Uma noite iluminada

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O GP de Singapura é a casa das equipes que querem ter o gostinho de derrotar a Mercedes. Os competidores esfregam as mãos no final-de-semana que promete ser o mais fraco da temporada para o time prateado.

Mas que os times não se enganem, a Mercedes e, principalmente, Lewis Hamilton, sabem dessa fraqueza e trabalham duro para minimizar a deficiencia de performance. Se em Monza a pressão estava toda em Hamilton para converter em vitória um favoritismo anunciado, nesse fim de semana a pressão está na cabeça de Vettel.

Contra Vettel temos a pista com mais curvas da temporada. Um circuito de rua recheada com 23 mudanças de direção. Aqui, um erro, um deslize, pode ser fatal e jogar o piloto para trás no pelotão. Num cenário extremo, acabar uma corrida no muro.

Além de ser um circuito de rua, o que já dificulta as ultrapassagens pela sua própria natureza, Cingapura é tão travado que é o circuito com menor taxa de “pé no acelerador” da temporada. Somente 48% do tempo de volta em aceleração total. Menos chances para mostrar toda a desenvoltura e potência dos Mercedes, mas a dificuldade de uma corrida de recuperação é para todos.

Renault. Toro Rosso. Honda. Mclaren. Sainz. Bottas. Kubica. Alonso. Massa. Red Bull. Ricciardo.

Todos esses são personagens desse fim-de-semana. Nos bastidores, obviamente.

Com a confirmação da mudança de motores da Mclaren e Toro Rosso, vem aí uma troca que envolve caixas de cambio, pilotos e equipes.

A Honda vai para Toro Rosso, com caixa de câmbio da McLaren. A Mclaren recebe a Renault, perde o dinheiro da Honda e espera ganhar performance e o coração de Alonso.

Pelos lados da Renault, sobra uma vaga no carro de Palmer. Com todas as cartas na manga, além de dinheiro, o time francês pediu Carlos Sainz. Assim, a bela aventura do retorno de Kubica deve ser em outra equipe.

Mas e a Honda? Rabo entre as pernas? Jamais. O fabricante japonês não vão sair de mãos abanando. O acordo com a Toro Rosso envolve a Red Bull, obviamente, e a chance de ter uma parceria com o melhor projetista da década.

Sobraram Massa e Ricciardo. Massa deve sobrar mesmo, o discurso de “a equipe tem q mostrar que me quer”, seria tachado como “chororo” de um brasileirinho se fosse Barrichello. Não se engane: é chororo. Massa perdeu espaço na categoria, está num ano tampão. É uma contradição com todo o discurso do ano passado. Isso não nos diz respeito, cada um com suas decisões. A única conclusão que temos de toda essa história é que o tempo do Brasil na categoria acabou. Não interesse por nossos pilotos, não há interesse dos patrocinadores tupiniquins na categoria.

Já Ricciardo se candidatou-se para novas aventuras em 2019. Fim de contrato de Bottas e Raikkonen, já explicou pra Red Bull que falta a ele brigar por títulos. O motor Renault precisa ter um excelente ano em 2018 ou a Honda mostrar um crescimento incrível na equipe satélite. Mantendo esse ritmo de ser competitivo somente em pistas quem não dependem do motor, Ricciardo vai procurar outros ares.

Pessoal da Ferrari de cabelo em pé. Saíram de Spa cheios de esperanças. Erraram a mão, completamente, em Monza. São favoritos em Cingapura. O que deve acontecer com o time? Atualmente nem a Ferrari sabe. O que podemos argumentar pelo histórico da temporada é que eles são sim favoritos em Cingapura. A grande dúvida é saber se o time junta todas as peças para encaixar esse favoritismo em uma dobradinha que permita um máximo de terceiro lugar para a Mercedes.

Na Mercedes é realmente o oposto. Não são nem de perto favoritos. Lutam para minimizar danos. O time busca soluções para uma pista de calor extremo e travada. A aerodinâmica refinada e a potencia do motor não chegam a fazer a diferença em Cingapura. Nada compensa um conceito de carro feito para se utilizar do FRIC (aquele sistema de suspensão interligado magistralmente desenvolvido por eles) nas curvas de baixa e da aerodinâmica nas curvas de média e alta. O time sofre!

Quem pode bagunçar a vida desses dois é a Red Bull. O time adora essa pista que mascara a falta de potencia dos seus Renaults. O grande problema aqui é a confiabilidade dos franceses que empurram os austríacos. São punições e quebras em corridas que comprometem as apostas nos dois bólidos do time.

No dinamômetro, a Mercedes quebrou mais um recorde. Anunciou para quem quiser ouvir que seu motor de F1 chegou a 50% de eficiência energética. A média é de 40%. Hoje o time produz 100 cavalos a mais de potencia que um bom V10, com quase 50% menos de gasolina que era consumido.

Mas o que esses números podem significar? Na pista, quando esse motor aparecer (e talvez isso só aconteça em 2018), essa eficiência energética pode influenciar no tempo de uso do famoso “mapeamento de classificação” do motor. Menos combustível consumido, mais tempo no modo de maior consumo.

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Mesmo com lastro (Montoya), um novo recorde para Bugatti.

Na turma da diversão, vem aí a mais uma prova para apostar na Force India e na sua dupla explosiva. Ocon está motivado. Perez de contrato renovado. Vem aí mais uma oportunidade….para estragarem tudo e perder uma sacolada de pontos. O time não para de desenvolver o carro e traz diversas novidades para Cingapura.

Na sequencia do pelotão, Haas e Renault devem ter a presença da McLaren na bagunça. Sem depender tanto do motor Honda, ao menos na briga do Q2 e Q3 o time inglês deve brigar por bons tempos. O problema é a corrida. Será que terão punições? Vão largar do fundo do grid? Ninguém sabe. A Haas vai brigar para ter os dois carros no Q3. A Renault trará o seu unico carro (o de Palmer não conta) para o Q3 também. Essa briga pode ser a mais interessante desse pelotão. Há poucas vagas disponíveis.

No fim desse pelotão quem fica pra trás é a Toro Rosso. Preocupada com o próximo ano, o time austro-anglo-italiano, está perdendo a briga pela zona de pontos. É uma pena, seria bom ver Sainz com mais potencial de pontos. Kvyat é um mistério, só se sustenta pelo mercado russo.

E a Williams? Nada. Ali vai ser uma briga pra ficar na frente da Sauber. O ano acabou. Para Sauber e para a Williams.

Num campeonato que se encaminha para um desfecho palmo a palmo, ponto a ponto, uma pista atípica para um dos postulantes ao título pode custar muito caro. Mesmo em um cenário atipico para um deles, o oponente não tem vida fácil. A pressão para converter o favoritismos em pontos preciosos é altissima.

Soma-se a isso a intromissão de uma terceira força, que já na Hungria e Monaco (traçados similares), arrancou bons resultados.

O campeonato tem mais uma etapa emocionante e tensa pela frente. Um fato que vem se repetindo a cada nova corrida com uma constância que nos leva a acreditar que estamos vivenciando um dos melhores campeonatos da década. Será uma noite iluminada para F1!

O que vocês esperam?

Abraços
Flaviz Guerra

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

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