
Depois de conquistar seu título da MotoGP em 2024, Jorge Martín (foto que abre esta coluna) se viu numa situação complexa na carreira. Frustrado por não ter conseguido um lugar na equipe de fábrica da Ducati, o espanhol se transferiu para a Aprilia em 2025, antes mesmo de garantir o título e muito influenciado pelo seu amigo Aleix Espargaró, que era chamado de ‘Capitão’ dentro da Aprilia, mas… estava de saída da equipe.
Ao chegar na Aprilia como atual campeão da MotoGP, de Martín era esperado que se tornasse o novo ‘capitão’ e elevasse o nível da montadora italiana, mas ainda antes de 2025 começar Martín iniciava uma temporada de pesadelo. O espanhol sofreu inúmeros acidentes e passou praticamente o ano inteiro se recuperando de suas lesões. Em meio a tudo isso, Martín se desentendeu com a Aprilia e tentou forçar uma saída da equipe antes de terminar o contrato.
Massimo Rivola, CEO da Aprilia, bateu o pé e fez Martín cumprir o contrato a contragosto, com o relacionamento entre piloto e montadora ficando bastante estranho quando a temporada 2026 estava prestes a iniciar.
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Enquanto Martín se estranhava com sua equipe, Marco Bezzecchi ganhava terreno dentro da Aprilia. Trazido para ser o segundo piloto da Aprilia, Bezzecchi tomou conta da equipe na ausência de Martín, venceu três corridas em 2025 e renovou seu contrato com direito a um casamento simulado, entrando em lua de mel com a Aprilia. O segundo ano de Jorge Martín na Aprilia viu uma evolução estupenda da moto italiana, que nesse início de temporada superou a Ducati como a melhor moto da MotoGP.
Depois de ganhar as duas corridas derradeiras de 2025, Bezzecchi venceu as três primeiras corridas de 2026 e parecia que lideraria a Aprilia nesse ano. No entanto, Jorge Martín ganhava mais e mais confiança, vencendo a Sprint em Austin e começando a andar no mesmo ritmo de Bezzecchi, que perdia pontos preciosos em quedas nas corridas Sprints. Martín conhece bem essa história…
E a corrida seguinte seria em 10 de maio, em Le Mans, autódromo em que Jorge Martín anda muito bem!
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O final de semana em Le Mans foi marcado por um sério acidente de Marc Márquez na Sprint Race, quando sequer brigava pela vitória após largar em segundo. O espanhol da Ducati perdeu a moto nas últimas curvas de Le Mans e a pancada que deu no pé direito parecia bem preocupante.
Mesmo tendo saído andando do acidente que destruiu sua Ducati, não demorou para surgir a notícia de que Marc Márquez tinha sofrido uma fratura no quinto metatarso do pé direito, perdendo não apenas o final de semana francês, mas também a próxima etapa em Barcelona. Marc Márquez sofreu mais uma cirurgia e começa-se a perguntar quando e como o espanhol voltará à MotoGP, lembrando que Marc já conta com 33 anos de idade, além de que essa temporada está praticamente perdida.
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Pecco Bagnaia largou na pole, mas rapidamente perdeu a ponta para Bezzecchi, com Acosta pulando para as primeiras posições. No sábado Martin tinha conseguido uma largada mágica, pulando de oitavo para primeiro ainda nos primeiros metros rumo a vitória na Sprint, mas no domingo foi diferente, com o espanhol da Aprilia conseguindo ultrapassagens ao longo da prova, elevando seu ritmo no decorrer da corrida. Bagnaia já tinha feito uma corrida de recuperação e ultrapassara Acosta para ser o mais próximo perseguidor de Bezzecchi, enquanto Martín ultrapassava Di Giannantonio e encostava no pelotão da frente.
Quando Martín já via de perto a rabeta de Acosta, Bagnaia caiu na curva 2, estragando de vez o dia da Ducati de fábrica, pelo segundo final de semana consecutivo zerada. Isso abria ainda mais caminho para Martín rumo à liderança. Após ultrapassar Acosta, o ritmo de Martín era tão forte que a ultrapassagem sobre o seu companheiro de equipe seria apenas questão de tempo, mesmo a corrida chegando ao fim.
Na forte freada da chicane de Le Mans, mergulhando de surpresa, Martín assumiu a ponta rumo a primeira vitória desde que se tornou campeão em 2024. Mais importante foi que a diferença para Bezzecchi caiu para apenas um ponto no campeonato, com o italiano já lamentando os pontos perdidos nas Sprints. Para melhorar o dia da Aprilia, Ai Ogura fez outra corrida de recuperação e completou o pódio, subindo pela primeira vez ao pódio, quebrando um jejum de doze anos sem um japonês no pódio, além de que pela primeira vez a Aprilia dominou o pódio na MotoGP. Acosta ainda perder a quarta posição para Di Giannantonio na última curva, com o italiano sendo a melhor Ducati. Ao completar a ultrapassagem, Di Giannantonio olhou para trás, encarando Acosta, que considerou aquilo como uma provocação. E prometer vingança!
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Esse final de semana também teve a Indy começando seu mês de maio em Indianápolis, com a corrida no circuito misto, preparando-se para o grande evento da categoria, no final do mês. Alex Palou é um especialista no circuito misto de Indianápolis e após liderar os dois treinos livres e marcar mais uma pole, parecia que o espanhol teria outro passeio no parque em Indiana.
Contudo, a estratégia não favoreceu ao espanhol da Ganassi e Palou teve que se contentar com a quinta posição. David Malukas liderou o último stint da corrida, mas com os pneus desgastados viu a aproximação de Christian Lundgaard (foto abaixo), que efetuou uma belíssima ultrapassagem sobre o piloto da Penske para vencer em Indy, conseguindo o primeiro triunfo da McLaren em 2026.

Era esperado que Pato O’Ward seria o piloto a dar a vitória para a McLaren, mas o mexicano acabou tocado na primeira curva por Felix Rosenqvist, ocupando a corrida inteira as últimas posições. Nesse incidente, Caio Collet acabou envolvido, estragando o que poderia ser a melhor corrida do brasileiro da Foyt, que conseguira sua melhor posição de grid (12º), mas o toque na primeira curva o deixou também nas últimas posições.
O veterano Alexander Rossi foi um dos destaques da corrida, mas por um motivo bem diferente. O americano da Carpenter ficou parado no meio da reta, trazendo uma bandeira amarela, mas a demora em neutralizar a corrida irritou Rossi, que além de criticar a direção de prova, soltou os cachorros no sistema híbrido da Indy. Não é apenas na F1 que os motores híbridos vêm trazendo bastante controvérsia…
Mesmo perdendo a corrida, Alex Palou permanece na liderança do campeonato. Contudo o espanhol, assim como todos os pilotos da Indy, quer mesmo é vencer a corrida principal em Indiana, no final do mês: as 500 Milhas de Indianápolis.
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Jorge Martín se emocionou bastante depois de sair de sua moto. Foi uma vitória importante para o espanhol de 28 anos, que pode lhe dar confiança necessária para entrar de vez na luta pelo título. Mesmo com menos vitórias do que Bezzecchi, Martín vai se aproveitando dos vacilos do italiano, que caiu três vezes em corridas Sprints nesse ano, repetindo o que aconteceu em 2024.
Mais importante do que isso, Martín começa a colocar pressão em Bezzecchi, que pela primeira vez na carreira entra numa batalha pelo título da MotoGP, experiência que Martín já tem. Uma volta muito benvinda de Jorge Martín, mas seu conturbado ano de estreia na MotoGP fez com que as pontes entre ele a Aprilia estivessem estremecidas e muito provavelmente o espanhol irá para a Yamaha ano que vem, cuja melhor moto nesse domingo foi Quartararo, que levou a moto nas costas rumo ao sexto lugar. Assim como dois anos atrás, Martín poderá ser campeão nas vésperas de estar se mudando para outra montadora.
Abraços!
João Carlos Viana