The Greatest 3

The Greatest 2
12/04/2021
Mano a mano
19/04/2021

Leia a 1ª http://gptotal.com.br/the-greatest-1/ e a 2ª partes  http://gptotal.com.br/the-greatest-2/ desta coluna:

 

O último piloto analisado deste modesto trabalho é Sebastian Vettel. O alemão dominaria a categoria durante quatro temporadas consecutivas, entre 2010 e 2013, ainda que também houvesse alguma polêmica sobre a legalidade do seu carro em algumas ocasiões.

Como Schumacher e Hamilton, Vettel também desfrutaria de total primazia dentro da equipe, deixando a Mark Webber o papel de segundo piloto, como o próprio australiano, com ironia e depois de vencer o GP da Inglaterra de 2010, admitiria. Os números de Vettel são os seguintes: azul, vitórias, vermelho, derrotas.

 

 

Uma vez mais vemos um importante número de vitórias ante seu próprio escudeiro, deixando uma percentagem neste quesito de 25,4%. Com Vettel na Ferrari desde 2015 e, se incluímos as duas vezes em que Kimi Raikkonen lhe escoltou até a chegada, essa percentagem ainda aumentaria. Basta lembrar como, no GP da Hungria de 2017, Kimi pediu licença para ultrapassar Vettel e esta lhe foi negada.

Referente às vitórias sobre campeões, Vettel apresenta 30, com uma percentagem de 56,6% sobre suas 53 vitórias. Enquanto às derrotas ante não campeões, estas foram 8 dentre 33 (24,24%). No caso da percentagem de vitórias sobre o total de GPs disputados, Vettel ocupa o 10º lugar da lista com 20,6%.

Com toda esta informação, podemos recopilar alguns dados para ter uma visão ampla da carreira destes pilotos e das vicissitudes acontecidas em suas trajetórias ao longo daquelas temporadas.

Numa primeira olhada chama a atenção como Senna, apesar de ser o piloto com o segundo percentagem de GPs terminados mais baixo, logo atrás de Piquet, apresenta a percentagem mais alto de vitórias sobre essas corridas. Assim, a conclusão lógica é que Senna aproveitava as suas ocasiões muito bem, rendendo num alto nível sempre que o carro lhe permitia terminar. Aqui o vemos de forma gráfica:

 

Não nos deve surpreender este gráfico pois, desde que o regulamento contempla que todas as corridas são validas para determinar as posições finais do campeonato, a fiabilidade dos carros foi aumentando e, faz anos, que é inclusive uma exigência do regulamento. Esta progressão na percentagem de GPs terminados vem dando mais oportunidades aos pilotos conforme os campeonatos se sucedem e, unido ao fato de que se disputam mais grandes prêmios, fazem com que Hamilton alcance uma percentagem de corridas terminadas de nada menos que 89,9% (Bottas, piloto cuja entrada na categoria foi posterior chega a 91,6%), enquanto que Piquet, o piloto com a estreia mais prematura deles, ficou em 56,8%. Como curiosidade, basta dizer que Hamilton tem praticamente tantas vitórias quantas corridas terminou Senna, e possivelmente… logo as supere.

 

 

Como uma recompilação aqui há um histórico das temporadas da primeira etapa, destacando o campeão, vice-campeão e terceiro colocado em cada uma delas, assim como as vitórias conseguidas por cada piloto em cada temporada.

 

 

Logo vemos que rara era a temporada em que não venciam e disputavam as posições de honra entre si. Não há dúvida que a presença de todos esses pilotos nas pistas ao mesmo tempo lhes obrigou a competir entre si fazendo que vitórias e títulos se dispersassem entre eles.

No entanto, desde o ponto de vista de aficionado, aquilo foi o melhor que nos podia acontecer, pois não é à toa que aquela etapa se recorda como verdadeiros anos dourados da Fórmula 1.

Porém, como diz um ditado espanhol, “dias de muito … véspera de nada”. Assim, após a abundância, veio a escassez, pois isso é que nos depara a etapa seguinte. Naquelas temporadas tivemos o que eu chamo de “campeão circunstancial”. De fato, foram cinco, pois os títulos de Hakkinen, Hill, Villeneuve, Buttom e Raikkonen foram conseguidos em circunstâncias muito concretas e nenhum deles, terminaria se afirmando como grande campeão, pois sempre aparecem longe dos primeiros lugares nas listas de melhores pilotos.

Hakkinen, foi campeão em 1998, na primeira ocasião em que teve um carro competitivo, mas na seguinte temporada, o acidente de Schumacher lhe facilitou as coisas. Ainda assim, Irvine, o escudeiro do alemão, quase levaria o título. Em 2000, a disputa interna com David Coulthard acabou facilitando as coisas a Schumacher. Hill se “beneficiou” da ausência de Senna e não foi mal, mas seu brilho foi fugaz. Por sua parte, Villeneuve, que teve uma irrupção fulgurante na categoria, também se apagou logo. Buttom, por sua vez, contou com a vantagem da genialidade do duplo difusor em seu carro e Raikkonen, outra grande promessa… ficou nisso mesmo: uma promessa nunca consolidada, cujo título veio propiciado pela disputa entre Alonso e Hamilton na McLaren.

Schumacher só perderia seu cetro ante Fernando Alonso, o primeiro piloto consistente que enfrentou. Esta é a recompilação da “era Schumacher”, onde podemos ver muitas mais ”lacunas” que espaços preenchidos:

 

 

Assim chegamos à etapa em que nos encontramos e que se caracteriza pelo duopólio Hamilton – Vettel, pois desde que entraram na categoria, em 2007, somam onze títulos nas catorze temporadas disputadas desde então, com sete para o inglês e quatro para o alemão. Apenas os títulos “circunstanciais” de Raikkonen, Buttom e Rosberg romperam a triunfal trajetória dessa dupla de multi- campeões, como podemos ver nesta recompilação:

 

 

O domínio exercido por ambos se fundamentou na superioridade que tanto Red-Bull quanto Mercedes vêm exibindo desde a temporada de 2010 e que as tornaram campeãs de construtores de forma consecutiva nestes últimos onze campeonatos. Apenas Fernando Alonso foi capaz de oferecer alguma resistência a Vettel, mas nem seu talento foi suficiente para compensar a diferença entre a Ferrari que tinha nas mãos e o Red-Bull do alemão. Nas últimas temporadas, desde a retirada de Rosberg, o jovem Max Verstappen é o único que vem animando um pouco as últimas temporadas, de maneira que é até possível estarmos sendo testemunhas do início de uma nova etapa, mas isso… já se verá !

Como consideração final e à vista de todos estes dados e uma análise rasa dos históricos destes multi-campeões, creio que temos suficiente informação para concluir que as palavras de Mason, Steward e Watson, com as que se iniciava esta coluna, ficam plenamente confirmadas quando observamos as trajetórias de todos eles e assim poder determinar que os pilotos que enfrentaram a mais dura concorrência foram Alain Prost e Ayrton Senna. Contudo, na disputa particular entre ambos, Senna leva clara vantagem, pois das 23 ocasiões em que cruzaram a linha de chegada ocupando as duas primeiras posições, Senna estava na frente em 16. De todas as 32 vezes em que terminaram juntos disputando a vitória, ou qualquer outra posição, o brasileiro deixou o placar em 19 a 13.

Deste modo, não é difícil compreender a razão pela qual Ayrton Senna emerge com frequência sobre outros pilotos com números mais avultados, pois como no caso de Muhammad Ali, o motivo que lhes leva a liderar essas listas de melhores vai muito além desses simples números ou frias estatísticas.

Como diz uma velha máxima, “A grandeza do vencedor depende da grandeza do adversário”.

Isso foi válido para Muhammad Ali e também é válido para Ayrton Senna.

Um abraço e até a próxima… cuidem-se!

Manuel Blanco

 

Manuel Blanco
Manuel Blanco
Desenhista/Projetista, acompanha a formula 1 desde os tempos de Fittipaldi É um saudoso da categoria em seus anos 70 e 80. Atualmente mora em Valência (ESP)

2 Comments

  1. Mauro Santana disse:

    Fantástico Manuel, uma Trilogia Top demais!

    Parabéns mais uma vez!

    Abraço!

    Mauro Santana

  2. Fernando Marques disse:

    Manuel,

    gostei muito da forma como você abordou o tema e como sob varias óticas, os números podem explicar o que foi os grandes campeões enquanto estiveram nas pistas na Formula 1.
    Só que eu um macaco já ficando velho, que teve o privilégio de poder acompanhar e assistir muito da Formula 1 desde 1970, nem sempre fica totalmente satisfeito com as conclusões finais destas análises estatísticas. Concordando sim, mas não satisfeito …
    Por que …
    Para se ter uma ideia, fico aqui imaginando o quanto sempre foi muito difícil para qualquer piloto chegar na Formula 1 … mesmo que para realizar apenas uma corrida … quanto mais correr um campeonato inteiro … o quanto quanto mais marcar pontos … o quanto quanto quanto mais subir num pódio … o quanto quanto quanto quanto mais vencer ao menos uma corrida … o quanto quanto quanto quanto vencer mais que uma corrida … e quanto infinitamente quanto e ser campeão.
    Assim sendo sempre dei muito mérito pra quem chega ao menos fazer um treino num Formula 1. Pra andar num carro de Formula 1 tem que ser muito fera …
    Ainda mais quando pude ver e acompanhar a carreira de muitos pela Formula 1 .
    E aí não tem jeito … as minhas preferências, a minha forma de ver e entender nem sempre se dão como satisfeitas ao fins destas conclusões estatísticas ….
    O que não tira o mérito dee tão bom foi a sua sensacional coluna …

    Fernando Marques
    Niterói RJ

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