Um dia de celebração ao automobilismo

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O último final de semana de maio. Pergunte para qualquer fã do automobilismo o que acontece no último final-de-semana de maio e a resposta é certeira: acontece o incrível, o inimaginável, o mágico. Sim, é o dia das provas máximas das categorias de automobilismo que amamos.

Para esse fim de semana, também devemos celebrar a história mágica de Niki Lauda. O austríaco nos deixou essa semana e a melhor homenagem possível é nos lembrarmos de todos os momentos que sorrimos vendo seus carros fazendo manobras impossíveis. 

A Fórmula 1 chega em Mônaco para celebrar a história de um dos seus maiores ídolos e aplaudir de pé o domínio da equipe que ele ajudou a montar.

Niki Lauda não resistiu a várias complicações depois do duplo transplante dos pulmões que foi submetido em 2018. Os rins não aguentaram dessa vez.

As histórias contadas da vida de Lauda são como lendas, verdadeiras fábulas. Um renascimento após 55 segundos em uma bola de fogo, a luta pelo título abandonada pela coragem do protesto contra as condições da pista, os 3 mundiais, a saída da F1 e o retorno triunfante. Nada escrito aqui adicionaria uma linha sequer aos excelentes contos que encontramos. Inclusive aqui no GPTotalRecomendo a leitura desses brilhantes textos: Comece aqui, siga aqui e feche por aqui.

Em Mônaco, Lauda venceu duas vezes,  1975 e 1976. As duas vezes com uma Ferrari (Ferrari 312T e Ferrari 312T2). Conquistou mais um segundo lugar em 1977, ainda com a Ferrari 312T2 e depois alcançou o mesmo segundo posto em 1978, mas já andando com a Brabham BT46. Poles? Fez também. Foram 3 ao total, todas de Ferrari: 1974, 1975, 1976.  Volta rápida foi só uma, de Brabham em 1978.

Não se preocupe mestre Lauda, a cada foto, a cada vídeo, vamos abrir uma sorriso e lembrar da sua virtuosidade. Obrigado por tudo. 

Como tradicionalmente acontece na semana do GP de Monaco, chegamos aqui já sabendo do resultado encontrado nos dois primeiros treinos livres. Afinal de contas, o circo da F1 precisa de um dia livre pra curtir as ruas e festas do principado. 

Olhando para os treinos, voltas rápidas, sequencias de voltas com mesmo pneus, testes e simulações, o cenário parece de terra arrasada. A primeira fila tem cara de Mercedes. Facilmente na frente de todo o resto, coisa de 0.500 segundos no pior cenário. Um passeio.  

Então vamos esquecer os carros prateados. A única chance de algo que ameace as Mercedes reside no carro de Max Verstappen. Acontece que a RedBull precisa estar perfeita e Max não enfiar os pés pelas mãos como ele costuma fazer em Mônaco. 

Para trás disso o cenário fica mais saboroso. Mônaco pode sempre trazer uma surpresa com uma volta voadora de algum piloto mais inspirado. Alguém que não tem um motor tão potente também pode aparecer mais pra cima da tabela. Aí sim começa a diversão. 

Nesse cenário, a Honda parece que resolveu seu problema de dirigibilidade. Toro Rosso e Red Bull tem andado próximas, mostrando que o motor evoluiu muito nesse aspecto. Boa tração, entrega de potência gradual, ausência de solavancos na curva de potência, características básicas pro motor entregar uma boa volta numa pista como essa.  Pode vir um pódio. Vitória? Só se Ricciardo voltar para o carro ou a Mercedes ter uma prova problemática.

A Red Bull estranhamente, para quem está de fora da equipe, mudou o conceito do bico dos seus carros para essa corrida. O famoso duto, único do grid, foi abolido em Mônaco. Ninguém sabe se permanece assim nas próximas provas e a equipe só avisou que as mudanças visam entregar aos pilotos maior controle no posicionamento da frente do carro nas tomadas de curva. A ver.

A Ferrari perde terreno para Mercedes mais uma vez e está como presa fácil para as equipes Honda nessa prova. Se essa tendência se comprovar na classificação e na prova, pode chamar a imprensa italiana e declarar a crise na escuderia. Novamente, de fora, parece que o time entra em parafuso a cada décimo de segundo que toma da Mercedes. O que comprova uma hipótese levantada aqui no começo da temporada: a verdadeira guerra não é por velocidade na pista, é a velocidade de desenvolvimento dos carros. E é aí que a Mercedes vem destruindo a concorrência.

Mercedes homenageia Lauda

Nunca acaba a diversão na turma que vem atrás das 3 grandes. Obviamente que menos para Williams e a fraquíssima Renault. Kubica, pelo amor de Deus, em Mônaco tem obrigação de superar seu companheiro imberbe. Tá na hora de justificar esse carro. Se não fosse sua história de recuperação, só na base de desempenho puro, já estariam pedindo a cabeça do polonês na imprensa. Pelos lados da Renault… a vergonha está instalada. Pista de alta: motor não funciona por defeitos de construção. Pista de média: motor não acelera e a aerodinâmica não é tão refinada por conta do foco no motor. Psita de baixa: o chassi não é sombra nem pra McLaren. Cyril Abiteboul ficou ótimo na série da Netflix. Grande personagem, mas está devendo na pista e Horner deve estar chorando monções de tanto rir. 

Essas duas grandes decepções da temporada até aqui abrem espaço para Alfa Romeo, Haas, Mclaren e Toro Rosso, terem as disputas mais legais da temporada. Um pouquinho atrás, mas em recuperação, a Racing Point também vem chegando. A Alfa não fará feio frente ao Hat-trick de 1950. Tudo indica que entrará no Q3 em uma boa classificação. 

Só um parênteses rápido sobre a Alfa Romeo / Sauber. No seriado da Netflix, o time explica que no ano passado seu túnel de vento permaneceu desligado por falta de dinheiro pra pagar a energia elétrica que ele consome. 

Tirando a Alfa, um grande cenário de disputa se desenha pra classificação. Haas, Mclaren e Racing Point, prometem trocar décimos para definir as posições de largada. Aí não vai fazer diferença somente os pilotos. AS equipes vão ter que ter um sábado perfeito na operação de suas garagens. Qualquer tempo de pista perdido, estratégia errada para entrar na tomada de tempo, vai derrubar o piloto várias posições no grid. No fim das contas, Mônaco acaba sendo um dos mais estressantes testes para o trabalho coletivo da Fórmula 1.

Todo mundo gosta de dados. Historicamente, são aproximadamente 9 horas de transmissão. 678 voltas. 2030,79 km.  Esse ano estamos mais tristes: as 24 Horas de Nurburgring foram transferidas para junho. Brincadeira, a felicidade continua. 

Acredito ser a primeira vez que temos um domínio completo pela população das comodidades da vida digital móvel. Atualize seu “Uber eats“, pegue o código promocional do iFood. A programação não permite muitas saídas de casa. 

Sábado

10h00 – Classificação GP de Mônaco

Domingo

10h10 – GP de Mônaco
13h21 – 500 Milhas de Indianapolis
19h18 – Nascar Coca-Cola 600 

Um campeonato que se direciona para a solução entre os dois companheiros do time prateado, uma prova de celebração de uma de suas grandes lendas e um fim de semana de apologia ao automobilismo.

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

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