Fórmula 1 x IRL

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Panda

Bom. Então estamos combinados. Nada – ou quase nada – para a IRL e a Cart e tudo para Fórmula 1.

Quando dividi minhas dúvidas com você e os leitores, procurava me despir de todo preconceito contra as categorias americanas. Mas vi pelas cartas dos leitores e pela sua bela coluna de 2a-feira que não sou só eu que não está nem aí para IRL e Cart.

Na verdade, já tinha uma resposta para minha pergunta que, de diferentes maneiras, alguns leitores e você anteciparam: a Fórmula 1 é a original; as outras são uma cópia – talvez uma boa cópia mas não mais do que isso. Na Fórmula 1, estamos falando do máximo; na IRL e na Cart, do mais ou menos.

Duas frases lapidares demonstram o que quero dizer com máximo e mais ou menos. Rick Mears, quatro vezes vencedor de Indy, disse que, nas 500 Milhas, só as últimas 50 interessam. Nas primeiras 450, basta você permanecer na mesma volta do líder. Já Jean Marie Balestre, ex presidente da Fia, resumiu a coisa de outro jeito. Perguntado sobre que comparação tecia entre a Fórmula 1 e Indy, ele disse, olhando para os 33 carros alinhados para a largada das 500 Milhas: “está brincando? Metade destes pilotos já são avós”.

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Há noticias vindas da Europa, gentilmente retransmitidas pra gente pelo Ricardo Divilla, dando conta que o diretor de competição da Mercedes, Norbert Haug, estaria com os seus dias contados na Fórmula 1. A notícia de que a Mercedes comprou a Ilmor, a empresa que projeta e constrói os motores com a marca alemã, está confirmada. Estaria próximo o anúncio de que a Mercedes assumiria a maioria das ações da McLaren?

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Divilla também informa que há notícias que o motor Ferrari para 2003 é uma verdadeira bomba – no bom sentido. 910 hp, 19 100 RPM. Teremos mais um ano vermelho? Tudo indica que sim, o que não deixa de ser uma boa notícia para Rubinho.

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Grande Prêmio de Bahrain em 2004? Os lorpas e puxa-sacos da imprensa inglesa podem falar o que quiser, mas aqui no GPTotal, a gente não cai fácil nestas cascatas de Mr Bernie, não.

Afinal, ele já garantiu China, Rússia, Líbano, Turquia – alguém lembra de mais algum? Ele vive garantindo novos GP mas na hora do vamos ver, as coisas não rolam porque ele faz exigências pesadas de grana e nem sempre dá para os entusiastas locais pagar a conta, como aconteceu recentemente em Moscou.

Bernie chegou todo animadinho com seu contrato cheio de zeros e o prefeito de Moscou o pôs para correr. Bernie saiu pisando duro e falando de corridas em São Peterburgo e não sei mais que cidade do simpático país dos cossacos. A verdade que ele, como diria Luis Gonzaga, o Rei do Baião, ficou “cossaco fora”.

Acho que o que Bernie quer mesmo é arrancar mais dinheiro de belgas, ingleses, húngaros, austríacos e sabe-se lá mais que organizadores de GP que estão com seus contratos por vencer. Aliás, os rumores recentes de que o Rio poderia voltar a receber a Fórmula 1 me arrepiam: sinal de que Bernie pode querer arrancar mais dinheiro da pobre Prefeitura paulistana…

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Lembra-se que falei do motor home da McLaren na minha última coluna? Pensei que algum leitor fosse nos perguntar como eram os motor homes no passado. Bem. Ninguém perguntou mas eu digo assim mesmo: não havia motor homes no passado. Aliás, mal havia boxes. Interlagos anos 70, por exemplo, era pouco mais do que um telheiro, onde cabia o carro e nada mais.

Banheiros? Um coletivo, bem sujinho, nos fundos dos boxes. Pilotos e mecânicos comiam de quentinhas trazidas dos botecos próximos, sentados sobre caixas de ferramentas, os macacões arriados até a cintura. Um luxo só.

Outro detalhe interessante daquela época. Mecânicos negociavam peças usada dos carros com corredores locais. Muita gente saia de Interlagos carregando pneus, peças de motor e – esta eu vi com meus próprios olhos – uma carenagem de UOP Shadow.

Outros tempos, outros tempos.

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Da série “Coisas que a gente aprende lendo revistas”: quando ninguém está olhando, Michael Schumacher é louco por caipirinhas de cachaça – dizem que bebe várias – e fuma charutos depois das corridas em companhia de Rubinho, quando ambos estão bem escondidos da imprensa.

Abraços

Eduardo Correa

Eduardo Correa
Eduardo Correa
Jornalista, autor do livro "Fórmula 1, Pela Glória e Pela Pátria", acompanha a categoria desde 1968

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