Neste vídeo do canal do GPTotal, gravado em parceria com o canal @historiaeesporte, Jo Ramírez relembra em detalhes seu convívio com Ayrton Senna, Alain Prost, George Harrison, Niki Lauda e tantas outras lendas, desenhando um painel rico e detalhado do que foi a mágica Fórmula 1 dos anos 80 e 90.
Marcel Pilatti e Marcio Madeira conduzem a entrevista, publicada em nosso canal em 17 de junho de 2024.
Aqui, a gravação completa:

A partir daqui, os principais temas abordados com os respectivos links diretos, gentileza do Gemini:
🎸 Amizade com George Harrison
- Origem da relação: Jo conheceu o integrante dos Beatles por meio de Jackie Stewart, que era próximo da banda, em especial de George (4:56).
- Paixão por velocidade: Harrison era fascinado por automobilismo e possuía uma raríssima McLaren F1 de rua (4:35). Ele costumava acompanhar a equipe de perto nas corridas, principalmente na Austrália, motivado por sua admiração por Ayrton Senna (4:44).
- Festa improvisada e música inédita: após o GP da Austrália (final dos anos 90), onde a McLaren quebrou um jejum de 49 corridas sem vitória, George ligou cobrando uma comemoração (5:47). Naquela mesma madrugada, por volta das 4h da manhã, Harrison sentou-se ao piano do hotel e improvisou uma música bem-humorada intitulada “Because Bernie Said So” (Porque Bernie disse assim) (8:21).
🤝 Chegada à McLaren e parceria com Ron Dennis
- A proposta: Ron Dennis e Jo Ramírez jogavam squash juntos na Inglaterra aos domingos (10:21). Quando Ron assumiu o controle majoritário da McLaren com o apoio da Marlboro, convidou Jo para ser coordenador (11:15).
- O dilema inicial: Jo recusou o primeiro convite em 1982 por preferir ser “um peixe grande em um lago pequeno” na Shadow (onde era o chefe), em vez de ser um peixe pequeno em uma McLaren cheia de diretores (12:19).
- O acerto: um ano depois, percebendo que a Shadow fecharia por falta de motores Turbo, Jo aceitou o cargo durante a festa de Natal da McLaren, em dezembro de 1983 (13:09).
🏎️ Temporada mágica de 1984: Lauda vs. Prost
- Início difícil: nos testes coletivos no Rio de Janeiro, a eletrônica da Bosch falhou constantemente, fazendo a equipe rodar apenas 300 km em sete dias (14:49).
- Domínio avassalador: apesar do susto inicial, a Bosch corrigiu os problemas. A McLaren venceu a primeira corrida e faturou 12 das 16 etapas daquele ano (15:27).
- Guerra de bastidores: Prost era o mais rápido na pista, mas Lauda era um mestre fora do cockpit (21:54). Niki venceu o campeonato por apenas meio ponto, uma desvantagem que Prost só assimilou após aprender os jogos mentais e a malícia política de Lauda para usar nos anos seguintes (23:17).
⚔️ A era Senna e Prost (1988 – 1989)
- Obsessão de Senna: Ayrton entrou na equipe em 1988 com uma fixação absoluta – derrotar Prost, que era o atual número um do mundo (35:40). No GP de Mônaco de 1988, Senna enfiou 1,5 segundo de vantagem sobre Prost na classificação (35:52).
- Cena de bastidor: Jo relembra que Prost olhava os dados de telemetria no caminhão e dizia assustado: “eu não entendo onde ele tira tanto tempo. Ele é rápido demais!” (39:36). Senna, sentado no chão do mesmo caminhão ainda de macacão, olhava de rabo de olho para Jo com um sorriso aberto (38:52).
- A quebra do pacto em Ímola (1989): havia um acordo de cavalheiros de que quem largasse na frente não seria ultrapassado até a curva Tosa (51:37). Após a segunda largada (devido ao acidente de Berger), Prost pulou na frente, mas Senna o ultrapassou na frenagem (52:49). Prost ficou furioso, recusou-se a ir à coletiva e a harmonia da equipe acabou ali, dividindo a McLaren em duas facções internas (53:54).
- Diferença técnica: Prost era um piloto metódico e brilhante em acertar o carro, enquanto Senna tinha dificuldades em fazer grandes mudanças de ajuste, preferindo copiar o acerto de Prost e compensar qualquer imperfeição com seu talento bruto e improvisação (58:05). Assista em 00:57:18.
🇯🇵 Os títulos polêmicos em Suzuka
- Suzuka 1989: Jo revela que no dia seguinte à famosa colisão provocada por Prost na chicane, ele confrontou o francês no aeroporto (1:06:02). Disse que Prost cometeu um erro ao sair do carro, pois o monoposto não tinha danos e ele teria vencido a prova se continuasse na pista (1:06:34).
- Suzuka 1990: Após Jean-Marie Balestre negar a mudança da pole position para o lado limpo da pista, Senna deliberadamente bateu na Ferrari de Prost na largada (1:15:31). Jo relata que a garagem inteira da McLaren assistia à TV torcendo para que a direção de prova interrompesse a corrida para que pudessem usar o carro reserva, mas a prova seguiu e Ayrton garantiu o título na caixa de brita (1:16:49).
🏆 O jogo de equipe de 1991 e a despedida de 1993
- GP do Japão de 1991: o plano era Gerhard Berger abrir vantagem na frente enquanto Senna controlava Nigel Mansell (1:23:46). Quando Mansell rodou sozinho e abandonou, o título de Senna estava garantido (1:24:29). Ayrton acelerou tudo, passou Berger e abriu grande distância (1:25:10). Pelo rádio, Ron Dennis gritava desesperado: “Deixe o Gerhard ganhar!”, e Senna ironizava simulando estática: “Não estou te ouvindo, a comunicação está péssima!” (1:25:33). Na última curva da última volta, Senna abriu espaço de forma escancarada para Berger passar, apenas para provar ao mundo que estava dando a vitória de presente (1:26:00).
- GP da Austrália de 1993: última corrida de Senna pela McLaren e última da carreira de Prost (1:33:22). Jo conta que, no grid, Senna apertou sua mão fortemente e, emocionado, confessou o quão estranho era fazer aquilo pela última vez no time (1:34:47). Horas depois, no pódio, Senna puxou Prost para o degrau mais alto em um gesto histórico de reconciliação (1:37:58). À noite, curtiram juntos o show de Tina Turner, que chamou Senna ao palco para cantar “The Best” (1:36:03).
💔 O impacto de Ímola 1994 e os 10 anos de tribunal
- Luto e funeral: Jo tinha passagens compradas para o funeral de Senna no Brasil e o aval da família, mas cancelou o bilhete na véspera por não suportar a ideia de ver o povo brasileiro chorando um ídolo que ele só conhecia sorrindo e celebrando (1:42:38).
- Os bastidores da Justiça italiana: Adrian Newey (projetista da Williams no acidente) mudou-se para a McLaren anos depois, enquanto o processo criminal na Itália ainda corria (1:45:11). Como Newey não falava uma palavra de italiano, Jo Ramírez passou anos atuando oficialmente como o tradutor pessoal de Newey nos tribunais de Bolonha, mediando depoimentos exaustivos até o fechamento definitivo do caso, dez anos após a batida na Tamburello (1:45:27).