O Número 5

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Manuel Blanco traça um histórico sobre o "5", número de muitas glórias e histórias na Fórmula 1.

Desde os tempos mais remotos o número cinco tem fascinado o homem, e este número se repete com muita freqüência em muitas culturas e nos mais diversos campos. Cinco sao nossos sentidos; cinco os dedos que temos nas maos; cinco sao os lados do pentagono que forma nosso corpo quando temos os braços e as pernas extendidas, algo que estudou muito bem Leonardo DaVinci en seu “Homem Vitruviano”. Cinco foram os elementos básicos com os que Deus construiu tudo, assim como cinco foram as feridas de Cristo na cruz. Tambem sao cinco os preceitos islâmicos que todo bom muçulmano deve cumprir. Para os gregos, cinco eran as virtudes de Apollo e tambem cinco eram as virtudes exigidas aos cavalheiros medievais. Em tempos mais modernos, temos os cinco aros olimpicos ou o  perfume mais famoso: chanel nº 5.

Estando o número 5 tao presente en nossa historia, parecia lógico pensar que, tambem, se destacasse na formula 1, e… assim acontece pois em dez ocasioes o piloto que resultou campeao exibia o número 5 em seu carro essa temporada, algo mais habitual que com qualquer outro número. O primeiro desses campeoes foi Jackie Stewart em 1973, conseguindo 5 vitórias. A temporada foi uma dura disputa  entre Stewart, com Tyrrell, e Fittipaldi e Peterson com Lotus.

Contudo, Bem se poderia dizer que o escocês havia sido dotado de  uma das virtudes de Apollo – a onipresença – pois apenas abandonou uma prova, enquanto que Fittipaldi não pode terminar em 4 delas e Peterson em 6. Aquele seria o terceiro título de Stewart en cinco temporadas.

Em 1974, seria o brasileiro quem tomaría o revezamento e se tornaria campeão com o carro número 5, aquele belíssimo McLaren M23. A temporada foi uma acirrada disputa entre Emerson e Regazzoni, com 3 abandonos para cada um, chegando ambos na última corrida – Watkins Glen – empatados com 52 pontos. Naquela ocasião, como se se trataram de cavalheiros medievais, mostraram uma das qualidades próprias deles: a cavalheirosidade.

O seguinte nesta lista, viría a ser Mario Andretti em 1978 com o Lotus 78 com o efeito solo satisfatóriamente desenvolvido e que representou uma autentica revolução aerodinâmica na categoria, e outras das genialidades de Colin Chapman. Tradando-se da Lotus, é ineludível referir-se a outra das diversas formas em que é representado o numero cinco: a flor do Loto. Um dos conceitos que representa um dos seus cinco pétalos é a fé, e Chapman teve muita em si mesmo para tornar realidade a idéia do “carro asa”.

Segundo relata o profeta Samuel, o pastorzinho David, em representação de seu povo, aceita enfrentar-se em combate a morte  o gigante Golias. Golias, equipado com armadura, capacete e brandindo uma enorme espada, se apresenta para a luta, enquanto  que o pequeno David comparece à cita apenas munido de uma funda e cinco pedras. No entanto, seria David quem sairía triunfante do campo de batalha. Este poderia ser um simil do que aconteceu com o seguinte piloto desta lista: Nelson Piquet.

Piquet, venceria os campeonatos de 1981 e 1983, derrotando equipes maiores e mais fortes que a Brabham e que, a priori, partiam como favoritas. Com mais abandonos que seus rivais, Piquet teve que tirar o máximo proveito de suas oportunidades e de seu equipamento nas ocasiões em que isso era vital e, como David… assim fez.

O quinto piloto campeao com o número 5 foi Nigel Mansell em 1992. Para se diferenciar de Piquet, entao seu companheiro na Williams, Mansell pasou a exibir o número cinco pintado de vermelho, a cor do fogo, outro dos cinco elementos basicos e que parecia representar muito bem sua agressividade e ardor ao volante.

Quando inspirado, Mansell apresentava uma incendiária fogosidade que lhe custou muitas criticas, mas sua retirada nos deixou sentindo sua falta. Apos vencer aquele ano, Mansell foi para a CART americana onde, tambem venceria com o carro número 5.

Na mitologia grega, o reino do deus Hades abriga a maldade e a morte. Se trata de um submundo sulcado por cinco rios que representam as misérias humanas e, quem entrasse nesse reino não podia sair nunca mais. Estas misérias, me parece, que foram as reinantes na temporada de 1994, ano em que Michael Schumacher ganhou seu primeiro titulo a bordo do Benetton número 5. Naquela temporada tivemos as mortes de Roland Ratzemberger e de Ayrton Senna e muita, muita maldade. Maldade em forma de ilegalidades na Benetton, maldade em forma de inibiçao por parte da FIA e maldade em forma de conduta antiesportiva na resoluçao do campeonato. Os gregos, muito aficionados a construir templos devotados a seus deuses, nunca construiram um dedicado a Hades.

Em 1996, sería a vez de Damon Hill vencer com o número 5, número que havia herdado de quem lhe privou do titulo dois anos antes. Cinco  letras tem seu nome D A M O N , e aquela era a sua quinta temporada na fórmula 1.

Para muitos cristaos, o pentagrama – a estrela de cinco pontas – é vista como um simbolo de cristo e representando o principio e o fim de tudo. Uma outra forma de representar isso é usando as letras gregas alfa e ômega (a primeira e a última do alfabeto grego), como é feito na bandeira asturiana, a regiao natal do seguinte campeao com o carro número 5 : Fernando Alonso. Foi na temporada de 2005 e Alonso acabava, assim, com o domínio de 5 anos de Schumacher com a Ferrari.

Seria na quinta temporada, a partir de entao, quando voltássemos a ver um campeao com o carro número 5. Foi Sebastian Vettel em 2010. Neste caso, me parece que é obrigado referir-se novamente a outro dos cinco elementos básicos da criaçao: o ar. É este, precisamente, o elemento no qual o genial Adrian Newey melhor se desenvolve e onde consegue a superioridade aerodinâmica que suas criações vem demonstrando nestas últimas temporadas.

Atualmente é Fernando Alonso quem, novamente, exibe o número 5 em seu carro, e cinco anos já passaram desde seu último titulo. Também 2012 sera a quinta temporada desde o último titulo da Ferrari. Será tudo isso só uma coincidência ou premonitório?

Manuel Blanco
Manuel Blanco
Desenhista/Projetista, acompanha a formula 1 desde os tempos de Fittipaldi É um saudoso da categoria em seus anos 70 e 80. Atualmente mora em Valência (ESP)

10 Comments

  1. Mauro Santana disse:

    Alonso foi campeão em 2005 com a Renault n° 5!

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  2. Walter disse:

    Aos colunistas do site:
    Não dá para ficar um único dia sem acessar as páginas do site.
    Dá gosto de ler o que vocês escrevem.
    Muito obrigado.

  3. antonio disse:

    Opa, uma derrapada: Piquet companheiro de Mansell na Williams em 92? Nelson saiu da Williams ao final da temporada de 1987, após conquistar seu 3º e último título.

    • Fernando Marques disse:

      Antonio,

      na Willians o carro do Piquet era o numero 6 se não me engano …

      Fernando Marques
      Niterói RJ

    • Manuel disse:

      Oi Antonio, boa obeservaçao !
      Quis dizer que Piquet era o companheiro de Mansel no momento em que este passou a usar o nº 5 vermelho.

  4. Mauro Santana disse:

    Pois é, e o comentário do Fernando fez lembrar de um detalhe.

    Em todos os carros apresentados nas fotos e listados no belíssimo texto, o n° 5 é facilmente visível, exceto os carros com nariz de tubarão.

    Na foto do Schumi, é claramente visível a pequena faixa vermelha no bico da Benetton, para diferenciar na época com o a Benetton n°6 do Verstappen, pois os capacetes eram parecidos.

    E este é outro ponto que já faz anos que na F1 os números perderam a importância que já tiveram no passado.

    Os carros da Indy, todos os números são super visíveis nas asas traseiras.

    A FIA deveria pensar nisso também!

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  5. Lucas Giavoni disse:

    Querido Manuel,

    Gostei tanto da coluna que aproveitei para pesquisar ainda mais minúcias sobre o misterioso número 5 na F1. Segue meu levantamento, realizado através do ótimo site estatístico ChicaneF1:

    GPs: 754
    Vitórias: 127
    Poles: 123
    Melhores Voltas: 95
    1º a usar: David Murray (Maserati), Grã-Bretanha 1950
    1ª pole, 1ª vitória e 1ª melhor volta: Alberto Ascari (Ferrari), Grã-Bretanha 1953
    Piloto recordista: Nigel Mansell, 93 GPs (85-88; 91-92)
    Equipe recordista: Williams, 242 GPs (82; 84-92; 95-96; 99; 01-02)
    Motor recordista: Ford, 200 GPs (67-82; 93-94)
    Pneu recordista: Goodyear, 395 GPs (65-82; 84-97)

    Dos campeões das décadas de 50-60-70, apenas Farina, Hunt e Scheckter jamais usaram o 5…

    Abração!

    Lucas Giavoni

  6. Fernando Marques disse:

    A Formula1 não é só tecnologia de ponta mas superstição também …chamo a atenção da impossibilidade de se ver o n° 5 do carro de Vettel na foto.

    Fernando Marques
    Niterói RJ

  7. Mauro Santana disse:

    Show a sua coluna Manuel Blanco, Parabéns!

    A F1 realmente é repleta de histórias e coincidências!

    Mas um detalhe me chamou atenção no belíssimo texto.

    Posso estar enganado, mas o Red Five foi adotado por Mansell ainda na temporada de 1985, mais precisamente em Silverstone.

    Se a história se repetir este ano, Dom Alonso pode garfar o seu Tri campeonato!

    Abraço a todos!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  8. Bela pesquisa, meu amigo! Leitura válida, como sempre.
    Aquele abraço, e até breve!

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