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Olá, amigos!

Com as recentes notícias de que alguns ex-pilotos de F1 irão competir na NASCAR em 2022, fui atrás de mais informações históricas sobre acontecimentos onde pilotos da maior categoria do automobilismo resolveram arriscar sua sorte na NASCAR. Na coluna de hoje vamos relembrar os sucessos (e insucessos) de pilotos que participaram de ambas as categorias, seja em participações especiais ou correndo a temporada completa. Campeões estão na lista, assim como pilotos de pouco destaque. Ao revisitar a história tirei uma conclusão bastante simples: os bichos são muito diferentes e o sucesso em uma categoria não garante os bons resultados na outra. Temos exceções, claro, mas esses costumam ser pilotos que conseguem acelerar até um patinete e fazer tempo bom.

Talvez o piloto que mais tenha conseguido bons resultados na F1 e na NASCAR tenha sido Juan Pablo Montoya. O colombiano ficou famoso ao fazer ultrapassagens históricas em cima do então soberano Michael Schumacher, na época em que a Ferrari dominou a principal categoria do automobilismo mundial. Depois de conseguir sete vitórias e treze pole positions na F1, Montoya partiu para a NASCAR onde atingiu o número de duas vitórias (ambas em circuito misto), nove pole positions e cinquenta e nove Top10s. Não foi uma carreira brilhante na NASCAR, mas devemos lembrar que sua equipe também não era uma das melhores do grid. Vale lembrar também que Montoya tem duas vitórias na Indy 500s, uma antes e outra depois de correr na NASCAR, e venceu as 24 horas de Daytona.

Nelson Piquet Jr., o Nelsinho, foi outro piloto que disputou as duas categorias destacadas.  Não se pode dizer que obteve sucesso na F1, já que conseguiu apenas um pódio andando pela equipe Renault. Obviamente sua carreira na F1 ficou mais marcada pelo escândalo da batida de propósito, mas vamos deixar esse assunto para outro momento. Na NASCAR, Nelsinho participou de cinquenta e quatro corridas na Truck Series, conseguindo duas vitórias. O piloto fez trinta e oito corridas na Xfinity, tendo conseguido uma vitória e uma pole position. Na categoria principal da NASCAR, participou de apenas uma corrida, chegando na vigésima sexta posição.

Outro filho de piloto que se aventurou em diversas categorias foi o canadense Jacques Villeneuve. Campeão da Indy (Champ car), vencedor das 500 milhas de Indianapolis, campeão da F1 com onze vitórias e treze pole positions, um segundo lugar nas 24 horas de Le Mans, Villeneuve correu nas três categorias da NASCAR. Foram sete corridas na Truck, nove na Xfinity e cinco na Cup. Seu melhor resultado foi uma pole position na Xfinity. Sua última prova disputada na Cup foi a Daytona 500 deste ano, onde amargou apenas a vigésima segunda colocação.

O piloto Innes Ireland correu na F1 no fim da década de 50, até meados da década seguinte. Em seu retrospecto possui uma vitória, quatro pódios e nenhuma pole position. O piloto inglês participou de uma Daytona 500 após convite de Bill France, tendo se classificado na honrosa décima posição, mas seu motor estourou durante a prova.

O americano Scott Speed, que disputou duas temporadas na F1, sem conseguir nenhum resultado digno de nota. Na NASCAR seu melhor resultado foi uma vitória na Truck Series, mesmo tendo participado das três categorias. Foram seis anos na Cup Series, mas o máximo que conseguiu foram quatro Top 10s.

Christian Fittipaldi, o famoso sobrinho do grande campeão Emerson, fez uma carreira muito discreta na F1, tendo participado de quarenta provas e apenas doze pontos. Após deixar a principal categoria do automobilismo, Christian seguiu os passos do tio e foi para a Indy, onde conseguiu vencer duas vezes e ter duas poles nos oito anos em que participou da categoria. Ao partir para a NASCAR, Christian nunca disputou um campeonato inteiro e seu melhor resultado foi uma vigésima quarta colocação em 2003.

O bicampeão Jim Clark, com suas vinte e cinco vitórias, trinta e três poles e trinta e dois pódios também participou de uma prova na NASCAR, mas seu motor estourou quando ele estava em décimo terceiro na prova.

O piloto americano Dan Gurney foi um dos que teve êxito em diversas categorias. Participando da F1 nos anos 50 e 60, Gurney foi vencedor de quatro corridas e obteve três pole positions. Vencedor das 24 horas de Le Mans (2x) e tendo disputado as 500 milhas de Indianapolis, tendo conseguido dois segundos lugares, o piloto americano obteve excelente desempenho na NASCAR, vencendo por cinco vezes e conseguindo três poles.

O grande Mario Andretti dispensa comentários. Doze vitórias na F1, dezoito pole positions, o título de 1978, vitória na Indy 500 de 1969, campeão na Indy, segundo lugar nas 24 horas de Le Mans e uma vitória na maior corrida da NASCAR, Daytona 500 em 1967. Um dos maiores vencedores em categorias distintas, Andretti é um dos poucos que conseguia se adaptar a carros e pistas tão distintas.

Kimi Raikkonen fez algumas provas nas categorias de acesso da NASCAR. O campeão de 2007 da F1 se aposentou da F1 no ano passado, finalizando sua carreira com vinte e uma vitórias, dezoito pole positions e cento e três pódios. Em seu primeiro afastamento da categoria, Raikkonen fez duas provas na NASCAR, uma na Truck Series e outra na Xfinity. Seus resultados foram uma décima quinta e uma vigésima sete posição, respectivamente. Para surpresa de todos, algumas semanas atrás foi anunciado que Kimi vai disputar uma prova na Cup Series, no circuito misto de Watkins Glen. Vamos ver como o veterano se sai dessa vez.

Outro piloto que vai correr na NASCAR esse ano e tem um histórico na F1 é o brasileiro Tarso Marques. Piloto com passagens pela Indy e Stock Car, Tarso nunca teve um resultado significativo em nenhuma das categorias. Esse ano deverá participar de algumas provas na Cup Series. Vamos ver o que o tempo reserva para o piloto brasileiro.

Como menção honrosa, outros pilotos fizeram testes ou voltas de demonstração na NASCAR, em campanhas publicitárias: Jarno Trulli, Mika Salo, Daniel Ricciardo, Fernando Alonso, Kevin Magnussen, Grosjean e Lewis Hamilton. A felicidade em pilotar os carros da categoria sempre se faz presente naqueles que tiveram a oportunidade. Basta procurar na internet os vídeos de Hamilton, Alonso e Ricciardo e conferir.

Uma mudança de categoria nunca é fácil, principalmente quando são carros tão distintos. Peso, estrutura, visão dentro do carro, capacidade de frenagem, pneus, sensibilidade, tudo é muito diferente. Bastante louvável a busca por conhecer e guiar diversos tipos de carro, mas a história provou que nem todos são capazes de entregar resultado em carros diferentes.

Grande abraço!

Rafael Mansano

Rafael Mansano
Rafael Mansano
Viciado em F1 desde pequeno, piloto de kart amador e torcedor de pilotos excepcionais.

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