Regulamentos 4

Colunas Inesquecíveis: Leitores 2
08/07/2026

Obrigado pela paciência, leitores. Prometi retomar o tema dessa série no começo de junho, mas… aqui estamos.

Regulamentos 1

Regulamentos 2

Regulamentos 3

Vou tentar agora enumerar as principais mudanças nos regulamentos técnico e de competição da F1 e inovações mais notáveis nos carros entre 1983 e 2013, com seus efeitos nos tempos da pole.

É um exercício arriscado, dado o volume de alterações observadas. Me desculpo pelos esquecimentos e agradeço desde já correções, adições e comentários. Vamos lá:

83

Motor: a regra é a mesma desde 66: 1,5 litro turbocomprimido ou três litros aspirados. Desde 72, eles podem ter no máximo doze cilindros, RPM máxima e número de unidades usadas por temporada livres. Desde 81, o regulamento veta motores que não sejam a pistão, quatro tempos. Adeus turbinas, nunca veremos um Wankel na F1.

Banido o efeito solo. É o começo dos fundos planos.

Introdução de várias medidas de segurança nas dimensões e rigidez do chassi. Novas medidas para o aerofólio traseiro.

Peso mínimo do carro: 540 kg, 40 menos do que na temporada anterior.

Combustível: livre, consumo e reabastecimentos livres.

Obrigatório que os carros tenham quatro rodas e só duas delas podem ser motrizes.

Vamos usar a partir daqui como parâmetro de evolução o tempo da pole em Monza, cujo traçado ficou sem alterações entre 76 e 94 e teve apenas dois pequenos retoques em 95 e 00, até os dias de hoje.

  • 82:1m28, com Andretti/Ferrari
  • 83: 1m29, com Patrese/Brabham BMW

 

84

Imposto pela primeira vez na história da categoria limite de consumo por GP: 220 litros. Os carros, até então, largavam com uns 250 litros de combustível.

Proibido o reabastecimento durante o GP.

  • 84: 1m26, com Piquet/Brabham BMW (foto acima)

 

85

Imposição de crash tests na F1, inicialmente para impactos frontais, onde já havia uma estrutura deformável desde meados dos anos 70.

Nos anos seguintes, até 97, os crash tests vão sendo ampliados e aprimorados, até abrangerem praticamente todos os ângulos do carro.

Impostas várias limitações na aerodinâmica, principalmente no aerofólio traseiro e nas tomadas de ar dos freios (!)

  • 85: 1m25, com Senna/Lotus Renault

 

86

Motor: vetados os motores aspirados. Adeus Ford Cosworth… Apenas Tyrrell e Minardi iniciaram a temporada 85 com motores da marca, mas os trocaram por turbos ao longo do ano.

Renault introduz em seus motores válvulas pneumáticas. Molas metálicas simplesmente não davam mais conta de motores com mais de 12 mil RPM.

Consumo por GP: 195 litros.

  • 86: 1m24, com Teo Fabi/Benetton BMW

 

87

Mas… os motores aspirados estão de volta, agora com 3,5 litros. Bem-vindo, Ford Cosworth DFZ V8. Tyrrell, AGS, March e Lola começam a temporada com ele.

Motores turbo têm de instalar as válvulas pop-off, que limitam a pressão dos turbocompressores. O valor inicial é de quatro bar. Em 88, será reduzido para 2,5 bar.

Aspirados não têm limite de consumo; para os turbo, mesma regra do ano anterior.

Peso mínimo para carros com motores aspirados: 500 kg.

O Lotus 99T se torna o primeiro F1 equipado com suspensão eletrônica a vencer um GP – Mônaco, com Ayrton Senna (foto acima). Ele repete a vitória em Detroit, 21 dias depois. Nos GPs seguintes, a Williams passa a usar o sistema no modelo FW11B. As experiências da Lotus começaram em 83.

  • 87: 1m23, com Piquet/Williams Honda

 

88

Consumo máximo para os turbo: 150 litros por GP.

Novas medidas para reforço do chassi. Os pés dos pilotos não podem ultrapassar o eixo dianteiro. Imposta dimensão mínima para espelhos retrovisores (!)

Vetado uso de pistões ovais e injeção de água nos cilindros.

  • 88: 1m26, com Senna/McLaren Honda

 

89

Adeus motores turbo. Eles só voltariam à F1 em 2014, com os motores híbridos. Todo mundo agora tem de embarcar os motores aspirados nas mesmas regras da temporada anterior.

Primeira vitória de um F1 com câmbio eletrônico, o Ferrari 640 (foto acima), pilotado por Nigel Mansell em Jacarepaguá.

Regulamento da gasolina é detalhado.

O mesmo em relação às dimensões do cockpit. Nos anos anteriores, projetistas como Adrian Newey apertavam cada vez mais o piloto. Alguns tinham de cortar a ponta da sapatilha para os pés caberem nos pedais.

  • 89: 1m23, com Senna/McLaren Honda

 

90

Tyrrell alinha seu modelo 019, com um bico absolutamente inovador (foto acima, com Satoro Nakajima). A vantagem é percebida rapidamente e adotada por todos, inaugurando uma nova área de experimentação na F1.

A Tyrrell passa a usar um único amortecedor na suspensão dianteira.

Outra área de experimentação intensa: os difusores traseiros, algo explorado desde 82 pela Renault, tentando aproveitar os gases quentes (800 graus) do escapamento ou uma brecha do regulamento que baniu o efeito solo. Os extratores dos McLaren são especialmente elegantes, formando arcos.

  • 90: 1m22, com Senna/McLaren Honda

 

91

Peso mínimo dos carros: 505 kg, de forma a permitir a instalação das câmeras de bordo (!)

Reduzidas as dimensões das asas e aerofólios.

Obrigatório posicionar o tanque de gasolina atrás do cockpit.

Vencedor do GP passa a receber dez pontos, e não mais nove.

  • 91: 1m21, com Senna/McLaren Honda

 

92

Obrigatório o uso de gasolina sem chumbo. O regulamento da gasolina é mais detalhado no ano seguinte, inclusive seu volume e temperatura.

  • 92: 1m22, com Mansell/Williams Renault (foto acima, perseguindo Senna, em Mônaco)

Continuo com este inventário insano em nosso próximo encontro, que não demora muito.

Bom final de semana

Edu

Eduardo Correa
Eduardo Correa
Jornalista, autor do livro "Fórmula 1, Pela Glória e Pela Pátria", acompanha a categoria desde 1968

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