Ressaca

Diversidade x uniformidade
25/11/2015
Desencanto
30/11/2015

A F1 chega ao pior circuito da sua história de ressaca. O fim da temporada será digno do novo tricampeão?!

A última rodada da F1 nos Emirados Árabes Unidos tem a cara da ponte de feriado pós-festa de fim de ano da empresa. Falta motivação. Falta assunto. Falta interesse das equipes em 2015 que já acabou. O clima de ressaca de uma temporada longuíssima é evidente.

Nosso novo tricampeão já foi curtir festa da mãe, destruiu um carro milionário, torceu na final de NASCAR em Miami e, se não fossem as estatísticas e os contratos milionários, certamente estaria cantando e dançando por aí.

A F1 vai para Abu Dhabi visitar um dos piores circuitos de sua história, na expectativa que o clima de “nada a perder” gere uma corrida cheia de variáveis.

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Yas Marina vem em 2015 hospedar sua 7º etapa de um mundial de Formula 1. Um circuito que deixou marcas na história. É inegável. É o mais luxuoso, o que tem o melhor hotel com a pista passando por baixo e o mais impossível de se ultrapassar.

A tradição maior de Abu Dhabi no automobilismo é a ostentação. Muito dinheiro, tudo com exageros superlativos em luxo. Acabamentos refinados, supercarros esportivos, super festas, superestruturas. É uma contraponto interessante ao traçado de fraca inspiração. A teoria – que já foi levantada aqui no GPTotal – de que grandes circuitos respeitam a deliciosas subidas e decidas de seu terreno (Spa, Suzuka, Interlagos, Watkins Glen, etc) não pode ser aplicado em um circuito no meio do deserto. Plano e pouco inspirado, Abu Dhabi entrega ao público uma corrida longa e burocrática.

Para esse ano nada muda. Não mudam pneus, mesmas opções do ano passado. Nada muda na pista, igualzinha desde sua inauguração. Com isso, a estratégia deve ser a mesma do ano passado com duas paradas para a maioria. Um ou outro mais destemido pode tentar uma parada só, há chances dos pneus durarem bem se forem tratados com carinho.

Para os equipamentos o maior problema é o calor, principalmente para os freios. Duas longas retas seguidas por fortes freadas exigem muito do equipamento. Depois da segunda reta, um trecho muito sinuoso, quase um kartódromo, também não ajuda a na refrigeração dos freios.

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A Mercedes contribui com 100 Euros por quilometro liderado para o projeto Drive for Good da fundação Laureus. Até o momento foram transferidos 88100 euros para a conta do projeto.

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Para quem gosta de números, as estatísticas atualizadas de 2015 são um prato cheio. Ótimo para debates acalorados, vamos lá olhar os dados dos 5 “melhores” em 3 itens? Sempre considerando as porcentagens para tentar minimizar a diferença causada pela quantidade de GP´s disputados.

Porcentagem de chegada entre os 5 primeiros:
1) Lewis Hamilton – 68,67%
2) Sebastian Vettel – 68,15%
3) Alain Prost – 60,80%
4) Michael Schumacher – 59,80%
5) Ayrton Senna – 57,76%

Porcentagem de Vitórias:
1) Michael Schumacher – 29,74%
2) Sebastian Vettel – 26,75%
3) Lewis Hamilton – 25,90%
4) Alain Prost – 25,63%
5) Ayrton Senna – 25,47%

Posição média de chegada:
1) Lewis Hamilton – 6.060
2) Sebastian Vettel – 6.261
3) Michael Schumacher – 6.886
4) Fernando Alonso – 7.166
5) Jackie Stewart – 7.360

Duas questões ficam cutucando a cabeça. Em 2016 teremos um embate épico entre Vettel e Hamilton?
Onde Alonso foi se meter? Desconsiderando 2015, ele estaria em terceiro na posição média de chegada, colado em Vettel e Hamilton com posição média de 6.614, contra 6.540 e 6.480, respectivamente, dos dois mais bem colocados.

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httpv://youtu.be/sdua8u-BlG8

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Quando você acredita que tudo que vai ser resolvido em 2017 para uma F1 mais competitiva, vem a ducha de água fria.

Nada de motores alternativos e mais baratos. O grupo estratégico vetou.

Pneus? A Pirelli falou que com testes apropriados consegue entregar pneus que podem tornar os carros mais rápidos em 4 segundos dentro das regras de 2017. Isso de imediato. Está pronta pra isso. Com as evoluções naturais de tecnologia e aprendizados de um programa de desenvolvimento, acreditam conseguir entregar 6 segundos por volta. Para isso duas condições precisam ser atendidas: (1) pedir (FIA) para fazer isso e (2) as equipes emprestarem carros para testes!

Parece simples, mas as equipes não se entendem em como organizar um carro de testes. Nem um protótipo adaptado, nada. Precisam chegar um acordo sobre isso. Poderiam, por exemplo, pedir pra Marussia adaptar um motor Mercedes no seu chassi, produzir asas com configurações básicas (como aquelas que usavam nas apresentações dos carros), e todas as equipes pagam a conta. Pronto. Ninguém leva vantagem e a fabricante de pneus pode fazer o trabalho dela em paz.

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Apesar de todas as mudanças de zebra em Interlagos que fizeram os tempos de volta de 2015 serem maiores que 2014, a volta mais rápida de Hamilton foi mais rápida que a de Webber em 2013 com um belo Renault V8. Mas a expectativa era de baixar esse tempo em relação a 2014.

Não vale só reclamar de Abu Dhabi, o circuito tem suas vantagens. Como é novinho em folha e nunca alteraram nadinha de nada entre as edições, podemos esperar uma melhora significativa dos tempos em relação a 2014.

Na Austrália a volta mais rápida em corrida foi 1.533s mais rápida que em 2014. Na Rússia, somente 0.825. Mas em Monza, a F1 de 2015 foi 1.332 segundos mais rápida.

Qual sua aposta para o último GP do ano?

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Se chover, além de bagunçar as estatísticas, é bom a gente repensar na nossa presença na Terra. Uma corrida com chuva no deserto das arábias é difícil de compreender.

Segundo as pesquisas de clima do Banco Mundial, de 1900 até 2012 a média de chuvas em todo o Emirados Árabes Unidos foi de 2.6mm durante todo o mês de novembro. No Brasil a média é de 154,7mm, pela mesma fonte. Em São Paulo estamos com 174 mm acumulados nesse mês.

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Toto Wolff deu a dica nas entrevistas. A única expectativa para essa corrida é uma briga entre seus dois pilotos para coroar a temporada perfeita com os dois títulos garantidos. Será? Está com aquela cara de anti-clímax (como foi Interlagos) e os dois carros batidos na primeira curva. É aguardar para ver.

A Ferrari está em clima de pré-temporada. Seu motor funcionou. Sua gasolina ajudou. O chassi é bom. James Allison botou o carro no rumo certo. Não se enganem, ele é o grande nome da equipe esse ano. Vettel vive seu conto de fadas, mas Kimi venceu nessa pista em um carro de Allison em 2012. Podemos esperar uma boa prova do finlandês.

A turma inglesa da Williams continua sua sina de equipe pequena. Desclassificada da corrida passada pelo erro na pressão do pneu de Massa, tenta repetir o sucesso da corrida de 2014. Em 2014 Massa liderou 14 voltas e terminava o ano na posição que a Ferrari ocupa em 2015: a segunda força. Mesmo assim o time tem esperanças de uma boa prova. Na disputa interna, Bottas leva 19 pontos de vantagem para Massa e parece ter selado a segunda temporada de superioridade sobre o companheiro.

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Não desanimem, a temporada 2016 começa na terça-feira. Testes agendados para Abu Dhabi, um carro por equipe, das 9 da manhã às 9 da noite, novos compostos para os pneus atuais e a estréia do pneu super macio roxo novinho em folha. Alguns novatos também devem aparecer. Vale acompanhar.

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Daniel Ricciardo jogou a pá de cal: o motor atualizado disponível no Brasil não significa nenhum avanço relevante. A unidade Renault de Abu Dhabi não será a atualizada, será a unidade utilizada no México. O carro é bom, Ricciardo tem 3 voltas mais rápidas na temporada, todas em circuitos travados (Mônaco, Hungria e Cingapura), e o kartódromo de Yas Marina pode trazer alguma vantagem para o time austríaco. Kyviat lidera a disputa interna por 10 pontos. Tudo aberto na casa dos touros.

Já a turma da Force India vive um momento curioso: altas expectativas para 2016 e nenhum desafio para essa prova. Tem o quinto lugar na tabela praticamente garantido e não sabe se haverá dinheiro para o ano que vem. Serão o time da Aston Martin? Serão Force India? Entre seus pilotos Perez tem tudo para prevalecer sobre o multi-badalado-campeão-da-24-horas-de-le-mans Nico.

Lotus e Toro Rosso, essas sim tem uma disputa para entreter a plateia. Só 9 pontos separam os times que lutam pelo fim da grade de pontuação nas corridas da temporada. São dois times similares: bons carros e pouco desenvolvimento durante o 2º semestre. Nada mais justo que estejam juntos nessa disputa. Deixando de lado as disputas internas, a mais interessante na tabela será entre Max e Romain, os dois empatados em pontos para essa corrida.

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Nem tudo é ruim, pessoal. Pelo menos nesse ano não teremos a pontuação dobrada.

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Na turma da bagunça, Sauber se junta a McLaren. Os dois times vão se arrastando pelo pelotão e agradecem todos os dias pela existência da Marussia/Manor por seus carros ocuparem a última posição. A Sauber ainda fez algo melhor que a desastrosa temporada de 2014, mas a Mclaren reza para não ser uma nova Sauber em 2016 e ter que se contentar só com melhorias relativas. Button e Alonso aproveitaram o ano para estreitar os laços de amizade, a diferença de pontos na tabela é irrelevante. Na Sauber é diferente, Nasr na tabela de pontos prevaleceu sobre seu companheiro. Missão cumprida para 2015, mas para 2016 precisa prevalecer em treinos com autoridade.

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Circuito: Yas Marina
Voltas: 55
Comprimento: 5.554 km
Distância: 305.355 km
Recorde da Pista: 1:40.279 – S Vettel (2009)

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Programação
Sexta-Feira: 07h – 1º treino livre e 11h – 2º treino livre
Sábado: 08h – 3º treino livre e 11h – Classificação
Domingo: 11h – Corrida

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O clima de ressaca da F1 é evidente. Esse clima pode nos proporcionar a chance de uma corrida de variáveis fora do controle das ordens de equipe.

É a aposta feita para uma corrida que nos empolgue e seja digna de coroação do tricampeão da categoria!

Boa corrida a todos, qual seu palpite?

Abraços, Flaviz Guerra – @flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

6 Comments

  1. Mauro Santana disse:

    Obrigado pelo retorno pessoal.

    E vamos torcer pra que a corrida pelo menos nos traga alguma empolgação.

    Abraço

    Mauro

  2. Fernando Marques disse:

    A minha opinião é bem parecida com a do Mauro.
    Ano passado o Felipe Massa ainda nos animou durante a corrida, mas neste ano só vejo um piloto capaz de trazer alguma emoção a prova. O nome dele: Kimi Raikkonen.
    Flavis,
    sinceramente não consigo me animar com as disputas que serão travadas lá atras do grid.
    No mais concordo em tudo com sua coluna, principalmente no que diz a um verdadeiro milagre acontecer e chover no Yes Marina. Com o dinheiro que eles tem, ano que vem teríamos uma pista coberta … e com ar condicionado …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

  3. Mauro Santana disse:

    Belo texto Flaviz!!

    Lembro que depois da final de 2010, fizeram um alarido total, consultando pilotos(acho que o Berger e o Di Grassi participaram) pra mudarem uma curva na tentativa de melhora pontos de ultrapassagem.

    Pelo visto, nada foi feito!?

    Pistinha muito mequetrefe, que pra mim é disparada a pior que já vi na F1.

    Torço pro Vettel e pro Riccardo vencerem está prova, mas seria muito top ver o Kimi vencer novamente.

    Abraço e ótimo final de temporada a todos.

    Mauro Santana
    Curitiba-Pr

    • Flaviz Guerra disse:

      Mauro,

      A informação oficial é que desde 2009 o circuito tem 5554 metros e o mesmo traçado, acredito que ficou só nas manchetes de jornal mesmo.

      Eu torço pro Bo77as nessa prova! 😉

      Abraços

    • Lucas dos Santos disse:

      Mauro,

      De fato essa mudança estava programada. Mas desistiram de fazê-la após o surgimento da asa móvel, que passou a permitir ultrapassagens no circuito, mesmo que artificiais.

      • Lucas dos Santos disse:

        Aliás, tudo nesse circuito é artificial: a paisagem, a pista, as áreas de escape e até o champagne do pódio! Logo, não é surpresa que as ultrapassagens também o sejam.

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