Penúltimo capítulo

Caos
07/11/2014
Aceita que dói menos
12/11/2014

Pelo bem do campeonato, o melhor cenário para o GP do Brasil era uma vitória de Nico Rosberg. O GP de Abu Dhabi, daqui a duas semanas, será histórico.

GPs do Brasil, apesar dos desafios únicos de Interlagos, costumam ser monótonos quando não chove: nas últimas 6 edições, somente a de 2012 teve uma corrida movimentada, com variações e imprevisibilidades. Choveu. No GP de 2014, tivemos uma corrida com poucas nuances, e disputas que chamaram atenção apenas pelo que poderia acontecer.

Rosberg foi soberano o fim de semana todo: liderou o primeiro, o segundo e o terceiro treinos livres; na classificação, marcou o melhor tempo no Q1, no Q2 e no Q3. Na corrida, liderou a maioria das voltas – só perdeu a ponta durante os pitstops – e obteve importante vitória. Só ficou faltando mesmo o registro da volta mais rápida (de Hamilton).

Agora, Nico e Lewis chegam à última etapa com 17 pontos de distância entre si: pelo novo regulamento, na etapa final a primeira colocação vale 14 pontos a mais que a segunda posição, e 20 sobre o terceiro posto.

Assim, e levando-se em consideração o domínio das Mercedes, Rosberg NECESSITA da vitória e precisa torcer para que Hamilton seja, no máximo, terceiro. Para Lewis, a segunda colocação é suficiente.

Alguns números expressivos do domínio da Mercedes em 2014 que comprovam quão histórica está sendo a atual temporada:

* Em Interlagos, Rosberg e Hamilton marcaram a 11ª dobradinha do ano, superando as 10 de Senna e Prost em 1988;

* Combinados, Rosberg e Hamilton agora somam 15 triunfos no ano, igualando marca da McLaren, em 1988, e da Ferrari, em 2002 e 2004;

* Combinados, Rosberg e Hamilton agora já foram ao pódio 30 vezes, superando o recorde anterior, da Ferrari (2004);

* A pole de Nico no sábado foi a 17ª da equipe no ano – se um dos dois largar na ponta em Abu Dhabi, igualarão o recorde da Red Bull (2011);

Diante de tamanho domínio, resta a Nico buscar a vitória em Abu Dhabi e torcer pelo milagre de algum intruso (Massa?) tomar a segunda colocação de Hamilton.

Felipe teve seu melhor fim de semana da temporada.

Largando e terminando em terceiro, teve um ritmo forte na maior parte do tempo: mesmo tendo de cumprir uma punição, conseguiu se consolidar na terceira posição, completando a prova 7s a frente do quarto colocado.

A exemplo do que aconteceu em Austin, Felipe superou Valtteri Bottas, confirmando o melhor desempenho nessa reta final de temporada: desde Monza, quando voltou ao subir ao pódio, Massa somou 58 pontos contra 46 do finlandês.

Importante notar: como a pista texana, Interlagos alterna aclives e declives, curvas de alta e baixa, S’s e duas retas longas. E ambas acontecem no sentido anti-horário.

Receitas parecidas à da pista de Istambul, agora em desuso pela F1, onde Massa venceu 3 vezes seguidas…

A Bottas (156 pontos) resta tentar superar Alonso (157) e Vettel (159) na disputa pelo quarto lugar do campeonato.

Fernando Alonso e Sebastian Vettel foram protagonistas às avessas: ambos de saída de suas equipes, viveram momentos opostos. Vettel, apesar do erro na largada, foi um dos melhores “do resto”, superando seu companheiro de equipe e batendo Kimi Räikkönen de forma inteligente quando a oportunidade surgiu.

Alonso, o contrário: apesar de superar seu companheiro de equipe tanto nos treinos quanto na corrida, viveu um fim de semana complicado, pela primeira vez tendo uma discussão aberta mais ácida com a equipe, e não conseguindo acompanhar o ritmo de McLaren e Red Bull.

2015 promete ser difícil para ambos.

Hilário ver Massa parando no box da McLaren. Muito leitores lembraram de Hamilton na Malásia, em 2013. Outro foi Button, na China em 2011.

httpv://youtu.be/f5M9Nwv4wes

Um breve comentário sobre a transmissão: não foi nenhuma novidade isso acontecer, e nós já batemos várias vezes nessa tecla, mas o narrador torcendo para que Valtteri Bottas tivesse problemas no pitstop foi o cúmulo do ridículo.

Semelhante palhaçada só havia acontecido uma vez: no longínquo GP da África do Sul de 1983, quando Prost abandonou e Piquet garantiu seu segundo título.

Piquet, aliás, foi um dos destaques do GP, com sua irreverência de sempre: as brincadeiras com Lauda durante a transmissão, e com Hamilton no pódio deram um pouco do sal que falta na F1 atual. Piquet também esteve em Interlagos para acompanhar a vitória de seu filho, Pedro Piquet, na Porsche Cup.

A propósito, vale ler a entrevista de Piquet para a ESPN, comentando sobre a F1 atual: suas críticas e reclamações são as mesmas da maioria de nós.

Destaque para suas frases sobre os pneus (que foram destaque negativo na corrida): “Pior ainda é esse negócio dos pneus. Às vezes está bom, às vezes não. Você vê um cara passando o outro, de passagem. Pô, que é isso? Ah, porque o cara parou no boxe. (…) E outra coisa também é a briga de pneu. Isso deveria ter. Não podia ser uma marca só. É bacana e o desenvolvimento ajuda as fábricas a ter compostos melhores. Se você deixar uma empresa só pagando o que tem que pagar e fazendo o pneu que quiser.

Um dos pontos baixos da corrida: o pódio, que prometia ter um telão com fotos de cada um dos campeões mundiais desde 1950, acabou estampando a marca do patrocinador.

Dois meses atrás, na coluna “Cenários”, descrevi três possibilidades para a prova decisiva do título: a segunda parece ser a mais verossímil, apenas invertendo os ponteiros.

Sonolenta ou não, a corrida em Yas Marina será épica…

Boa semana a todos!

Marcel Pilatti
Marcel Pilatti
Chegou a cursar jornalismo, mas é formado em Letras. Sua primeira lembrança na F1 é o GP do Japão de 1990.

12 Comments

  1. wladimir duarte sales disse:

    Vinte e cinco anos atrás quando li sobre a reforma da pista de Interlagos fiquei feliz da vida. Quão grande foi a minha decepção ao constatar que transformaram um dos melhores circuitos da F1 num mega-kartódromo tilkeano dez a doze anos antes dessa criatura maldita (hermann tilke) aparecer para aposentar várias pistas ótimas e boas pra empurra outros mega-kartódromos com a benção de Bernie megalomaníaco Ecclestone. A maior decepção foi descobrir que muito do atual traçado foi sugerido por Ayrton Senna. Nosso campeão cometeu muitos erros em vida (como qualquer pessoa) mais isso foi uma bobagem monumental. Ao invés de se unir a grandes nomes como Antonio Carlos Avallone e outros defensores da originalidade de Interlagos, cuja extensão original não seria problema vide Spa, ignorou a tradição de um autódromo mais que septuagenário. O primeiro circuito fechado de competições automobilísticas do Brasil, quiçá da América do Sul, maculado dessa forma!! Num país que destrói outra pista maravilhosa como Jacarepaguá por interesses políticos só posso dizer que é um fio de esperança para o automobilismo brasileiro manterem, mesmo desfigurado, o autódromo de Interlagos sediando uma etapa da F1 e às vezes com corridas emocionantes proporcionadas pela chuva. Se dependesse de pessoas como eu já teríamos o gp do Brasil sudeste em Interlagos ou Jacarepaguá, o gp do Brasil Centro-Oeste em Brasília ou Goiânia e quem sabe o gp do Brasil sul em Guaporé, Tarumã ou Cascavél. A América do Norte já teve 4 corridas por temporada (3 nos EUA e uma no Canadá) e o Brasil muito mal teve uma por temporada. Se valorizassem tanto o Brasil como fala o mercenáriernie Ecclestone teríamos mais de uma etapa de F1 como os norte-americanos. Outra coisa que não combina é não termos nenhum autódromo privado até hoje. O PSDB de FHC e Aécio privatizou tanta coisa no Brasil e esqueceu disso? Tudo bem que os ingressos hoje são caríssimos mas quanto da arrecadação vai para a prefeitura de São Paulo? Se for 2% acho que é muito!

  2. Mauro Santana disse:

    GP foi interessante, e a impressão que passava era que o Hamilton era um gato e o Rosberg o rato, e o Hamilton estava brincando com a sua presa para a qualquer momento efetuar o ataque.

    Uma pena um GP tão decisivo ter que ser realizado num circuito tão ridículo.

    Mas, é o que temos, e vamos ver o que o destino nos reserva para o GP final.

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba-PR

  3. Robinson Araujo disse:

    Corrida pragmática e narração para o público de GP do Brasil somente, ou seja, como uma final de campeonato brasileiro.
    Senti que o clima entre o narrador e os convidados não estava bom pois a cada momento um aproveitava para alfinetar o outro com alguma frase de efeito.
    “Vai tremer”, não!!! “tô preparado” e por ai vai.
    Em relação ao título imagino que algo acontece com Hamilton e dê Rosberg, mesmo achando o inglês muito mais merecedor, tanto em 2007 quanto em 2008 ele teve problemas na última corrida, mas como precisava de um resultado mediano conseguiu o título em 2008.
    Ou seja, torço para Hamilton não ser Hamilton e fazer uma corrida pragmática acompanhando Rosberg. Torcendo também para Hamilton não quebrar, pois ficaria sempre aquela sombra da sabotagem, título de conversa de butiquim!

  4. Fernando Marques disse:

    Alguém imagina uma Mercedes chegando em 3º lugar numa corrida?
    Creio que não, ao menos eu penso que não.
    Assim sendo o Rosberg só leva o titulo se o carro do Hamilton deixar ele na mão.


    Eu achei que a ausência do Rubinho fez falta neste domingo.

    Fernando Marques

  5. Rodolfo César disse:

    Acho que vocês não entenderam o que eu disse. Eu entendo que sem a pontuação dobrada na ultima corrida o Hamilton não precisaria se esforçar tanto pra vencer, sei que a única combinação capaz para o Hamilton ser campeão caso Rosberg vença é a 2ª colocação. Essa parte é óbvia, não dá pra dizer que a pontuação dobrado não prejudica, mas eu acho que a chence dela sacanear está reduzido.

    O que eu considerei é o seguinte: O Hamilton só perde o campeonato se tiver problemas no carro, chegar em 2º não vai se uma tarefa tão difícil com uma Mercedes que é superior em muito as outras equipes. Aliás, para chegar em 2º o Hamilton não precisa nem se esforçar, é só guiar de modo conservador e não ter problemas no carro.

    A pior colocação de Hamilton no campeonato nas provas que completou foi ser 3º lugar, sendo que nessas corridas ele teve problemas. Como eu disse, é só não ter problemas que não teremos sacanagem escrita na história nessa temporada.

    Abraços!

  6. Ballista disse:

    Rodolfo, a pontuação dobrada já sacaneou o campeonato. Não fosse por ela e Hamilton poderia ser campeão na próxima corrida chegando em 6º lugar – e não necessitaria da 2ª posição que necessita hoje.

    Abraços

    Ballista

  7. Rafael Oliveira disse:

    A corrida não foi essas coisas mas me lembrou 1993 com a galera invadindo a pista. Gostei da corrida do Massa, foi consistente durante todo o final de semana. O Botas nesse fim de temporada vem “deixando a desejar”. O finlandês começou o ano “arrasador” e na parte final do campeonato ele caiu de rendimento. A corrida teve alguns pegas interessantes, Button x Raikkonen e Alonso x Raikkonen. Não sei se estou equivocado mas acho que o Hamilton não passou o Rosberg porque não quis. O inglês preferiu marcar o alemão e se contentar com o 2° lugar. Se não fosse aquela rodada no final da reta oposta o inglês teria vencido. Alguém viu o Galvão botando olho grande na parada do Bottas? Hilario não é mesmo?!

    • Lucas dos Santos disse:

      Na minha opinião, o Rosberg estava melhor nas saídas de curva e nas retas.

      Da Junção até o S do Senna e daí até a Descida do Lago, o Rosberg disparava e não havia asa móvel que fizesse o Hamilton alcançá-lo. No miolo do circuito, o Rosberg era mais lento, mas não tinha lugar para o Hamilton ultrapassar ali.

      O que comprometeu a corrida dele foi mesmo aquela rodada. Uma projeção da TV britânica Sky Sports F1 mostrou que ele poderia ter voltado à frente do Rosberg a uma distância equivalente a dois carros. Uma vez na liderança, certamente o inglês não a perderia mais, pois era mais rápido que o Rosberg nos trechos mais sinuosos.

  8. Rodolfo César disse:

    A chance da pontuação dobrada em Yas Marina trazer uma “sacanagem” reduziu significativamente depois da viória de Rosberg no Brasil. Digo isso porque na minha opinião o Hamilton só perde esse campeonato se o carro deixar na mão.

    Caso isso ocorra, tanto faz a pontuação ser dobrada ou não, se o Rosberg vencer leva.

    É claro que existe outras possibilidades (como por exemplo: Se o Hamilton abandonar, Rosberg pode chegar em 5º) mas acho muito improvável de acontecer, até mesmo em virtude do que essa temporada vem mostrando. As Mercedes não só vencem as corridas, como esmagam os adversários (basta ver a diferença entre o 2º e 3º ontem ao fim da corrida , são 40 segundos!) e para termos uma combinação onde as mercedes não façam a dobradinha só se a Mercedes apresentar um problema (como algo parecido na Alemanha).

    Hamilton vai “marcar” o Rosberg, é o mais inteligente a ser feito, é o que deve ser feito. Chutando duas combinações possíveis eu diria que: Rosberg 1º com Hamilton em 2º ou Rosberg em 1º e Hamilton não completa a prova. Não vejo outros cenários a não ser estes e neles a pontuação dobrada felizmente não sacaneia o campeonato.

    Abraços!

    • Lucas dos Santos disse:

      Creio que a pontuação dobrada cumpriu o seu papel, que era evitar que o campeonato se decidisse antes da última corrida. Lembrando que, o plano original, era que as três últimas provas tivessem pontuação dobrada e não apenas a última.

      A pontuação dobrada acabou deixando a disputa mais apertada e exigindo um esforço maior do líder para manter sua posição. Se o Rosberg vencer, o Hamilton precisa obrigatoriamente chegar em 2º. Caso a pontuação fosse normal, o Hamilton precisaria de apenas um 6º lugar.

  9. Fernando Marques disse:

    – A corrida em si não foi lá essas coisas mas creio que a disputa entre Nico e Hamilton prendeu bem a atenção da gente em frente a TV

    – A transmissão do Galvão não foi boa … como exemplo cito que em Austin, a corrida foi transmitida pelo Sport TV, o Sergio Mauricio e o Lito Cavalcanti fizeram muito mais bonito e tirando muito mais proveito da presença do Felipe Nars que tinha um radio direto com a Willians.

    – Por que o Rubinho Barrichello não estava presente em Interlagos? … Será que ele brigou como Galvão? …

    – A corrida do Felipe Massa foi muito boa e empolgou o publico presente. Ele andou bem o fim de semana todo e só não foi melhor que as Mercedes. Vale ´crédito e a festa pelo 3º lugar na corrida …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    • Lucas dos Santos disse:

      Respondendo à sua pergunta, Fernando, o Barrichello não é mais comentarista da Globo. A última transmissão da qual ele fez parte foi o GP de Singapura.

      O motivo não se sabe ao certo. Há uma série de especulações afirmando que ele teria se desentendido com a Globo, por se recusar a trabalhar da maneira que a emissora gostaria. Dizem que ele “queria fazer mais do que lhe foi proposto”. Há também quem diga que o que “azedou” a relação com a emissora foi ele aproveitar as viagens para o local dos GPs para negociar contratos com as equipes para uma possível volta à Fórmula 1.

      Perguntada, a emissora apenas se limitou a dizer que “o contrato com o Barrichello não era para todas as corridas e apenas chegou ao fim”.

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