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Na Terra do Fogo, a esperança por novas emoções

Conseguimos! Temos de volta o GP coringa do Mundial, aquele GP tapa-buraco! O GP da Europa, aquela prova que pode ser disputada em qualquer lugar do planeta como uma homenagem ao glorioso continente berço da Fórmula 1.

A Formula 1 chega a europeia República do Azerbaijão para a primeira prova de uma nova história em países da velha União Soviética. Um novo contrato, um novo mercado, novas histórias para serem contadas.

Na histórica Terra do Fogo, a F1 tenta manter a chama acessa do seu campeonato e presenciar o renascimento de Hamilton no embate contra Nico Rosberg, a única disputa realmente existente em 2016.

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Pronto, chegou o dia de presenciar a novidade do campeonato. Não dá pra mentir: todo mundo fica ansioso para conhecer um novo circuito e ver como os carros se comportam, ver as disputas, conhecer o traçado.

O único problema é que o traçado foi feito novamente por Tilke. Prometemos não reclamar dele, não é uma reclamação na verdade, mas é notável algum esgotamento criativo do projetista oficial da categoria.

Aqui a receita de longas retas seguidas por curvas fechadas é levada ao extremo. Temos o segundo circuito mais extenso da temporada com a maior reta da temporada. Dos 6.007 metros do circuito, 2.200 metros estão em uma única reta. São 20 curvas, um monte de cotovelos e um beco. Isso mesmo, temos um beco onde mal passa um carro. Nesse traçado serão longas 51 voltas, com tempo na casa de 1:50.000 por volta, previsto pelas as simulações. Sem interrupções de Safety-Car – o que é difícil – e sem chuva, deveremos ter uma corrida com mais de uma hora e meia se as previsões de tempo de volta se confirmarem.

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Se perguntarmos “Qual GP da Europa você gosta mais?”, 10 entre 10 brasileiros vão falar de Donington em 1993 com a largada incrível de Senna e tudo mais. Obviamente o GP da Europa não vive de Donington e sua única passagem por lá. Baku é sede da 23º corrida sob a alcunha de GP da Europa.

Tudo começou em 1983 com Brands Hatch e vitória maiúscula de Nelson Piquet de Brabham/BMW. De 1983 para cá, entre idas e vindas, intervalos, rodízios e interrupções, o GP da Europa foi ainda disputado em Nurburgring (12 vezes), no circuito de rua de Valencia (5) e Jerez (2).

Nesse período de 33 anos que separam as provas, uma curiosidade: famílias Rosberg e Palmer representadas na prova atual e na prova inaugural. Keke teve um motor estourado em 83 e não terminou a prova. Jonathan alcançou um singelo 13º. Ambos correndo de Williams/Ford.

Dos pilotos em atividade, Massa carrega uma vitória, Vettel duas e Alonso três. São os únicos ainda que correm. Nem perto da marca de 6 provas vencidas que foi atingida pelo eterno Schumacher.

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A corrida vai ter um outro elemento interessante que deu o tom do GP do Canadá: consumo de combustível.

No conjunto de regras mais estúpido desde a invenção do esporte motor, um piloto de F1 não pode acelerar o seu carro de F1 durante a prova toda. É verdade. Nico Rosberg teve que poupar combustível durante sua corrida de recuperação no Canadá. Circuitos com grandes retas vão apresentar essa “dinâmica”. Um lixo completo. Agora quando olharmos um cara com o melhor carro do fim-de-semana perdido no meio do pelotão após algum problema na largada, teremos que nos contentar em saber se o carro chega até o final. Recuperações incríveis? Impossível. Para isso, ele teria que andar “no limite extremo”, já citando nosso poeta narrador predileto, e não teria combustível para chegar ao final da prova.

Faltam palavras para definir uma categoria que presenteia seus fãs com um conjunto de regras que faz isso com o espetáculo.

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Dentro das maravilhas da F1. O horário da largada de domingo é o mesmo horário da chegada das maravilhosas 24 Horas de Le Mans.

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A Mercedes chega pressionada. Rob Smedley (da Williams) disse que os motores alemães não tem mais vantagem para Ferrari e Renault. Sério gente, sem rir. O rapaz falou isso mesmo. O que nos leva a crer que o carro da Williams é uma desgraça mesmo.

Recomeçando. A Mercedes vem pressionada. A briga de seus pilotos é evidente e o carro está consumindo um pouco a mais do que deveria. Rosberg tem tudo para sacramentar sua condição de segundo piloto do time. No Canadá, com o carro lado-a-lado com seu companheiro de time, deveria ter ficado na tomada interna da próxima curva. Azar do Hamilton se viesse a batida, o jovem tricampeão tomou um “passão” por fora e está atrás no campeonato. A atitude de Rosberg, repetida como em 2015-Austin e Spa-2014, deve dar os mesmos resultados: fortalecer Hamilton rumo ao título.

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Sim, a Mercedes fará a pole.

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A Ferrari não tem carro para vencer. Mesmo sem gaivotas na pista. Está mais rápida, está mais próxima. Mas ainda erra estratégia, é mais lenta e gasta mais pneu que a Mercedes. Simples assim. Há esperanças de um desempenho um pouco melhor em Baku se conseguirem o aquecimento correto dos pneus. O time vermelho sofre com baixas temperaturas.

Os problemas de equilíbrio e aquecimento de pneus não atrapalham a Red Bull. Mas eles usam motor Renault na maior reta do ano. Segundo a equipe, se fosse uma corrida só na reta, eles chegariam 1.2s atrasados em relação aos Mercedes. Vai ser uma prova dura para enfrentar a legião de carros com motores melhores e um pódio só estará na mira se houver uma corrida cheia de variações com safety cars.

Na sequencia de Ferrari e Mercedes, poderemos ter um bolo de Force India e Williams ocupando o espaço da Red Bull. Eles vão se aproveitar da grande reta e dos cotovelos. Não são curvas de média/alta velocidade que precisam de grande equilíbrio dos carros. O acelera-para-acelera obriga um bom desempenho da unidade de potencia, tirando um pedaço da importância do equilíbrio geral do carro.

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O grupo de trás está mais embolado. A Toro Rosso deve se misturar com Mclaren na luta pelos últimos pontinhos. As duas pagando seus pecados com motores mais fracos que a concorrência. Como sempre há o sonho do super equilibrado carro da Mclaren mostrar seus serviços na pista. Mas de Honda ano/modelo 16/16 não há glória prevista no horizonte.

No pelotão da desgraça, os de sempre! Renault, Sauber e Manor na incrível disputa para não ser o último. A surpresa é a evolução da pequenina Manor que faz mais que o esperado e vem andando próxima as duas equipes maiores e mais consolidadas no esporte. A Renault está preparando o terreno para 2017. Não fará milagres e conta com dois pilotos em um momento da carreira, por assim dizer, desastroso. No box da Sauber chegaram as boas noticias! Teremos atualizações no carro!!! Sim, daqui a 2 ou 3 corridas. Isso mesmo, sem data definida. As peças serão feitas quando houver dinheiro. Aposto duas moedinhas que antes da pausa de verão, a equipe disputará as duas últimas vagas do grid.

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Na segunda prova em duas semanas a F1 explora um novo cenário e apresenta ao mundo suas aventuras na Terra do Fogo. Em um circuito onde o que mais chama a atenção é a paisagem, há chances de um embate decisivo para o desdobramento do campeonato entre os pilotos da Mercedes.

Quem leva esse caneco para casa? Qual sua aposta?

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

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