
No próximo mês de agosto o GPTotal completa 25 anos, e nosso canal no YouTube preparou uma longa pauta de celebrações do jeito que mais gostamos: relembrando e analisando a história do esporte a motor, mais especificamente neste recorte de quarto de século que coincide com nossa existência e atuação. O mais recente esforço nesse sentido rendeu um vídeo no qual João Carlos Viana, Lucas Giavoni e eu elegemos e relembramos aquelas que consideramos as dez melhores corridas da Fórmula 1 realizadas nesse período.
Tendo em vista que desde 2001 já cobrimos cerca de 500 grandes prêmios, naturalmente não foi fácil chegar a uma seleção dos 10 melhores, e temos consciência de que muita coisa boa acabou tendo de ficar de fora. Em essência, cruzamos as listas individuais de cada um de nós, e tivemos cinco corridas que apareceram duas vezes, e outras cinco que foram unanimidade e, naturalmente, integram nosso top 5.
Não nos atrevemos a estabelecer uma ordem hierárquica entre as corridas dentro de cada um desses dois grupos, à exceção do GP do Japão de 2005, que na opinião de todos nós foi a melhor corrida que o GPTotal cobriu.
Sabemos que listas muitas vezes servem de trampolim para desavenças ou polêmicas, mas esta jamais foi nossa intenção. O tempo atesta que o bom debate sempre esteve no DNA do GPTotal, e que nunca tivemos qualquer pretensão quanto a sermos donos da verdade. Com efeito, o que sempre nos interessou foi a interatividade, a troca de informações e opiniões, sempre dando espaço a todas as vozes, de tal forma que desde já fica o convite para que cada um comente qual seria sua própria lista, com as eventuais justificativas que porventura queiram dividir.
Começo aqui pela citação a algumas grandes corridas que acabaram ficando de fora. Notamos, por exemplo, que não seria necessariamente injusto incluir cinco ou mais edições de Interlagos entre as 10 melhores desde agosto de 2001, sendo esta uma constatação muito positiva a respeito de nosso GP caseiro. Ainda assim, pelo bem da diversidade, corridas como as de 2006, 2012, 2016 e 2021 tiveram de ficar de fora. Além delas, também foi difícil deixar de fora provas como Hungria e China em 2006, Malásia 2012 e Abu Dhabi 2021, entre tantas outras possibilidades.
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Começamos nossa lista pelo GP do Brasil de 2024, que abrigou uma das maiores atuações da carreira de Max Verstappen, sob condições de pista traiçoeiras que acrescentaram uma bem-vinda dose de imprevisibilidade e ofereceram ao tetracampeão uma rara oportunidade de demonstrar toda a extensão de seu enorme talento.
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A lista segue com o GP dos Estados Unidos de 2021, uma corrida paradigmática justamente por mostrar que o valor de uma disputa não se mede pelo número de ultrapassagens, mas pela qualidade da pilotagem dos personagens envolvidos. Ao longo de toda a prova Max e Hamilton arrancaram tudo o que podiam de seus respectivos equipamentos, numa dinâmica de perseguição e fuga raras vezes executada em nível tão elevado. Uma corrida de verdade!
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Retrocedemos agora para uma Silverstone encharcada em 2008, palco para uma das maiores atuações sob chuva na história da F1, protagonizada por um jovem Lewis Hamilton a caminho de seu primeiro título mundial. A pista esteve muito molhada em diversos momentos, inclusive com a formação de poças que representavam um desafio ainda maior dada a velocidade da pista. Ótima atuação também de Rubens Barrichello, que levou no braço o fraco carro da Honda ao pódio.
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A próxima escala é em Ímola, 2005. O dia em que Schumacher esteve perto de fazer sua Nürburgring 1957 ao protagonizar um dos maiores stints da história da Fórmula 1, que só não se converteu numa vitória consagradora porque encontrou pela frente um jovem espanhol talentoso e aguerrido chamado Fernando Alonso. De novo, a grande ultrapassagem não aconteceu. Mas a defesa de posição foi limpa, e esta corrida nos lembra que saber defender também é um expediente que deveria ser apreciado e valorizado. Vale lembrar, por fim, que os dois voltariam a duelar na mesma pista um ano depois, em posições invertidas.
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A última parada antes de entrarmos no top 5 é novamente em Silverstone, desta vez em 2003, e agora com pista seca para uma corrida sensacional, que sintetiza muito do que a Fórmula 1 deveria ser. Aqui houve muitas ultrapassagens sim, mas sem DRS, muitas delas sendo preparadas no decorrer de duas ou três curvas em batalha direta. Rubens Barrichello teve uma atuação assombrosa, mas sua vitória foi muito valorizada pela excelente prova de Kimi Räikkönen, a quem superou em disputa direta. Importante também recordar o ótimo desempenho de Cristiano da Matta, que liderou diversas voltas.
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O top 5 é aberto em Valência, 2012, para aquela que muitos consideram a maior atuação da carreira de Fernando Alonso, num ano em que o asturiano enfileirou uma das maiores campanhas individuais já vistas na Fórmula 1. Partindo da 11ª posição, Alonso superou essencialmente todo mundo à exceção de Vettel, que abandonou prematuramente, para conquistar uma vitória absolutamente popular no mesmo dia em que Michael Schumacher conquistava o último de seus pódios na categoria.
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Da Espanha seguimos rumo a Montreal, para uma das corridas mais tresloucadas da longa história do campeonato mundial. Mais de 4 horas de duração, clima variável, e um vencedor – Jenson Button – que na 40ª volta ocupava simplesmente a última colocação e só assumiu a liderança a meio do giro final. Um clássico, enfim, em meio ao período no qual a classe e a sensibilidade de Button verdadeiramente justificaram o título mundial que havia conquistado dois anos antes de maneira um tanto fortuita.
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A parada agora é em Interlagos, para duas corridas em sequência. A primeira delas em 2008, abrigando aquela que muitos consideram a decisão de título mais tensa desde a criação do campeonato mundial, em 1950. Chuva, largada adiada, vitória segura de Felipe Massa, grandes atuações de Alonso e Vettel, um campeão definido na última curva da última volta e um vice-campeão portando-se com muita honra e dignidade no pódio, após ter sido campeão por cerca de 30s. Nem tudo na temporada 2008 envelheceu bem, mas a prova decisiva continua a ser uma das mais emocionantes que a F1 já produziu.
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Cinco anos antes, a combinação chuva + Interlagos não decidiu o campeonato mundial, mas rendeu uma das corridas mais inusitadas em toda a história dos grandes prêmios. Largada sob carro de segurança, prova interrompida em meio e um derby de demolição, cemitério de carros na Curva do Sol, pódio com duas primeiras posições invertidas, carro do real vencedor pegando fogo após a prova, terceiro colocado no hospital, e um dos favoritos à vitória abandonando por pane seca. O GP do Brasil de 2003 teve de tudo, menos estabilidade. E comprovou mais uma vez o potencial de Interlagos para abrigar grandes corridas.

Por fim, Suzuka 2005, a corrida favorita no período para nós três que elaboramos esta lista. O regulamento daquela temporada teve problemas sérios, desde a odiosa (e felizmente curta) experiência do grid formado pelo somatório do tempo de duas voltas até a obrigação de reabastecer conjugada à proibição de trocar pneus. A formação do grid foi determinada por razões meteorológicas, e acabou relegando os favoritos às últimas posições. Alonso, partindo da 16ª posição, e Räikkönen da 17ª fizeram exibições de gala, com direito a ultrapassagem do espanhol sobre Schumacher pela linha externa da 130R, e a ultrapassagem do finlandês sobre Fisichella na última volta para conquistar a maior vitória de sua carreira. Um épico de primeira grandeza na galeria das pérolas da Fórmula 1.
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Encerro nossa lista reafirmando o convite para que os amigos contribuam para o debate com suas próprias listas, ou apontando corridas que deveriam ter sido mencionadas.
Forte abraço a todos.