Histórico!

Dançando na chuva
29/10/2020
Supercampeões
05/11/2020

Toscana, Portimão, Imola. Circuito à moda antiga, um circuito novo e imprevisível e um circuito a moda antiga. As melhores corridas da incrível temporada de de 2021 passam longe dos estacionamentos de shopping center do famigerado benemérito Tilke.

A prova de Emilia Romagna foi recheada de saudosismos, homenagens e emoção. Quem mais gostou da prova, realmente foram os pilotos. Mas um ponto fica claro, com mais desafios e menos opulência, os pilotos se resolvem na pista.

E no momento máximo da semana, a supremacia tedesca foi consolidada: 7x seguidas campeões mundiais.

Tilke deve estar com calafrios. Não que os pedidos parar construir em autódromos nos dias de hj estão brotando no chão, mas está claro que a formula mágica dos anos 2000, tem grande parcela de culpa na perda de fãs da F1.

Não há desafios. Retas infinitas cercadas por curvas travadíssimas e, nenhuma, absolutamente, nenhuma punição aos erros dos pilotos.

O final de semana condensado em 2 dias somente parece bom para países distantes sem tradição em encher arquibancadas com fãs de corridas. Como China, Coréia do Norte… As equipes se resolveram bem, com um delicioso grau de incerteza.

Em países mais tradicionais no automobilismo, parece difícil acreditar que vão abrir mão das receitas de um dia inteiro de atividades.

Como tudo começou no sábado e se resolveu no domingo, foi um dos finais de semana mais dinâmicos da história da F1.

Bottas foi cirúrgico no sábado. Conseguiu uma pole impensada e deixou para Hamilton a disputa maior com Max Verstappen pelo segundo posto.

Tudo ficou muito mais complicado com uma largada sofrível de Hamilton, perdendo a posição para Max e ficando em risco e perder mais um ou dois postos.

Olhando para as primeiras 5 voltas entendemos como a corrida se definiu: (1)Bottas, com sorte em falta nas prateleiras, ficou com um pedaço de Vettel preso no seu carro. (2) Hamilton, sem chances de passar Max, nem tentou ficar perto da zona de DRS para atacar o Holandês, mantendo saudáveis 2 segundos de distância para preservar seus pneus.

Resumo rápido em uma linha (para a nova era das redes sociais: Um Bottas lento, somada a inteligência de Hamilton no manejo dos pneus, habilitaram o inglês a vencer o Gp de Emiglia Romana, mesmo sem entrada de VSC e SC.

Vettel se enroscando com Magnussen. Anos parados num pit-stop. A vida em 2020 para Vettel não parece ter sido generosa nas pistas. Esperamos que ele viva um momento “Azar no jogo, sorte no amor”.

A transmissão Global sofre com a carência de um bom locutor. Cleber Machado é narrador de Futebol e sua dedicação a formula 1 é mínima. Misturando nisso toda necessidade de promover o conteúdo de entretenimento, sobra pouquíssimo tempo para tentar entender o que acontece na pista.

Giaffone e Burti estão preocupados com os amigos do Twitter e Instagram e também esquecem de olhar os dados do que ocorre na pista.

Após a parada de Max e Valteri, Hamilton assumiu a liderança e mostrou como um campeão desenha uma corrida com inteligência e, incontestável, supremacia. Volta a volta, Hamilton andava mais rápido de pneus médios usados do que os outros dois pilotos em duros novos. A questão que ficou no ar sobre a entrada do VSC, não deveria existir. Hamilton sim abriria o suficiente para voltar a frente dos dois, pelo tempo calculado pelos engenheiros da Mercedes e não pelo trio de animadores de torcida da Globo.

O VSC caiu como uma luva para Hamilton, e poupo-lhe de alguma voltas no limite. Mas a sorte que lhe sorria no VSC quase lhe traiu no Safety Car após a a saída de Max Verstappen. Hamilton acabava de passar pela entrada do box, deixando ao seu companheiro de equipe a liberdade de entrar no box e tentar recuperar a distância para ele.

Hamilton andou grudado ao Mercedes “de rua” para entrar assim que possível nos pits. A pressão funcionou e ele conseguiu voltar míseros 3 segundo a frente de Bottas.

Além da disputa clara entre os dois pilotos da Mercedes, a parada antecipada de Max disparou na Mercedes a necessidade de dividir a estratégia de seus pilotos. O que tivesse à frente, marcaria Max. O que vinha atrás, iria ir mais longe para tentar passar Max em uma estratégia de uma parada. Obvia a escolha da Mercedes, em qualquer cenário teria os dois carros no pódio já que a distância para o quarto era astronômica.

Com pneus iguais. Com Carros iguais. Com Bottas sem detritos. Com isso tudo junto, deu o obvio: Hamilton venceu com soberania.

São 7 Campeonatos seguidos. Nunca antes um time conseguiu encaixar tamanha senquencia de título. Nem equipe, nem piloto.

O trabalho da Mercedes parece incansável. Nada abala o time, não há passos atrás, não há solavancos no caminho que atrapalhem uma trajetória constantemente ascendente. Sabemos que não é uma questão puramente econômica, pelo contraexemplo da Ferrari, mas a combinação da Mercedes com a base de F1 inglesa, somadas aos fundamentos definidos pela dupla Lauda+Wolff, cercadas pela inspiração de um piloto inatingível, são a receita de um time que deve se manter em domínio até o fim de 2021, no mínimo.

Que fique claro que essa soberania não é destaque pelos números absolutos e frios. A Mercedes mostra ao grid da F1 como fazer um trabalho consistente através de anos seguidos, aprendendo com os erros e evoluindo com visão de futuro.

É impressionante. E é Histórico!

No meio do grid a corrida foi interessantíssima com corridas que causaram espanto. Sempre bom usar “espanto”, nunca sabemos se é um espanto positivo ou espanto negativo.

Gasly vinha espantosamente bem no fim de semana, estava com totais condições de lutar com Ricciardo pelo pódio final, mas foi traído por um radiador falho e teve que acompanhar do box seu – fraco – companheiro russo chegar num espantoso quarto lugar.

Também causou espanto ver a forma desastrada que Russell encerrou sua corrida. Tivemos a chance de, por instantes, incrédulos, tentar entender o que aconteceu com o carro do jovem piloto inglês. Mas não ocorreu nada. Absolutamente nadinha. Pneus frios e falta de experiência. Dessas que podem marcar uma carreira se não vier com reação imediata e apropriada. Dentro das limitações da Williams, estamos falando de pontos na próxima prova.

Não menos espantosa foi a opção da Racing Point de tirar Perez da pista em troca de pneus novos. Um desastre. Ricciardo afirmou que sorriu quando viu o colega e direcionando aos boxes. Ele já sabia que estava habilitado ao pódio!

E sem menos espanto que de costume, mais uma corrida para Albon esquecer. Ele realmente deve ter grandes talentos que os engenheiros admiram, pois por muito menos Gasly já havia deixado o time principal. É triste para a Red Bull, quando seu principal piloto abandona se ver sem nenhum pontinho pra levar pra casa. Já são 162 pontos para Max contra 64 de Albon. É muito pouco…

No outro extremo da balança histórica, a Ferrari viu seu recorde sendo quebrando na sua casa e sem nenhuma força de combate. Conseguiu colecionar um fraco quinto lugar e um décimo segundo. Um resultado minúsculo para um ano espantosamente anônimo da Ferrari.

Não dá para não aplaudir de pé um fim-de-semana de gala da F1.

Uma soberania histórica sendo consolidada na nossa frente. Um Hamilton, imbatível, inigualável, caminhando para concretizar seu título na Turquia. Tudo isso numa pista que diverte pilotos e público. Rápida, desafiadora e que não permite nada além do seu limite natural.

A Fórmula 1 faz história na temporada de 2020, visitando os seus mais belos circuitos. Hamilton e a Mercedes só dão as tintas para pintar um quadro épico na nossa frente!

Abraços
Flaviz

Flaviz Guerra
Flaviz Guerra
Apaixonado por automobilismo de todos os tipos, colabora com o GPTotal desde 2004 com sua visão sobre a temporada da F1.

1 Comment

  1. Fernando marques disse:

    Flavis

    Você disse tudo.

    Sete títulos seguidos da Mercedes.
    Histórico
    Hamilton sete títulos na fórmula 1
    Histórico
    Hamilton a caminho da vitória 100 e bem próximo d pole 100
    Histórico.
    2020 está sendo um ano histórico para a fórmula 1

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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