
A questão se tornou meramente matemática para Andrea Kimi Antonelli (foto que abre esta coluna), o que antes era uma questão de tempo. Na antessala do pódio em Austin, Verstappen e Leclerc comentaram com o vencedor Andrea Kimi Antonelli que a decisão deve ser mesmo no México, na próxima semana e os dois já experientes pilotos não parecem afetados pelo título iminente do italiano.
A nona vitória de Antonelli em 2026 o coloca numa situação bastante cômoda para garantir seu primeiro título na Cidade do México. Um nono lugar é mais do que suficiente. Kimi executou uma corrida de almanaque em Austin, fazendo funcionar uma inesperada estratégia de uma parada para derrotar com certa tranquilidade a Red Bull de Verstappen e a ascendente Ferrari para colocar as mãos na taça.
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Já fazia algum tempo em que as expectativas estavam criadas e a Haas ainda colocou um post nas redes sociais de um telefonema vindo a qualquer momento. Seria um telefonema de Recife? A resposta é sim. Rafael Câmara (foto abaixo), cria da Ferrari e com ótima carreira nas categorias de base, estreará na F1 em 2027 pela equipe Haas, substituindo à Esteban Ocon. Nascido no Recife, Rafa será o segundo piloto da cidade pernambucana a estar na F1, mas Câmara será o primeiro a participar de toda a temporada representando o glorioso Nordeste brasileiro.

Atual campeão da F3 e líder da F2, Câmara fez a diferença num teste com carros antigos da Haas, sendo mais rápido na ocasião que o campeão da F2 em 2025 Leonardo Fornaroli e o japonês e cria da Toyota, Ryo Hirakawa. A Haas terá uma dupla de jovens pilotos da Ferrari e será interessante acompanhar o que pode ser um tira-teima para conseguir o passaporte para a Ferrari em algum momento no futuro.
Mais importante será ver dois pilotos brasileiros jovens e com situações potencialmente boas para que Bortoleto e Câmara se consolidem na F1 por muitos anos.
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Outro anúncio feito entre o ligeiro descanso entre as rodadas triplas na Ásia e nas Américas foi que a África retornará à F1 após um hiato de mais de trinta anos. O que surpreendeu nessa notícia foi que ao invés do tradicional cenário na África do Sul, em Kyalami, será construído um novo circuito em… Ruanda! A escolha não óbvia e com o chamado ‘sportwashing’ envolvido para a escolha do país maculou um pouco a volta da África à F1, marcada para 2030, já que o novo autódromo ainda sairá do papel. Ruanda se junta à Arábia Saudita e ao reino do Catar como países que usam a F1 como forma de desviar o olhar mundial para seus regimes autoritários. Porém, antes que alguém acuse a Liberty Media de pensar só em dinheiro (não que isso seja uma inverdade…), não devemos esquecer que Bernie Ecclestone levou à F1 para a África do Sul no auge do Apartheid.
Uma frase interessante durante o anúncio da corrida em Ruanda foi feita pelo presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, que prometeu ao presidente ruandês que o país receberá a F1 já com os motores V8. Porém, o acordo para o novo regulamento de motores ainda não foi totalmente acordado, mas a pressa de Sulayem só escancara o fracasso do regulamento atual.
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Desde 2012 no calendário da F1, Austin tem um traçado interessante, onde Tilke pegou trechos de várias pistas e ‘montou’ o circuito texano. No entanto, de uns anos para cá, as fortes ondulações do circuito de COTA vêm trazendo dores (literalmente!) de cabeça para os pilotos e os organizadores, que estão sempre recapeando algum trecho do circuito. Verstappen (foto abaixo), Norris e Bortoleto foram bem vocais nas críticas ao circuito americano com relação aos bumps.

Photo by ANGELA WEISS / AFP via Getty Images
E falando no neerlandês, vindo de duas vitórias seguidas, muitos já olham para a Red Bull com outros olhos e esperavam que Max poderia repetir o desempenho dominante das corridas no Sudeste Asiático, contudo, foi a Ferrari que apareceu forte, com seus dois pilotos liderando os três treinos livres, onde outro problema surgiu para a F1: os ‘track limits’. Vários pilotos tiveram seus tempos deletados e no TL3 foi Kimi que fez o melhor tempo, mas o italiano acabou punido por exceder os limites da pista.

Photo by ANGELA WEISS / AFP via Getty Images
Assim como acontecera outras vezes, a carruagem da Ferrari virou abóbora na classificação. Em nenhum momento Leclerc (foto acima) ou Hamilton lutaram verdadeiramente pela ponta, com Verstappen se mostrando muito forte, mas no Q3 Andrea Kimi Antonelli apareceu e ainda na sua primeira volta ficou com a pole. Para desespero de Russell, o inglês se manteve no mínimo três décimos atrás do companheiro de equipe e no Q3 George viu isso se transformar num sétimo lugar no grid. A Red Bull mostrou sua força ao colocar Max e Hadjar entre os três primeiros, mesmo o francês reclamando via rádio todo o final de semana. A McLaren vai se consolidando como a quarta força da F1, com Piastri inevitavelmente perdendo para Norris.
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O campeonato tinha chances de ser definido em Austin, mas era uma hipótese até mesmo remota e que dependeria de um abandono de Russell ou uma corrida problemática de Hamilton, no entanto, Andrea Kimi Antonelli precisava fazer sua parte. Além das ondulações que tanto preocupara os pilotos, o desgaste de pneus era outro ponto que fazia as equipes coçarem a cabeça para escolher a melhor estratégia. Os treinos livres indicavam que uma tática de dois pit-stops poderia ser a melhor opção para a corrida, mas o domingo em Austin, que recebeu um público enorme em todo o final de semana, estava nublado. Não havia risco de chuva, mas o forte calor visto na sexta e no sábado não estava presente, o que poderia ajudar a todos.
Quando os pilotos foram para a volta de apresentação, Mercedes e McLaren escolheram largar de pneus médios, enquanto Ferrari e Red Bull foram com os pneus macios. Num primeiro momento isso poderia ajudar Max Verstappen a atacar Andrea Kimi Antonelli na sempre complicada primeira curva, com o neerlandês sabendo que o piloto da Mercedes não iria forçar a barra em caso de ataque. Contudo, Antonelli aprendeu a fazer boas largadas (foto abaixo), ao contrário das primeiras provas do ano, e chegou confortavelmente na ponta na curva um. O mesmo não aconteceu com Verstappen, que sofreu forte ataque da dupla da Ferrari, já que Hadjar também largara muito mal.

Photo by Mark Thompson/Getty Images
A primeira volta foi frenética, com Verstappen se engalfinhando com Leclerc e Hamilton. Charles chegou a tomar a segunda posição de Max numa manobra audaciosa nas primeiras curvas, mas Verstappen não demorou muitas curvas para dar o troco e voltar à segunda posição. Enquanto isso, Kimi via tudo isso nos seus retrovisores cada vez mais de longe e quando o primeiro Virtual Safety Car apareceu ainda na segunda volta por causa de detritos na pista, Antonelli já abrira 2,5s sobre Verstappen. A corrida se acalmou no primeiro pelotão na bandeira verde, com Kimi mantendo a diferença para Verstappen, que era seguido pela dupla da Ferrari, Russell e a dupla da McLaren, mas com Piastri à frente, no entanto, a fase do australiano é tão tenebrosa que as Papayas Rules apareceram para Oscar cedesse sua posição à Norris e Piastri nem chiou.
Com pneus macios, Verstappen resguardava sua borracha, mas com Leclerc tentando uma nova aproximação, Max foi aos pits ainda na volta 14 e ao sair com pneus macios, o recado estava dado: Verstappen faria duas paradas. Era esperado uma peregrinação aos boxes para cobrir a manobra da Red Bull, mas apenas a dupla da Ferrari, que também escolhera os pneus macios, foi aos pits do primeiro pelotão. Antonelli só fez sua parada dez voltas mais tarde e ao colocar pneus duros, dava um recado: ele não pararia mais em condições normais. Restava ver como os pneus duros se comportariam e não demorou para Antonelli se tornar o piloto mais rápido da pista, retornando em quarto e logo encostando em Verstappen e Leclerc.
Max parou pela segunda vez na volta 31, enquanto a Ferrari preferiu esticar seu stint, com Leclerc nem se importando muito em ser ultrapassado por Antonelli. Verstappen reclamava da dirigibilidade do seu Red Bull, algo corriqueiro em 2026, mas o ritmo de Max não parecia ser forte o suficiente para tentar um ataque em cima de Antonelli nas voltas finais e a situação do piloto da Red Bull se complicou ainda mais com o ritmo avassalador de Leclerc, que mesmo fazendo sua parada quando restavam apenas dezessete voltas, saiu com pneus duros, mas se tornara o piloto mais rápido da pista.
Norris imitou a estratégia de Antonelli, mesmo que 12s atrás do italiano e logo teria Verstappen o pressionando. Max não foi tão incisivo até Leclerc, 1s mais do que ele, encostar na Red Bull. Numa manobra esperta na curva um, Max se defendeu dos ataques de Leclerc efetuando uma manobra agressiva em cima de Norris, que pareceu surpreendido com o movimento de Max. Na freada da reta oposta Leclerc assumiu a terceira posição e com um ritmo superior, ultrapassou Verstappen, mas restando meras sete voltas e 10s atrás de Antonelli, a situação parecia liquidada.
Foi então que o Cadillac de Bottas apareceu lento e o nórdico encostou seu carro numa ‘agulha’, trazendo o segundo VSC do dia. Os estrategistas da Mercedes devem ter sentido calafrios quando o Cadillac de Valtteri não saía do lugar, mesmo com os comissários de pista empurrando o carro. Parecia que o Safety Car real entraria na pista, o que traria uma forte emoção para as últimas voltas, mas um trator foi acionado de fora da pista e a bandeira verde foi mostrada quando faltavam três voltas.
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Com uma diferença considerável e fazendo uma corrida exemplar, Andrea Kimi Antonelli garantiu sua nona vitória na carreira e a mais importante em 2026. Foi mais um exemplo da versatilidade do italiano, que fez uma baita largada, se posicionou muito bem e administrou uma surpreendente estratégia de uma parada, quando todos esperavam dois pit-stops. O título não veio por pouco.
Hamilton viu suas chances de subir ao pódio se perderem com o VSC, pois se não tinha o mesmo ritmo de Leclerc, Lewis era bem mais rápido do que Verstappen e cruzou a linha de chegada em quarto, menos de 1s atrás do seu arquirrival. Já George Russell fez uma corrida medonha, sorumbática e que já coloca dúvidas de como o inglês se recuperará em 2027. Saindo apenas em sétimo, se envolveu num incidente com a McLaren de Norris ainda na primeira volta e acabou punido em 5s por ganhar vantagem por fora da pista. Punido quando fez sua parada, Russell imitou Antonelli e fez apenas um pit, mas ao retornar atrás da McLaren de Piastri, o inglês passou trinta voltas atrás do australiano. O oitavo lugar significou também que Russell foi o último das quatro equipes grandes, tomando no processo 54s do seu companheiro de equipe. Mais uma corrida onde Russell ficou muito aquém de alguém que era dito e havido como o grande favorito ao título e corre o risco de terminar em quinto lugar no campeonato com o mesmo carro do campeão antecipado.
A Ferrari acertou na estratégia e transformou seus dois pilotos nos mais rápidos do último terço de prova, diminuindo um pouco a decepção do que fora a classificação no sábado. Leclerc sempre andou na frente de Hamilton, demonstrou mais uma vez não temer Verstappen numa luta direta e conseguiu mais um segundo lugar, enquanto Lewis quase completou o pódio
Vindo de duas vitórias consecutivas e enfáticas, a Red Bull entrou como favorita em Austin, mas os austríacos foram surpreendidos pela Mercedes pela evolução do novo pacote de updates da equipe alemã e na prova, pela tática de uma parada. Mesmo tendo um ritmo forte em boa parte da corrida e em nenhum momento ter usado os pneus mais duros, Verstappen não teve fôlego para brigar com Antonelli e ainda teve que lutar com a dupla da Ferrari nas voltas finais, mas garantiu mais um pódio, continuando a boa fase do neerlandês. Hadjar, mesmo largando de pneus macios, foi o último do pelotão da frente a fazer sua parada, mas o francês não se deu muito bem os pneus duros e na saída do que seria sua última parada teve um problema de software, mas Hadjar conseguiu segurar Piastri e ficar em sexto, continuando seu trabalho de marcar pontos no Mundial de Construtores para a Red Bull.
Norris fazia uma boa corrida ao optar por uma única parada e segurava sem problemas Verstappen, mas com o aumento da pressão de Leclerc, Lando foi engolido por Max e Charles. Sem ter os pneus em condições de lutar, Lando ainda foi ultrapassado por Hamilton para terminar em quinto. Hoje, sem dúvidas, a McLaren é a quarta força da F1.
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Photo by Colin McMaster/LAT Images
No pelotão intermediário, o melhor do resto mais uma vez foi Liam Lawson (foto acima), consolidando cada vez mais o neozelandês como um sério candidato a ficar na Racing Bulls em 2027, hoje a quinta colocada no Mundial de Construtores, mesmo que numa corrida sem abandonos entre as quatro equipes top, isso significasse um nono lugar para Lawson. Arvid Lindblad começou o ano muito bem, ainda mostra velocidade aos sábados, mas hoje pode-se afirmar que o jovem inglês ficou atrás de Lawson na temporada. E é incrível como Lindblad parece imune à punições, pois ele não ter sido punido pela fechada dada em Sainz na largada beirou o absurdo, mas como nenhum dos dois esteve perto de pontuar, nem fez muita diferença.
Pierre Gasly teve que lutar forte com Oliver Bearman na primeira volta antes de se alocar na décima posição e por lá ficar, após o carrossel de paradas, até a bandeirada, garantindo mais um pontinho para a Alpine, que viu Colapinto, que fora punido em posições de largada, abandonar no meio da prova.
Nico Hulkenberg teve ajuda de Gabriel Bortoleto na classificação, já que o brasileiro teria que largar de último por ter trocado mais uma vez sua unidade de potência, mas nem assim o alemão foi ao Q3 e numa corrida em que largou mal, mas conseguiu se recuperar, terminou na cativa décima primeira posição, algo que a Audi está se acostumando.
Após o toque com Gasly que lhe rendeu uma punição Bearman perdeu rendimento até abandonar, enquanto Ocon ficou no meio de lugar nenhum a corrida toda. A Aston Martin conseguiu uma ligeira melhora e em Austin ficou na frente da Williams (foto abaixo, com Albon e Alonso), que ficou como o segundo pior carro do pelotão, mesmo que ambas tenha ficado 34s atrás de Ocon. Correndo em casa a Cadillac ficou na sua posição de última colocada, mas Marcin Budkowski já não esconde que o desempenho de Bottas nesse ano esteja abaixo da crítica e que procure um piloto para o lugar do finlandês em 2027.

Photo by Bryn Lennon – Formula 1/Formula 1 via Getty Images
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No calendário da F1 em 2027 teremos dez Sprints, o que já está gerando algumas reclamações, mas na MotoGP a situação é ainda pior como provas curtas em todas as etapas. A combinação de pontos importantes disputados em corridas curtas e naturalmente mais aguerridas está resultando em vários acidentes. Além de mais contusões.
Nesse final de semana seria de despedida da icônica pista de Phillip Island, mas o clima inclemente na Austrália fez com que a corrida fosse cancelada, o que foi um pecado com a pista. Além do pecado de Phillip Island sair do calendário da MotoGP.
No dia anterior, o então líder do campeonato Jorge Martín disputava a liderança da Sprint com Marc Márquez quando caiu e fraturou o pulso. Mais uma queda na Sprint resultando em contusões e nesse caso, podendo decidir o campeonato, pois Márquez ficou com a vitória e assumiu a liderança do campeonato, com a situação de Martín só não piorando com o cancelamento da corrida no domingo.
O acidente de Jorge Martín é só mais exemplo de como ter Sprint em todas as etapas da MotoGP precisa ser revisto com urgência, para o bem da saúde dos pilotos.
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O título não veio em Austin (o pódio, na foto acima), como era muito difícil que acontecesse, mas não resta mais nenhuma dúvida que o título da Formula 1 em 2026 será de Andrea Kimi Antonelli. Para quem acompanha o canal do GPTotal no Youtube sabe que Kimi pode não ter sido levado ao limite em sua campanha rumo ao primeiro título, mas não se pode negar o merecimento dele e que no futuro 2026 poderá ser lembrado como o primeiro troféu de muitos que podem vir por aí.
Foi um ano em que um jovem de apenas 20 anos virou sobre um companheiro de equipe que parecia ser o favorito ao título e numa luta doméstica contra um piloto mais experiente, se sobressaiu com uma facilidade atordoante. Já Russell poderá ver sua carreira, que parecia muito sólida antes de começar 2026, ruir de forma impressionante. Com meros nove pontos o separando do quinto colocado do campeonato, George corre o sério risco de passar o vexame de nem ir à premiação da FIA dos três melhores do campeonato. Festa que Andrea Kimi Antonelli estará ostentando o troféu de campeão mundial.
Abraços!
João Carlos Viana
1 Comments
J. C. Viana,
O terço final prova foi muito boa … com belas disputas em meio a poeira que Antonelli levantava lá na frente.
Numa combinação muito improvável de acontecer, ela quase aconteceu e por pouco o prodígio menino nao sacramento o título.
Psicologicamente o Russel desaba muito mais do que sua pilotagem na pista. Antonelli engoliu seu principal adversário nesta temporada.
Se vai ser ratificado ou não no México, o título já é merecidamente do Antonelli.
Fernando Marques
Niterói RJ