Alesi, Japão, Massa

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Dizem que o que a gente leva da vida é um gol que fez quando moleque. Acho que o Alesi levará da vida aquela extraordinária ultrapassagem sobre Ayrton Senna, no GP dos Estados Unidos de 1990.

Não lembra? Como não lembra? Alesi (na foto aqui ao lado com seu sucessor na Jordan, Takuma Sato), correndo com uma bicicleta contra o McLaren do maior piloto de todos os tempos, lidera metade da corrida. Uma hora, Senna, que vinha em segundo, se cansa de brincar e mete seu carro por dentro na freada da primeira curva, passando tranqüilo, sem se dar ao trabalho de uma olhada pelo espelho. Não contava com um x do Alesi, num espaço mínimo da pista – uma manobra genial e inesquecível.

Alesi nunca conquistou grandes coisas na Fórmula 1, apesar de ter corrido sempre em equipes grandes e ser superquerido pelo público e imprensa. Acho que lhe faltou um pouco mais de disciplina e inteligência. As história que contam a seu respeito, inclusive pelo grande amigo Berger, mostram um cara simples, não muito inteligente, não muito burro, com o pé pesado, é verdade, mas talvez simplório demais para o mundo da Fórmula 1. Estive com Alesi uma única vez, na sala de imprensa de Interlagos. Era 94, ele tinha chegado em terceiro no GP. Me lembro do seu olhar algo vítreo, como se não entendesse bem aquela movimentação toda.

Panda, você sempre se perguntou o que seria da carreira do francês se tivesse honrado um pré-contrato com a Williams – não lembro o ano mas o carro era um foguete. Não sei não. Acho que a Alesi nunca falta talento natural mas este nunca foi desenvolvido como deveria ter sido. Um carro excepcional talvez tivesse posto a nu a sua falta de vocação para a vitória e apenas abreviasse a sua carreira. Talvez Alesi tenha chegado a 200 GPs apenas porque nunca teve um carro vencedor em mãos.

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Creio que a questão central do GP do Japão é saber se os pneus Michelin andarão bem na pista japonesa.

Dupasquier (não lembro o primeiro nome), diretor esportivo da Michelin, disse para não se esperar grandes coisas pois a empresa francesa nunca testou em Suzuka. Não acredito cegamente nesta declaração. A Michelin equipa carros de outras categorias e motos de competição, de forma que tem as informações sobre o circuito. Além disso, não me consta que a Michelin tenha testado em Interlagos e Indy, por exemplo, e correu bem em ambas as corridas.

Se eu fosse Dupasquier, faria mesmo uma declaração baixando a própria bola. Em Monza e Indy, a Williams e a Michelin colheram uma vitória e poderiam muito bem ter colhido outra mas foram duramente combatidas pela Ferrari, que poderia ter ganho as duas corridas se Michael Schumacher tivesse demonstrado um pouco mais de vontade e Rubinho mais velocidade e sorte.

Ao esconder o jogo, Dupasquier parece sinalizar para a Ferrari algo do tipo: “não se preocupem em formular uma estratégia especial para a corrida, como fizeram em Monza e Indy. Deixem que a gente perde sozinho”.

Outro indicador importante para previsões japonesas: como está Michael Schumacher? Está com vontade de correr? Está com vontade de vencer? Nos dois casos, é difícil responder e os treinos de sexta-feira não ajudam em nada.

Bom, feitas as ponderações, vamos aos meus palpites: Rubinho, como candidato maior à vitória, Michael Schumacher e David Coulthard.

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Sobre a briga está-evoluindo-muito-Diniz x Alain Prost, tema da sua última carta, leio em Autosprint que Diniz já tem proposta de compra de suas ações na equipe, formulada por uma grupo de empresários tchecos que patrocinam Tomas Enge. Sabe aquela história “um trouxa e seu dinheiro não ficam juntos muito tempo”? Pois é…

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Meus melhores votos para Felipe Massa na sua carreira na Fórmula 1.

Que ele saiba combinar a sua pouca idade e experiência de vida com toda a pressão esportiva, mundana e comercial a que está sujeito um piloto. Que ele saiba compensar as deficiência e limitações da sua equipe – que perdeu o projetista do carro deste ano, Sérgio Rinland, para a Arrows -, tirar proveito das oportunidades e se projetar numa lagoa povoada por feras horrendas. Que tenha sorte e saúde, que se mantenha longe dos guard-rails e das tentações.

Que tenha fibra de campeão e saiba se sair bem desta primeira etapa da sua carreira, que se pretende longa e vitoriosa. Torcida por ele não há de faltar, a começar por este humilde comentarista.

Boa corrida para você, Panda. Aguardo seus comentários no Domingo. Mando os meus na segunda-feira à noite, Terça de manhã

Edu

Eduardo Correa
Eduardo Correa
Jornalista, autor do livro "Fórmula 1, Pela Glória e Pela Pátria", acompanha a categoria desde 1968

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