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Comecei o ano analisando brevemente as cinco equipes que melhor se apresentaram na primeira corrida do ano, no Bahrein. Passadas mais duas etapas (Arábia Saudita e Austrália), o momento é de reservar algumas linhas para as outras cinco equipes – ou, como dizem os velhos como eu, vamos ver o “Lado B”.

Alpine (A523)

É uma equipe que me incomoda há algum tempo. Parece carecer desesperadamente do olho de tigre. Apresentam-se desprovidos de fome, sem ambição, como se estivessem satisfeitos com a atual posição. E é preciso bater na tecla de que se trata de um time de fábrica e que não parece usar esse status a seu favor.

Usa o próprio powertrain Renault, que aparentemente nenhum outro time quer – sim, são os únicos a não terem clientes!

A própria mudança de nome e cores em 2021, do amarelo Renault para o azul-metálico Alpine, parecia ter sido concebida justamente para dar um salto de força, mas que em nada adiantou na prática. Pois continuo a achar que o nome Renault é muito mais significativo para a F1 e que a mudança foi um erro.

Na pré-temporada, a Alpine foi a única a não bater o próprio tempo, o que acende um alerta óbvio, pois não há, nesse caso, o que “esconder” de performance. De fato, até agora, nada aponta mais do que serem, novamente, figurantes que preenchem o grid. O novo carro parece funcionar apenas quando está em configuração de pouca asa (low-drag), tendo como ponto forte as velocidades em reta – característica compartilhada com as duas equipes a seguir.

Williams (FW45)

Mesmo ainda figurando na segunda metade do grid, a Williams pode entrar na lista de surpresas positivas desde o começo da temporada. Não era difícil prever a equipe mais uma vez fechando o grid, mas não foi isso que vimos por enquanto. Houve clara evolução, a ponto de ser várias vezes o segundo carro que mais evoluiu de um ano pro outro, apenas atrás, claro, da Aston Martin. Alexander Albon chegou a andar em um lindo sexto lugar até exagerar e bater na Austrália.

Claro que foi falha do piloto, mas o carro parece ser um dos mais difíceis de pilotar. É outro chassi que também funciona bem em low-drag, o que faz andar bastante em retas, mas reduz o poder de contorno de curvas e principalmente de tração. E a Williams é um dos carros que menos com menor velocidade em curva e o que menos deixa o piloto acelerar: seu percentual de aceleração plena por volta normalmente é o pior do grid, sendo a Aston Martin o melhor carro neste quesito.

Haas (VF-23)

Dona de um carro muito bem nascido ano passado, e que foi decaindo ao longo da temporada, a Haas desta vez não conseguiu repetir o bom carro apresentado em 2022. A parte positiva é a de estar em pé de igualdade com vários times do pelotão intermediário, sempre com chance de beliscar alguns pontos.

Também é dona de um carro que funciona melhor em low-drag, porém mais “manso” que a Williams. O fato de contarem com dois pilotos experientes, Kevin Magnussen e Nico Hülkenberg, pode ser um ponto positivo para manter o carro evoluindo durante o ano, coisa que a Haas nunca conseguiu executar da melhor forma.

Alpha Tauri (AT04)

Sendo irmã menor do time que está dominando a F1, a Alpha Tauri é uma grande decepção neste começo de ano. Parece precisar desesperadamente de uma injeção-de-qualquer-coisa. O carro não é bem nascido, o diretor Franz Tost disse que não confia mais nos engenheiros (e não foi em tom de brincadeira, como eu inicialmente achei que era), enquanto os pilotos também não conseguem entregar performance. Nyck de Vries claramente precisa de mais milhagem, enquanto Yuki Tsunoda dá mostras que é apenas mais uma aposta do programa de pilotos Red Bull que não vai gerar frutos.

McLaren (MCL60)

Eis a mãe de todas as decepções. Para quem brigou ano passado pelo quarto lugar, apresentar o carro de pior ritmo e pior confiabilidade na primeira etapa do ano foi duro de engolir – tudo isso embalado por um visual que é, no mínimo, questionável quanto a gosto.

O desempenho constrangedor da McLaren no Bahrein, segundo o próprio time, está relacionado a uma distância de apenas 15 milímetros, mas que representou uma enorme perda de performance. Pois essa distância é justamente o quanto os carros tiveram que ser elevados para cumprir o regulamento deste ano, feito para evitar o Porpoising – a tal quicada dos carros no chão em plena reta.

A McLaren foi a equipe mais impactada por essa elevação, tendo que mudar radicalmente a filosofia de design do carro novo ainda em setembro do ano passado. Só que a curva de aprendizado dos novos fluxos aerodinâmicos passou longe da ideal e eles só se deram conta da performance sofrível na pré-temporada, sem chances de melhorar o carro a curto prazo.

Junte-se a isso uma pane elétrica que limou o estreante Oscar Piastri com apenas 13 voltas de prova e um problema hidráulico que arruinou qualquer chance de Lando Norris. Ele teve que ficar andando em “modo teste”, pois a corrida já tinha sido comprometida por um total de seis paradas nos boxes, entre consertos e checagens.

A McLaren, no entanto, está se mexendo. Dispensou o projetista líder James Key e está freneticamente trabalhando em atualizações que vão transformar o carro em uma versão B até a etapa do Azerbaijão.

O fato de terem conseguido terminar nos pontos na Austrália (Norris P6, Piastri P8) foi bastante circunstancial. A tendência, no entanto, é assistirmos uma evolução do time ao longo do ano, mas sem retomar aquele quarto posto conseguido em 2022. Não é, definitivamente, a temporada que queriam para homenagear os 60 anos de fundação da equipe.

Abração!

 

Lucas Giavoni

Lucas Giavoni
Lucas Giavoni
Mestre em Comunicação e Cultura, é jornalista e pesquisador acadêmico do esporte a motor. É entusiasta da Era Turbo da F1, da Indy 500 e de Le Mans.

2 Comments

  1. Binance disse:

    Can you be more specific about the content of your article? After reading it, I still have some doubts. Hope you can help me.

  2. Fernando Marques disse:

    Lucas,

    a Formula 1 é hoje em dia um disco com tres lados (se isso for possivel).
    Lado A – RBR
    Lado B – Aston Martin, Ferrari, Mercedes
    Lado C – Alfa Romeu, Alpine, Haas, Willians, Alpha Tauri e Mclaren

    Complicado vai ser no final do ano o Sergio Peres não faturar o vice-campeonato. Aí vai ficar feio.


    Só mudando um pouco de assunto, me parece que o dominio da Ducati na Moto GP vai ser gritante.
    Honda, Yamaha, KTM, Suzuki e parecem muito longe em termos desempenho.

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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