Talvez sim, talvez não

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Olho para ela, aproximo a mão mas… desisto de pegar minha fabulosa calculadora Kenko KK-3122-12 comprada por 15 “real” de um camelô na rua Teodoro Sampaio, para fazer as contas que me responderiam o quanto tranquilo está Sebastian Vettel na ponta deste mundial. Calculadora não preciso para saber que ele tem 85 pontos de vantagem sobre seu parceiro Mark Webber, 88 sobre Lewis Hamilton e 89 sobre Fernando Alonso. O que me tenta é “fazer as conta” (“nós pega o pexe”, não é este o atual rumo da língua portuguesa?) de quanto o fenomenal alemãozinho da Red Bull perdeu para sua fornida e talentosa concorrência desde o GP da Europa, último que venceu, no final de junho.

Matemática nunca foi meu forte, e culpo em parte o professor que tive no ginásio, Laurent Léon, um suíço de modos truculentos no aspecto pedagógico da coisa… Mas o fato é que Vettel atravessou o finado julho e seus três GPs sem vencer, e minha amiga Cecília, do mercado financeiro, diria que isso é um “viés de baixa”.

E é mesmo.

O falso bom moço

E sobre este seu momento pouco bom, o nosso bom (excelente na verdade!) Sebastian deve ter refletido nas suas férias de agosto, verãozão no hemisfério norte, sentado na cadeira de praia olhando para o azul profundo do mar das Ilhas Maldivas, Seychelles, Comores ou qualquer outro idílico paraíso que um cara como ele escolhe para relaxar.

Alonso, Hamilton e Button foram, nesta ordem, os estraga-prazeres de Vettel nestes passados três GPs. Como disse, não vou pegar a Kenko para calcular, mas a liderança que era ultra folgada agora é apenas folgada. Estarei eu questionando a possibilidade de Vettel enfiar mais um título mundial no bolso neste ano do senhor de 2011? Não sei, talvez sim, talvez não…

Cecília e seu “viés de baixa” me vem à mente. Outras bobagens tipo “tudo que está afundando, afunda mesmo”, “pelo andar da carruagem” ou “onde tem fumaça tem fogo” e outras máximas murphyanas martelam a lógica que vê o mais forte – indiscutivelmente ele, Vettel – chegar ao GP do Brasil, último da tabela, às voltas com um ou mais desses vencedores recentes fungando em seu cangote. E tem Mark Webber, colega, que guia um carro tão bom quanto o dele, e único lobo da matilha que persegue Vettel a ainda não ter vencido este ano. Alguém duvida que ele vai tentar isso à todo custo, mandando às favas qualquer ordem de box visto que dificilmente ficará na Red Bul em 2012?

O de olhos penetrantes

2011 parece ser um ano bem voltado a essas surpresas, reviravoltas, fatos inesperados. Ao retrospecto: começa com um dos prováveis astros da temporada, o polaco Robert Kubica, se auto-impalando num guard-rail italiano a bordo de um carrinho de rali. Coisa medonha! Segue com instabilidades políticas no Bahrain que adiam a estreia da temporada, arremessando-a para a Austrália. Na China, problemas de comunicação com os boxes, de estratégia e um Lewis iluminado fazem Vettel tomar a primeira rasteira do ano.

Um certo período de tranquilidade serve de preâmbulo para fortes polêmicas sobre estilos agressivos de pilotagem, cujo ápice se dá em Mônaco, onde Hamilton é acusado de ser malvadinho com Maldonado e Massa. No Canadá, numa corrida que constará dos anais da história como das mais confusas e longas – mais de quatro horas! – vence Button. De volta à Europa, Vettel vence no GP da Europa mas tal redundância parece não lhe fazer bem, e de tal GP em diante, só ganham seus adversários. O tal viés da Cecília…

O degredado

Não tenho dúvida que o alemãozinho é fenômeno. Eu e a humanidade. Ganhou seis GPs em onze este ano. Não tenho dúvida que o carro da Red Bull ainda é o cavalo mais veloz do páreo mas constato, por dever de crônica, que há uma fornida matilha de vorazes lobos atrás do carneirinho Vettel com sua angelical carinha de recém-saído do cueiro. Aqueles penetrantes olhos negros de Alonso miram a nuca de Vettel. Button e seu ar de falso bom moço tem nas veias o sangue da pérfida Albion, não se esqueçam. Lewis… ora Lewis, tem a história do mundo moderno como bom motivo para querer estabelecer sua dominância sobre um ariano tão puro como Vettel. E Mark Webber, o degredado australiano, espera atrás da porta pela chance de desossar Vettel com sua potente mandíbula de javali.

Na Bélgica, dia 28 de agosto, começará um segundo campeonato. Um que terá como tema principal a capacidade de pressão que Vettel será capaz de aguentar, que terá como tema recorrente a quantidade de pontos que seus adversários serão capazes de lhe corroer até chegar o GP Brasil.

O da história

Vettel vencendo, tudo muda. O tal viés se inverte. Mas sem calculadora na mão, meu faro é que esse interessante 2011 ainda vai nos oferecer bem mais em termos de surpresas do que já fez até agora.

Talvez sim, talvez não…

Roberto Agresti

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A nossa versão automobílistica do famoso "Carta ao Leitor"

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