Quem precisa de um vilão?

Nova ordem mundial
21/03/2022
Déjà vù
28/03/2022

Olá, amigos!

Após as primeiras etapas do campeonato com a estreia dos novos carros da categoria, acompanhei postagens e comentários durante as corridas sobre alguns pilotos e as preferências da torcida. Há anos uns dos “violões” da categoria é o piloto do carro 18, Kyle Busch, da equipe Gibbs. Mas por que os pilotos são escolhidos como vilões? Após anos assistindo corridas, dá para pinçar alguns nomes na mente: Michael Schumacher (chamado até de Dick Vigarista), Alonso, Hamilton, Prost, Kurt Busch, Kevin Harvick, Mark Marquez, Jorge Lorenzo e muitos outros.

Os motivos costumam variar para chamar algum piloto de vilão. Em alguns momentos acontece por um piloto ganhar demais, como é o caso de Schumacher (mas não só por isso), Marquez e Hamilton. Outros porque causam problemas ou são envolvidos em polêmicas fora das pistas, como Alonso, Prost e Jorge Lorenzo. Porém, muitos se tornam vilões dentro das pistas, como Kyle Busch.

Kyle é um piloto vencedor, sem dúvida, e seu recorde fala por si. Campeão da Xfinity em 2009, o maior vencedor da categoria com 102 vitórias, o maior vencedor da Truck Series com 61 vitórias, dois títulos na categoria principal (2015 e 2019) com 59 vitórias, o único piloto a ter vencido em todas as pistas da NASCAR e com o incrível recorde de ter vencido corridas por dezessete anos consecutivos. Os números são impressionantes e invejáveis para vários pilotos da categoria, mas ainda sim Kyle é um dos pilotos mais odiados pela torcida.

Kyle se encaixa na prateleira de vilões que ganham demais? Definitivamente, não. Em seu tempo, Kyle perderia essa disputa para Jeff Gordon e Jimmie Johnson. Talvez ele se encaixe eu duas outras prateleiras de vilões: os que tiveram problemas com outros pilotos nas pistas e os que são envolvidos em polêmicas fora delas.

Muitos dizem que existe uma data precisa de quando Kyle Busch virou um vilão. No ano de 2008, Kyle deixou a Hendrick Motorsports e partiu para a Gibbs. Em seu lugar, a equipe contratou Dale Earnhardt Jr. Na corrida de Richmond, faltando apenas 5 voltas, Dale estava liderando com Kyle em segundo. À época, Kyle já havia ganhado duas corridas e liderava o campeonato, enquanto Dale Jr. estava há dois anos sem conseguir uma vitória. Com três voltas para o fim, Kyle colocou seu carro na parte de dentro na curva três, mas escorregou e rodou o carro de Jr., fazendo o piloto rodar e bater no muro.

Não havia animosidade declarada entre os pilotos, apesar de Dale Jr. ter feito Kyle rodar em ocasião anterior. O problema principal é que Dale Jr. era disparado o piloto mais popular da categoria, especialmente após a morte de seu pai, o sete vezes campeão Dale Earnhardt. A partir desse dia Kyle passou a ser odiado por muitos fãs.

Mas não se engane, esse não foi o único caso em que Kyle Busch se envolveu em acidentes com outros pilotos, sua fama não pode ser considerada “injusta”. Durante sua carreira, Busch teve diversos desafetos, um dos maiores deles, Brad Kaselowski. Esse também não é nenhum santo, por sinal.

Kyle é um piloto que não aceita perder, especialmente em um fim de semana em que seu carro é competitivo. Além de demonstrar seu descontentamento na pista, muitas vezes retirando o piloto que o prejudicou de forma intencional, o piloto do carro 18 também não pouco esforços nas entrevistas para deixar claro que está insatisfeito.

Aqui está um vídeo com as melhores entrevistas de Kyle Busch:

 

Kyle sem dúvida tem sua parcela de responsabilidade em ter se tornado um vilão da categoria. Mas aparentemente ele nunca se importou com isso, simplesmente entra no carro e acelera para vencer. Incrivelmente o principal patrocinador do carro 18 por muitos anos foi o chocolate M&M, o que faz com que muitas crianças tenham afeição pelo carro. Talvez isso não tenha ajudado muito para os fãs em geral.

Em diversas categorias, por diversos momentos, os fãs sempre escolhem um vilão para torcer contra. A postura do piloto pode alimentar isso, como é o caso de Kyle, mas uma vez que ele recebe esse rótulo, vai ser bem difícil tirá-lo. Certamente isso traz um tempero a mais para as corridas, e é algo que os promotores devem até desejar. Mais drama sempre atrai mais público e corridas mais tensas. Prato cheio para mais emoção.

O vilão é necessário em todo tipo de história, e nas corridas esse personagem também acrescenta ao espetáculo, principalmente se esse vilão é do mesmo calibre de Kyle Busch. Um vilão figurante, andando no fim do pelotão, não faria muita diferença.

Enquanto no campeonato chegamos à primeira etapa mista do campeonato, no Circuito das Américas. Nas cinco primeiras corridas tivemos três vitórias de carros da Hendrick, com Larson, Bowman e Byron. O campeão de 2020, Chase Elliott é o único da equipe que ainda não venceu, mas isso pode acabar neste fim de semana. Elliott é o piloto em atividade com mais vitórias em circuitos mistos, tendo vencido sete provas até então. Se vencer a corrida no Texas ele ficará em segundo na lista de maiores vencedores da categoria, empatado com Tony Stewart e atrás de Jeff Gordon, que possui nove vitórias. Aparentemente a Hendrick continua dominando, como fez no ano passado. E é com isso que Chase Elliott conta.

No campeonato já tivemos cinco vencedores diferentes, entre eles dois pilotos que conquistaram suas primeiras vitórias na categoria principal da NASCAR. Mesmo sem vitória, Elliot é o líder em pontos, seguido de Logano, Briscoe, Byron, Kurt Busch, Blaney, Almirola, Truex Jr., Bowman e Ross Chastain, que vem fazendo um campeonato muito bom. Kyle Busch é o décimo primeiro no campeonato e ainda busca uma vitória no ano. Será que ele vencerá por dezoito anos consecutivos? Veremos nas próximas provas.

Abraço!

Rafael Mansano

 

Rafael Mansano
Rafael Mansano
Viciado em F1 desde pequeno, piloto de kart amador e torcedor de pilotos excepcionais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *