Pausa de férias!

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Pausa de verão europeu. Férias. Metade do campeonato se passou e só voltaremos ano final de agosto para alguma ação de pista.

Quem são os os maiores vencedores e os maiores perdedores dessa primeira metade do campeonato? O que podemos esperar daqui pra frente?

Obviamente a maior surpresa do campeonato até o momento é a força do conjunto red bull / honda. Mesmo com uma pre temporada que indicava força, testes são testes, e era esperada um começo de ano muito forte da Mercedes. Logo na primeira corrida, não foi o que vimos nas pistas.

Manter o chassi do ano passado, mais um novo motor Honda, deu o cenário perfeito para a Red Bull manter a curva ascendente de 2020 para começar o ano dominando o campeonato na parte técnica. No box da Mercedes, a curva de desenvolvimento já era mais plana, com menos espaços para crescimento. Além disso, dois fatores machucaram muito o time alemão: as mudanças de assoalho e a proibição do uso do DAS em 2021. A traseira do carro tedesco ficou muito instável e o time perdeu a habilidade de esquentar os pneus corretamente para as voltas rápidas de qualificação.

Para temperar a disputa, dois dos melhores pilotos da atualidade. Um em cada carro. Max com o ímpeto da juventude (e sua irresponsabilidade natural) já poderia ter causado mais acidentes do que o ocorreu em Silverstone. Agora Max tem o melhor carro do grid, não há mais desculpas para não lutar efetivamente pelo título. Pelo lado da Mercedes, todo o desequilíbrio do seu carro é compensado pela qualidade impressionante do seu 1º piloto. Hamilton claramente compensa com sua habilidade algumas deficiências do carro e consegue se colocar na disputa do título.

Lando Norris pode ser considerado a grande surpresa da temporada?

Ser considerado um futuro campeão, um talento em maturação, não era surpresa pra ninguém. O que surpreendeu nesses começo de temporada foi a constância em andar entre os 6 primeiros e se manter na frente de pilotos com conjuntos superiores, como Perez e Bottas. Lando termina a primeira metade do campeonato como terceiro na classificação, um feito impressionante par ao piloto e para equipe Mclaren.

O time inglês vem crescendo ano após ano, de forma sólida. Motores Mercedes e James Key nos projetos, somando-se a direção cuidadosa de Andrea Seidl. Um trabalho sério e consistente que começa a dar frutos muito bons. Importante manter a cabeça centrada em 2022 para voltar a vencer. 2021 é importante, mas nem tanto.

No box ao lado, infelizmente, a maior decepção de 2021. Daniel Ricciardo foi contratado como estrela da Mclaren, uma luz brilhante que levaria o time de volta ao topo do pódio. O australiano ainda não se acertou no cockipt laranja e está devendo apresentações que justificaram sua contratação. Ricciardo precisa recuperar a velha forma e confiança dos anos anteriores. Sua janela de tempo para ser campeão está se fechando.

Ele precisa entrar em 2021 com o sentimento correto para ser um sério competidor ao título. Com fama de bom em “ultrapassagens” por conta do seu absoluto controle das freadas, o carro de 2022 com maior dependência da aderência mecânica pode ser tudo que ele necessita pra mostrar sua classe.

Em 2021 também poderemos deixar registrado na história como o ano do renascimento de Sebastian Vettel.

Claro que não dava pra esperar muito dele em 2020. Chegou na primeira prova do ano sem emprego e com um carro que operava com limitações de motor. Motivação? Zero. Se arriscar? Jamais. Ambiente de trabalho favorável? Inexistente. Vettel sumiu em 2020 e acumulou uma sucessão de erros por falta de concentração. Ele não estava na pista de verdade.

Vettel de 2021 vem leve. Se divertindo, passando mensagens importantes sobre direitos humanos e fazendo corridas impressionantemente sólidas.

Obviamente a Aston Martin sofreu de problemas similares ao da sua musa inspiradora, Mercedes. Uma pena, poderíamos ter uma ano mais forte ainda para Vettel.

Outro grande destaque desse ano, o retorno de Alonso.

Tudo que o bicampeão prometeu, está cumprindo. Ser um bom companheiro de equipe? Sim, trabalhando com o time para o bem comum. Cinco provas pra se adaptar? Perfeito, já está andando constantemente no Q3 nas classificações e sempre no Top10 nas corridas.

Um pena a unidade de potência da Renault hoje não ser a referência. Provavelmente hoje o motor mais fraco da Fórmula 1. Mas é um time de fábrica, com recursos e tecnologia pra trazer um grande pacote para o ano que vem.

Não custa nada lembrar as melhores disputas de Alonso com Hamilton!

Uma pena essa mudança de regulamento em 2022 para o campeonato de 2021. Além da disputa na pist aé preciso saber quem estará com maior concentração para o campeonato do ano que vem.

Além disso, tantos pilotos procurando um lugar competitivo, todos esperando a movimentação de George Russel. Ele ficará num renovada Williams? Assume a Mercedes? Aparece de surpresa na Aston Martin?

Todas as especulações, ora, não passam de especulações. Provavelmente as equipes já sabem os destinos de seus pilotos, mas questões comercias devem impedir os anúncios. Enquanto isso os chefes de equipe devem se divertir muito olhando as notícias na imprensa especializada.

Aguardemos!

Não vamos esquecer aqui da bela e equilibrada dupla da Ferrari. Em silencio, após o péssimo campeonato de 2020, o time italiano faz um temporada decente. Não ao nível esperado de uma Ferrari, mas um campeonato honesto. Sainz e Leclerc se revezam em boas atuações e Sainz mostra boa adaptação ao carro vermelho. Alguns erros ainda comprometem suas corridas no domingo, mas tem mostrado uma boa recuperação. A tabela do campeonato não deixa mentir, estão separados por 3 pontinhos somente.

A segunda metade da temporada tem tudo para ser emocionante e inesperada.

Primeiro, apesar de pra muita gente não parecer, porque ainda estamos em uma pandemia. Dizer que é um problema mundial, seria pleonasmo, mas o reforço é necessário. O futuro é incerto para as corridas no México, Turquia e Brasil. Isso pode mexer na distribuição de forças no campeonato. Teremos todas as provas previstas? Teremos mais uma rodada no Bahrein?

Na parte esportiva. Mais dúvidas que certezas! Quem continuará com algum grau de desenvolvimento dos carros nessa segunda metade? Red Bull vai perder a única chance da era hibrida de vencer a Mercedes? Gastaram 7 anos pra chegar ao nível do carro alemão e vão deixar escapar pelas mãos? Improvável de acontecer. Também, historicamente, a Mercedes vem sempre muito forte no retorno das férias. É importante ver como será a prova da Bélgica para medir as forças com a Red Bull.

Mais uma especulação ainda sem confirmação. Como a Ferrari em 2019, parece que a Honda achou uma forma criativa de ter mais potência nos seus motores em 2021. Essa criatividade foi contestada e na prova de Silverstone foi trazida pra realidade do regulamento.

Temos pela frente ainda metade do campeonato. Apesar de matematicamente termos 17 pilotos na disputa do título, sabemos que só 2 realmente estão na briga.

A Red Bull poderia deixar de passar vergonha com seus destemperos e joguinhos de acusações para termos o foco somente onde realmente importa: a disputa na pista!

Apesar do regulamento ridículo que obriga os times terminarem o campeonato com somente 3 motores, esse ano promete uma batalha épica até os instantes finais!

Que seja assim!

Abraços
Flaviz Guerra

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

1 Comment

  1. Fernando Marques disse:

    Flavis,

    segundo eu li nas mídias esportivas, Verstappen já vai usar seu terceiro motor a partir da próxima corrida. A partir daí qualquer troca significa punição. Ai eu pergunto será que ele vai ter uma RBR em pleno e total fora até ao final do campeonato?
    Acho que isso aconteceu em 2017 ou 18 com Vettel na Ferrari. E no fim prevaleceu a sabedoria do uso de suas gorduras por parte da Mercedes, com Hamilton vencendo a maioria das corridas da segunda metade do campeonato.

    No mais acho dificil entender o por que do fraco desempenho do Daniel Ricciardo na Mclaren. A minha torcida é por sua reação neste restante da temporada.

    Russel já está contratado piloto Mercedes em 2022. Restará a Willians o retorno de Bottas e mais alguns anos garantido de uso do motor Mercedes

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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