
Algumas coisas que não imaginava ver nestes 25 anos do GPTo, tentando ordená-las por ordem de espanto/assombro/asco, os maiores primeiro. Vamos lá.
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A má-fé do diretor de prova do GP do Abu Dhabi 21, obviamente respaldado se não mandado pela Liberty Media e Fia, alterando o resultado do Mundial de Pilotos daquele ano em favor de Max Verstappen – e nem digo aqui que o holandês não merecesse o título.
Mas a forma que se encontrou pra quebrar o domínio Mercedes/Lewis Hamilton só é comparável à ação de Jean-Marie Balestre em 89.
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A falsificação de um acidente, como o protagonizado por Flavio Briatore e Nelsinho Piquet em Singapura 08.
Toda esta infeliz temporada para nós, brasileiros, foi tratada em profundidade por Marcel Pilatti no canal História & Esporte:
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A financeirização da Fórmula 1.
Durante muito tempo – ignorante que sou –, usei aqui o termo “mecanização” para expressar a superespecialização, a supercomercialização e o supercontrole da categoria em contratos, regras, autorizações, procedimentos.
Descobri mais recentemente que tudo o que criticava na F1 podia ser mais bem definido pelo uso do termo “financeirização”; ele vai direto ao ponto: a tudo se atribui um valor monetário.
A F1 adorou o termo e nele mergulhou de cabeça, enriquecendo de forma estúpida, além de qualquer imaginação, o que explica muito do que veremos a seguir.
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Os presidentes da Liberty Media e da Fia, Stefano Domenicali e Mohammed Ben Sulayem, participando da parada dos pilotos em Silverstone 26, pilotando ridículos karts cobertos de peças de Lego.
A caquistocracia avança no mundo todo, eu sei, começando pelos Estados Unidos, Argentina e outros países por aí. Ela nem é novidade na F1– lembrai-vos de Balestre, Bernie Ecclestone e Max Mosley! –, mas de fato não esperava ver a categoria e um dos seus templos mais sagrados sujeitos a tal espetáculo.
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A bunda de Valtteri Bottas.
Nenhuma chance de ilustrar este item…
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O petróleo virar o grande inimigo.
Já havia esta percepção na fundação do Gpto – o Toyota Prius é de 97 –, mas não dava pra imaginar que tomaria tal proporção e tão rápido. Mais difícil ainda imaginar que carros de F1 carregariam baterias elétricas apenas oito anos mais tarde.
É verdade que hoje houve um refluxo, mas, nesta maré, as grandes montadoras americanas viraram museus e as europeias – vide VW – sofrem bastante, enquanto as montadoras chinesas decolaram.
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O BoP secreto no Wec 26 (por enquanto).
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O aumento das hegemonias na F1.
A curva de aprendizado das equipes e engenheiros deu um salto exponencial, culminando na dominância Mercedes/Hamilton a partir da temporada 14, estendendo-se por sete anos, que seriam oito não fosse a arbitrariedade grosseira em Abu Dhabi 21.
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Ver os pit stops tornarem-se dominantes na estratégia dos GPs.
Saudades do tempo em que, na definição de Nelson Piquet, F1 não tinha estratégia; era o tempo todo o pé “lá”.
E daí chegamos à temporada 26, em que é mandatório o piloto diminuir sua velocidade para carregar a b… da bateria!
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Tamanho controle do regulamento sobre pneus, eletrônicas, motores, baterias e tudo o mais nos carros, mesmo com fornecedor único para várias destas partes, e seu corolário: o controle do orçamento das equipes, um controle obscuro, cheio de desvios, a maioria deles fora de nosso alcance.
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Punições secretas às equipes.
Falo do caso do controle de fluxo de combustível da Ferrari, em 19.
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DJs nas pistas, cada segundo de um GP ocupado em prol da tal “experiência”, com muitas empresas que têm mais dinheiro do que são capazes de gastar tentando tirar uma casquinha. A Liberty, seus olhinhos cobiçosos brilhando, se locupleta sem vergonha.
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A crescente sujidade dos carros e capacetes, cada centímetro quadrado ocupado por marcas, cores e traços. Triste para quem começou a acompanhar a F1 no final dos anos 60, quando os patrocínios foram liberados e a maioria dos capacetes eram monocromática…
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Tão pouco protagonismo brasileiro depois de Rubinho e Massa (foto acima).
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Pilotos treinando tão pouco nas pistas.
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A para mim de todo inusitada invasão do espaço do piloto durante as corridas, os engenheiros e dirigentes falando com eles pelo rádio.
“O que eu faço agora”, tornou-se uma frase frequente de pilotos. Verstappen, Hamilton e alguns outros valentes podem rugir para os seus interlocutores calarem a boca, mas a maioria baixa a orelha.
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Uma manifestação política admitida na F1, com a liderada por Hamilton e outros pilotos ajoelhados, de punhos erguidos e trajando camisetas com a frase “Black live matter” na Áustria 20 (foto que abre esta coluna, com o vencedor da prova, Bottas, ao lado de Leclerc, Norris e Holly Chapman, engenheira da Mercedes)
Tudo, claro, virou fumaça logo depois. Seria bom demais pra ser verdade.
Sobre o gesto de Hamilton e companheiros, um lamento meu: não acredito mais que o esporte e os esportistas possam inspirar os jovens.
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A qualidade e abundância das câmeras onboard na F1 e em outras categorias, e também a riqueza de informações de desempenho dos carros, infelizmente castrada quimicamente na temporada deste ano.
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Inevitavelmente lembrarei de mais coisas que não esperava ver na F1. As acrescentarei nos comentários dos leitores
Bom final de semana a todos
Edu