Welcome back, Nascar 

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No dia 17 do mês de maio, a Nascar voltou a competir, para retomar o campeonato de 2020. Pouco mais de dois meses após a última corrida pré Covid-19, o cenário era daqueles filmes onde toda a população desaparece e restam poucos sobreviventes. Nenhum torcedor. Não houve treino ou classificação e o silêncio só foi quebrado ao ligar os motores. Num esforço gigantesco para retornar às pistas, a Nascar aceitou uma série de imposições.

Os números impressionam: foram emitidas novecentas credenciais, o número normal sendo de 3 700. As equipes poderiam levar apenas dezesseis pessoas, uma redução de 66%, com todos sendo obrigados a passar por uma medição de temperatura. A multa para quem não usasse máscara ou luvas dentro do complexo poderia chegar a incríveis cinquenta mil dólares.

Num esforço para manter as 36 provas do campeonato, a organização da categoria propôs um calendário com corridas aos domingos e durante a semana, sendo às terças ou quartas. Claro que esse cenário só é possível com os fãs em casa e com a categoria repetindo a mesma pista do domingo, mas para os fãs de corrida não importa muito a repetição, eles querem ver corridas.

É preciso destacar também o profissionalismo não só da Nascar, mas também da equipe de transmissão. Todos usando máscaras, mantendo a distância nas entrevistas, utilizando longos tripés para manter seguros também os pilotos, mantendo a distância também no estúdio de transmissão. Foi um belo exemplo de como se deve realizar um evento ao vivo, mantendo a segurança.

Na pista, os membros das equipes e pilotos estavam usando equipamento de proteção, tendo até algumas máscaras bem inusitadas. Denny Hamlin fez duas máscaras, uma com a imagem do seu rosto sorrindo e outra com seu rosto triste. Com a vitória na segunda prova de Darlignton, vimos sua máscara sorridente. Matt Kensenth, assumindo o posto no carro 42, trouxe uma máscara do Metallica.

Sem fãs nas arquibancadas, não podemos dizer o mesmo sobre os números da TV. Nos últimos anos, a Nascar vem perdendo audiência na televisão, de onde vem sua maior receita, chegando a quase metade dos números que tinha em 2005. No ano de 2019, a Nascar teve uma audiência de 2,9 milhões pessoas, em média. Para efeito de comparação, a corrida de Darlignton teve uma média de 6,3 milhões de telespectadores, fora os 40 mil assistindo nos canais digitais, e um pico de 6,8 milhões. A segunda corrida após o retorno teve uma média de 2 milhões de telespectadores, mesmo sendo impactada pela chuva que caiu no oval.

Temos muitas avaliações para se fazer nesse cenário, obviamente. Os números podem estar altos devido ao impedimento de torcedores na pista, a falta de outros eventos que continuam parados (como NBA, Futebol Americano, Golf, Baseball), o cansaço de assistir VTs ou programas jornalísticos onde o assunto é só um, entre muitas variáveis. De qualquer forma, a grande audiência é um fator comemorado e que deve sim ser considerado no momento que vivemos.

Quem já esteve em um evento ao vivo, seja da Nascar ou de qualquer outro esporte, sabe que não se compara estar presente. São os sons, os cheiros, a empolgação da torcida, a experiência como um todo. Simplesmente não dá para comparar. Não duvido que essa proibição de fãs nas pistas faça com que a frequência nos autódromos aumente, assim que as pessoas forem liberadas para se sentar nas arquibancadas. Muitos de nós estamos pensando em como deixamos de viver essas experiências por diversos outros motivos: não temos tempo, dá trabalho, custa caro… Só entendemos o quanto é importante e o quanto faz falta, quando não temos sequer a possibilidade de ir.

Retomando o assunto do retorno às pistas, para quem assiste pela televisão as coisas não parecem ter mudado muito. Ouvimos o hino norte-americano, vimos uma reza pela segurança de todos presentes e até mesmo os caças sobrevoaram a pista na última nota do hino. Isso mostra mais uma vez a competência e profissionalismo dos organizadores. É coisa de tirar o chapéu mesmo.

Na pista a dificuldade era iniciar a corrida sem dar ao menos uma volta para “sentir” o carro. Como não foram realizados treinos, a ordem de largada foi definida por sorteio para a corrida de domingo. Para a corrida de quarta-feira à noite, a Nascar utilizou a ordem de chegada da corrida do fim de semana, invertendo a posição dos 20 primeiros e mantendo a posição do restante do grid.

Já na terceira prova, a Nascar permitiu que os carros fizessem uma volta lançada para marcar tempo e assim conseguir formar o grid. Estão todos se acostumando com as circunstâncias e tentando trazer de volta alguma normalidade para nossas vidas. As mudanças vão acontecer até que tudo possa voltar ao formato normal, com todos os membros da equipe, as famílias e principalmente os torcedores nas arquibancadas. As provas foram bastante disputadas e trouxeram a emoção que o público queria e tanto precisava. Vamos torcer para continuem assim.

Em momentos difíceis, onde qualquer ação deve ser pensada muitas vezes antes de ser realizada, reconheço o esforço da Nascar para trazer de volta as corridas. O interesse comercial obviamente está presente, mas para quem torce é um alento no meio do caos que está o mundo.

Em breve todos poderemos voltar à rotina, com paciência, cuidado e atenção. Assim como a Nascar está voltando. Welcome back, Nascar.

Rafael Mansano

Rafael Mansano
Rafael Mansano
Viciado em F1 desde pequeno, piloto de kart amador e torcedor de pilotos excepcionais.

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