassagem, essa borracha deve grudar nos pneus e prejudicar o desempenho do carro.
    .
    Espero que, com esse GP o pessoal finalmente acorde e se dê conta de que os pneus não podem continuar como estão. Nessa temporada, a famosa frase “ser o mais rápido, correndo o mais devagar possível” nunca foi tão verdadeira.

    • Mauro Santana disse:

      Concordo contigo amigo Lucas, pois esta imagem da farofa dos pneus, além de ser um baita “tapa na cara” dos ambientalistas, com certeza deve prejudicar nas ultrapassagens, pois um excelente ângulo disso é a câmera que pega o retão do autódromo da China, e na prova realizada lá ano passado, da para ver bem isso.

      A F1 esta cada vez mais PODRE devido a estas regras estúpidas e artificiais.

    • Mario Salustiano disse:

      Lucas

      muito bem observado por você e questão do nivelamento por baixo, eu fico hoje imaginando se alguns chefes de empresas resolvem adotar esse tipo de medida para com seus empregados, usando esse tipo de lógica de Bernie e Jean Todd, que seria nivelar por baixo as pessoas e seus talentos em prol de uma falsa sensação de emoção, teríamos pessoas desmotivadas a fazer o seu melhor.
      Pessoal eu já me rendi a questão de aumentar a competitividade e adicionar emoção,que se adotem medidas para tal, agora vou bater numa tecla enquanto tiver oportunidade, estão nos vendendo gato por lebre, isso não é emoção real, deve existir fórmulas melhores e com mais foco na competência a continuar assim não duvido que daqui a pouco vão sugerir rodizio de vencedores e disputas previamente combinadas, da cabeça do Bernie podemos esperar de tudo
      Aproveito a oportunidade para elogiar os internautas que me fazendo um debate muito profícuo aqui no gepeto, parabéns a todos

      abraços

      Mário

      • Mauro Santana disse:

        Mario

        Tio Bernie chegou até a comentar uns anos atrás em criar chuva artificial para dar mais emoção as corridas.

        Esse senhor esta cada dia mais GAGÁ!

  6. Mario Salustiano disse:

    Amigos gepetos

    uma curiosidade sobre a corrida de ontem que foi a oitava do ano, ano passado na oitava prova que foi disputada em Valência tínhamos Alonso líder do campeonato com 111 pontos contra um Vettel que estava com 85 pontos, curiosamente Vettel quebrou em Valência após um safety car, fato que se repetiu ontem, a diferença é que se esse ano Alonso chega a oitava prova com os mesmos 111 pontos, Vettel chega esse ano com 132 pontos, é claro que isso não dá nenhuma certeza quanto ao que vai acontecer daqui para a frente, mas achei curioso Alonso chegar nesses dois campeonatos com o mesmo número de pontos na oitava prova.

    Quanto ao que ocorreu ontem nem vou me alongar, muita gente boa já escreveu sobre o fato e eu penso da mesma forma, a Pirelli se meteu na maior roubada da história do automobilismo, não foram eles que inventaram essa moda de pneu farofa, estão apenas fazendo o que foi pedido, mas eu não vou me arriscar a comprar um pneu dessa marca enquanto tiver que viajar o tanto que eu viajo de carro.

    Eu que já havia hasteado a bandeira branca e me rendido quanto a esse artificialismo nas disputas dos tempos atuais, escrevi que iria aproveitar e olhar as provas com olhar menos critico e quem sabe aprender a gostar das disputas emocionantes da forma como estão sendo feitas, mas depois de ontem acho que estou de recaída pois me fiz a pergunta, achei que o resultado foi negativo e de forma vergonhosa o resultado do GP foi maculado ,que mais os cartolas esperam fazer para afugentar os fãs? sim, afugentar, porque uma coisa é eu ter de me conformar com essa “emoção” tão propalada, outra é assistir passivo provas onde o mérito não existe mais para quem é rápido ou eficiente, agora resta aos times e pilotos rezarem para o deus da sorte e não acontecer nenhum acidente grave, porque por trabalho bem feito se depender da FIA e da FOA ninguém vai ganhar mais, até penso se a vitória continua sendo foco dessa turma enquanto a maquina registradora estiver tilintando, espetáculo senhoras e senhores, isso é o que importa espetáculo, e aos poucos o conceito vai sendo adquirido pelos torcedores.

    Como já escrevi em outro momento talvez eu tenha ficado no bonde da história e os torcedores atuais até gostem desse tipo de situação, eu não gosto porque estão vendendo gato por lebre, no dia em que o gato for mostrado sem truques eu vou aceitar comprar, por enquanto não.

    Boa semana a todos.

    Mário

    • Rafael Carvalho disse:

      Mario, imagina se um desses pneus estoura em plena Eau-Rouge, Parabolica ou na 130R? Proporçôes graves certo? Acho que esta na hora da FIA tomar uma atitude, alias o presidente da FIA éo Jean Todt ou Bernie Eclestone? Enquanto a F1 tiver um câncer chamado Bernie Eclestone veremos esta farofada!

  7. Mauro Santana disse:

    A Pirelli esta numa grande armadilha, e algo tem de ser feito, pois tenho certeza que a corridas de F1 não precisam deste absurdo de paradas para serem mais emocionantes.

    Sorte dos 4 pilotos envolvidos que os estouros aconteceram em retas e no caso do Massa numa saída de curva de baixa.

    E por falar em Massa, ontem ele tinha reais condições de chegara ao pódio, isso é claro, e o Alonso não tivesse logo atrás dele.

    E pelo visto, os 3 dias de teste em Barcelona foram muito bem aproveitados pela Mercedes.

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  8. Fernando MArques disse:

    Não pude assistir a corrida … só via as ultimas duas voltas … mas acho que pela historia fica claro que os pneus deixaram a desejar e foi influencia máxima no resultado final … concordo com Chiesa … a Pirelli não precisa passar por isso … mas caiu numa armadilha ardilosa … agora mudar a composição dos pneus agora a meu seria uma atitude anti-esportiva …
    O resultado final para o campeonato foi excelente. Se Vettel não quebrasse, ia abrir uma vantagem considerável na tabela …
    Um outro detalhe é que a Mercedes mostra uma evolução constante e já passou a Ferrari no Mundial dos Construtores … Ferrari que em termos de evolução na temporada me parece meio estagnada …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

  9. Carlos Chiesa disse:

    Posso estar enganado, mas me parece que o grande culpado por essa situação pneumática foi quem encomendou pneus que gerassem mais “emoção”. No caso específico, se foi mesmo a zebra, o problema é mais da pista do que da engenharia da Pirelli. Como profissional de comunicação, me parece que ela entrou em uma armadilha e está tendo danos à sua imagem indevidamente. Ela precisa reagir a isso, rápida e vigorosamente.

  10. Rafael Carvalho disse:

    Os pneus da Pirelli influenciaram nos resultados do GP de Silverstone. Imaginem 4 estouros de pneus em um só GP é de mais não acham? Até que demorou para acontecer, esse papo de pneus que se degradam rapidamente traz sérios riscos a segurança dos pilotos. Imaginem se esses pneus estourassem em uma curva de alta, por exemplo, o carro sairia de traseira e o piloto viraria um mero passageiro sem controle nenhum do veiculo!

    Graças a Deus os pneus estouraram em plena reta! Quando acontece este tipo de coisa é sinal que algo deve ser revisto antes que algo de pior aconteça. Andei olhando na internet que a causa do estouro dos 4 pneus foi culpa de uma zebra ponteaguda, mas esta causa não era oficial. Acho que depois deste episódio do estouro dos pneus, a imagem da Pirelli esta totalmente arranhada, sem contar o caso do teste secreto com a Mercedes Benz.

    Estou torcendo para a Michellin voltar a F1 em 2014 até pra mudar o tamanho do aro da roda, que hoje é aro 13! É ridículo ver um F1 com “rodinhas” de carro popular, que aliás a maioria dos carros populares nem vem com aro 13!

    Espero que a FIA tome alguma atitude antes que algo pior aconteça.

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