O orçamento da Fórmula 1

WITH A LITTLE HELP FROM OUR FRIENDS
03/02/2003
“Que tal um treino de F1 assim?”
19/03/2003

Começo com uma excelente notícia para nossos leitores. A partir da próxima quarta-feira, GPTotal ganha um novo colunista, o jornalista Luis Fernando Ramos, o Ico.

Morando atualmente em Viena, Luis Fernando trabalhou no Jornal da Tarde, cobrindo Fórmula 1, CART e Motovelocidade. Foi o pesquisador de textos e imagens do livro “História do Automobilismo Brasileiro” e é o coordenador editorial do Anuário AutoMotor Esporte, ambas publicações de Reginaldo Leme.

As colunas do Ico aparecerão no GPTotal quarta-feira sim, quarta-feira não. Ele vai começar traçando alguns paralelos entre ralis e Fórmula 1.

Se fosse você, eu não as perderia por nada…

+++

A edição de março de F1 Racing traz um artigo onde o veterano jornalista Alan Henry proclama ter levantando todos os custos da Fórmula 1, item por item, equipe por equipe. Dá, devidamente convertidos para reais, ao câmbio de sexta-feira, R$ 7,3 bilhões ou US$ 2,1 bilhões. Por uma questão de escrúpulos, pouparei o leitor de comparações do tipo ”dava para comprar tantos fuscas com este dinheiro”.

Henry dividiu este bolo de dinheiro da seguinte forma:

– Pesquisa e desenvolvimento dos carros: R$ 590 milhões
– Custos de operação dos túneis de vento: R$ 320 milhões
– Custos de construção dos carros R$ 65,6 milhões
– Desenvolvimento e fabricação de motores; 3,1 bilhões
– Viagens e hospedagens: R$ 295 milhões
– Despesas com testes: R$ 890 milhões
– Despesas com corridas: R$ 639 milhões
– Salários da equipe: R$ 664 milhões
– Salários dos pilotos: R$ 450 milhões
– Relações públicas/paddock: R$ 214 milhões

Henry levantou estes dados a partir de numerosas entrevistas e indiscrições equipe a equipe, de forma que divulgou também o orçamento de cada uma delas. A campeão de gastos, adivinhe, é vermelha:

Ferrari: R$ 1,5 bilhão
BMW-Williams: R$ 1,2 bilhão
McLaren-Mercedes: R$ 1 bilhão
Toyota: R$ 990 milhões
Bar-Honda: R$ 767 milhões
Renault: R$ 705 milhões
Sauber-Petronas: R$ 407 milhões
Jordan-Ford: R$ 270 milhões
Jaguar-Cosworth: R$ 268 milhões
Minardi-Cosworth: R$ 135 milhões

A Ferrari lidera gastos em todos os itens menos Pesquisa e desenvolvimento dos carros, Desenvolvimento e fabricação de motores e Relações públicas/paddock – os dois últimos itens liderados pela BMW-Williams, que convida entre 150 e 200 felizardos para desfrutar do conforto do Paddock Club durante o final de semana de GP. Em tempo: o monopólio da exploração dos paddocks de todos os autódromos da temporada está nas mãos de uma empresa que tem como sócio um certo Bernie Ecclestone.

A Ferrari “decepciona” no orçamento de Pesquisa e desenvolvimento, onde aparece apenas em 4º lugar, atrás de BMW-Williams, Toyota e da líder McLaren, que investe R$ 120 milhões, ante R$ 68 milhões da Ferrari. Como termos de comparação, a Minardi investe banais R$ 682 mil. Uma explicação para a timidez da Ferrari neste item do orçamento pode ser a construção de um novo túnel de vento (creio que o terceiro da equipe), orçado em mais de R$ 110 milhões.

Em compensação, a Ferrari torra dinheiro no item Despesas comtestes. São R$ 300 milhões ante pouco mais de R$ 160 milhões da BMW-Williams, segunda no ranking (e R$ 12 milhões da Minardi). E sabe quem foi o piloto que mais rodou com um Fórmula 1 no ano passado? Marc Gené, o piloto de testes da Williams. Certamente ele repetirá o feito este ano.

Ferrari também gasta (ou investe) consideravelmente mais com salários da equipe (R$ 140 milhões) e dos pilotos (R$ 120 milhões para Schumacher e R$ 30 milhões para Rubinho por ano).

+++

Alan Henry não perde a oportunidade de fazer algumas comparações com o passado. Lembra, por exemplo, que Frank Williams, ao estrear na Fórmula 1 em 1969, correndo com um Brabham de segunda mão, gastou durante o ano US$ 75 mil. Dez anos mais tarde, quando venceu seu primeiro GP, Williams já contabilizava gastos anuais na faixa de US$ 800 mil. Agora, são US$ 350 milhões ao ano, um milhão a mais, um milhão a menos.

+++

De posse destes números, você e nossos leitores poderão ser divertir imaginando regras capazes de derrubar custos na Fórmula 1 e compará-las com as sugeridas por Max Mosley.

Grande abraço a todos

Eduardo Correa

Eduardo Correa
Eduardo Correa
Jornalista, autor do livro "Fórmula 1, Pela Glória e Pela Pátria", acompanha a categoria desde 1968

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *