
Largando na pole após dominar os treinos livres e impor a maior diferença para o segundo colocado nos últimos anos na classificação, ainda assim havia quem duvidasse que George Russell entregasse uma vitória dominante em Baku, no último sábado (foto acima, cruzando a linha à frente da Verstappen). O ano de 2026 não está sendo dos melhores para o inglês da Mercedes, com George espalhando a farofa em momentos decisivos, sendo Monza o maior exemplo.
Em Baku, porém, Russell finalizou o final de semana com a vitória, conquistando seu primeiro Grand Slam (vitória, pole, melhor volta e todas os giros na ponta) na carreira, capitalizando o erro de Antonelli na classificação, algo que faltou em outras oportunidades nessa temporada. Max Verstappen fez uma grande corrida de recuperação e quase tirou a vitória de Russell na linha de chegada, mostrando que a primeira vitória de Max em 2026 está próxima, tendo seu companheiro de equipe, o retornado Isack Hadjar, ao seu lado no pódio
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Chegamos aos fins de setembro e a F1 tem vários assuntos pendentes e algumas definições se desenhando. As duas corridas finais no Oriente Médio ainda estão em suspenso, com a guerra no Irã ainda acontecendo, mesmo que com menos intensidade. As etapas no Catar e Abu Dhabi ainda não foram canceladas e mesmo com a possibilidade de mísseis passarem por cima da cabeça do circo da F1, os milhões de dólares que os emirados injetam na F1 por causa dessas corridas pode fazer a F1 esquecer qualquer problema bélico na região.
Por sinal, esse problema afeta diretamente a disputa da F2, com o brasileiro Rafael Câmara liderando o campeonato após a etapa de Baku e como as duas próximas etapas programadas da F2 são no Oriente Médio, Câmara pode ter sido campeão nesse final de semana e nem ter podido comemorar apropriadamente.
O fracasso do novo regulamento técnico, que se fez presente em Baku com o famigerado superclipping aparecendo na metade final da longa reta dos boxes do circuito de rua na capital do Azerbaijão, apressa a FIA em trazer um novo motor o mais breve possível. Ao invés da trapizonga que é o motor atual com metade da potência num motor de combustão interna e a outra metade numa bateria elétrica, a FIA estuda um motor mais simples, mesmo que desagrade algumas montadoras.
Desde as primeiras atividades em Baku, que ocorreram já na quinta-feira, a Mercedes dominou o pelotão como fizera nas primeiras etapas do ano, com Russell bem à frente de Antonelli. O que ninguém esperava era ver Antonelli errar durante o Q1 e destruir sua classificação, tendo que largar em 16º, à frente da decepcionante Audi, que trouxe uma grande atualização, além de Cadillac e Aston Martin, que passou um vexame histórico ao ver seus dois carros conseguirem velocidades máximas inferiores aos bólidos da F2.
Sem Antonelli e com menos pressão, vimos um George Russell solto no Q3, conseguindo um tempo impressionante, superando em quase 1s a Ferrari de Leclerc. Verstappen deu pinta que poderia incomodar, mas o neerlandês acabou tendo problemas em seu motor e teve que se contentar com a oitava posição, ficando atrás até mesmo do seu companheiro de equipe Hadjar (a dupla da RBR, na foto abaixo), que retornou nesse final de semana após três corridas de molho por uma fratura no pulso. A McLaren parecia forte, mas Norris acabou errando em sua volta decisiva, terminando em quinto, perdendo terreno até mesmo para Piastri, algo não muito comum em 2026.

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Por causa de um grande feriado no Azerbaijão, em respeito ao Anim Gün (Dia da Memória), o Grande Prêmio do Azerbaijão de 2026 aconteceu no sábado, com a largada acontecendo num horário mais cedo que o normal. Vindo de uma corrida bastante ruim em Madri, era esperado algo diferente em Baku, que normalmente entrega corridas agitadas, mas isso não aconteceu nas primeiras trinta voltas da corrida azerbaijana.
Russell largou muito bem e contornou a primeira curva confortavelmente na ponta, com Leclerc perdendo a segunda posição para Piastri já na curva um. Boa parte das atenções estava no pelotão de trás para observarmos o comportamento de Antonelli e o italiano foi mais cuidadoso do que o normal, perdendo uma posição e tendo que começar sua recuperação da décima sétima posição.
Enquanto Russell abria meio segundo por volta em média para Piastri, a dupla da Red Bull fazia uma ótima corrida nas primeiras voltas. Largando com pneus macios, Hadjar ultrapassou Norris, enquanto Verstappen deixou Gasly para trás na largada e ainda na segunda volta ultrapassou Hamilton, numa disputa que sempre é encarniçada entre os dois multicampeões, dada a rivalidade entre eles. Max não demorou para ultrapassar Norris e quando já estava próximo de Hadjar, o francês deixou Leclerc para trás na reta dos boxes na terceira volta. De forma esperada, a Red Bull ordenou a troca de posições após Verstappen ultrapassar a Ferrari de Charles e a forma como a Red Bull tinha uma certa superioridade sobre os carros do pelotão da frente indicavam que os dois poderiam até mesmo atacar Russell, mas a corrida se assentou quando a dupla encostou no segundo colocado Piastri (foto abaixo, com Leclerc logo atrás).

Vindo de uma péssima fase, Piastri fazia uma corrida sólida, como nos seus bons tempos, segurando muito bem a dupla da Red Bull. Todos os pilotos largaram com pneus macios ou médios, indicando uma taxa de desgaste baixa mostrada nos treinos livres e confirmada na corrida. Ao contrário da lógica, os pilotos com pneus macios tinham um rendimento até mesmo superior aos pilotos que optaram pelos médios no decorrer das voltas, a ponto de Hadjar (macios) pressionar em alguns momentos Verstappen (médios).
Quando os pilotos viam se aproximar o momento de realizar suas únicas paradas nos boxes, numa corrida bastante morna, Alex Albon enfiou sua Williams no muro na volta 30 (foto abaixo), trazendo o Safety Car. Naquele momento Russell tinha uma confortável vantagem de 10s sobre Piastri, que controlava muito bem a dupla Verstappen-Hadjar. Apenas Sainz tinha feito sua parada e todos os demais pilotos aproveitaram o momento para realizar suas trocas, ocasionando poucas trocas de posições.

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Toda relargada traz um grau de emoção e não foi diferente em Baku. Piastri vacilou por um momento no meio da reta dos boxes e Verstappen colocou de lado para assumir a segunda posição, porém, o maior vacilo da relargada não seria de Oscar. Numa verdadeira privação de sentidos, Franco Colapinto perdeu o ponto de freada e cometeu o maior crime dentro de uma equipe de F1: acertou em cheio seu companheiro de equipe (foto abaixo). Norris, que errou duas vezes antes da entrada do Safety Car, estava ao lado de Gasly e também foi atingido pela besteira de Colapinto, ocasionando o abandono dos três.

Um pouco mais atrás, a Racing Bulls experimentava um pouco do amargo remédio da Alpine com Lindblad batendo em Lawson, que retornou bem à equipe, fazendo o neozelandês rodar. Estranhamente Lindblad escapou de qualquer punição, enquanto o Safety Car que tanta falta fez em Madri, entraria pela segunda vez em Baku.
Antes da corrida Russell não descartava Verstappen da briga pela vitória, mesmo o piloto da Red Bull largando em oitavo. Max conseguira um ótimo ritmo de corrida e relargando em segundo e com pneus macios, Verstappen tinha uma boa chance de atacar e conseguir sua esperada primeira vitória em 2026. Russell relargou bem, mas passou as doze voltas seguintes com o seu espelho retrovisor cheio de Red Bull de Max Verstappen. Algo não muito interessante para um piloto da F1 atual.
Foi um jogo de alta pressão nas voltas finais, onde Russell caprichava no ponto forte da Mercedes, que era o segundo setor da pista, mais travado, enquanto Verstappen guardava toda a energia do motor elétrico na grande reta dos boxes. Qualquer vacilo de Russell e ele poderia ser engolido por Max na reta. E esse vacilo veio na última volta. Em um dia horroroso, Valtteri Bottas coroou sua corrida batendo seu Cadillac na curva 15, com todos os pilotos tendo que contornar a curva por uma última vez.
A bandeira amarela dupla estava no local e pela estreiteza do local, Russell tirou demais o pé, fazendo com que o turbo do motor Mercedes não entrasse de imediato. A bandeira verde estava tremulando no setor seguinte com Max Verstappen colado na Mercedes. Na corrida Sprint da F2 Rafael Câmara ultrapassou Noel Leon na linha de chegada e era isso que Max tentaria. E quase conseguiu. Numa das mais apertadas chegadas dos últimos anos, Russell cruzou em primeiro apenas 0,196s na frente de Verstappen.
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Apesar de quase ter cometido o crime, pode-se afirmar que George Russell fez o que dele se esperava, ou seja, venceu vindo da pole e se aproveitando do erro de Antonelli para tirar bons pontos do companheiro de equipe. Para quem esperava um Kimi tão forte como Monza, um circuito completamente distinto e um motor já usado tirou vários cavalinhos da chuva. Antonelli fez uma corrida pragmática dessa vez, fazendo ultrapassagens seguras contra o sempre perigoso pelotão intermediário e estava em oitavo quando o SC apareceu, pronto para atacar Gasly.
Kimi teve muita sorte na presepada de Colapinto, pois viu à sua esquerda o portenho destruir a corrida da Alpine e Kimi ainda recebeu um ligeiro toque de Bearman. Livre da confusão, Antonelli se aproveitou do erro de Piastri para subir para sexto e ainda conseguiu ultrapassar Hamilton para receber a bandeirada em quinto, controlando bem os danos pelo erro da véspera.
A Red Bull fez sua melhor corrida no ano e colocou, com méritos, seus dois pilotos no pódio. Verstappen manteve seu alto nível e ficou a menos de dois décimos de conseguir sua merecida vitória. Em sua volta à F1, Hadjar fez uma bela corrida, comemorando sua renovação de contrato com a Red Bull, andando próximo de Verstappen o final de semana inteiro e sabendo seu lugar quando tinha mais ritmo antes da parada dos dois.
Se Mercedes e Red Bull tiveram o que comemorar no final do dia, o mesmo não se pode dizer de Ferrari e McLaren. Leclerc ainda conseguiu um lugar na primeira fila, mas o monegasco mal apareceu depois disso, sendo ultrapassado pela dupla da Red Bull com incrível facilidade, escancarando o déficit de potência que a Ferrari tem. Largando atrás do companheiro de equipe, Hamilton fez uma corrida pífia, se distanciando ainda mais de Russell na vice-liderança do campeonato.

A McLaren viu Piastri relembrar seus bons tempos no primeiro stint de corrida, executando uma prova sólida e administrando bem a pressão da dupla da Red Bull, porém, tudo desandou após a relargada. O australiano vacilou na primeira relargada e nas primeiras voltas em bandeira verde perdeu o ponto de freada na curva quando era atacado por Hadjar, fazendo Piastri cair para as profundezas do pelotão, não conseguindo se recuperar nas voltas finais e zerar um final de semana que prometia forte. O primeiro de Piastri em muito tempo. Norris (foto acima) teve um final de semana esquecível, onde errou enquanto disputava com Hamilton, acabando por ser ultrapassado pelo compatriota e depois passou reto na curva um, perdendo posições para Gasly e Antonelli. Sem ser culpado pelo seu abandono, Norris saiu da corrida com a sensação de que a passagem por Baku não foi das mais animadoras, o mesmo fazendo a McLaren, que saiu do Azerbaijão com zero ponto.
Por sinal, a Alpine se igualou à McLaren nesse quesito. Com o carro mais competitivo do pelotão intermediário, a Alpine colocou seus dois pilotos no Q3 e ficaram ambos na zona de pontos o tempo inteiro, até Franco Colapinto ter uma diarreia mental na primeira relargada. Agora o argentino tem muitos motivos para chorar na frente dos microfones. A punição de cinco posições no grid da próxima corrida ficou barata para Colapinto. A Haas conseguiu escapar bem da confusão protagonizada pela Alpine e num momento raro nessas últimas corridas, pontuou com seus dois carros, mesmo Ocon, que já declarou que não tem contrato para 2027, tendo sido ultrapassado por Lindblad na linha de chegada.
Audi e Williams chegaram à Baku com novas atualizações e conseguiram resultados bem diferentes. Enquanto os alemães foram eliminados no Q1 e fizeram uma corrida bem ruim, a Williams viu Sainz conseguir o primeiro Q3 da equipe em 2026, mesmo que posteriormente sendo punido. O espanhol fez sua parada antes do SC e acabou se beneficiando, tirando Hulkenberg da décima posição nas últimas voltas e retornar aos pontos depois de vários meses. Destaque para Sérgio Pérez, que chegou a enfiar mais de 30s em cima de Bottas e andar próximo de Audi e Williams, reafirmando como um especialista em Baku. A Aston Martin abandonou com seus dois carros antes da metade da prova tendo problemas crônicos de falta de velocidade na reta de Baku.
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George Russell ainda tem uma enorme montanha a escalar pensando no campeonato e essa vitória em Baku pode lhe dar mais confiança, mas mesmo longe de brilhar como em Monza, Andrea Kimi Antonelli mostrou outra face ao fazer uma corrida mais discreta, mas muito eficiente e se na largada ele tinha 25 pontos de déficit para Russell, na bandeirada baixou para quinze pontos.
Com a Ferrari em queda e a Red Bull em ascensão, mas a Mercedes se mantendo ainda muito sólida como o melhor conjunto da F1 atual, Antonelli se mantém implacável rumo ao seu primeiro título, mesmo que erros como o de sexta não podendo se repetir.
Abraços!
João Carlos Viana