O eclipse

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Os radares ultra-modernos das equipes não previram, mas um duradouro eclipse atingiu a F1.

por Carlos Chiesa

Os radares ultra-modernos das equipes não previram, mas um duradouro eclipse atingiu a F1.

No começo do ano, os DTs da McLaren e Ferrari foram os primeiros a levantar os olhares para o céu em busca de uma explicação para esse fenômeno. Não precisou vir uma resposta divina para juntarem as letrinhas N, E, W, E e Y.

“Ele, outra vez”, disseram. Ambos abaixaram as cabeças, mergulharam no trabalho e a distância começou a encurtar.

Vejo Horner dando entrevista, explicando que Seb nunca se deu bem mesmo em Nurburg, que os problemas foram circunstanciais, mas que o resultado final está longe de ser um desastre e, de qualquer forma, parece que eles bateram o recorde mundial de troca de pneus, que deve perdurar por um bom tempo. A equipe está em forma, portanto. Seb diz que Alemanha é página virada. Webber? O maior problema é que o último jogo de pneus era o mais desgastado do pacote e as RB demoram um pouco mais que os outros para atingir a temperatura ideal dos pneus. Perdeu por um triz, enfim.

Nada que ameace suspender o espetáculo da cavalgada (ainda que com um touro) wagneriana, épica, de Seb Vettel e equipe para seus segundos títulos mundiais. Horner mesmo diz que McLaren e Ferrari estão mais fortes, sim, mas que a Red Bull não tirou o pé do fundo nessa corrida tecnológica e tem tudo para continuar mantendo confortável distância.

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Webber iniciou o que na Itália chamam de “fanta-mercato” de pilotos, deixando entrever que haveria uma possibilidade de sentar em um cockpit com vermelho predominante, mas com um cavalinho preto do lado. Por que a Ferrari iria trocar um Massa por um Webber? Alguém vê alguma vantagem expressiva?

A mídia, talvez necessitada de por mais alguma emoção no circo, também sugere que Button poderia “estar trocando”. Este rebate, dizendo que simplesmente não vê sentido em assinar um contrato de três anos com quem quer que seja. Três anos é uma eternidade na F1.

Chegam ao ponto de levantar a hipótese de o multicampeão Michael querer continuar mesmo que a Mercedes não o queira mais. Percebeu que o foco das câmeras foi exatamente sobre quem estava mais na sombra?

Não há a menor dúvida de que Button não conseguirá ser mais rápido que Hamilton em circunstâncias normais. Pode usar seu reconhecido estilo suave de pilotar para ganhar uma ou outra corrida em que a poupança em borracha paga altos dividendos, mas é só.

Parece bem claro que o ápice da carreira do australiano foi o ano passado e vai passar o resto deste escoltando o alemãozinho ao título e lamba os dedos se Herr Marko o deixar repetir a dose o ano que vem. Não é mais aquele osso duro de roer para o mais recente fenômeno tedesco.

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Finalmente o nosso Felipe. Dos três é o mais eclipsado e, como os aficcionados do GPTotal sabem, isto era mais previsível que um escândalo de corrupção em Brasília.

Ninguém estava torcendo contra nem deixando de ser patriota. Apenas estava claro que tipo de personalidade o asturiano tem, que não iria deixar acontecer novamente o que aconteceu na McLaren, e que ainda por cima vinha apoiado pelo dinheiro e a vontade do Santander de se tornar um banco global. A grande chance do Felipe era se impor logo no primeiro ano, aproveitando o entrosamento com a equipe e as varias vitórias obtidas, coisa que não ocorreu. Parece que tão cedo não iremos ouvir o samba-exaltação do GB acompanhando o tema da Vitória.

Em favor do Massa, é preciso dizer que tem nos proporcionado alguma alegria no momento da largada, mas isso não tem se traduzido em vantagem real. Tão fugaz quanto o uso do DRS.

Mas, leio na mídia italiana que a Ferrari promete uma revolução para o ano que vem. Você leu direito, sim. Segundo Nikolas Tombazis, projetista-chefe da rossa, inúmeras partes sofrerão uma mudança radical, muito diferente do que tem sido visto nos últimos anos.

Oxalá. Embora seja muito justamente a marca de maior prestígio no automobilismo esportivo, a casa de Maranello nem sempre se destacou pela revolução.

Edu mostrou recentemente na coluna sobre o Ing. Forghieri como ela se apresentou com um V12 com radiador dianteiro quando a maioria já percebia as vantagens do formato cunha. Comparar esse monoposto, extemporaneamente belo, com o Lotus 72 parece ser um contra-senso histórico.

Tanto no ano passado quanto neste ano, é louvável o esforço da Ferrari para sair do eclipse, e estão realmente conseguindo. Mas ainda estão devendo aquele pique da era Michael/Todt/Brawn. Brasil em, pelo menos na Hungria não deveremos mais ver porcas de roda que fazem perder uma posição até então duramente conquistada na pista e mais arduamente ainda mantida.

Já projetaram e construíram outra.

Não deixa de ser um ledzinho no meio dessa neblina cinzenta que rodeia o Massa.

Carlos Chiesa

 

Carlos Chiesa
Carlos Chiesa
Publicitário, criou campanhas para VW, Ford e Fiat. Ganhou inúmeros prêmios nessa atividade, inclusive 2 Grand Prix. Acompanha F1 desde os primeiros sucessos do Emerson Fittipaldi.

3 Comments

  1. Eduardo Correa disse:

    Bons Amigos do GPTotal

    Queria deixar uma dúvida no ar: Se Vettel bater todos os recordes da F1 será que o Sr. Galvão ira falar que ele é o maior de todos?

    Mario Pires, Belo Horizonte

  2. Eduardo Correa disse:

    Sou um leitor assíduo do site. É a primeira vez que escrevo. Queria parabenizá-los pelo excelente trabalho. Algumas colunas são magníficas e todas têm um bom nível de informações sejam técnicas, históricas e analíticas.

    Queria me posicionar a respeito da temporada de 2011. Estou achando ela muito boa. O novo regulamento tem se mostrado interessante. As corridas estão cheias de disputas por posições tanto entre os primeiros quanto no pelotão intermediário.

    Sou apaixonado pelo automobilismo exatamente pela forma dinâmica que ele é conduzido. Sempre buscam-se novas fórmulas e regras para incentivar a competitividade entre os pilotos e equipes. Claro que nessa busca algumas vezes ocorrem alguns pontos bastante polêmicos, nesse caso de 2011, os pneus e a asa móvel. Sou a favor. Quantas corridas assisti em que um piloto mais lento ficava no traçado correto e era muito difícil de ser superado.

    Não acho que os circuitos eram os culpados pela falta de competividade. Como agora, os mesmos circuitos estão recheados de disputas. Não concordo com a afirmação de que as disputas estão artificiais, principalmente as ultrapassagens. Qualquer piloto rápido quando perde a posição pode manter-se próximo do adversário e ganhar novamente a posição, o regulamento não só facilitou a manobra do adversário, como deu-lhe essa possibilidade. Portanto o novo regulamento tem conseguido o seu objetivo. Respeito todas as opiniões distintas.

    Saudações fraternas

    Arnaldo César Oliveira, Divinópolis

  3. Eduardo Correa disse:

    A F1 andou para trás em 2011.

    Só posso chegar a essa conclusão depois de ver que Alguesuari numa Toro Rosso de 2010 – sem o F-Duct – seria capaz de vencer o GP Turco de 2011 e ainda por cima colocar mais de 20 segundos em cima do Vettel e do RB7 com kers, DRS e pneus Pirelli.

    E o Hamilton no MP4-25 com Bridgestone? Ele não só venceria a prova como chegaria 90 segundos – uma volta – à frente do alemão e mais esse carro genial de Adrian Newey.

    Adrian Newey desaprendeu a fazer carros geniais?

    Estragaram a F1 ao tentar apimentar o show e agora temos provas em que ultrapassagens foram rebaixadas a casualidades como cestas e pontos no basquete.

    2010 foi bom demais para ser verdade, ou durar por mais tempo.

    Érico, DF

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