The Great American Race

Seis vezes três – Parte II
18/02/2013
Marc Marquez
22/02/2013

A Maior Corrida Americana marca o início da temporada 2013 da NASCAR, fundamental para os brasileiros que foram desbravar o automobilismo americano.

Um ano atrás escrevia aqui no GPTotal sobre a fantástica aventura brasileira na NASCAR. O sonho americano via uma dupla brasileira entrar na primeira fila do grid da sua prova mais tradicional, as 500 Milhas de Daytona.

Era um começo de um ano brilhante para o Brasil na Camping World Truck Series. O desenrolar da prova trouxe um recorde logo de cara: nunca antes na história daquele país alguém tinha ficado tanto tempo com um Truck na liderança. Assistindo a corrida, torcia pelo brasileiro continuar sua liderança sólida.

Mas a vitória não veio.

A chance de escrever o nome na história passou pelo dedos. E o nosso Bandeirante desbravador das terras americanas de stock car ficou pelo caminho.

Mais uma vez Miguel Paludo teve um ano de altos e baixos. Repetiu em 2012 a saga de 2011. Tentou se segurar na bandeira da regularidade e na média manteve um bom Top-10 no final do campeonato. O seu trabalho foi reconhecido e ele renovou com sua equipe (agora com um novo sócio e renomeada para Turner Scott Motorsports) para a temporada de 2013.

Tem um fato das grandes máximas do automobilismo que pesa contra Miguel: seu primeiro adversário a ser batido é seu companheiro de equipe. E aí, temo um grande problema de Paludo em 2012, os resultados de seus companheiros de equipe. Um deles foi campeão e outro teve duas vitórias. A mídia começou a olhar para eles. A equipe começou a olhar para eles e a prioridade na equipe se perdeu.

Nelson Piquet Jr, tomou a frente na jornada brasileira dos nossos bandeirantes. Conseguiu duas vitórias na categoria e uma na categoria imediatamente acima, a Nationwide. Uma mistura de talento, boa adaptação, rápido aprendizado e bons patrocinadores, otimizaram a carreira do filho de Nelson. Com uma estrutura bem montada, bom planejamento e uma graninha extra que não faz mal a ninguém, Piquet Jr vai percorrendo toda a fase preparativa para chegar ao evento máximo da NASCAR em uma posição competitiva.

A mídia passou a cobrir seus feitos. AS vitórias apareceram nos jornais. Os sites de automobilismo e os blogs dos editores felicitavam o rapaz por sua vitórias e o ressurgimento depois da negra passagem pela F1. Alguns deles até esqueceram das críticas ao automobilismo americano e a Nascar. Onde tem brasileiro na frente, já diria a chamada da CART nos anos passados, tem a mídia tupiniquim batendo palma para ganhar audiência.

Ainda não consigo olhar para o Nelson Piquet Jr como um torcedor que deseja-lhe sorte, sucesso e vitórias. Não consigo desassociar da memória o piloto bem sucedido da Nascar com o piloto pilantra que estampou o carro no muro para conseguir uma vantagem para seu time e uma vantagem pessoal para uma renovação de contrato.

Guardada as devidas proporções históricas entre os feitos alcançados por cada um, é um caso semelhante a Lance Armostrong. Enganou a todos para conseguir um beneficio próprio sem nunca pensar na lisura do esporte e naqueles que torciam por eles.

Nesse paralelo entre Paludo e Piquet Jr, ainda acredito no Paludo como nosso desbravador mais forte. Ele ainda é o cara que foi pra lá sozinho e conseguiu correr com dinheiro de patrocinadores americanos. É um modelo mais sustentável para um mercado ainda tão restrito a estrangeiros.

2013 vai ser um ano muito interessante para os dois.

Piquet Jr foi no famoso “all-in” do poquer e com todas suas fichas em uma temporada completa na Nationwide. Um movimento arriscado, mas calculado por ele e seu time. Se conseguir manter o ritmo de TOP-10 nos ovais e beliscar um vitória nas 3 opções dos mistos que encara na temporada já será um ótimo resultado. É a única forma de conseguir ficar mais um ano na categoria, com experiencia para ser um candidato ao título. Qualquer coisa que ele consiga a mais que isso vai permitir algumas corridas na Sprint Cup em 2014.

Para Paludo é o ano de ser TOP5. Terceiro ano na categoria, uma boa equipe e boa experiencia. Já não pode se dar ao luxo de resultados incostantes. Isso pode comprometer sua tentativa de subir para Nationwide. O grande adversário de Paludo obviamente é o atual campeão James Buescher. Centro das atenções do time, tem todo o mérito para ser o ponto chave do time para repetir o caneco de 2012. Tá fácil para o Miguel?

A temporada para Paludo começa na sexta a noite. Para Piquet Jr, no sábado. A Fox SPORTS não vai transmitir a Truck ao vivo. A estreia de Piquet Jr começa as 15:00 com anunciada transmissão ao vivo.

A temporada da NASCAR ainda não decolou na prefereência dos Brasileiros. É uma campeonato dificil de acompanhar: 3 categorias, a principal com 36 provas em 52 finais de semana do ano, 33 provas na Nationwide e 22 provas na Truck Series. Todas provas com mais de duas horas e meia de duração. Nada atrativo para o publico brasileiro acostumado com partidas de futebol. Apesar de ser lamentável, a FOX SPORTS prefere manter sua força no futebol, amarrados na preferência nacional que o Ibope não deixa mentir. Provas ao vivo, agora só em dias que não atrapalhar a Libertadores, Campeonato Italiano e Campeonato Brasileiro. Confesse, seja sincero, você, fã da categoria, fanático pela velocidade, manteria a TV ligada, para acompanhar, ao vivo, 91 eventos da Nascar? Soma aí mais 19 corridinhas da F1 e seriam 110 corridas no ano. Complica o serviço, não?

Começar o ano no maior evento de corridas da América do Norte e garantir um bom desempenho é fundamental para os dois brasileiros. Vai dar confiança para o resto da temporada. Para Paludo, vai a esperança de continuar como o nosso Bandeirante desbravador.

Não dá pra ficar de fora da Maior Corrida Americana!

Abraços,
Flaviz Guerra – @Flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

7 Comentários

  1. Mário Salustiano disse:

    olá gepetos,

    caro Flaviz gostei bastante de sua abordagem, abrir espaço para pensarmos em outras categorias é importante não só para nós torcedores como para uma nova geração de pilotos brasileiros que querem fazer carreira lá fora, eu até admito que tenho paciência e disposição para assistir a mais de 100 corridas ao ano, mas para isso as emissoras precisam ter uma melhor posição sobre as transmissões, só a F1 tem sua grade definida para passar ao vivo todas as provas por imposição de contrato. Um outro ponto que levanto é que particularmente a Nascar tem um formato de corrida que não gosto muito, por querer tornar as corridas emocionantes baseada em artificios de regulamento e formato mais de show do que de corrida, nesse ponto comungo com o Edu Correa.
    Ainda sobre a sua coluna em relação aos pilotos eu torço pelo Paludo, por achar que seu caminho foi mais árduo, mas essa é minha opinião como torcedor, também concordo que o Piquet Jr. teve a disposição a melhor estrutura montada na base para chegar a F1 , não se deu bem e acrescento ao que já foi dito sobre sua atitude no episódio de Cingapura, caso seu talento fosse visto pelos dirigentes da F1 como excepcional, ele teria ficado lá, arrumariam zilhões de argumentos favoráveis para defender, caso uma equipe como Mclaren, Ferrari, etc quisesse ter ele como piloto, eu acho que ele já era visto como um piloto bom que chegou lá pelo sobrenome, mas não no nível de um Vettel ou Hamilton ficando nesses dois exemplos, basta lembrar que Alonso , que não é nenhum santo, mas pelo talento que tem ,passaram a mão na cabeça dele no cingapuragate, dando a impressão que ele não teve nada a haver com aquilo, é assim que agem os homens de negócios, quando interessa seguram quando não descartam.
    abraços
    Mário

  2. Ronaldo disse:

    Olá!

    Eu sou um grande fã de F1 e a coisa em que mais me admiro é a evolução dos carros ao longo dos anos!E eu queria te perguntar 2 coisas:

    1 Por que os carros de F1 mudaram tanto de 1994 a 1999,tipo em 1994 eles eram redondinhos e gordos e em 1999 eles eram quadrados e magros?.
    2 por que em 1998 a suspensões dos carros ficaram mais curtas?

    Abraços

    Ronaldo

    • Lucas disse:

      Oi Ronaldo!

      Respondendo suas perguntas:

      1 – Creio que, no período destacado por você, tudo pode ser resumido a um conceito: levantar o bico. Devemos lembrar que o conceito começou a ser explorado de modo discreto por Adrian Newey na March de 1988. E o primeiro carro a apresentá-lo de fato foi a elegante Tyrrell 1990 de Harvey Postlethwaite. A ideia em levantar o bico era acelerar o fluxo de ar por baixo do carro, provocando mais sucção. Em 1991, John Barnard e Rory Byrne apresentaram a Benetton com bico tubarão e a F1 nunca mais seria a mesma.

      Esse conceito, aerodinamicamente superior aos narizes baixos, foi aos poucos sendo assimilado e aprimorado por todas as equipes. E claro, se você muda o nariz dos carros, logo terá que repensar todo o resto da aerodinâmica: tomada de ar, laterais, formato do cockpit (que ficou mais alto a partir de 1996 por motivo de segurança), difusores etc.

      2 – A FIA do péssimo Max Mosley introduziu em 1998 um pacote de mudanças para tentar reduzir a performance dos carros em curva e em frenagem, de modo a diminuir as velocidades e tempos de volta. A primeira e mais conhecida medida foi dos infames pneus sulcados, que, justamente por terem as ranhuras, tinham menos contato com o solo – e, por consequência, menor capacidade de aderência.

      Outra das medidas foi reduzir a largura dos carros em 20cm, como forma a também diminuir a aderência mecânica, já que muda o centro de gravidade. Sendo mais estreitos, os carros ficam, proporcionalmente, mais “altos”. Claro que Mosley era um político, e não um especialista. Suas ideias fracassaram e em algumas ocasiões ainda em 1998, os carros já eram mais rápidos que seus antecessores.

      Fico à disposição para o que precisar saber, e eu puder responder.

      Aquele abraço!

      Lucas Giavoni

  3. Fernando Marques disse:

    O Nelsinho Piquet, acho melhor chamá-lo assim, tem sua parcela de erro sim naquele infeliz episodio de Cingapura. Mas daí chamá-lo de pilantra também acho algo meio pesado. Até por que se ele cometeu o erro que cometeu também foi ele que denunciou a manobra. E pelo que sabemos está refazendo a sua carreira de piloto na Nascar tanto na dele quanto o Miguel Paludo.
    Nós vemos vários filhos ou parentes de campeões mundiais na Formula 1 aparecerem no cenário mais pelo nome do que pelo talento. Sei lá mas acho que isto não ocorreria com o Nelsinho Piquet que sempre demonstrou muito talento nas pistas. Na Renault mesmo em seu ano de estreia ele chegou em 2º lugar, não me lembro a corrida, após inclusive ter liderado marcando assim o primeiro bom resultado da equipe naquele ano e tendo o Alonso como companheiro de time. Alias se o Alonso não fosse tão fominha de querer tudo para ele como fazia o Schumacher, certamente aquele episodio de Cingapura não teria acontecido.
    Fora isso é só ver seu desempenho nos Desafios de Kart do Massa nos fins de ano. Ele sempre anda entre os 3 primeiros.
    A Nascar é uma categoria muito desconhecida para gente … ainda mais na serie Trucks mas vejo que o Nelsinho está se dando muito bem por lá.

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    • Flaviz disse:

      Fernando, na coluna ainda falo que ele se prepara para entrar na categoria máxima de forma competitiva com 3 de 4 argumentos (talento, boa adaptação, rápido aprendizado e bons patrocinadores) de características puramente pessoais. O meu ponto é não “torcer” para ele, nenhum momento duvidei da capacidade dele como piloto.
      Abraços
      Flaviz

  4. wladimir duarte sales disse:

    Caro Flaviz Guerra,
    O senhor tem conhecimento de causa para chamar Piquet jr. de pilantra? O que sei do episódio de Cingapura 2008 é que o pilantra, déspota, covarde e imoral é Flavio Briatore. O que sei é que este elemento não só deu a ordem mas ameaçou Piquet jr. de todas as formas para prejudicar-lhe a carreira. Um jovem piloto com quase nenhuma experiência no automobilismo e na vida é vítima desse tipo de terror psicológico e o senhor ainda o chama de pilantra? O garoto denunciou tudo e saiu da F1 pelos fundos, provavelmente sem a menor chance de retorno e ainda é chamado de pilantra por um representante da imprensa que até ler essa coluna eu considerava um profissional sério. Agora certo Alain Prost venceu corridas e campeonatos de lambuja e no tapetão e é chamado de lenda, gênio, professor e outros adjetivos que sempre serão bem mais do que este fulano merece em 50 encarnações!!! Só falta dizer que Briatore é um santo homem e esquecer que ele se formou com louvor na escola Bernie Ecclestone de contratos leoninos e extorsão de patrocinadores!!! Se souber de algo mais sobre o caso Piquet jr. responda a esta mensagem e me corrija em possíveis erros. Obrigado.

    • Flaviz disse:

      Wladimir,
      Já que você ofereceu a prerrogativa de corrigi-lo, vou aproveitar a oportunidade.
      Você primeiramente me perguntou se tenho conhecimento de causa para acusar Piquet Jr.

      Sim. Tenho conhecimento de causa. Sei que o automobilismo é cheio de dinheiro, política e interesses. Aliás, como em toda a vida corporativa, todas as empresas, todas as agências de publicidade, todas as corporações.

      No assunto “Piquet Jr”, por que seria diferente? Em cada caso como esse há o lado que corrompe (Briatore) e há o lado que é corrompido (Piquet Jr). Não é possível tratar o piloto como vítima, e dizer que apenas pressão psicológica o levou a cometer esse ato. Piquet Jr categoricamente teve, no mínimo, uma maleabilidade ética no episódio – o que não significa que seja um mau-caráter (uma generalização perigosa que não fiz, diga-se), mas que, sim, agiu de modo errado naquele momento. Sim, agiu errado sim. Sou eu que digo que ele agiu errado? Não, o fato de ninguém considerá-lo naquele “circo” é consequência clara do ato.

      Tampouco é possível dizer que Piquet Jr não tinha experiência, já que teve a melhor estrutura possível desde seus primeiros passos no kart, sendo preparado da melhor forma possível para chegar à F1. Talvez, puxando pela memória, pelos depoimentos publicados de concorrentes da imprensa, pelos depoimentos do próprio Piquet Jr, nenhum outro piloto brasileiro tenha tido tão boa formação.

      “O garoto denunciou tudo e saiu da F1 pelos fundos” apenas porque Briatore o demitiu, sendo que a denúncia ocorreu numa vendeta infantil e desmedida. Devemos lembrar que pessoas só se mostram arrependidas de seus crimes depois que são flagradas. Caso renovasse seu contrato, Piquet Jr continuaria em seu papel de corrompido. E de boca fechada. A verdade o libertou. E o deixou desempregado. Cada atitude tem seu preço. É importante lembrar desse ponto. Não é uma informação de bastidor, não é uma informação sigilosa, mas você deixou de lado.

      Quanto a exemplificação em cima de Prost, nem é possível formular considerações, porque a comparação é tão infeliz quanto passional, totalmente desprovida de sentido e de contextualização. Não “gostar” do piloto, num sentido abstrato, é um ponto; não reconhecer suas habilidades e importância histórica é outro. Um piloto que competiu de igual para igual e muitas vezes superou gigantes como Lauda, Rosberg, Senna, Piquet, Mansell e Schumacher não é um “fulano” qualquer, não é mesmo? Até aproveitei seu “lembrete” sobre Prost e tentei fazer um exercício de memória. Não lembro de nenhuma coluna minha em apologia ao “Professor”, o que só me mostra que não faz o menor sentido dentro desse contexto.

      Continuando o desvario passional, você segue para o extremo de que, se eu não tenho uma opinião igual à sua quanto ao Piquet Jr, então tenho que santificar Briatore. Com todo respeito, desde quando um processo leva a outro? Por mais que tenha sido uma ênfase expressiva semelhante à hipérbole, ela não tem o menor sentido e de forma alguma aponta que você está “certo” em seu raciocínio. Aliás, nada, absolutamente nada, em minha colunas do GPTotal insinuam alguma, mesma que mínima, satisfação minha pessoal com o personagem Briatore.

      Se há algo que eu fundamentalmente gostaria de corrigi-lo é que o você deve entender que esta é uma coluna de opinião, um gênero jornalístico em que a gente assina embaixo de nossos pontos de vista.

      Isso realmente me deixou chocado. Sob seu pensamento, se eu não tiver exatamente a mesma opinião sua, então eu não sou um cara sério? Não é assim que a banda toca no GPTotal, que tem um público que respeita a opinião alheia e que rebate afirmações com argumentos, sem jamais trazer um ponto de vista por imposição. Não há espaços aqui, sob qualquer pretexto para se julgar seriedade e caráter de qualquer um dos colunistas envolvidos nesse site ou qualquer leitor que tenha participado por meio de comentários.

      Simplesmente não há. Isso é desrespeito. Desrespeito não é aceito, para ficar bem claro.

      Espero que você reveja conceitos, e continue a nos seguir, com uma ideia diferente de quem somos e do nosso propósito de existir: compartilhar conhecimento, compartilhar opiniões, experiências próprias e debater construtivamente.
      Manifestações passionais, inquisitórias e desprovidas de sentido racional e argumentativo não são bem-vindas. Essa é a linha editorial do GPTotal. Pessoalmente, eu, Flaviz Guerra, simplesmente não aceito.

      Um cordial e respeitoso abraço, obrigado por abrir espaço a correções e encerro o assunto nesse espaço.
      Meu email está a disposição para qualquer eventualidade/continuidade, longe desse espaço que é sobre automobilismo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *