
Desde o título conquistado na última etapa de 2025, Lando Norris não teve muito o que comemorar. O domínio da Mercedes em conjunto com os vários problemas no novo carro da McLaren impossibilitou Lando de tentar revalidar seu título em 2026. Em Miami Norris poderia ter vencido, mas a corrida na Flórida provou-se ser algo apenas pontual, após Lando perder a corrida para Antonelli. No entanto, em Hungaroring o inglês não perdeu a chance.
Após conquistar uma pole como nos bons tempos da McLaren no biênio 2024/25, Norris teve um pouco mais de trabalho que o imaginado no domingo por perder a ponta da corrida para o seu companheiro de equipe Oscar Piastri, mas usando a estratégia e um ritmo de corrida superior, Norris venceu pela primeira vez ostentando o número 1 em seu carro. Max Verstappen se aproveitou do abandono de Piastri e mesmo reclamando bastante do carro, chegou em segundo com Antonelli limitando os danos do pior final de semana da Mercedes até aqui para subir ao pódio em terceiro e ainda aumentar sua vantagem no campeonato.
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Uma semana depois do vexame em Spa, a F1 respirou aliviada com a chegada à Hungaroring, com suas retas curtas e muitas freadas proporcionando que as baterias recarregassem rapidamente, evitando o cenário visto em Silverstone e Spa. Até mesmo a velocidade dos carros voltou à transmissão da TV, assim como as câmeras on-board no final das retas.
Uma das atrações do final de semana húngaro era o novo pacote de melhorias da Aston Martin. Vindo de inúmeros constrangimentos nas últimas etapas, a Aston Martin aportou em Hungaroring com um carro praticamente novo e a melhoria foi instantânea. Se antes os carros verdes tomavam até 2s para a Cadillac em volta rápida, na Hungria Alonso conseguiu até mesmo passar ao Q2, superando no processo também a Williams, que vive uma fase daquelas, além de deixar a Cadillac sozinha no ‘rabo da vaca’.

Photo by Peter Fox/Getty Images
Bortoleto (foto acima, à frente de Bearman e dos Williams) teve uma classificação agitada, com uma volta anulada no Q1 e uma rodada de Hadjar na sua frente arruinando sua volta no Q2. Após infringir várias derrotas ao companheiro de equipe, na Hungria Gabriel acabou superado por Hulkenberg, que foi ao Q3. Em nenhum momento do final de semana a Mercedes mostrou a mesma força de outros finais de semana, com Antonelli novamente muito na frente de Russell. Uma melhora no TL3 deu esperanças ao italiano, mas a Ferrari demonstrou muita força em todos os treinos livres, além de Lando Norris sempre entre os primeiros. E colocando muito tempo em Piastri.
Especialista em Hungaroring, Hamilton conseguiu o melhor tempo no Q3 na primeira tentativa, com Norris logo atrás. No entanto, a segunda tentativa dos pilotos foi bastante complicada e rendeu punições. Assim como ocorreu na Áustria, Verstappen saiu da pista e reclamou horrores da aerodinâmica do seu carro. Antonelli vinha logo atrás e mesmo com bandeira amarela, melhorou seu tempo. O italiano da Mercedes não melhorou sua quarta posição, mas foi punido com três posições no grid.
Russell terminou sua volta no Q3 com um tempo pior que o de Kimi e ainda parou seu carro no final da reta, com um vazamento de água, escapando por pouco de uma punição. Lewis Hamilton foi o primeiro a marcar tempo na segunda tentativa e não melhorando o seu tempo, o inglês da Ferrari ficou lento e claramente atrapalhou a volta de Piastri, o último a sair da pista. Sem surpresas, Hamilton acabou punido também em três posições. Para piorar, Lewis viu Norris superar seu tempo por meros doze milésimos de segundo, tendo que largar em quinto. Algo que faria bastante diferença na corrida, enquanto Lando Norris voltava a largar na pole depois de bastante tempo.
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Como normalmente ocorre em Budapeste nessa época do ano, o sol surgiu brilhante no céu magiar neste domingo e estava um dia perfeito para uma corrida de F1 em Hungaroring, palco que completa nesse domingo quarenta anos na F1, com direito a várias curvas homenageando grandes pilotos do passado. E a curva um ser chamado agora de Piquet era quase uma obrigação. O forte calor na Hungria fez com que os estrategistas pensassem que repetir a estratégia vencedora do ano passado, de uma única parada, ser bastante complexa, sem contar que historicamente ultrapassar em Hungaroring é ainda mais difícil do que em outras pistas. Se o posicionamento em pista já faz diferença em outros circuitos, em Hungaroring é ainda mais importante, começando por conseguir uma boa largada.
Nos dois últimos anos virou folclore na F1 a forma como Lando Norris estragou inúmeras poles ao perder a posição na largada. Nesse domingo o representante da McLaren conseguiu sair bem e manteve a ponta na curva um. Atrás dele Oscar Piastri, beneficiado pelas punições de Hamilton e Antonelli, largou muito bem e ainda na primeira curva ultrapassara Leclerc. No aproche da segunda curva, Norris deu uma espalhada e Piastri tomou a liderança.
A largada não foi das mais tranquilas. George Russell, em mais um final de semana medonho, ficou praticamente parado no grid e se felizmente não foi atingido por ninguém, teria que iniciar uma corrida de recuperação vindo das últimas posições. Se a Ferrari já sentira o golpe da punição de Hamilton na classificação, levaria outro na primeira volta, com Verstappen também deixando Leclerc para trás, mesmo o monegasco tendo largado com pneus macios. Lewis, com pneus macios novos, também ultrapassou Charles, mas ficou atrás de Max, inclusive com um ligeiro toque eles na curva 3. Antonelli conseguiu uma largada decente, se livrando dos ataques de Hadjar para ficar em sexto.
Piastri não mostrara nada demais no final de semana húngaro, mas com ar livre o australiano se manteve confortavelmente na frente de Norris, enquanto Verstappen claramente segurava Hamilton com pneus melhores que o dele. Lewis fustigou bastante, mas não foi capaz de abalar Verstappen (foto abaixo, passando por Lawson), que parecia bem mais incomodado com os problemas no seu Red Bull. Max reclamava de praticamente tudo no seu carro, mas ainda conseguia se manter na frente de Hamilton, que via suas chances de vitória irem pelo ralo ao ficar empacado atrás de Verstappen.

Photo by Attila KISBENEDEK / AFP via Getty Images
Na medida em que a corrida seguia, algumas ‘cartas’ eram colocadas na mesa. Norris se aproximou de Piastri e mandava indiretas via rádio, enquanto Antonelli ficava a uma boa distância de Leclerc. Tentando dar o ‘pulo do gato’ e tendo largado com pneus macios, Hamilton inaugurou a rodada de paradas ainda na volta 13, indicando que pararia pelo menos duas vezes. O inglês voltou à pista mais rápido e quando a Red Bull respondeu ao movimento da Ferrari na volta seguinte, era nítido que o ‘undercut’ era poderoso, pois com pneus duros novos Hamilton conseguiu emergir na frente de Verstappen. Temendo pelo exemplo demonstrado por Hamilton, a McLaren rapidamente chamou seus dois pilotos, Piastri na frente de Norris. Enquanto a McLaren parava seus dois pilotos, ocorria a manobra da corrida.
Hamilton retornava em meio aos carros da Racing Bulls e quando ultrapassava Liam Lawson, Max Verstappen enxergou uma oportunidade, ainda com as memórias de 2024, quando os velhos rivais Lewis e Max bateram e Verstappen literalmente saiu voando. Verstappen freou muito mais tarde e numa manobra belíssima, ultrapassou um impressionado Lawson e mais uma vez tomou a frente de Hamilton.
Com o ego ferido, Hamilton tentou atacar Verstappen de todos os modos, mas o neerlandês não deu chances. A primeira rodada de paradas deixou os quatro primeiros bem próximos e quando Piastri deu de cara com Hadjar, o francês da Red Bull tentou ao máximo ajudar seu companheiro de equipe, mas o máximo que conseguiu foi ficar algumas curvas entre Max e Lewis. Andrea Kimi Antonelli mostrava o motivo do seu ritmo tão discreto e postergou sua parada ao máximo, só fazendo seu pit-stop na volta 22, em clara tentativa de parar apenas uma vez.
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Photo by Peter Fox/Getty Images
A corrida fica mais estática em sua metade, com a dupla da McLaren abrindo um pouco sobre Verstappen, que continuava a segurar Hamilton a ponto de Leclerc encostar no companheiro de equipe e sugerir uma troca de posições. Por sinal, isso também era solicitado por Norris. Com pneus duros o ritmo superior de Lando ficou mais evidente e o inglês começou a pressionar a McLaren para que tivesse ar livre. A chance veio algumas voltas mais tarde quando a McLaren chamou Piastri para a sua segunda visita aos pits na volta 33 e em teoria não parar mais. Contudo, a primeira rodada de paradas mostrara que o ‘undercut’ funcionava melhor que o ‘overcut’. Lando Norris subverteu a lógica e com um ritmo superior com pneus desgastados, fez sua segunda parada seis voltas depois de Oscar e ainda saiu na frente do companheiro de equipe (foto acima).
No entanto, Lando Norris pôde contar com a ajuda involuntária do seu amigo e antigo companheiro de equipe Carlos Sainz. O espanhol brigava com Alonso quando simplesmente ignorou as bandeiras azuis e acertou o carro de Piastri, que ficou transtornado dentro do carro. O ritmo superior de Norris fez a diferença, mas o tempo perdido no incidente com Sainz atrapalhou deveras Piastri. Sainz argumentou que teve problemas em seu painel com as bandeiras azuis, mas isso não justifica o seu erro. Por ter ajudado a definir a corrida, o castigo para Carlos (5s de punição) acabou sendo brando.
Na briga pelo terceiro lugar, a dupla da Ferrari parou mais cedo, enquanto Max Verstappen esticou seu segundo stint ao máximo, só parando nove voltas depois de Hamilton e quatro depois de Leclerc. No entanto a Red Bull tomou a decisão heterodoxa de colocar pneus macios no carro de Max com 28 voltas para o fim, para estranhamento do próprio Verstappen, que retornou dessa vez bem atrás de Hamilton e sofrendo ataque de Leclerc. Antonelli tentou colocar sua tática de uma parada em funcionamento e mesmo ultrapassado por Norris na volta 45, mantinha um ritmo interessante e longe de Piastri, que começava a ser acossado por Hamilton. Para surpresa de todos, inclusive de Kimi, a Mercedes chamou o italiano para os pits e executou uma segunda parada no carro de Antonelli.
Havia uma chance de haver um efeito sanfona como ocorreu na Áustria, com alguns carros vindo detrás se aproximando dos da frente nas voltas finais, mas então Piastri diminuiu seu ritmo e encostou seu carro na reta oposta com problemas no câmbio de sua McLaren. O Safety Car virtual apareceu e alguns pilotos aproveitaram para fazer uma terceira e última parada. Entre eles estavam Norris, Hamilton e Leclerc, que colocaram pneus macios usados.
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A manobra mudou o panorama da corrida, só não mudando Lando Norris destacado na frente. Após se livrar de Piastri na base da estratégia e do ritmo, Norris venceu de forma convincente, completando um final de semana próximo da perfeição do atual campeão da F1. O campeonato está praticamente fora de questão para Norris, mas a corrida de hoje mostra que a McLaren tem carro para conseguir algumas vitórias até o final do ano, enquanto Norris se mostra cada vez mais com as rédeas da McLaren. Piastri andou sempre atrás de Norris o final de semana inteiro e mesmo conseguindo um melhor posicionamento nos dois primeiros stints, o australiano foi claramente derrotado pelo seu companheiro de equipe. Se ano passado a McLaren tinha uma dupla de pilotos homogênea, a confiança conquistada pelo título fez a balança pender cada vez mais para Norris, enquanto Piastri parece perdido e com o título perdido de 2025 ainda lhe afetando.

Photo by Peter Fox/Getty Images
Quando Antonelli (foto acima, à frente de Norris) saiu dos pits após sua segunda parada, o italiano questionou a Mercedes o motivo da segunda parada, no qual recebeu como resposta que seu pneu duro iria perder muito rendimento e com pneus duros novos, ele poderia até brigar pelo segundo lugar. O VSC não fez com que Antonelli conseguisse um ataque frente a Verstappen, que chegou em segundo numa corrida muito inteligente do neerlandês, que lutou pelo melhor posicionamento, mas fez com que Kimi conquistasse mais um pódio. Antonelli contou com dois vacilos de Hamilton para subir ao pódio magiar. Primeiro que Hamilton ultrapassou Antonelli depois da linha do SC e quando a corrida reiniciou, o inglês teve que devolver a posição. Com pneus macios era esperado um ataque forte de Hamilton nas voltas finais, mas logo o inglês levaria um banho de água fria quando foi anunciado (mais) uma penalização, dessa vez por excesso de velocidade dentro dos pits. Os 5s de punição não apenas garantiam o pódio de Kimi, como fez Hamilton perder o quarto lugar para Leclerc. Um final de semana que parecia muito promissor para a Ferrari acabou com seus dois pilotos fora do pódio, enquanto Hamilton acumula uma série inacreditável de punições.
Antonelli foi um dos que saíram de Hungaroring com um baita sorriso no rosto. No pior final de semana da Mercedes em 2026 até agora, Antonelli subiu ao pódio e viu seus dois mais próximos perseguidores terminarem atrás dele, ou seja, Kimi aumentou sua vantagem no campeonato. Russell superou o seu problema na largada (o anti-stall entrou sem interferência de George) e rapidamente ultrapassou vários pilotos do pelotão intermediário, mas sua corrida estava fadada a terminar entre os últimos das equipes grandes. Russell ainda tentou uma estratégia parecida de Antonelli, mas assim como aconteceu com o italiano, George teve que fazer uma segunda parada, lhe garantindo um amargo sétimo lugar. A situação de Russell dentro da Mercedes só piora.
Hadjar apareceu na corrida mais tentando ajudar Verstappen do que fazendo uma corrida de ataque vem vinha na frente. O francês fez uma corrida solitária, terminando em sexto e marcando mais alguns pontinhos para a Red Bull no Mundial de Construtores. Para isso Isack Hadjar foi contratado.
A briga pelo posto de melhor do pelotão intermediário foi animada e parecia que Gabriel Bortoleto venceria essa ‘corrida’ novamente. O brasileiro fez uma ótima corrida, largando com pneus macios e fazendo-os funcionar até praticamente metade da prova, se garantindo para fazer apenas uma parada. Bortoleto estava em décimo e se aproximando de Lindblad quando o VSC apareceu. E a Gabriel faltou sorte, pois ele tinha acabado de passar pela entrada dos boxes, enquanto Lawson e Hulkenberg vieram logo em seguida e entraram nos pits para colocar pneus macios. Com dois pilotos melhor ‘calçados’ atrás de si e pneus duros desgastados, Gabriel não teve o que fazer e saiu da zona de pontuação.
Lawson e Hulkenberg também ultrapassaram Lindblad, fazendo o neozelandês ser o melhor do resto, mesmo que já uma volta atrás, enquanto Hulkenberg marcou seus primeiros pontos em 2026, com a nona posição. Hoje Audi e Racing Bulls tem os melhores conjuntos do pelotão intermediário, tomando o lugar de Alpine e Haas, que perderam espaço para as rivais.
Destaque para a Aston Martin, que também em ritmo de corrida deu um enorme pulo com seu pacote de updates, deixando Haas e Williams para trás no processo. Alonso chegou a correr na zona de pontuação, mas perdeu tempo como Bortoleto no momento do VSC. Já a Cadillac se isola como a pior equipe da F1 atual, com direito a carros que se desmancham e se incendeiam sozinhos.
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A F1 entra de férias com Andrea Kimi Antonelli mais líder do que nunca e já entrando em ritmo de pensar no campeonato. Não tem carro para vencer? Kimi marca o maior número de pontos possíveis. O grau de maturidade de Antonelli impressiona. Assim como Antonelli muda seu mindset para o modo ‘pensar no campeonato’, Russell terá que começar a pensar em evitar o vexame de perder o vice-campeonato tendo o melhor carro do ano. Sérgio Pérez foi defenestrado da Red Bull por algo parecido…

Photo by Mark Thompson/Getty Images
Com metade do campeonato tendo passado, a F1 descansa rumo ao stint final com a Mercedes perdendo momentum, Verstappen se mantendo inevitável, McLaren e Ferrari crescendo, mesmo com os italianos ainda sofrendo com seus deslizes. Além de um regulamento técnico esdrúxulo, mas que a pista travada de Hungaroring escondeu bem seus problemas. Kimi não tem nada com isso e não lamentou a primeira vitória de Lando Norris em 2026 (foto acima).
Abraços!
João Carlos Viana