
Mais um campeão discreto para a nossa lista: o finlandês Keke Rosberg.
Seu único Mundial veio na temporada 82, marcada pelas mortes de Gilles Villeneuve e Riccardo Paletti e pelo acidente de Didier Pironi, que pôs fim a sua carreira na F1. Houve greve de pilotos no primeiro GP do ano e tentativas toscas por parte das equipes em burlar o regulamento técnico seguido por um rompimento entre elas.
Quando tudo voltou ao normal, viu-se um equilíbrio extraordinário entre os concorrentes: em dezesseis GPs, houve onze (onze!) vencedores em sete equipes diferentes. Keke venceu um único GP, o exótico GP da Suíça, disputado na pista francesa de Dijon-Prenois, sendo também a única vitória de sua equipe, a Williams, no ano.
Na carreira toda, Keke largou em 114 GPs, conseguindo cinco vitórias, cinco poles e três voltas mais rápidas. Resultados discretos, mas seu sangue frio e coragem tornaram-se legendárias.
Os primeiros passos na F1 foram uma grande bagunça. Estreou em 78 e nesta e na temporada seguinte, passou por três equipes, pilotando nove carros. Mas vamos ver isso com um pouco mais de detalhes.
1978

Keke estreia no GP da África do Sul correndo com um Theodore TR1 (foto acima).
Salta alguns GPs e retorna por três corridas ao volante de um ATS HS1 (foto abaixo), faz mais três GPs pela sua equipe de estreia, agora pilotando um Wolf WR3 em duas delas e um modelo WR4 – e ai de novo com um ATS D1 por mais dois GPs.

Seu melhor resultado? Um 10º no GP da Alemanha, com o WR3 (foto abaixo).

1979
Keke se fixa na equipe Wolf. Larga em sete GPs, a partir do GP da França, usando quatro modelos diferentes: WR 7 (um GP, na foto que abre esta coluna), WR8 (três, foto abaixo), WR9 (dois) e WR8/9 (um).

Melhor resultado no ano: 9º na França. Nos demais GPs, só abandonos.
1980
Mesmo com tantos problemas, as virtudes de Keke falam mais alto e ele assina com a Fittipaldi, dividindo a equipe com Emerson, em seu último ano na F1.

A estreia de Keke não poderia ser mais auspiciosa: 3º na Argentina, pilotando o modelo F7. Na sequência, sete GPs sem pontuar até o GP da Itália, o único disputado em Ímola, onde ele termina em 5º, já ao volante do modelo F8 (foto acima). No final da temporada, Keke termina com seis pontos, uma mais do que Emerson.
1981
Keke segue na Fittipaldi, ao lado do estreante Chico Serra. Usa o modelo F8C (foto abaixo), abandonando ou não pontuando em todos os GPs que disputou, mesmo destino do companheiro de equipe.

1982
E mesmo assim Keke é contratado pela Williams, bicampeã de construtores nas temporadas anteriores.
Empurrado por um motor Cosworth, Keke correria ao lado de Carlos Reutemann, mas o argentino abandona a equipe depois de terminar em 2º o primeiro GP do ano, na África do Sul; Keke terminou em 5º.
O GP seguinte, em Jacarepaguá, tem uma disputa eletrizante entre ele e Nelson Piquet. O brasileiro vence, mas ambos são desclassificados por irregularidades em seus carros, pondo fogo na briga entre as equipes, que terá seu ponto alto em Ímola, do qual as equipes inglesas simplesmente se recusam a participar. As coisas se acertam no GP seguinte, na Bélgica, que Keke termina em 2º, mesmo resultado do GP anterior a Ímola, em Long Beach, e da Áustria, no qual o finlandês terminou cinco centésimos atrás do vencedor, Elio De Angelis.

Além da vitória em Dijon, Keke marca mais dois 3ºs, totalizando 44 pontos, cinco a mais que Pironi e John Watson.
A Williams terminaria o Mundial de Construtores apenas em 4º, superada por Ferrari, McLaren e Renault.
Keke pilota o modelo FW07C (foto mais acima) nos três primeiros GPs do ano e o FW08 (foto abaixo) nos demais,

1983

Keke volta a ter uma temporada pouco competitiva, terminando em 5º entre os pilotos, vencendo em Mônaco e chegando em 2º em Detroit ao volante do Williams FW08C Cosworth (foto acima).
No GP final, na África do Sul, estreia o modelo FW09 (foto abaixo) equipado com o motor Honda turbo. Keke termina a prova em 5º.

1984
A Williams amassa muito barro na temporada, afinando os motores Honda. Em 16 GPs, são 23 abandonos, somando os resultados de Keke e seu companheiro, Jacques Laffite.
Mas há também o que comemorar: vitória em Dallas e um 2º em Jacarepaguá, ambos com Keke o que, combinado a outros resultados, dá a ele o 8º lugar entre os pilotos, com 20,5 pontos somados, ante 5 de Laffite.
Os modelos usados ao longo do ano são o FW09 e FW09B (foto abaixo).

1985
A evolução dos Williams, agora com o modelo FW10 (foto abaixo), e os motores Honda dá um salto. São quatro vitórias no ano, duas de Keke, Detroit e Austrália (além de mais três pódios), duas de Nigel Mansell.

Foi nessa temporada, em Silverstone, que Keke marcou uma das poles mais impressionantes da história da categoria, a uma média de 259 km/h, recorde até então. Estima-se que seu motor Honda, com especificação de classificação, chegava 1.200 cavalos de potência. Incrível: caíram algumas gotas de chuva durante a volta e descobriu-se, nos boxes, que um de seus pneus estava furado!
1986
Piquet assume o lugar de Keke na Williams e o finlandês vai pra McLaren, correr ao lado de Alain Prost, aceitando sem dramas secundar o então campeão.

Com o modelo MP4/2C (foto acima), Keke termina a temporada em 6º, com 22 pontos, 50 a menos que o companheiro de equipe.
Ele dá adeus à F1 no fantástico, em vários sentidos, GP da Austrália, prova que liderou por mais da metade das voltas, até que seus pneus se desfizeram em tiras. Da borda da pista, ele viu Prost chegar a seu segundo título.
Bom final de semana a todos
Edu
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