Número 23

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22/09/2020
Tempos superficiais
28/09/2020

Olá amigos!

Essa semana foi anunciado que um grande nome do esporte vai estar (ainda mais) envolvido com a Nascar. Nada mais nada menos que Michael Jordan, um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos, decidiu investir suas fichas e se tornar dono de uma equipe na categoria principal. Mas o que faria Jordan investir em um esporte no qual não tem experiência? Qual seria a relação dele com as corridas? Existe chance de sucesso para o novo time? Quem vai ser o piloto? Essas perguntas devem estar sendo feitas por muitos, algumas delas já com resposta. Vamos aos fatos, então.

Michael Jordan é uma figura que dispensa qualquer apresentação, provavelmente um dos atletas mais conhecidos na história. Mas, se ainda sim você não é tão familiarizado com o basquete e quer saber um pouco mais sobre sua carreira, recomendo que assista ao documentário “The Last Dance”, traduzido para o português como “Arremesso Final”, na Netflix. Para resumir, Jordan foi seis vezes campeão pelo Chicago Bulls, tendo vencido três títulos seguidos em sua primeira passagem pelo time e outros três seguidas no segundo momento de sua carreira. Para muitos, Jordan é o melhor jogador de todos os tempos (nosso colunista e amigo Marcel Pilatti deve discordar), uma espécie de Pelé das quadras.

Mas de que forma esse grande campeão está relacionado com as corridas da Nascar? Em princípio, Jordan declarou algumas vezes ser fã de corridas desde criança, tendo acompanhado pilotos como Dale Earnhardt, Richard Petty, Cale Yarborough e muitos outros. Só pelos nomes citados, dá para entender que Jordan sabe do que está falando. Ele comentou que seus pais levavam a família para ver corridas sempre que podiam.

Há pouco mais de dez anos, Jordan conheceu o piloto Denny Hamlin, da equipe Joe Gibbs, em um jogo de basquete do time que gerencia, na época chamado de Charlotte Bobcats.  Os dois se tornaram grandes amigos, jogando golfe juntos, e até mesmo com Jordan levando toda sua família para torcer por Hamlin nas corridas.

O tempo foi passando e a amizade foi crescendo até o ponto de virar uma parceira de negócios. Hamlin se tornou o primeiro piloto a ser patrocinado pela marca de Jordan, carregando em suas luvas a imagem icônica de enterrada de Jordan. Essa história já aconteceu diversas vezes no esporte. Marcas começam patrocinando alguns pilotos e com o tempo vão aumentando seu investimento e ganhando maior presença. Aconteceu com a Red Bull na F1 e na própria Nascar, com a Monster Energy patrocinando alguns pilotos e depois se tornando o patrocinador principal da categoria.

Apesar de precedente histórico, aqui temos um caso ligeiramente diferente. Jordan sempre foi um competidor nato, não gostava de perder em nada. Basta ver no documentário mencionado acima ele apostando com seus seguranças em um jogo de arremesso de moedas. O ponto é que como jogador, seu sucesso é indiscutível, mas quando se tornou dirigente a história não se repetiu. Muitos dizem que isso aconteceu pois ninguém falava não para Jordan. Com seu histórico e posição de dono, qualquer decisão ou atitude dele era acatada, e todos sabemos que opiniões diversas são necessárias para evolução e sucesso em qualquer carreira. As diferenças permitem que se apreenda e evolua, algo que não aconteceu no time de Jordan.

O ponto chave para essa nova empreitada, e que pode fazer toda a diferença em relação ao insucesso de seu time de basquete, está em seu sócio minoritário na equipe, obviamente o piloto Denny Hamlin, sua escolha como primeiro piloto endorser da marca Jordan e seu amigo. Hamlin é agora um piloto experiente, vencedor de quarenta e três provas na categoria principal, dentre elas três Daytona 500.

Denny Hamlin não será o piloto do carro, apenas um dos donos, mas pode prover toda sua experiência e conseguir bons patrocínios para o time, apoiando Jordan em um campo que não é de seu domínio. Ainda não foi divulgado o número do carro, mas todos acreditam no óbvio, deve ser o 23 em alusão ao número usado por Jordan durante quase toda sua carreira. Não foi declarado também qual será a montadora por trás do time, mas a maior candidata é a Toyota, já que Hamlin é piloto da marca a mais de dez anos.

Falei de Jordan, Hamlin, do carro, da montadora, mas e o piloto? A escolha é óbvia, segundo o próprio Denny Hamlin: Bubba Wallace. O agora ex-piloto da equipe de Richard Petty está na categoria principal desde 2017, portanto não é necessariamente um novato, apesar de ter apenas vinte e seis anos. Sua carreira não é feita de excelentes resultados, sendo que o piloto não foi campeão em nenhuma categoria de acesso. Sua fase de maior sucesso aconteceu na Truck Series, tendo conquistado seis vitórias em quarenta e oito corridas. Na Xfinity, Bubba conseguiu trinta e cinco Top10 e duas poles. Na categoria principal da Nascar, a Cup, o piloto do carro número 43 possui nove Top10, nenhuma vitória e nenhuma pole em 105 provas. Seus melhores resultados são um segundo lugar na Daytona 500 de 2018 e um terceiro na Brickyard 400, em Indianápolis, no ano de 2019.

Em 2020, Bubba foi a voz principal por um movimento de igualdade racial na Nascar, conseguindo mudanças representativas e o apoio de grande parte da comunidade automobilística. Lewis Hamilton foi um dos apoiadores de Bubba. A Nascar sempre foi um esporte com histórico de pouca diversidade, tendo apenas alguns casos de donos de equipe negros. Jordan, Hamlin e Bubba estão aqui para mudar essa história e tentar conscientizar o público sobre a importância da diversidade e inclusão. Torcemos para que tenham sucesso e cada vez mais a gente caminhe para um mundo sem divisões e classificações desnecessárias.

Entramos nos playoffs e já percorremos a primeira fase de eliminação no campeonato. Entre os dezesseis classificados para disputar o título, forma eliminados Cole Custer, William Byron, Ryan Blaney e Matt Dibenedetto. A corrida de Bristol foi vencida por Kevin Harvick, sua nova vitória no ano, seguido de perto por Kyle Busch, que buscava sua primeira no ano e Erik Jones.

A próxima corrida será em Las Vegas, a terra das apostas. Restam apenas doze pilotos na disputa pelo título e a disputa parece estar entre Harvick e Hamlin, os maiores vencedores no ano. Kaselowski segue na busca e parece ser o único com alguma chance de derrubar os dois à sua frente. Para você, fã da categoria, qual a aposta certa para o título desse conturbado ano?

Grande abraço

Rafael Mansano

 

Rafael Mansano
Rafael Mansano
Viciado em F1 desde pequeno, piloto de kart amador e torcedor de pilotos excepcionais.

2 Comments

  1. Marcelo Souza disse:

    Com certeza o título da Cup este ano ficará nas mãos de Kevin Harvick! Ele está fazendo uma temporada impecável!

  2. Flaviz disse:

    Obviamente, vai dar Chase Elliot na final!

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