Escondendo as cartas

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A nota destes testes pré-temporada é a tática da cortina de fumaça, com todo mundo fingindo, fazendo de conta, escondendo as cartas.

 

Sabem qual foi o principal (e único) fato dos três dias de testes em Barcelona? O chassi do Lotus-Renault pifar. O resto é bobagem, bullshit, papagaiada. A nota destes testes pré-temporada é a tática da cortina de fumaça, com todo mundo fingindo, fazendo de conta, escondendo as cartas.

Vettel no primeiro dia, Hulkenberg no 2º, Maldonado no 3º dia foram os mais velozes: você acredita que o venezuelano (e a Williams) tem esse potencial todo? Eu não. E Hulkenberg de Force India, é tudo isso mesmo? É nada.

Então, como disse, o principal e único fato é o chassi do Lotus ter dado pau. Imaginem só se uma equipe de F1, da campeã Red Bull à risível Marussia, gosta de ter de arrumar as tralhas e abandonar testes de três dias logo no primeiro, após sete míseras voltas? Um desastre!

Se o fez, é porquê tinha motivo. Em um primeiro momento disseram que o chassi nº 1, usado em treinos anteriores, estava sendo mandado para Barcelona para substituir esse, de nº 2, para o prosseguimento do trabalho. Mas logo tiveram que desdizer e isso significa que o problema é grave e afeta tanto o 1 quanto o 2: Grosjean deve ter tomado um sustão, detectado alguma anomalia que – dizem – obrigará a equipe a fazer chassis novos. Nesta altura, é quase como jogar a temporada pela janela… Pobre Lotus!

Problemas estruturais não são comuns na F1 de nossos dias, mas podem acontecer clamorosos erros, que obriguem a uma equipe colocar a bunda de fora em praça pública, como fez a Lotus agora em Barcelona.

Então, depois de explicitar a única verdade destes treinos, volto às mentiras: Maldonado o mais rápido de Williams e Hulkenberg de Force India. Faz me rir…

Até gostaria que nesta temporada uma grande surpresa acontecesse, como por exemplo Raikkonen com a Lotus fazer algo semelhante a Button com a Brawn temporadas atrás. Mas – puro palpite – nada mudará na frente do grid, acho: Red Bull com seus meninos ainda na ponta, o dueto da McLaren pertinho, Don Alonso na área e as Mercedes “no grau”. Massa? Não acredito mais nele, sorry…

Separador

Houve um tempo que estes testes pré-temporada eram sérios, e basta lembrar que apenas os pilotos regularmente inscritos como titulares eram os que treinavam. Não havia esses ET de nomes desconhecidos (Bottas? Quem é?) fazendo figuração, não havia esse festival de variedades nos cockpits rodando em configurações impossíveis (pneus ultra macios, nada de combustível…) para despistar reais potenciais, atrair patrocinadores, enganar a plebe ignara.

Me expliquem qual é o senso de fazer rodar em carros plenamente novos e portanto precisando de desbastamento, lapidação, pilotos que mal saíram do cueiro? Para a maioria destes “pilotos de teste” rodar em um Fórmula 1 significará uma baita dor no pescoço e tempos de vários segundos mais lento do que o real potencial da bagaça na mão de um “real driver”. Então, para quê?

Deve haver uma razão, e ela passa pela caixa registradora certamente, alguma malandragem que ainda não pesquei mas que dá às equipes alguma vantagem que, repito, não está no acerto do carro.

Schumacher que – lembremos – desde que voltou à F1 não pisou em um pódio, rodou como um desesperado em Barcelona com o novo Mercedes. Trabalhou como um cavalo puxando arado para tentar voltar a gloria, nem que seja por um átimo, e suas 127 voltas lhe renderam um tempo quase um segundo mais lento que o “fenomenal” Maldonado e sua “fenomenal” Williams.

Portanto, como disse, é tudo mentira. E veremos isso daqui menos de um mês, dia 18 de março, quando a quadriculada descer em Melbourne.

P.S.: Adoraria estar 100% errado.

Roberto Agresti

Roberto Agresti
Roberto Agresti
"Rato" de Interlagos que, com sorte (e expediente), visitou profissionalmente Hockenheim, Mônaco, Monza, Suzuka e outras. Sempre com uma câmera na mão e uma caneta na outra.

2 Comments

  1. Manuel disse:

    Dia o ditado que : ” Quando te sintas forte… finja fraqueza, e quando te sintas fraco… finja fortaleza “

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