BMW vai de 900 cavalos

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Panda

Pierre Dupasquier, diretor da Michelin, disse a Autosprint que os tempos de volta no campeonato de 2002 devem ser semelhantes aos de 2001 – um ano de recordes pulverizados em praticamente todos os circuitos graças principalmente à guerra entre os fabricantes de pneus.

A declaração de Dupasquier não foi levada a sério pelas equipes, que esperam briga feia entre Michelin (agora equipando também a McLaren) e a Bridgestone e mais potência nos motores.

A BMW, por exemplo, deixou vazar para a imprensa especializada que seu motor para 2002 bateu nos 900 cavalos de potência e 19 mil giros. Na mesma medida em que ganha potência, o motor alemão perde peso: apenas 85 kg, dez a menos do que a versão que equipou os Williams em 2001. Em 1987, um motor BMW completo pesava 170 kg.

Os técnicos explicam que a queda no peso deve-se a fatores combinados. Um deles é o avanço das técnicas metalúrgicas, que permitem fundir as paredes do motor entre 2 e 2,5 mm de espessura.

Anote outra informação de Autosprint: um bloco de motor de Fórmula 1 vai para o lixo depois de menos de 500 km rodados.

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Aproveitando o tema, deixa eu reparar um erro recente. Respondendo a uma pergunta do Artur Muradian, disse que o motor mais possante jamais fabricado para a Fórmula 1 foi o Renault Turbo que equipou o Lotus de Ayrton Senna em 87.

Errei não uma mas duas vezes. Primeiro: como se pode ver na foto que ilustra o texto, o Lotus que Senna pilotou em 87 estava equipado com motor Honda e não Renault.

Segundo erro: o motor mais possante da Fórmula 1, segundo Autosprint, não o foi o Renault mas o BMW que equipava os Brabham de 87 que, com pressão do turbo livre, batia nos 1 500 cavalos de potência.

Desculpas duplas, portanto.

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Oh! Que surpresa! O GP da Inglaterra foi confirmado no calendário 2002, depois que a Octagon, empresa que organiza a corrida, anunciou um plano para melhorar as condições de tráfego em torno de Silverstone. Se não cumprir o prometido, pelo que entendi, a Octagon se compromete a pagar um taxa extra para Fia de mais de US$ 5 milhões.

Não sei se por coincidência, a corrida de Interlagos foi mencionada tanto por Autosport (o Diário Oficial da Fórmula 1) quanto Autosprint que circularam na segunda semana de dezembro como enfrentando risco de cancelamento imediato. O motivo seria a falta de fundos por parte dos organizadores para implementar modificações nos boxes e pista. As mudanças não foram muito detalhadas mas têm a ver com áreas de escape e melhorias nos boxes.

O organizador do GP do Brasil de Fórmula 1 é uma empresa privada muito provavelmente controlada por Bernie Ecclestone mas quem paga todas as contas das intermináveis reformas de Interlagos sou eu, você e todos os paulistanos.

Sabe como é… Se a corrida for cancelada, é por nossa culpa.

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Formula 1 Magazine (um misto de Caras e Veja da Fórmula 1) de dezembro matou uma grande curiosidade minha: o preços do ingresso para os GPs ao redor do mundo em 2002.

Não deu outra: Brasilzão em segundo – R$ 570 para um ingresso em bom lugar para três dias. O GP mais caro será o da Inglaterra, R$ 665. Em terceiro, ficou a Bélgica seguido de San Marino e Mônaco. Um ingresso para treinos e corrida para Monza vale R$ 215, o mesmo que na Hungria e França. Os mais baratos são Espanha, Estados Unidos e Malásia (na faixa de R$ 160) e Canadá, pouco mais de R$ 100.

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Falando um pouco mais de grandes feitos na Fórmula 1, tema da minha coluna passada, Jean Alesi esteve muito próximo de atingir a invejável marca de concluir todos as corridas disputadas na temporada 2001. Note: não se trata de pontuar mas de chegar ao final de todas as corridas.

 

 

Isso só foi conseguido seis vezes em 52 anos mas em temporada com oito, nove ou dez corridas. Aí vai a lista:

Piloto
Ano
Corridas de Fórmula 1 no ano
Juan Manoel Fangio
54
8
Mike Hawthorn
53
8
Dan Gurney
61
8
Graham Hill
62
9
Jim Clark
63
10
Richie Ginther
64
10

Alesi, em 17 provas, terminou 16, só falhando na última corrida do ano, Japão, depois do acidente com Kimi Raikkonen. De qualquer modo, Alesi tornou-se o piloto que mais terminou corridas num única temporada. Denny Hulme em 73, Senna em 91 e Prost (arghh!) em 93 terminaram todas as corridas menos uma mas o campeonato contava com 15 ou 16 provas.

Agora me diga se Fangio merece ou não o título de melhor de todos os tempos: ele não apenas terminou todas as corridas de 54. Ele venceu nada menos do que seis vezes, chegando uma vez em 3º e outra em 4º.

Depois reclamam que os argentinos têm complexo de superioridade.

Boa semana pra você

Eduardo Correa

Eduardo Correa
Eduardo Correa
Jornalista, autor do livro "Fórmula 1, Pela Glória e Pela Pátria", acompanha a categoria desde 1968

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