Colunas Inesquecíveis: Leitores 2

Merecido, apesar da FIA
05/07/2026

Sigo mergulhando nos e-mails dos leitores nos primeiros anos do GPTo. A seguir, uma seleta dos recebidos no 1º trimestre de 2003. Quantidade e qualidade e que belas contribuições! E já rolavam polêmicas, com Ayrton Senna no meio…

De novo, desculpas aos que não citei aqui. O mais certo seria reproduzir todos.

Obrigado a todos os leitores, de coração!

Edu

Em nome da economia, estamos começando o campeonato mundial de Fórmula 1 (de 2003, no caso, que acabou vencido por Schumacher  e pela Ferrari, foto acima) versão retranca. Não vou ficar especulando quem vai ganhar ou quem vai perder. Os treinos do início de ano quase nunca são o trailler do campeonato. Quase sempre são uma mistura de blefe com experiências mal sucedidas (exceto a BAR no ano passado). Infelizmente os noticiários da pré temporada dão somente o tempo das voltas, mas nunca as condições em que o carro fez esta volta, daí ser impossível ter parâmetros para qualquer conclusão concreta. Acreditar no que dizem os dirigentes então… prefiro acreditar que os coelhinhos botam ovos na páscoa. Bom a cara feia do Schumacher pode ser um indicativo, mas a Ferrari é a Ferrari, e o Schumi é o Schumi.

Vamos pegar o que existe de concreto, o regulamento, e daí arriscar alguns palpites com relação às corridas em si. Os fatores aerodinâmicos podem influenciar no tempo, mas não no resultado final. O que deve estar deixando os engenheiros e estrategistas malucos deve ser o fator resistência. Pensando em atletismo, a Fórmula 1 seriam os 100 metros rasos (a maratona talvez as 24 hs. de Le Mans), com o novo regulamento os atletas de 100 metros teriam que correr com tênis de Trekking e ter fôlego para correr os 200 metros. Enquanto a Nikelin não desenvolve botas para 100 metros e a Red Bull uma quimicazinha para dar resistência muscular, o campeonato deve seguir em ritmo de prova ciclística de perseguição. Isso aprendi nas olimpíadas passadas, pelo menos isso eu vi na TV enquanto gastava o meu suor na esteira da academia.

A prova de perseguição é um troço interessante. Dois ciclistas ficam rodando, rodando, rodando, rodando no velódromo um olhando para a cara do outro de vez em quando. E rodam, e rodam, e rodam de repente dá um troço qualquer e saem pedalando feito loucos, e então um deles ganha. Bom era assim que via. O problema é que a academia deixa a TV ligada sem som, com o rádio ligado fazendo tum-tum-tum-tum daí só poder tirar conclusões empíricas, baseadas apenas na observação.

Dadas às condições deste ano pelo menos nas primeiras corridas deve acontecer algo parecido. Vão ficar rodando, rodando, rodando em ritmo de mulher no volante (ops! Sem ofensas, me desculpe, estou tentando dizer que as mulheres são mais cuidadosas ao volante, que digam as seguradoras, ou então, que se você tivesse que comprar um carro de segunda mão de quem compraria, de mim que frito a embreagem a cada farol verde, ou de uma mulher que suavemente engata a primeira e acelera sem forçar o motor? Acho que me safei bem… é a prática) economizando motor e principalmente pneu, e quando estiver naquele ponto em que os engenheiros julgarem que a borracha vai agüentar até o final da corrida, vão dar o sinal mágico para sentarem a bota (mais um parênteses, se o rádio do Rubinho não pifar).

O que dificilmente vamos ver este ano:

– Aquelas voltas miraculosas do Schumacher antes do pit-stop.

– Ultrapassagens sensacionais, se já eram escassas as ultrapassagens, agora então…Satow Show deve pensar 10 vezes, uma para cada pistão, antes de encher o seu motor (que já estourou diversas vezes em suas mãos no ano passado) Honda para fazer aquelas ultrapassagens que se não eram espetaculares, ele pelo menos as tentava.

-Mecânico da Ferrari esquecendo um pneu do Rubinho dentro dos boxes.

-Três ou quatro pit-stops por corridas, afinal andar mais leve vai valer o tempo perdido nos boxes? Será que andar mais leve vai ser o suficiente para poder forçar mais os pneus? Seria a vez dos motores que consomem menos, ou seja, quem pára menos?

Pode ser também a chance da turma do foda-se aparecer, é como a fábula do Hans Christian La Fontaine a famosa “Lebre e a formiga”. A lebre quer aparecer e sai correndo até acabar com o seu tênis, mas teve as suas 15 voltas de fama, e a formiga que economizou para o inverno chega ao fim da corrida.

Bom, são novas variáveis que vão estar envolvidas e talvez isto sirva para que o campeonato fique interessante, mas existe a perspectiva dos times adotarem a tática da retranca no início do campeonato. Rezo para São Enzo que eu esteja errado.

Para acabar, gostaria de informar que estou tentando patentear um furador de pneus que provoca o estouro a 100 metros da entrada dos boxes. Bom campeonato a todos. Quanto à Pizza de Concórdia, espero que encontrem um bom autor para continuar a novela.

[]’s
Olavo Ito, São Paulo

A luz verde está próxima!

Sim, o grande dia está próximo (!), – ou melhor: a madrugada. Renovam-se as expectativas: como serão as disputas dos bólidos de domingo?

Ah… que saudade de outros tempos, em que essa pergunta era inconcebível. Perdoem-me, mas eu sou saudosista – e ninguém ouse me criticar. Bons tempos da infância, os quais regados pelos olhos da inocência, assisti as melhores disputas de Fórmula 1: Nelson Piquet, Ayrton Senna, Nigel Mansell, Alain Prost, Keke Rosberg, Niki Lauda, René Arnoux, Elio de Angelis, Alan Jones, dentre outros. Um campeonato, vários vencedores.

As manhãs de domingo se resumiam às corridas e à degustação da bela macarronada que minha mãe fazia.

Hoje, quase um balzaquiano – sim, em breve não serei, como dizia John Lennon, confiável -, tenho que me contentar em almoçar, aos domingos, no fast food de um shopping, e, se não bastasse, depois de uma sonolenta corrida, ver o ‘alemão’ vencer mais uma.

A fantasia desapareceu. Mas a expectativa de ver um belo embate automobilístico, não!

Vamos, BAR, prove que o entusiasmo da temporada passada continua – mesmo depois da ‘trairagem’ do Button! Vamos, Mclaren, dispare as flechas prateadas! Vamos, Renault, a veia latina da Fórmula 1, a emoção, ao contrário do que relega o ‘alemão’, torna humana a vitória! Vamos, Casa de Grove, prove que ‘camisa’ também ganha jogo – a exceção do meu Flamengo!

É esse o pensamento que se passa na cabeça do amante da Fórmula 1, mas, infelizmente, a minha televisão insiste em ficar vermelha e, ao final, batucar o hino da Alemanha…é melhor eu ir para o shopping.

PS.: Flávio, gostei muito de seu livro e obrigado pela dedicatória (no caso, o livro é O Boto do Reno).

Fernando Natal, Brasília – DF.

Excelente texto do Manuel Blanco sobre a chatice da F-1 atual.

Concordo em gênero, número e grau com ele, e até acrescento mais um pouco: A Fórmula 1 dos últimos 10 anos está um verdadeiro HORROR!!

Mas acho que para resolver esse problema o ideal seria apenas uma distribuição dos recursos financeiros de forma mais igualitária. Para impedir que uma Ferrari tenha US$ 400.000.000 ao ano, enquanto uma Williams gaste apenas US$ 200.000.000 ao ano.

Com quantias de dinheiro mais similares, as equipes que fazem melhores pesquisas tecnológicas, que acertam a mão no projeto de seus carros e que tem uma equipe mais competente acabará vencendo, porém as demais NÃO ficarão tão para trás, causando um maior equilíbrio.

O problema da F-1 é desequilíbrio financeiro. Enquanto uns têm muito (Ferrari), alguns têm mais-ou-menos (Williams, McLaren, Renault, Toyota) outros têm pouco (Red Bull, Sauber, Jordan, Minardi…).

Teríamos uma Fórmula 1 mais interessante e menos PODRE se não houvesse tamanho intere$$e comercial em algumas equipes, e um de seus pilotos…

Quem gosta desse show de horror que é a F-1 recente, que goste, mas empurrar goela abaixo do público dizendo que isso é “legal” é menosprezar a inteligência das pessoas.

Abraços.

Antonio Pessoa, Ubatuba/SP

Caros,

Novamente nosso amigo Manuel Blanco nos brinda com uma de suas precisas análises. Além de saber do que está falando, ainda tem o cuidado de se basear em dados, não em “achismos”. Os números comprovam o que todo mundo que acompanha a F-1 há uns 20 anos tem certeza: as temporadas estão cada vez mais chatas, com os campeonatos disputados por um ou dois pilotos. Nos últimos 10 anos, a única exceção a essa regra foi 1999, quando Schumacher se arrebentou no muro em Silverstone. Com ele fora, o campeonato ficou aberto. Mas com ele na pista, sem Senna nem Prost e principalmente depois que sentou em uma Ferrari, a coisa ficou chata. Como ficaria se Senna não tivesse Prost ou vice-versa. Ver corridas é ótimo, quando há disputas. Quando isso não ocorre, vira procissão.

E o pior é que o novo regulamento de m… não dá muitas esperanças.

Para animar o campeonato, a FIA poderia obrigar a Ferrari a sempre trocar de lugar no grid com a Minardi. No mínimo, aconteceria alguma coisa.

Abraços a todos.

Renato Müller, São Paulo

Jurei que nunca escreveria ao GPtotal para tocar nesse assunto. Mas agora encheu. Portanto, expresso minha indignação com uma pergunta bem simples: quantos de nós, daqueles que participam do Gepeto, conheceu a PESSOA chamada Ayrton Senna, a ponto de julgar seu caráter, seus valores e suas intenções? Eu respondo por mim. Não conheci. Só conheci o piloto, e esse era dos bons, como alguns outros. Na minha pergunta, por favor, substituam Ayrton Senna por qualquer outro piloto que teve seu nome marcado na história da F-1 como sendo reconhecidamente um bom piloto, isto é, aqueles que são sempre citados por aqui. Fiz isso e a resposta é sempre a mesma…

Abraços!

José Alexandre Matelli, Floripa/SC

Sobre a nova polêmica envolvendo o Senna, gostaria de lembrar que o seu lado “Dick Vigarista”, pouquíssimo falado nestas bandas do equador, começou nos treinos classificatórios no início dos 90′, quando no GP de Mônaco, após fazer um tempo praticamente inigualável, voltou para pista e começou a “marcar”aqueles que poderiam roubar a sua Pole. Um destes marcados foi o falecido Alboretto, que, ao final do treino, saiu dos boxes da Ferrari para os da McLaren, e ao chegar lá desceu a mão no Ayrton.

Este episódio foi o responsável pela mudança do modo de se fazer as classificações para as corridas. Até onde sei, este foi o primeiro ato de pugilato de vários que envolveram o Senna, que como todo o Campeão tinha um ego enorme.

Caíque, Rio de Janeiro

Prezados Amigos do GPTOTAL e, de modo especial, ao ilustre colega, Pedro Sartorio.

Tenho lido com bastante assiduidade, este precioso site que é o GPTOTAL, porém muitas das vezes, com muita pressa e sem a atenção devida, em virtude da falta de tempo.

Realmente, cometi um erro ao não perceber que parte das idéias constantes no texto do colega Pedro Sartorio, em verdade, não pertenciam a ele, mas
sim ao “Colega sem assinatura”. Isto, conforme já disse, devido à minha pressa.

Por conta deste equívoco meu, é que deixo minhas escusas ao Sr. Pedro Sartorio, bem como a toda a “Família GPTOTAL”!

Porém, ainda no “campo das idéias e opiniões” reafirmo minha opinião e admiração pela Família Fittipaldi e de modo especial, a Emerson Fittipaldi.

Acredito que o colega Pedro, compartilhe deste mesmo conceito, sobre os Fittipaldi, certo? E mesmo que não, já é digna de nota a forma respeitosa com que esclareceu o espírito de seu texto.

É justamente deste respeito e união que o nosso automobilismo de competição necessita. Mesmo que tenhamos “ídolos” e opiniões diferentes, mas o objetivo final seja o automobilismo de competição, isto é o que realmente importa.

Quanto ao “Colega sem assinatura” é lamentável que o mesmo, não defenda seus pontos de vista o bastante para assinar aquilo que pensa e escreve. Porém, mesmo não concordando (ou concordando) com suas opiniões, devemos defender o seu direito de expressá-las.

E finalmente, colega Pedro, relendo (com tempo) seu texto, entendi, sim. Parabéns!

Abraços a você e à “Família GPTOTAL”.

Atenciosamente,

Paulo C. Winckler – Porto Alegre

Wladimir Duarte Sales, nome bonito o seu. Gostei mesmo, sem brincadeira. É uma pena não combinar com você. Será??? Quem sou eu para julgar alguém pelo nome?? Espero que você pense a respeito pois meu “Petit” em nada faz sentir-me menor do que qualquer outra pessoa, muito menos minha memória. Aliás, preferiria eu ter memória curta do que tentar enganar a mim mesmo com argumentos que não são suficientes para me convencer.

Quando disse que Senna traiu a Lotus, repito isso quantas vezes você quiser. Uma equipe que fez tudo o que pôde por ele, para ser “largada” da forma que foi. Acho que a sua memória é que é curta… lembra-se do Warwick? Aquele por quem Senna fez a equipe passar pela ridícula e constrangedora situação de “desfazer” um acordo de cavalheiros. Aquela que Senna fez todo o acordo com a Honda para fornecimento de motores, mas que sem saber estava sendo usada apenas como ponte para que Senna colhesse os frutos na McLaren. Isso não é traição? Vamos supor (suposição, não lhe conheço e não quero insinuar nada, apenas suposição, OK?) que sua namorada lhe peça uma caixa de bombons. Você compra a caixa e ela misteriosamente guarda os melhores para outra ocasião. Esta outra ocasião acontece… só que é com outro cara que ela vai comer os bombons. Você não acha isso traição?

Bater com Prost no Japão (foto acima) foi a forma que Senna encontrou para reparar a injustiça sofrida em 89??? Realmente ele deve ter perdido muito tempo procurando essa forma de fazer justiça, não?? Piquet também foi jogado por Alan Jones para fora em 80, mas não lembro dele ter jogado o carro em cima de ninguém para ser campeão no ano seguinte. Você que tem a memória “boa” lembra??? Refresque a minha que é “petit”.

Quem disse que eu quero cobrar “atitudes moralmente corretas” na Fórmula 1??? Apenas disse que acho ridículo dizerem que Senna era exemplo disso, exemplo daquilo, e exemplo daquilo outro… Fórmula 1 ou não, Senna era aquilo mesmo, falso, arrogante, traidor e mercenário. É isso que penso dele e nada me fará mudar de opinião. Mas minha vida não gira em torno disso, quem acha ou deixa de achar o mesmo que eu não me faz diferença. Ao contrário de muitas pessoas que morrerão com uma úlcera no estômago tentando defender pessoas que nunca viram na vida.

Panda, desculpe usar o Gepeto pra isso. Mas como você mesmo disse, não precisamos de ofensas pessoais aqui.

Abraço!

José Angelo Petit Neto, Florianópolis – SC

Saudações!

Faz muito tempo que não escrevia e só ficava lendo…

Eu queria agradecer a hospitalidade do Edu, do Pandini, Alessandra e Tite no lançamento do livro do Flavio Gomes. E devo dizer tb que a presença de gente como Caíque, Victor, Olavo, Romeu, Carlos, figurinhas carimbadas daqui, ofuscaram a presença dos VIPs. São todos verdadeiras sumidades em automobilismo e eu tive o prazer de ótimos papos durante a noite!

Aproveitando, lembro que alguém perguntou sobre o acidente que vitimou o Bellof, em 85, e se o Ickx teve alguma culpa no cartório. Revi o acidente na gravação (in car) que tenho disponível e algumas fotos que mostram a sequência do acidente. Na minha opinião, Bellof foi um pouco otimista quanto a ultrapassar Ickx na entrada da Eau Rouge. O francês aparentemente não esperava o mergulho do alemão pela esquerda (principalmente porque ambos haviam acabado de passar um retardatário metros antes) e nem busca o oponente no retrovisor. Bellof e Ickx se chocam na entrada da Eau Rouge, que praticamente não possuía áreas de escape. O Porsche de Ickx aponta p/ a esquerda e ele rapidamente faz a correção e roda no sentido horário, batendo de traseira no guard rail. Os estragos no carro são mínimos e ele sai andando.

Já o Porsche de Bellof, após o choque, é jogado p/ esquerda na grama e bate violentamente de frente. Pouco resta da metade dianteira do carro. Levando-se em consideração que era uma corrida de longa duração, que ainda faltava muito para o fim e que Ickx era um piloto muito experiente, não creio que ele “dividiria” propositadamente uma Eau Rouge perto dos 300 km/h.

O outro acidente que li citado aqui é do Paul Warwick, irmão do Derek. Seu acidente fatal aconteceu no circuito de Oulton Park, na Inglaterra. Paul liderava a prova e contornava a velocíssima curva Knickerbrook quando a suspensão dianteira esquerda (a curva é tomada à direita) se rompeu e o seu f3000 escapou violentamente p/ a esquerda. Seu carro atingiu um barranco e capotou. O piloto foi ejetado do carro e morreu horas depois no hospital.

Consequências do acidente: chicane na curva e, reza a lenda, poucas investigações sobre o caso por se tratar da equipe de Nigel Mansell na f3000 britânica.

Grande Abraço!

PS.: Manuel Blanco, você foi lembrado durante ao lançamento do livro. Certamente estava em espírito conosco!

Claudio Habara, São Paulo

Sem querer criar caso, José Angelo, mas acho que você é “petit” na memória e no raciocínio.

Mesmo que Senna tenha sido estúpido c/ Irvine a ponto de chegar à agressão física; a atitude do irlandês (segundo cópia da conversa entre ambos, pouco antes do incidente, publicada aqui no GPTotal) foi arrogante e desrespeitosa, até para um estreante. É fato que Senna foi marqueteiro durante toda a carreira mas não vi nenhum outro piloto que correu na época dele dar a volta da vitória com a bandeira do país (mesmo sem intenção de exaltar a pátria).

Este gesto de Senna, sincero ou não, ainda é motivo de orgulho para os brasileiros. Senna não acusou o mundo de conspirar contra ele, apenas acusou indiretamente Jean Marie Balestre de fazer patriotada para Prost vencer o campeonato, mesmo tendo visto o ocorrido não posso dizer qual lado estava com a razão.

A batida em Prost no campeonato de 1990 foi, novamente de acordo com o GPTotal, a maneira que Senna encontrou para reparar a injustiça que ele disse ter sofrido no campeonato de 1989.

Senna traiu a Lotus!? Vamos ver: traiu um dirigente incapaz de gerenciar uma equipe dona de vários títulos e vitórias. Um dirigente que pela incompetência administrativa não soube aproveitar os profissionais que teve nas mãos (incluindo Senna, Elio de Angelis e depois Piquet) e deu o pontapé inicial para o fim da Lotus como equipe de F1.

Senna traiu um engenheiro e projetista extremamente superestimado que acabou se revelando um incapaz quando Piquet entrou na equipe. Um projetista que teve muitas oportunidades de acertar a mão graças a Senna e falhou em todas. Com uma dupla dessas trabalhando na equipe, acho que Senna ficou tempo demais na Lotus.

E por último, você quer cobrar atitudes moralmente corretas no ambiente da F1? Em que mundo você vive? A elevação moral começa do seio familiar e deve ser cultivada pelo indivíduo. Não se deve exigir uma atitude humanista e justa num ambiente competitivo e movido por bilhões de dólares como o da F1. Questionar o caráter de Senna só porque ele soube usar também habilidade política para conquistar seu espaço é, no mínimo, incoerente. Duvido que outro grande nome da F1 não tenha utilizado os mesmos meios para ter privilégios em qualquer equipe, competitiva ou não.

Parabéns a Flavio Gomes pelo livro. Espero poder adquirir um exemplar. Liberem também para as livrarias.

Wladimir Duarte Sales, Duque de Caxias/RJ

///

Creio eu que o Ayrton Senna realmente foi um grande marketeiro.

Já se passaram mais de 10 anos e agora mesmo no GPTotal volta a polemica, agora a respeito de seu caráter, se era bom ou não. Fica dificil analisar quem era a pessoa do Senna, com tanto marketing em cima. Só que eu penso que onde há marketing há falsidade, pois no marketing, seja para vender o que for, só mostram o lado bom das coisas.

Só é válido e verdade que o Emerson Fittipaldi ensinou o caminho quem veio depois como o Piquet seguiu seus conselhos e se teve mais conquistas foi pelo fato de não se aventurar por caminhos que Emerson quis na F.1. Se não cometeu os mesmos erros do Emerson, foi por causa da experiência do próprio Emerson com seus erros.

Com Senna foi a mesma coisa. Senna fez o que Piquet não fez e não fez o que Piquet fez e deu errado. Piquet nunca ligou pro seu marketing pessoal. Sempre se orgulhou em ganhar o Troféu Limão, nunca deu bola para imprensa e nunca quis se promover dessa maneira. O Senna, ao contrário achou melhor (e creio que se deu bem com isso) em posar de bom mocinho e de herói nacional. Nas equipes por onde passou, exigiu privilégios para não passar por situações que por exemplo Piquet passou na Willians.

Se algum dia surgir um novo campeão brasileiro na Formula 1, acredito que este fará o que Senna fez e deu certo e não fará o que Senna fez e deu errado. Os grandes campeões querendo ou não sempre ensinam. O grande campeão sempre aprende com os campeões do passado. Não foi diferente com Emerson (se espelhou em Chico Landi e não cometendo os erros que Landi cometeu quando foi para Europa), não foi diferente com Piquet (em relação ao Emerson) e Senna (em relação ao Piquet. Isto tudo em âmbito de Brasil, pois com certeza eles se espelharam também em outros campeões como Fangio, Jim Clark, etc e etc. O que Senna fez de diferente foi se auto promover, daí naturalmente ter muito mais fãs que Emerson e Piquet. Só que nem todos seus fãs gostavam da F.1, ao contrário dos fãs de Piquet e Emerson (como eu)que gostam e sempre gostarão da Formula Um num todo.

Fernando Eduardo Macedo Marques, Niterói

Enquanto a gente fica com essa bobagem para saber quem foi o maior piloto de todos os tempos, que aquele é melhor do que este, que fulano foi superior a sicrano, etc, etc, por que não se discute o que realmente interessa, o que realmente traz graça a este circo todo. Afinal, qual foi o PIOR piloto que já passou pela F1 ?!

Sim; quando é que nós vamos lembrar daqueles grandes injustiçados da F1 ? Quando é que daremos valor àqueles pilotos que quase sempre são motivos de piadas dentro e fora das pistas ?! Quando é que iremos reconhecer aqueles meros coadjuvantes que só servem para completar o grid ?! Quando ?!

No fundo, isso não é uma escolha fácil. Certamente é mais difícil do que definir entre os melhores de sempre. Mas, deixando um pouco de lado aqueles pilotos fraquinhos que quase ninguém viu correr na década de 50 e 60, ou aqueles que ninguém nunca ouviu falar ou nunca nos lembramos, ou até mesmo aqueles que correram não mais do que 3 ou 4 corridas e foram embora, tentemos nos concentrar em épocas mais recentes.

E assim, vários nomes virão. A lista torna-se extensa e descobre-se que a maioria destes pilotos estava na categoria errada, na hora errada e, principalmente na profissão errada.

Por exemplo, podíamos começar falando sobre o belga Eric Van de Poele, que tentou estrear em 1991, e na maioria das corridas, simplesmente não conseguiu se classificar nem para a pré-qualificação do treino oficial. Na mesma linha, tínhamos Olivier Grouillard ou o dublê de piloto Paul Belmondo, que em 1994, das 16 etapas que ele tentou correr, 14 ele não conseguiu qualificação para largada. Um espetáculo.

Temos ainda o brasileiro Tarso Marques, que estreou na F1 em 1996, se é que podemos chamar isso de estréia, com um patético patrocínio que lhe permitia correr só 2 etapas no ano, isso mesmo, 2 etapas. Insistente, entrou no meio da temporada de 1997 na mesma Minardi, e de 10 corridas conseguiu terminar somente 4. Das vezes que largou, quase sempre o fez na ultima posição. E o pior é saber que ele foi “esmagado” pelo seu companheiro de equipe, um tal de Katayama (foto abaixo).

Mas, quando ninguém esperava, ele voltou a correr pela Minardi em 2001 (?!). Foi novamente ignorado pelo seu companheiro, naquela época o inexpressivo Fernando Alonso. Das suas 14 corridas, o espanhol foi superior ao brasileiro “somente” em 13. Com esse formidável retrospecto, acabou sendo substituído nas 3 corridas finais pelo ninguém mais ninguém menos Alex Yoong, ele mesmo. Acho que depois disso Marques desistiu com esse negócio de F1…

Não podíamos deixar de mencionar, é claro, o argentino Mazzacane que em 2000 se qualificou em último em 13 ocasiões, de um total de 17. E ainda teve quem contratasse seus dólares para a temporada de 2001. Não é a toa que a Prost sucumbiu…

Em relação ao malaio (?!) Alex Yoong, convenhamos, qualquer crítica soa desnecessária. Da mesma forma que criticar os indefectíveis, insistentes e atabalhoados japoneses. Melhor esquecer…

Mas com tudo isso, houve um na história recente que conseguiu superar a todos, conseguiu ter uma passagem impagável pela F1, que é sempre citado em qualquer lista dos piores pilotos, e que até hoje não descobrimos ainda o que ele estava fazendo lá. Eis seu histórico:

Estreou em 1996 pela Arrows, e de suas 16 corridas, foi superado pelo companheiro de equipe Verstappen “só” 16 vezes. Seguidamente largava atrás até da Minardi de Pedro Lamy ou mesmo da aventureira Forti.

Na sua segunda tentativa de temporada, ele, junto com o “talentoso” Vincenzo Sospiri, fez parte da palhaçada do ano: a equipe Lola não obteve tempo para a primeira prova, na Austrália. Mesmo assim, ele conseguiu ser ainda 2 seg. mais lento que Sospiri. Depois disso, a equipe faliu…

Em 1998, o que falar de um piloto que de 15 corridas, conseguiu assistir seu companheiro, o fortíssimo Tora Takagi, superá-lo em 13 etapas. Conseguiu ainda ser, na sua Tyrrel, pior até do que as Minardis com os motoristas Esteban Tuero e Shinji Nakano.

Para fechar seu currículo, tem-se o seguinte comentário de um Anuário da temporada de 1998: “… com ele aparentemente mais interessado em ter sua foto nos jornais do que colaborar em alguma coisa para a Tyrrel em termos de velocidade e experiência, a equipe inglesa teve de confiar apenas em Tora Takagi…” .

Não há mais nada para ser dito sobre Ricardo Rosset, talvez o pior piloto que já passou pela F1.

Forte abraço,

Marcelo Jardim

Caros amigos GPTO

Graças a essas fotos do lançamento do livro do Flavio, que é mais Flavinho do que nunca, pude ver que a minha imagem de Edu pequeno e Panda grande foram totalmente modificadas, pois as fotos das colunas enganam bem.

Pessoal, continuem com esse gás todo e força para o esporte a motor. Sou grande admirador de vcs, mesmo sem nunca ter conhecido vcs pessoalmente.

Abraços

Anselmo Rodrigues, São Bernardo do Campo

Fala povo!

Infelizmente não deu para eu ir à festa de ontem. Compromissos acadêmicos conhecidos como aulas de faculdade eme impediram. Pelo visto, perdi muito. Alessandra, Tite, Edu, Panda, Edgard, Victor, Romeu, Caíque… Só povo classe A, além do obvio Flavinho.

Que pena! Fico muito ressentido mesmo.

Mas haverá outras oportunidades. E, assim que der, vamos tomar umas cervejas por aí e falar besteira!

Abraços de seu amigo

Thomas Visani, São Paulo

É… como dizia o Edu…

Sir Frank Williams não parece que enlouqueceu, está quebrado!… A “Bema” mandando, com a caixa no bolso, esperando Jason (Godot), concordando com motores para Jaguar, elogiando a Red Bull, não conseguir manter pilotos mais caros, colocar os mais baratos de gosto duvidoso, admitir que perder o test-drive é algo improvável-contratual e, o que parece pior, “he is very good”, admitir que o “ambiente” fede,

É… parece que nosso ‘mestre’ Edu, mais uma vez, foi brilhante… Parece o começo do fim… Uma pena! Sir Frank é um de meus ‘ídolos’ no esporte a motor, … e quanto ao “Toninho Jungle”, obrigo-me a crer, que seu maior erro, na incipiante carreira, foi não ter ‘fechado’ com o ‘mafioso’ Briatore, que ajudou elevar o poderoso ‘shumi’ aos Píncaros… é… Fico ‘elucubrando’, seria o ‘nosso’ ‘Tupiniquim’, um “sem estrela” ou puro desperdício de talento… estar sempre no lugar errado e na hora errada?

Saudações!

José Ilídio, Uberlândia-TM

Não quero criar polêmica outra vez, mas tem coisas que não aceito. Nosso amigo “sem assinatura” ou não tem olhos ou não tem cérebro.

Quando que Ayrton Senna foi “do bem”??? Foi quando ‘enfiou a mão na cara’ do Irvine?

Quando Ayrton Senna quis ganhar uma corrida para “dar prazer aos brasileiros”??? Que eu saiba, Senna sempre correu pra si. A maior prova foi ter deixado a McLaren que sempre fez tudo por ele, no momento em que ela mais precisava.

Quando Ayrton Senna me fez ter “orgulho de ser brasileiro”??? Foi quando sem saber perder acusou o mundo de conspirar contra ele em 89?? Ou foi em 90 que novamente sem saber perder jogou em cima de Prost “por vingança”. Atitude altamente justificável para um “verdadeiro” campeão (só se for campeão de meia tigela).

Quando Ayrton Senna me deu “dignidade e força de seguir em frente”??? Foi quando com toda sua dignidade traiu a lotus agindo “por baixo dos panos” para ter os moteres, Honda, ir para a McLaren, se oferecer para correr ‘de graça’ na Williams…

Não, não. Me desculpe, mas Ayrton Senna só me fez ver o que “NÃO SE DEVE FAZER” para ter sucesso.
Ser leal e fiel a quem te ajuda, ser justo e imparcial, não se prostituir… Isso sim eu vi e aprendi, mas foi com os ‘anti-exemplos’ de Senna.

Confesso que sempre achei Senna mau caráter, mas depois de ler o livro de Ernesto Rodrigues passei a ter certeza disso.

José Angelo Petit Neto, Fpolis – SC

Eduardo Correa
Eduardo Correa
Jornalista, autor do livro "Fórmula 1, Pela Glória e Pela Pátria", acompanha a categoria desde 1968

1 Comments

  1. Fernando Marques disse:

    Edu,, revendo meu comentário … continuo com a mesma opinião …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *