

Lendas também podem ser discretas.
Mario Andretti correu por 44 anos, quase sempre em várias categorias ao mesmo tempo, sendo reconhecido em todas elas e conquistando 109 vitórias em Indy (quatro títulos mais uma vitória na Indy 500, em 69), protótipos (correndo pela Ford, Ferrari e Porsche) e Nascar, entre outras em pistas mistas e ovais, sobre asfalto e terra.
Na F1, obteve comparativamente poucas vitórias – doze – e 18 poles em 128 GPs disputados. Conquistou brilhantemente o título de 78, tirando proveito de um carro revolucionário da Lotus, largamente superior à oposição.
Andretti nasceu na Itália em 1940 e migrou para os Estados Unidos aos 15 anos. Estreou no automobilismo aos 19 anos e só encerrou a carreira depois, após um pavoroso acidente nos treinos para Indy 2003.
Tentou voltar à F1 recentemente, como sócio da equipe agora batizada de Cadillac, mas não rolou.
A seguir, um breve registro dos F1 pilotados por Andretti.
1968 e 1969 – Lotus 49B e 63
Andretti conheceu Colin Chapman em 1965, em Indy, e lhe disse que gostaria de tentar a sorte na F1. Andretti não havia se esquecido do que vira em Monza 54, um GP extraordinário, vencido por Juan Manuel Fangio pilotando um Mercedes, depois de dura disputa com Alberto Ascari, com Ferrari, e Stirling Moss, com Maserati.

Em 68, Andretti se acertou com Chapman, ocupando o lugar que fora até o começo da temporada de Jim Clark. Chegou a disputar os treinos para o GP em Monza com um Lotus 49B (foto acima), equipado com o motor Ford Cosworth, marcando o 10º tempo nos treinos. Em seguida, voou aos Estados Unidos, para competir em outra corrida. Os organizadores italianos alegaram um veto regulamentar e não o deixaram largar.
Assim, ele estreou na F1 em Watkins Glen, um mês mais tarde, marcando a pole, à frente de seu companheiro de equipe, Graham Hill, e do futuro campeão da temporada, Jackie Stewart. Na largada, Andretti foi superado por ele, correndo em 2º até a volta 13, quando passou a ter problemas de embreagem. Abandonou na volta 32.
Voltou ao 49B no primeiro GP de 69, na África do Sul. Chegou a andar em 2º, mas abandonou com problemas de câmbio e só retornou seis meses mais tarde, no GP da Alemanha, desta vez pilotando o lindinho Lotus 63 (foto abaixo), com tração nas quatro rodas e que rendeu apenas dor de cabeça a quem experimentou esta modalidade de tração na F1. Correndo Nurburgring, Andretti marcou o 15º tempo no grid e bateu logo na primeira volta.

Ele usaria novamente o 63 em Watking Glen e, desta vez, conseguiu completar três voltas antes de abandonar com problemas de suspensão.
1970 – March 701
A March desembarcou na F1 em 1970 com planos para lá de ambiciosos, apesar de ter sido criada apenas no ano anterior.
No primeiro GP do ano, na África do Sul, cinco carros da marca – o modelo 701 (foto abaixo), equipado com o motor Ford Cosworth e que trazia em seu projeto elementos que seriam retomados quando do desenvolvimento do efeito solo –, alinharam para a largada, tendo ao volante Stewart, campeão em 69, Johnny Servoz-Gavin (ambos correndo pela equipe Tyrrell), Andretti, Chris Amon e Jo Siffert. Stewart e Amon marcaram os dois melhores tempos na largada e o escocês terminou em 3º, vencendo a etapa seguinte, na Espanha.

Neste GP, Andretti tem seu único resultado válido no ano, terminando em 3º. Ele some pelos quatro GPs seguintes. Volta para as corridas em Brands Hatch, Hockenheim e Áustria, abandonando nas três e encerrando sua participação na temporada.
1971 E 1972 – FERRARI 312B E 312B2
Em 1970, Mario Andretti obtém uma das maiores vitórias da sua carreira, nas 12 Horas de Sebring, para carros sport-protótipos, com um Ferrari 512.
No ano seguinte, ele era contratado por Enzo Ferrari para compor sua equipe de F1. Ele é inscrito em dez dos onze GPs do ano, mas só larga em cinco deles, usando o modelo 312B (foto abaixo) nos três primeiros e o 312B2 nos outros dois.

Ele vence na África do Sul, a primeira prova do ano, aproveitando-se dos problemas de Denny Hulme, que liderou até quatro voltas do final, e chega em 4º em Nurburgring.
Em 72, de novo com o 312 B2 (foto abaixo, o modelo equipado com um bico “limpa-neve”, abandonado rapidamente), ele pontua na África do Sul, um 4º lugar, e Watking Glen, um 6º. Participa de outros três GPs, abandonando em dois e terminando em 7º em Monza.

1974, 1975 e 1976 – Parnelli VP14 e VP14B
Em 1973, Andretti ficou pelos Estados Unidos, voltando à F1 no ano seguinte, com a estreante equipe Vel’s Parnelli, que tinha Parnelli Jones como um dos seus criadores.

Em 74, a equipe só participou dos dois GPs finais do ano com o modelo VP14 (foto acima), equipado com o motor Ford Cosworth, sem pontuar.
No ano seguinte, só não participou de dois dos 14 GPs do ano, pontuando modestamente em dois deles. Em 76, participou com o modelo VP14B (foto abaixo), do segundo e terceiro GPs do ano, conseguindo um 6º lugar na África do Sul. A equipe abandonou a F1 em seguida, e Andretti foi para a Lotus.

1976 – Lotus 77
Andretti retomou a ligação com Colin Chapman no começo do ano, tendo disputado pela Lotus o GP de abertura da temporada, em Interlagos, batendo o modelo 77 (foto abaixo), equipado com motor Ford Cosworth, assim como os demais Lotus que pilotou.

Depois do intervalo na Parnelli, Andretti acerta um contrato com Chapman, com dedicação quase total à F1, só abrindo exceção ao GP de Mônaco, que ele troca pela disputa da Indy 500. Na F1, os resultados demoraram um pouco a aparecer – mas apareceram: 3os lugares na Holanda e Canadá e vitória no Japão, a última corrida do ano, debaixo de chuva forte, a corrida da desistência de Niki Lauda e do título de James Hunt. Andretti assumiu a liderança a dez voltas do final, depois de largar na pole.
1977 e 1978 – Lotus 78
O investimento de Chapman em Andretti dá frutos. Ele participa de todas as corridas de 77 e se envolve no desenvolvimento do carro-asa, uma ideia que rondava a F1 há anos, para tirar vantagem do efeito solo, mas que só deu resultado quando Chapman e seus engenheiros se dedicaram ao assunto.

O resultado é o Lotus 78 (foto acima), um carro belíssimo, que Andretti ajudou a desenvolver muito na base de experimentos na pista. Ele venceu quatro GPs em 77 – Long Beach, Espanha, França e Monza –, terminando em 2º em Watking Glen, além de ter conquistado sete poles na temporada. Com mais algumas pontinhos conquistados, terminou o ano em 3º no Mundial de Pilotos.
Andretti segue pilotando o Lotus 78 nos primeiros cinco GPs de 78, vencendo na Argentina e chegando em 2º em Long Beach, saindo de lá com liderança do campeonato.
1978 e 1979 – Lotus 79
No 6º GP de 78, na Bélgica, a Lotus estreia o modelo 79 (foto abaixo), subindo na escala de beleza e levando o carro-asa a outra dimensão de eficiência. Andretti vence este e o GP seguinte, marcando a pole em ambas as provas. Nos seis GPs seguintes, consegue mais três vitórias, França, Alemanha e Holanda, garantindo para si o Mundial, mesmo indo mal nos três GPs finais, certamente abalado pela morte de Ronnie Peterson, seu companheiro de Lotus, em Monza.

A equipe segue com o modelo 79 na temporada seguinte, agora com as cores da Martini, mas toda a superioridade do carro se perde, Ferrari e Williams dominando a arte do efeito solo. São oito quebras em doze GPs disputados, os demais com resultados muito modestos, inclusive nos treinos. Um final melancólico para um dos carros mais importantes da história.
1979 – Lotus 80
Nunca consegui me decidir pelo mais belo Lotus de todos os tempos, o 78, 79 ou o 80 (na foto abaixo e também a que abre esta coluna). Neste minuto, penso que é o 80 e não poderia haver mais distância entre a beleza do modelo e sua eficiência nas pistas.

Chapman investiu muito neste carro, tentando levar o efeito solo ao seu limite. Falhou miseravelmente. O carro se revelou impossível de ser dirigido, sofrendo de algo que voltaríamos a ouvir mais recentemente: porpoising.
Estreou na Espanha e deu a Andretti o 3º lugar, atrás de seu companheiro na Lotus, Carlos Reutemann, que correu com o modelo 79. Na sequência, vieram Mônaco e França, Andretti tendo usado em ambos o Lotus 80, com pobres desempenhos nos treinos e dois abandonos. Depois, disso, a equipe retirou o modelo e voltou ao 79. Foi um triste fim para um carro belíssimo.
1980 – Lotus 81

O último ano de Andretti na Lotus. Foram 14 GPs disputados com o modelo 81 (foto acima), nove quebras e um único ponto conquistado: 6º lugar em Watkins Glen, enquanto seu companheiro de equipe, Elio De Angelis, conseguia 13 pontos ao longo do ano.
1981 – Alfa Romeo 179C e 179D
Andretti passa à equipe Alfa Romeo, mas segue tendo péssimos resultados. Empurrados por um motor V12, o modelo 179C (foto abaixo) é usado nos nove primeiros GPs do ano e o 179D, virtualmente indistinguível do antecessor, nos seis restantes. Ao todo, serão oito quebras no ano, Andretti terminando com apenas um 4º lugar, por ironia em seu GP de estreia na equipe, em Long Beach. Seu companheiro, Bruno Giacomelli, termina o ano com sete pontos…

1982 – Williams FW07C e Ferrari 126C2
Andretti volta a se concentrar nas corridas americanas – e será muito feliz por lá nos próximos vinte anos. Mas tem três recaídas pela F1 em 82.

A primeira delas é no GP de Long Beach, onde pilota para a Williams, campeã entre os construtores na temporada anterior. Andretti pilota o modelo FW07C (foto acima), equipado com motor Ford Cosworth. Larga em 14º e abandona quando estava na 9ª posição.
A Ferrari o chama para o GP de Monza, ainda tentando se recuperar da morte de Gilles Villeneuve e do grave acidente de Didier Pironi. O carro é o 126C2 (foto abaixo), com um brutal motor V6 turbo.

Para delírio da torcida italiana, Andretti marca a pole, batendo Nelson Piquet por três centésimos de segundo. Mas ele cai para 4º na largada e termina em 3º, sendo superado por Patrick Tambay, seu companheiro na Ferrari.
Andretti participa também do GP seguinte, em Las Vegas, cujo nome exato me recuso a escrever pelo ridículo que encerra. Ele larga em 7º e abandona na volta 26, quando corria em 5º lugar.
Houve um quase retorno dois anos mais tarde, mas não rolou… Andretti foi inscrito pela Renault para o GP de Detroit. O titular da equipe, Tambay, havia se acidentado em Mônaco e não se tinha certeza de que poderia correr – mas correu e Andretti sequer treinou.
Bom final de semana a todos
Edu
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2 Comments
Na minha opinião, um dos 3 melhores pilotos da história do automobilismo norte-americano, junto com o Richard Petty e o A.J. Foyt, sem dúvida.
Mas é importante salientar que o Mário Andretti se aposentou no final de 1994. Na edição de 2003 da Indy 500, ele estava apenas testando o carro do Tony Kanaan.
Marcelo C.Souza
Dias D’Ávila – BA
Edu,
Mais show de “Fotos Legendas ” com Mário Andretti .
Certamente ele não aparece entre os top’s na história da formula 1. Mas com certeza eu coloco ele entre os top 5 entre os pilotos mais raízes da história do automobilismo mundial pela sua trajetória nas pistas.
Ele deu muita sorte nesse acidente na Indy …se o carro dele pousa de cabeça pra baixo certamente as consequências seriam trágicas
Fernando Marques
Niterói RJ