Última monção malaia

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Nos despedimos da Malásia com o campeonato decidido na segunda rodada?

Chegamos a prova dois de um campeonato que era para ter 20 corridas. Era pra ser um campeonato também. Chegamos a prova dois sem 20 corridas e com o campeonato decidido.

Esse é o cenário para uma Formula 1 modorrenta que não sabe se vira um campeonato de endurance eco-eficiente ou se mantem como o status de categoria-referência de velocidade e tecnologia.

Esse é o cenário do quente, úmido e, provavelmente, último GP da Malásia.

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As alegrias parecem ser minúsculas. As promessas de ausência de colunas pessimistas não duraram mais que 3 treinos livres, uma classificação e uma corrida de araque.

Ainda não compreendo algumas regras da F1. A mais estúpida delas é a limitação de 4 motores para temporada toda.

Olha que cenário ótimo, na classificação Hamilton colocou singelos 1.4 segundos de vantagem para o que seria o terceiro colocado na corrida. Na corrida esperávamos aquele massacre típico de velocidade pura. Mas não. Ninguém pode se dar esse luxo. Por que ganhar no menor tempo que o carro te entrega se você precisa usar esse mesmo motor por mais uma infinidade de finais de semanas? Fique ali tranquilo na frente com tempo suficiente para fazer uma parada extra caso haja um furo de pneu, uma rodadinha, assim nada pode atrapalhar um glorioso 1-2 adicionado ao livro de história.

Junto com essa pérola há a simpática limitação de combustível! Não é ótimo? Você tem motor, você tem baterias, você tem pneus fresquinhos e não pode acelerar um pouco a mais porque pode ficar sem combustível ou fora do fluxo permitido. Passa a corrida e você ouve Rosberg que afirma que a maior esperança dele para corrida era estar com um consumo menor para ter gasolina para passar Hamilton no final da prova. Oras bolas, economia de combustível para “conta de chegada”, faço em casa. Quero ver dois pilotos com os melhores carros se digladiando na pista e não nas calculadoras!

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A Malasia não tem culpa disso. e vem para sua 17º edição do GP de F1. Grande marco na nova era de super-autodromos da F1, passa por uma fase crítica e de renegociação. Ninguém quer mais pagar a conta da farra do tio Bernie e estão renegociando. Se Mr. Bernie baixar o preço ficam mais três anos desde que a corrida volte par ao final do calendário. Se não, se despedem esse ano.

A matemática é simples. Audiência em queda, ninguém entende as corridas e quando abrem a boca sobre as regras, prometem um motor de 1000 HP. Desculpas a parte, um TOYOTA TS 040 que compete no Mundial de Endurance entrega essa quantidade de energia por aproximadamente 24 horas seguidas de funcionamento. Onde você diretor de empresa colocaria seu dinheiro? A F1 hoje não consegue mais dizer que é o máximo da tecnologia. Também não é o máximo de esporte. E não é, definitivamente, o melhor investimento em marketing.

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Separando o joio do trigo, a Malasia promete apresentar uma corrida com os temperos típicos de grandes corridas. Instabilidade do tempo, asfalto abrasivo e um calor degradante.

Alguns pontos são fundamentais para uma boa volta na Malásia. Não se engane, não é só questão de boa velocidade final de reta. No meio da volta, entre as curvas 4 e 13 é fundamental você ter um carro equilibrado e com boa aerodinâmica para conseguir duelar com a variação de curvas de raio longo, cortadas por uma freada forte na curva 9. Além disso, para aproveitar as grande retas o F1 precisa tracionar muito bem para dar chance ao piloto de chegar ao final da reta em posição de ultrapassagem.

Some a isso o asfalto mais abrasivo da temporada. Aqui a Pirelli trás a sua combinação mais resistente. Sem espaço para grande invenções, a esperança (sustentada pelo calor) é que a possibilidade de múltiplas estratégias exista. Um modelo com uma unica parada em um cenário de domínio monomarca é última pá de cal em qualquer chance de movimentação nas posições da corrida.

Para o toque final de mistura do bolo, claro, a velocidade final de reta. Em Melbourne, a Ferrari surpreendeu. Pasmem, dos três mais rápidos no final da reta de Melbourne, dois eram empurrados por motores Ferrari. Mas não deve ser o diferencial para essa prova a ponto de mudar as forças da corrida.

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Tem 40 minutinhos? Olha só como funciona o Túnel de Vento da Sauber.
httpv://www.youtube.com/watch?v=KC0E0wU6inU

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Uma das alegrias da prova é a volta de Fernando Alonso. Uma nova dupla de campeões mundiais em um carro de ponta (sic). Uma dupla interessante, principalmente para vermos a quantidade de paciência que Alonso trouxe no seu novo contrato com o time inglês. Será que o espanhol fica calminho andando em último como ficou o simpático Button?

Essa é a grande atração dessa corrida. Alonso em tempos de volta iguais aos da Minardi ??? Fica aí o desafio, Alonso! A Minardi mais rápida percorreu uma volta em corrida em 1’39.911 (2004, penúltimo ano da equipe), vai ser possível superar?

Não é nada, mas é mais uma dupla campeã do mundo correndo junto. Experiencia não falta nessa dupla!

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Com esses motores v6, acredite, vai ser um pouco difícil nessa pista bater os tempos de 2004! Talvez nem a Mercedes supere a Minardi – 2004 pilotada pelo grande e inesquecível Gianmaria Bruni com suas 18 participações em grande-prêmios e seu 14º posto como colocação mais honrosa.

Os tempos de carros mais antigos só devem ser superados em pistas que não dependem tanto dos motores. Ainda aposto que chegaremos lá!

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Quem volta também é Bottas! Está confirmado no volante do seu FW37. Sabemos o que esperar dele. Velocidade e muita luta na briga pelo pódio com a Ferrari.

A frustração fica com a Williams. Nessa semana fechou com um piloto reserva de verdade, Adrian Sutil. Susie Wolff, virou um rosto bonito no box. E por que a frustração coma Williams?

Simples, por que alguém que visa voltar a ser campeã não pensou em ter um piloto reserva em condições de correr? Nessa briga milionária por pontos suados, qual gestão de empresa no mundo deixa um carro vazio na briga de pontos certos em uma etapa do mundial?

Realmente a Williams perdeu a mão de como operar um time campeão mundial e essa é mais um atitude que mostra a falta de preparo do time inglês para essa nova fase.

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httpv://youtu.be/y0XTEo5fADM

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Falando em “várzea”, terminou em multa o processo da Sauber. Van de Garde vai receber uma bolada e fica por isso mesmo.

Mas acabou por aí? Lógico que não, Felipe Nasr cede seu carro para Ferrarista, Raffaele Marciello, em troca de um abatimento nas contas do motor. Monisha Kaltenborn ainda veio a público agradecer aos pontos de Felipe Nasr e o grande parceiro que é o Banco do Brasil. Esse conceito de parceria é engraçado não?

Tudo isso me deixa mais curioso para entender o tamanho do contrato Marcus Ericsson. Se não é questão de dinheiro, ele deve ter os melhores advogados do mundo!

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Para alegria de todos e satisfação de Bernie, a Mano vem pra pista na Malásia! A McLaren respira aliviada e cede o fundo do grid para os colegas de grid. Não esperasse nada da equipe além de andar. Se conseguir um ponto esse ano será a glória para o time que vai garantir o suado dinheirinho para tentar fazer um carro novo para 2016. Isso mesmo, 2016. Esse ano vai com essa tralha de 2014 adaptada.

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Circuito: Sepang International Circuit
Voltas: 56
Comprimento: 5.543 km
Distância: 310.408 km
Recorde da Pista: 1:34.223 – JP Montoya (2004)

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Programação
Quinta-Feira: 23h00 – 1º treino livre
Sexta-Feira: 3h00 – 2º treino livre
Sábado: 2h – 3º treino livre e 6h – Classificação
Domingo: 4h – Corrida

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Estamos com um campeonato decidido na primeira corrida. Nos resta apreciar corridas boas e pontuais entre os demais competidores e esperar atuações de gala dos grande campeões que estão na disputa por pódios e pontos.

Que as bagunças administrativas e esportivas da F1 não estraguem nossas corridas!

Boa corrida para todos nós!

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

5 Comments

  1. Fabiano Bastos das Neves disse:

    Até que o GP foi bom!
    A possibilidade de a Ferrari estar desafiando a Mercedes torna as coisas mais interessantes. Uma pena o acidente com o Nasr ter alijado o Kimi Räikkönen da disputa.
    E não acredito que tenha sido a estratégia que definiu o resultado em favor da Ferrari. O ritmo de prova dos carros vermelhos estava ligeiramente melhor que o dos prateados.
    As Williams ficaram para trás, não tem ritmo para enfrentar Ferrari e Mercedes, tomara que se recupere na Europa, caso não consiga crescer corre o risco de ficar para trás das quatro Red Bulls.
    Agora, não dá pra não comentar a fraquíssima atuação dos “profissionais” da RG. O RL errou na análise dos acidentes envolvendo as Force Índia e o narrador LR também parece ficar um pouco perdido na análise dos acontecimentos durante a prova. O melhorzinho deles, Luciano Burti, parece ficar acanhado na transmissão, como quem foi castrado, ficando calado diante dos erros ditos durante a transmissão (se limita muito ao trabalho de tradutor). Incrível também que não transmitiram as entrevistas dos pilotos ao final da prova, após uma vitória marcante da Ferrari.
    Como criar novos fãs para a categoria com uma transmissão deste nível?

  2. Rafael Lucena disse:

    Ola a Todos acabei de conhecer esse site e gostaria de parabenizar, pois tem bastante conteúdo bom sobre a formula 1 e também gostaria de saber se vocês tem alguma Liga criada no Bolão do Gp Predictor se sim gostaria de participar.

  3. Mauro Santana disse:

    O que dizer!?

    Boa corrida a todos.

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  4. Fernando Marques disse:

    O G. Villenueve foi perfeito ao falar o que pensa da Formula 1 atual.
    Com esses motores aquilo não é Formula 1. Com poucas palavras ele disse tudo.


    O avanço da tecnologia está acabando com a esportividade da Formula 1. Antes um piloto para alcançar um adversário a sua frente contava acima de tudo com a potencia de seu motor para tal. Hoje em dia pergunta é se economizou gasolina para ultrapassar. Isto não está certo!!!

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    • Lucas dos Santos disse:

      É como eu sempre digo: fazem um regulamento restritivo para estimular os engenheiros a criarem carros mais econômicos e com a mesma potência – em outras palavras, carros mais eficientes. Os engenheiros, por sua vez, “resolvem” isso de outra maneira: pedindo para que seus pilotos levantem o pé do acelerador!

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